Meio Ambiente (água, ar e solo)

Cresce a procura por tratamento Off-Site de efluentes industriais

Marcelo Furtado
29 de junho de 2019
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    Química e Derivados - Tancagem para efluentes a tratar na Attend, em Barueri-SP

    Tancagem para efluentes a tratar na Attend, em Barueri-SP

    O mercado de tratamento de efluentes off-site, na expectativa de que finalmente ocorra uma retomada da atividade industrial no país, começa a se fortalecer para receber mais pedidos de empresas que terceirizam a operação dessas estações.

    Não chega a ser um movimento com grandes investimentos, de novas instalações, mas ações pontuais em algumas das unidades que prestam esse tipo de serviço e demonstram que há um clima de expectativa de retomada da produção em algum momento do futuro próximo, gerando mais efluentes a serem tratados.

    Um exemplo disso ocorre na Attend Ambiental, de Barueri-SP, empresa nascida da união entre Sabesp e Estre, que conta com linhas dedicadas para vários tipos de efluentes, os quais são, ao final do tratamento, encaminhados via tubulação para o sistema biológico da ETE Barueri, em cujo terreno a Attend está implantada desde dezembro de 2014.

    Em março, a Attend conseguiu a licença de operação de suas duas últimas linhas de tratamento: a azul, para efluentes orgânicos voláteis e produtos biodegradáveis, como compostos fenólicas, corantes e solventes provenientes das indústrias têxtil, farmacêutica e química, e a linha vermelha, para tratar lamas bentoníticas e lodos de ETE, oriundos de perfuração de poços, escavação e do tratamento de esgoto.

    Reforço na equipe – Segundo o gerente comercial da Attend, Sylvain Maïs, para vender a nova solução das linhas, houve inclusive um reforço na equipe, entre julho e agosto de 2018, com o propósito de buscar novos contratos em indústrias que geram esses tipos de efluentes. A linha azul conta com o processo oxidativo avançado Fenton, com sulfato de ferro e peróxido de hidrogênio, para quebrar as cadeias moleculares, por exemplo, de efluentes de reatores de produção de defensivos agrícolas e residuais de tanques e embalagens de produtos químicos. A linha tem capacidade para tratar 120 m³/dia. Já a linha vermelha é um sistema de desidratação por filtro-prensa (375 m³/dia).

    Química e Derivados - Instalação coberta da Attend recebe cargas 24 horas por dia

    Instalação coberta da Attend recebe cargas 24 horas por dia

    No fim de 2018, haviam também entrado em operação outras duas linhas: a amarela e a cinza. A amarela é para efluentes inorgânicos, como metais pesados e substâncias ácidas e alcalinas, vindos das indústrias metalomecânica e de galvanoplastia. O tratamento é voltado principalmente para soluções aquosas de desengraxantes e decapantes, efluentes de sistemas de exaustão de fundição, da produção de baterias automotivas, de limpeza de elementos gráficos e processos de revestimento metálico em geral. O tratamento envolve floculação, flotação por ar dissolvido, homogeneização e ajuste de pH, reação de precipitação e filtração. Com seis baias, tem capacidade para 345 m³/dia (23 caminhões).

    A linha cinza é para efluentes com alta concentração de óleo, graxas, borras oleosas de origem animal, vegetal ou sintética. Além da remoção de sólidos por gradeamento manual, os óleos sobrenadantes são removidos por skimmer, que precede a floculação e a flotação por ar dissolvido, antes do encaminhamento para a ETE Barueri para o tratamento biológico, como se dá com todos os efluentes tratados pela Attend. A capacidade dessa linha é de 240 m³/dia, em três baias.

    Desde o fim de 2014, a Attend opera com a linha verde, para tratar altar carga orgânica, chorume de aterros, que representam o maior volume do tratamento. Praticamente todos os grandes aterros da região metropolitana enviam chorume para lá, como o Aterro Caieiras e o CDR Pedreira. Com 12 baias para descarregamento simultâneo, isso significa capacidade para 216 carretas de 30 m³/dia e vazão média de 6.480 m³/dia.

    Na linha verde, o tratamento inclui gradeamento para remoção de resíduos sólidos grosseiros, tanque de separação de óleos e graxas por gravidade. Com os resíduos sólidos separados e descartados em aterros, o efluente final passa por medidor de vazão (calha Parshall), antes de seguir para a ETE Barueri via tubulação, onde há remoção de carga orgânica por tratamento biológico.

    Outra linha que também já estava em operação é a marrom, para efluentes com alta carga de sólidos, como os oriundos de fossas e autofossas residenciais e industriais, de caixas de gordura, de banheiros químicos, efluentes industriais não-perigosos e da indústria de alimentos. Conta com 12 baias para descarregamento automático e capacidade para tratar uma média de 4.800 m³/dia, o equivalente a 320 caminhões de 15 m³/dia. Seu tratamento inclui remoção de sólidos grosseiros por gradeamento e remoção de areia, sólidos mais finos e gorduras por meio de roscas rotativas.



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