Couro e Curtumes

Couros: Linhas de alta qualidade incluem química avançada

Fernando C. de Castro
20 de junho de 2004
    -(reset)+

    A Clariant desenvolve todas as variações de agentes químicos existentes no mercado de acabamento, mas está abandonando as soluções com solventes orgânicos, priorizando os de base água. Estima ocupar 12% do mercado nacional de químicos para couro. Detém ainda a tecnologia completa de produtos desde a ribeira, passando pelas etapas de curtimento e recurtimento. Conforme Luiz Carlos Jacobus, coordenador de acabamento da Clariant, dependendo da finalidade do couro, uma primeira camada de corante para tingimento pode ser feita já no recurtimento.

    Defeitos provocados por lesões cutâneas, marcas de carrapatos, fendas, são problemas que os transformadores de couros não querem. Por outro lado, os criadores se negam a investir em confinamento, melhor higienização dos rebanhos e combate a parasitas. Conforme Evandro Kich, da área desenvolvimento técnico para finalização de couros da Basf, um especialista no assunto, nos últimos anos houve uma reclassificação do couro.

    Química e Derivados: Couros: Lacroix - pele brasileira é boa para estofados. ©QD Foto - Fernando de Castro

    Lacroix – pele brasileira é boa para estofados.

    Antigamente a qualidade era definida pela numeração de 1 a 8, mas atualmente é de 1 a 4. Passaram a valer para efeito de qualificação as peles que iam de 5 a 8, o que fez o couro ficar nivelado por baixo, segundo Kich. Somente 10% das peles, acrescenta o técnico da Basf, têm a qualidade superior do critério antigo. Os 90% restantes são lixados para a retirada dos defeitos. Com isso, esses couros precisam passar por doses elevadas de corantes ou seu pintados com pistola. Conforme o tipo de resina a entrar na formulação o couro fica com aparência artificial e perde valor de mercado. Daí, revelou Kich, a opção de muitos estilistas pela utilização de couros sintéticos.

    A Basf, assim como a Clariant, oferece produtos desde a ribeira, passando pelo curtimento, recurtimento, semi-acabamento e acabamento. A empresa está atenta às legislações ambientais e os produtos banidos de suas unidades na Europa foram retirados de fabricação em todas as suas filiais espalhadas pelos cinco continentes. Resinas com base água, mas contendo metais pesados, também passam por substituição. Outro produto que está proibido é o NMP, um solvente. Os produtos Basf já são livres de formol e de outros voláteis orgânicos (VOC).

    Outra empresa direcionada ao acabamento do couro é a Kromática. A empresa com capital brasileiro e matriz em Portão-RS, representa marcas de corantes produzidos na Índia e complementa a oferta de produtos com as resinas, lacas, ceras, caseínas e pigmentos. Um dos sócios da empresa, Gustavo Corrêia, aponta uma tendência pela racionalização do uso dos corantes e credita à globalização da economia os méritos pela desconcentração do mercado anteriormente dominado por grandes grupos.

    Graças a esse fenômeno, opinou Corrêia, o preço dos produtos em média caiu dos US$ 20 o quilo para US$ 6 em 15 anos, pois outros players chegaram ao mercado oferecendo alternativas de produtos. No momento, existe um boom de fabricantes e distribuidores. Somente em corantes o Brasil deve estar consumindo 500 toneladas por mês. Segundo Corrêia, muitos produtos evoluem na estrutura química. Aqueles com difícil modificação acabam sendo substituídos por novos compostos mais versáteis.

    Com a valorização cada vez maior da etapa de acabamento, algumas empresas apostam neste nicho de mercado para priorizar suas estratégias de crescimento. É o caso da Corquímica, resultado da união de um grupo de ex-funcionários da filial brasileira da Stahl, organização com matriz na Holanda. A empresa opera principalmente com produtos para a última etapa do acabamento. São soluções para o sapato já pronto, no caso pastas e cremes usados na cobertura da porosidade e valorização do brilho. “Muitas vezes um lote de sapatos leva nove meses até chegar ao destino. É preciso formular produtos para a conservação do estoque”, assinalou Vanderlei Musso, um dos sócios da Corquímica.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *