Couro e Curtumes

Couro: Perspectivas 2009 – Alta do dólar pode diminuir importações da China e minimizar efeitos da crise

Fernando C. de Castro
14 de janeiro de 2009
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    Diante disso, o dirigente da Aicsul espera que sejam agilizados os acordos com o Compet, mecanismo que estabelece critérios para a liberação dos créditos de ICMS retidos pelo governo estadual. O setor coureiro gaúcho abrange 224 empresas, totaliza um faturamento anual aproximado de R$ 2 bilhões e gera 16 mil empregos diretos. Porém, vive momento dramático pela falta de capital para movimentar sua produção. O quadro já vinha se agravando com o aumento dos créditos de ICMS relativos a exportações.

    As empresas do Vale dos Sinos enfrentam problemas também com créditos de tributos federais como PIS e Cofins. O diretor-executivo da Aicsul salienta que esse processo estava caminhando bem, fruto do bom trabalho desenvolvido, mas foi interrompido pela re-estruturação da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo-RS. Até o fechamento desta edição, não havia sequer um delegado da Receita Federal na cidade para resolver o problema. À espera de melhores dias, Griebeler comenta que a crise internacional tornou a situação insuportável.

    Descapitalizadas, as empresas vivem agora o drama do crédito escasso e caro, além de um cenário internacional de demanda baixa, direcionado principalmente para o mercado externo de móveis, estofamentos automotivos, calçados, vestuário e artefatos. “Reconhecemos como positivo o esforço para sanar as contas públicas estaduais, mas a situação ficará insustentável se as empresas não receberem o que é delas”, finalizou o dirigente da Aicsul.

    Química e Derivados, Júlio Camerini, Ex-presidente da Fenac/Fimeq, Ricardo Michaelsen, Atual presidente da Fenac/Fimeq, Couro

    Júlio Camerini (esq.) passou cargo para Ricardo Michaelsen: ambos confiam em 2009

    Gestão exemplar – Por ocasião da apresentação da nova diretoria da Fenac/Fimeq, o ex-presidente Júlio Camerini, que passou o cargo para Michaelsen, promoveu um balanço de sua gestão. Conforme Camerini, sua diretoria saneou os cofres da empresa, tornou a entidade autossuficiente e implantou o planejamento estratégico com plano de ação para os próximos cinco anos. “O que se fez na Fenac foi dar a ela um formato de empresa, sem interferências externas, sem ingerências políticas, conduzindo tudo dentro de parâmetros empresariais, com metas a serem atingidas”, assinalou. “Todos os pagamentos correm dentro de um fluxo de caixa equilibrado e supervisionado pelo conselho de administração. Hoje a Fenac é uma empresa extremamente sólida, com recursos aplicados.”

    Uma das fórmulas de sucesso da Fimec, de acordo com Camerini, é a atuação em parceria com as principais entidades do setor coureiro-calçadista. Na edição deste ano, a Fenac conta novamente com a participação das diversas entidades representativas da cadeia produtiva do couro, como a Associação Brasileira de Estilistas de Calçados e Afins (Abeca), além da Associação Brasileira de Químicos e Técnicos da Indústria do Couro (Abqtic).
    São copromotoras do evento ainda a Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq), a Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul (Aicsul), a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assitencal), o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CIB) e o Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçado e Artefatos (Ibtec).

    Lançamentos e dúvidas – Ainda que a diretoria da Fimec produza um cenário positivo sobre 2009, o momento ainda é de incerteza entre executivos da indústria química direcionada ao segmento. O gerente da unidade de negócios da Lanxess do Brasil, Fábio Fonseca, acredita numa repercussão ainda negativa para os negócios nos primeiros meses do ano como reflexo do epicentro da crise do ano passado.

    Mas adianta os lançamentos para a Fimec 2009: o Aquaderm-Shield, que cria uma espécie de escudo no couro ao diminuir as possibilidades de incrustação de sujeira e, ao mesmo tempo, torna o couro lavável. Baseado em nanotecnologia, o Aquaderm-Shield é voltado aos couros de alto nível empregados na forração dos estofamentos automotivos. O produto protege o couro de manchas provocadas por mostarda, molhos, tintas de marcadores de textos ou óleo de motor.

    Também será lançado o Levotan X-Cel, microcápsulas que se expandem com o calor para deixar o couro mais uniforme, aumentando a área de corte e diminuindo o desperdício. O Euderm X-Grade, microcápsulas usadas para dissimular os efeitos do couro, evitando que ele perca suas características. O principal produto usado pelos curtumes é o sulfato básico de cromo, usado no curtimento de couros e peles, segmento em que a Lanxess é líder de vendas com o Chromosal B-A.

    Na área de recurtimento e acabamento, os mercados que mais demandam produtos são os de estofamento mobiliário e automotivo, além dos calçados. Nessa área, a Lanxess oferece seus taninos sintéticos da marca Tanigan, e também possui uma expressiva participação mundial no mercado de acabamento de couros automotivos, atuando em forte cooperação com os fornecedores de couros para as montadoras.

    A Lanxess se apresenta como a mais completa fornecedora de produtos químicos para couros. O Brasil possui centros curtidores estabelecidos no Rio Grande do Sul, São Paulo, e nas regiões Centro-Oeste e Nordeste. As regiões Sul e Sudeste concentram aproximadamente 65% do consumo de produtos químicos para couros.



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