Couro e Curtumes

Couro: Mercado externo surge como alternativa para empresas nacionais saírem da crise – Perspectivas 2016

Quimica e Derivados
11 de abril de 2016
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    Lançado em setembro de 2014, o projeto “Make in India” visa facilitar o investimento e promover a inovação em 25 setores produtivos indianos, para transformar o país em um centro de design e fabricação global. O objetivo do programa governamental é aumentar a participação do setor manufatureiro para 25% do PIB da Índia nos próximos três anos.

    Repercussão – José Fernando Bello, presidente executivo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) avalia como positiva a missão indiana ao Brasil. “Os curtumes brasileiros têm muito interesse no mercado indiano de manufatura em couro pela sua dimensão e pela previsão de forte crescimento”. Mas quanto à possibilidade de alguma empresa se estabelecer na Índia, ele considera ainda muito prematuro para tomar essa decisão: “certamente, algumas empresas avaliarão a possibilidade”, completa.

    Bello informa que o CICB, com o Projeto Brazilian Leather, já realizou uma missão comercial à Índia e já recebeu aqui uma delegação de empresários indianos. “Além disso, participamos da IILF, maior feira de couros e artefatos em Chennai (realizada em fevereiro, no sul da Índia), com exposição de oito curtumes brasileiros, cujas perspectivas de incrementos nos negócios são muito fortes”.

    Para o presidente-executivo da Abicalçados, Heitor Klein, o governo indiano identificou as debilidades da economia brasileira, especificamente do setor calçadista, e está buscando oportunidades de negócio. “Dentro de uma economia de mercado globalizada, é perfeitamente compreensível esse tipo de assédio, e também não seria surpresa o interesse de empresas brasileiras que buscam condições mais competitivas de produção”.

    Mas ele faz ressalvas: “De nossa parte, o calçadista brasileiro pode ter a certeza de que seguiremos lutando por condições mais favoráveis à produção de calçados em território nacional, de forma a aproveitar não somente a mão de obra qualificada que temos no país, mas também a criatividade inerente do brasileiro e a organização de uma cadeia de fornecedores que data do final do século XIX.”

    Klein destaca que a Abicalçados continuará reivindicando menor carga tributária, legislação trabalhista atualizada e melhor infraestrutura para que a indústria do setor não sofra mais perdas de postos de trabalho. “Temos que seguir gerando riqueza econômica e social para o país”, completa.

    Perfil de mercado – O ano de 2015 encerrou negativo tanto para os curtumes quanto para a indústria brasileira de manufaturados de couro. José Fernando Bello aponta que houve uma forte redução nos preços internacionais do couro, que afetou o desempenho em dólares. Porém, em moeda nacional, o balanço foi satisfatório. “Em reais, o resultado foi positivo devido à taxa cambial mais favorável. Apesar de graves problemas de aumento de custos internos, como energia elétrica, juros, transporte, mão de obra, e da retirada do Reintegra (Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as empresas exportadoras), esperamos crescer de 10% a 12% em dólares em 2016. Atualmente exportamos aproximadamente 77% de nossa produção de couro bovino. Os principais clientes são China, Itália, Estados Unidos e Vietnã.”

    De acordo com a Abicalçados, o avanço dos materiais sintéticos, tanto pela questão do preço mais competitivo como pela inovação tecnológica, tem sido substancial nos últimos anos. Ao mesmo tempo, o consumo de couro pelo setor automotivo tem apresentado forte crescimento, principalmente no mercado internacional, e já representa cerca de 20% da produção mundial do produto.

    Química e Derivados, Perspectivas 2016 - Couro: Mercado externo surge como alternativa para empresas nacionais saírem da crise

    Meio ambiente – A indústria brasileira de couro possui aproximadamente de 400 curtumes, sendo que cerca de 80% são considerados de pequeno porte. O processo de transformação de peles em couros é normalmente dividido em três etapas principais: ribeira, curtimento e acabamento. Em todas elas há grande consumo de insumos, sendo a água um dos mais importantes. Segundo informações do Centro Tecnológico do Couro do Senai Rio Grande do Sul (publicado na Série P+L da Cetesb em 2005), o consumo total médio do setor brasileiro está estimado em cerca de 630 litros água por pele salgada.

    O consumo de produtos químicos pela cadeia do couro é um fluxo intersetorial importante, porém, apesar da indústria química nacional atender à demanda dos curtumes, grande parte dos insumos para o beneficiamento do couro é importada, com apoio do sistema drawback (importação para exportação futura).

    José Fernando Bello explica que os curtumes no Brasil estão atentos às mais novas tecnologias existentes no mundo do couro. “São feitos muitos investimentos em capacitação técnica e uso de processos de reciclo de águas alinhados com as questões ambientais e de substâncias restritas, além de investimentos em novos equipamentos. Vale lembrar que nosso setor é pioneiro na criação da Certificação de Sustentabilidade do Couro Brasileiro (CSCB), que está em vias de ser finalizado. Trata-se do primeiro selo que inclui parâmetros econômicos, ambientais e de responsabilidade social para o segmento de produção de couros e peles. A partir do CSCB, os compradores de couro de todo o país e até do exterior terão uma garantia da procedência do produto, que respeita critérios de uma produção equilibrada”.



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