Couro e Curtumes

Couro: Fimec se consolida como feira global

Fernando C. de Castro
16 de maio de 2004
    -(reset)+

    Na área de adesivos e colas, ficou evidente a preocupação com o meio ambiente. Nesse aspecto o Grupo Brascola, um dos líderes nacionais do segmento, apresentou uma linha completa de materiais livres de solventes aromáticos, o Aquapren Water Plus, adesivo poliuretânico disperso em água com resistência mecânica ao calor; o Aquapren Montagem, formulado para a montagem de calçados; o Aquapren Base, substrato utilizado antes do Aquapren Plus; e o Aquapren Preparo, usado na preparação de cabedais de calçados de couro ou sintéticos, também com alta resistência às temperaturas elevadas e pega permanente, como informou o fabricante.

    Há ainda o Aquapren Aquafixa para colagem de couro e tecido e o Aquapren Pasta também para cabedais e montagem de calçados. A Artecola, segundo seu diretor Eduardo Kunst, também está abandonando os solventes, principalmente o tolueno. Ao mercado coureiro calçadista, a empresa de Gravataí oferece diversas linhas de adesivos poliuretânicos apresentados como produtos de alta qualidade e totalmente recicláveis.

    Curtentes de tanino – Especializada na produção de curtentes e recurtentes à base de tanino vegetal, a Tanac, de Montenegro-RS, vem apostando a cada ano no aumento da preferência da indústria de curtumes pelo consumo de curtidores naturais. “O cromo é um metal pesado, o tanino é natural, pode ser empregado e colocado em contato com a pele humana sem restrições”, explica o assistente-técnico da Tanac, Antônio Vieira Feijó. A empresa conta com 15 tipos de taninos diferentes, cores e concentrações, sendo fornecidos em estado líquido ou sólido em pó. Dependendo da cor do produto final e, funciona como corante natural.

    De qualquer maneira, enquanto a indústria não consegue um substituto para o cromo capaz de conferir a durabilidade desejada, Feijó considera viável promover formulações contendo o metal e o tanino na etapa de curtimento, até como forma de diminuir o teor do cromo. “O casamento dos dois dá um couro forte para qualquer aplicação e ao mesmo tempo flexível e espesso”, assinalou.

    A Tanac trabalha forte hoje com a genética das plantas. Com isso, já conseguiu gerar um tanino retirado da acácia-negra com a estrutura química da castanheira e do quebracho, com pH mais baixo. Esse é o caso do Supertan XL cujas propriedades são semelhantes ao do quebracho. Atualmente, o grupo exporta seus produtos para 70 países. A localização das áreas de plantio próxima ao paralelo 30º de latitude tem mostrado em estudos que aos sete anos, a acácia-negra está pronta para o corte. Já em outras regiões, a planta leva dez anos até amadurecer.

    A filial brasileira da empresa alemã Trumpler, localizada em Novo Hamburgo, levou amostras de curtidores vegetais retirados do quebracho e um recurtidor à base de sulfato de alumínio. Conforme o gerente-comercial da empresa, Cláudio Leonhardt, no recurtimento propriamente dito o cromo foi praticamente banido, permanecendo somente na etapa de curtimento e naquelas aplicações realmente necessárias, como nos couros para sapato. “Na Europa, os fabricantes de artefatos de couro já evitam comprar o material com a presença desse metal pesado”, finaliza Leonhardt”.

    Apesar do sucesso da Fimec os empresários e executivos presentes ao evento continuam preocupados com a decisão do governo federal em derrubar as alíquotas de exportação do wet blue – couro curtido de baixo valor agregado -, ameaçando diretamente a indústria nacional de curtume capaz de processar todas as etapas do couro. “Esse é o tema que realmente está nos preocupando. Sentimos uma séria ameaça”, advertiu o presidente da Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul, César Müller, por ocasião da entrevista coletiva que marcou o final do evento em 18 de abril.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *