Couro e Curtumes

Couro: Fimec lança novos insumos para curtumes

Fernando C. de Castro
26 de junho de 2003
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    Há também um grupo de resinas híbridas WT 6690 para acabamentos com gravação, mais a linha KH 6672 e RH 6663, que respectivamente são empregadas para conferir brilho e flexibilidade. O gerente técnico da Stahl, Cyprian Mushumba, revela que a empresa está especialmente atenta para o mercado de estofamento para automóvel que já responde por 60% do couro consumido no mercado interno. A Basf exibiu junto com a Audi um veículo da série A3 de última geração com 225 cavalos de potência, tração automática das quatro rodas, cujo acabamento impecável conta com o estofamento de couro totalmente processado com sua tecnologia de recurtimento e acabamento.

    Sulfato de cromo – Apesar da polêmica com os ecologistas, o cromo continuará sendo o principal ativo químico da indústria de curtimento. A aposta é da diretora de marketing da MK Química, Lisiane Kogler. “É importante que se diga que não há uma restrição formal à utilização do cromo para o curtimento de couros. A preocupação está no controle do processo de curtimento, para evitar a formação do cromo VI”, afirmou. O curtimento ao cromo é o método de curtimento mais importante na atualidade por conferir ao couro propriedades como a elevada versatilidade, estabilidade à luz e ao calor, estabilidade hidrotérmica, resistências físicas superiores aos demais curtentes, ciclos curtos de produção, boas propriedades tintoriais, maciez, elasticidade, e baixa massa específica, dentre outras.

    Segundo Lisiane, ao empregar sais de cromo já na sua forma trivalente, as empresas têm a garantia de que o couro curtido não vai apresentar o cromo na valência VI ou VIII, considerados perigosos. Paulo Catanhede, da Rhodia, concorda com a diretora da MK: “Todas as tentativas de substituir o cromo foram infrutíferas. Os curtentes de origem vegetal provenientes do tanino não conferem a mesma qualidade, mas podem resolver o problema para a confecção de bolsas e acessórios que não necessitam da mesma resistência dos sapatos.” Apesar disso, o executivo da Rhodia reconhece que as grandes empresas químicas mantêm pesquisas no sentido de substituir o cromo em definitivo. “Esse é um desafio a ser perseguido até encontrarmos uma solução ambientalmente aceitável”, continuou Catanhede.

    A Bayer mantém jazidas do minério de cromo na África do Sul, principal fonte de sulfato de cromo que a empresa exporta para Europa e Ásia. A parcela consumida na América é produzida pelo grupo alemão em uma fábrica da Argentina. No total, a Bayer processa 80% do cromo que consome. Os outros 20% são vendidos às empresas menores em todo o mundo, que obtêm os sulfatos, dissulfatos e os demais sais de cromo utilizados também no recurtimento. Noventa e cinco por cento do wet blue, o equivalente a 143 milhões de pares de sapato, provêm do sulfato de cromo, composição química à qual é atribuída a mais alta qualidade do couro, quanto o assunto é resistência mecânica, capacidade de impedir a passagem da luz e durabilidade.

    Wet blue ainda domina vendas ao exterior

    A Fimec (Feira da Indústria de Máquinas, Equipamentos e Componentes para Couro) é a terceira maior feira da cadeia produtiva do couro do mundo, atrás de Bologna, na Itália, e da exposição realizada anualmente na China, cancelada em 2003 por causa da epidemia de pneumonia atípica que assola o continente asiático. Aproximadamente 50 mil visitantes passaram pela exposição de Novo Hamburgo-RS nos quatro dias de portões abertos ao público. Um dos temas que tomou conta dos seminários e eventos paralelos foi a necessidade de se agregar valor ao couro brasileiro, pois 50% do material ainda é exportado, antes do recurtimento, na forma de wet blue, com baixo valor agregado. Com o suporte da biotecnologia, diversas ações têm sido direcionadas à transformação da proteína animal em substâncias essenciais ao desenvolvimento da indústria farmacêutica e cosmética, com amplo uso na medicina reparadora e na indústria alimentar.

    Estudos recentes demonstraram que as peles de algumas espécies animais contêm oito dos nove aminoácidos essenciais à sobrevivência humana. Além disso, uma das sugestões de integrantes da indústria química é apertar a legislação obrigando os curtumes a exportar o couro semi-acabado ou acabado, com maior valor agregado, melhorando o desempenho em exportações e ampliando também o mercado de trabalho do setor. Na Argentina, por exemplo, a legislação proíbe a exportação de wet blue.

    A potencialidade do setor coureiro, hoje, pode ser diagnosticada por meio de diferentes indicadores. Em termos quantitativos, os números que envolvem a produção no Brasil são bastante expressivos, chegando, em 2000 a 32,5 milhões de couros bovinos (cerca de 11% do mercado mundial) e 7,3 milhões de peles de ovinos e caprinos. “Podemos conquistar muito mais mercado com as exportações. É uma das locomotivas do nosso Estado”, desafiou o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, em seu discurso de abertura.

    Somente no Projeto Comprador, a Assintecal e a Agência de Promoção das Exportações (Apex) reuniram 39 compradores estrangeiros, em especial da América Latina. Na edição, em 2002, as negociações registraram US$ 3 milhões em vendas ao exterior. “O momento atual está muito favorável ao comércio exterior. Nossos principais concorrentes são os europeus e, com o euro em valorização, o produto deles perde muito em competitividade”, continuou o presidente da Assitencal, Renato Kunst.



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