Couro e Curtumes

Couro I: Curtumes buscam nichos em porcos, jacarés e cavalos

Fernando C. de Castro
2 de março de 2004
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    Conforme o diretor da Jota & Esse, Sérgio Dal Toe, a firma partiu para a comercialização da pele de cavalo como uma alternativa de preço. De abril a junho, essa matéria-prima fica 15% mais barata em comparação com a bovina, como conseqüência do período de fabricação de botas e sapatos para abastecer o mercado de calçados de inverno da Europa, cujo movimento de exportação começa entre julho e agosto.

    Química e Derivados: Couro I: Dal Toe - butiques dos Jardins aderem ao couro de cavalo.

    Dal Toe – butiques dos Jardins aderem ao couro de cavalo.

    Nesse período, os frigoríficos inflacionam a pele convencional. Assim, como o bovino o de cavalo serve à confecção de sapatos, carteiras, tênis e sandálias. Há 12 clientes cativos nos mercados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Um outro nicho é o couro de cabra e do mestiço como é denominado o animal resultante do cruzamento entre caprinos e ovinos, também denominado carneiro de pelo curto do nordeste do país. É destinado a um público ainda mais seleto.

    Jacaré negro – Em Estância Velha-RS, capital brasileira do curtimento de couro, opera um entre os cinco processadores de pele de jacaré existentes no Brasil, dentro dos parâmetros definidos na legislação de proteção à fauna e sob a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). A unidade de Luís Bocchi adquire a matéria-prima de 12 criatórios do jacaré-negro-do-pantanal homologados para desenvolver a espécie em cativeiro e abatê-la para finalidade comercial.

    Valor agregado não falta à pele do réptil. Se um calçado de cromo alemão é cotado a R$ 800,00 em média, um dos mais caros quando o assunto é couro de boi, o mesmo não sairia por menos de R$ 2.700,00, se fosse confeccionado com o couro de jacaré. O químico e biólogo Luís Bocchi informa que 80% da produção são exportadas para os Estados Unidos. Os 20% restantes são vendidos como revestimento dos calçados, bolsas e demais acessórios das grifes mais caras do Brasil.

    O Brasil ainda engatinha nesse tipo de curtume. E mesmo alguns curtidores do Mato Grosso dependem do know-how de Bocchi para processar suas peles. Enquanto o país abate dez mil animais por ano, o líder mundial do segmento, a Colômbia, esfola 600 mil legalmente, e 1 milhão clandestinamente. Nas Austrália e África juntas, 60 mil crocodilos são abatidos legalmente a cada 12 meses com a finalidade de venda da carne como alimento humano e da epiderme como matéria-prima para roupas, acessórios e calçados.

    O processo de curtimento da pele de jacaré é diferente. A carne não é salgada após o abate. Sai congelada do abatedouro. No próprio curtume é descongelada e recebe cargas de biocidas, fungicidas e conservantes para cortar a decomposição biológica natural. No remolho e no caleiro é retirada a queratina. Posteriormente, o PH é rebaixado de 12 para 8,5.

    Em seguida, é realizada uma lavagem com enzimas para retirada de gorduras e fibras. No píquel é necessário banhar a pele em ácido fórmico e clorídrico com o objetivo de remover células de tecido ósseo existente dentro da pele do réptil.

    Somente após a etapa de purificação do couro entra o sal de cromo para o curtimento. O recurtimento acontece com extratos vegetais ou sintéticos de tanino. Enquanto um couro bovino leva 24 horas para ser totalmente processado, o do jacaré necessita de banhos de vários dias, levando até 20 para ficar totalmente pronto. A adição de cores ocorre por tingimento já nos padrões encomendados pelos fabricantes de artigos em couro.

    Praticamente não existem procedimentos mecânicos em fulão como ocorre com as demais peles. “O processo do couro de jacaré é muito mais químico do que mecânico”, explica Bocchi. Ele também trabalha com o couro de avestruz, cujo processo é semelhante, mas exige ação muito mais forte para retirar a gordura.



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