Couro e Curtumes

Couro: Curtumes aderem ao acabamento, mas governo prefere apoiar o wet-blue

Marcelo Furtado
26 de fevereiro de 2004
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    Química e Derivados: Couro: Lamb ( esq.) e Kuhn vendem tanino taylor-made.

    Lamb ( esq.) e Kuhn vendem tanino taylor-made.

    Até mesmo por ter esse foco o produto ainda não deslanchou de vez, para o gerente. “As vantagens principais do sistema são para o importador do wet-blue”, diz. Cantanhêde se refere ao fato de que o couro tratado sem o emprego de muito ácido mantém mais da resistência mecânica natural e da firmeza da flor do couro, visto que a ação corrosiva hidrolisa a proteína perdendo substância dérmica do material.

    A estratégia de vender diretamente atende ao plano de criar uma divisão de couro na Rhodia. Isso porque a empresa já iniciou a venda de outros produtos, resultado de outras descobertas de novos usos para derivados da cadeia cetônica de sua unidade de Paulínia-SP. Uma linha de desencalantes, denominada Descal, à base de ácidos orgânicos, da cadeia do adípico, está buscando substituir os tradicionais sulfato ou cloreto de amônio, empregados na fase de remoção da cal. Segundo o gerente, o Descal possui maior poder de solubilidade e não libera nitrogênio no efluente, uma crescente exigência ambiental. Outro produto é o Rhodiaeco Formiplus, uma mescla de ácidos acéticos que substituem o ácido fórmico utilizado na piquelagem (etapa de preparação para o curtimento).

    Juntando todos os produtos, a Rhodia comercializa hoje cerca de 200 t/mês. Mas a meta é aumentar ainda mais o leque de produtos. Ainda neste semestre a empresa promete lançar uma linha de taninos sintéticos, tarefa fácil tendo em vista que são compostos fenólicos e a Rhodia é a única produtora de fenol do País. Outra idéia é lançar resinas acrílicas para recurtimento e acabamento e um sal, a partir de ácidos dicarboxílicos, para substituir o formiato de sódio empregado como neutralizante em recurtimento.

    Química e Derivados: Couro: Cascas de acácia na Tanac - maior produção.

    Cascas de acácia na Tanac – maior produção.

    Taninos – Outro exemplo de “especialização” nas fases até o curtimento ocorre com a maior produtora nacional de curtentes de taninos vegetais, a Tanac, de Montenegro-RS. “Hoje as modificações de características dos taninos para atender pedidos de clientes são parte do dia-a-dia da empresa”, afirmou o gerente de pesquisa e desenvolvimento, Luiz Henrique Lamb.

    A tendência taylor-made segue uma outra maior, a da preferência de consumo por produtos naturais, o que estimula a opção por um curtente extraído das cascas das árvores de acácia negra. Por enquanto, são utilizados basicamente como curtentes em couros atanados (mais pesados e empregados em cintos e bolsas), em solas de sapato e como recurtente de couros curtidos ao cromo. Mas com as modificações podem ganhar mais terreno, principalmente no mercado externo. Um exemplo de novo uso no exterior é como curtente em couros para cabedal de sapato. “Misturas de taninos possibilitaram o uso”, explica Lamb.

    A Tanac identifica a tendência naturalista em vários dos clientes estrangeiros, responsáveis por dois terços de suas vendas totais. “A meta é fazer modificações para aproximar o tanino vegetal das propriedades do cromo, ainda difíceis de ser atingidas”, explicou o gerente de vendas Edison Kuhn.

    Só para lembrar, o cromo suporta testes de temperatura até 110ºC, sem encolher, enquanto o tanino apenas 70ºC. O único risco com as modificações é justamente fazer com que o curtente vegetal perca sua característica de biodegradabilidade.

    O mercado mundial de taninos vegetais oscila por volta de 160 mil t/ano, sendo cerca de 100 mil t dos provenientes de acácias e o restante dos outros tipos: castanheira (origem italiana), quebracho (argentino) e de Tara (peruano). A Tanac possui a maior unidade mundial, com capacidade para 32 mil t/ano. A outra concorrente brasileira, a Seta, tem duas fábricas com capacidade total para 27 mil t/ano. Em termos de produção nacional, o Brasil empata com países africanos, também com clima propício para as florestas de acácia. Aliás, a Tanac possui 26 mil hectares próprios cultivados próximos ao porto de Rio Grande, no estado gaúcho, de onde também exporta a lenha restante da extração para o Japão. Além disso, 45% do consumo total é comprado de 30 mil famílias que cultivam as árvores, em ciclos de sete anos, dentro de seus minifúndios típicos da região.



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