Couro e Curtumes

Couro: Curtumes aderem ao acabamento, mas governo prefere apoiar o wet-blue

Marcelo Furtado
26 de fevereiro de 2004
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    Dentro da lista completa de produtos para beneficiamento do couro, a Bayer destacará vários produtos para acabamento, etapa final responsável por propriedades de superfície, como cor, brilho, toque e outras resistências específicas. São exemplos as lacas de nitrocelulose, cujo emprego confere resistência à abrasão, brilho e de fixação das camadas anteriores de cor, toque, viscosidade, entre outras.

    Química e Derivados: Couro: A exportação de couros acabados cresceu 240%.

    A exportação de couros acabados cresceu 240%.

    A nova equipe da Bayer, que até o fim do ano mudará de nome em razão da divisão de seus negócios mundiais, também passará a vender diretamente óleos vegetais para engraxe e sistemas de poliuretano. E também linhas recentes, como os compostos Xeroderm, polímeros para hidrofugação de couros que dispensam o uso de sais de cromo ou minerais para fixação. Está programado ainda um outro reforço de peso nas áreas de acabamento e recurtimento. Em breve, o acordo mundial mantido com a Rohm and Haas de produtos base acrílica será nacionalizado. Segundo Tomas Vallendor, é cogitada até a produção local desses polímeros.

    Custo maior – Um estudo sobre os custos dos produtos químicos em cada uma das etapas do beneficiamento do couro, realizada por outra líder química no setor, a alemã Basf, comprova a maior importância comercial das fases finais do processo. Na primeira etapa, nas chamadas operações de ribeira ou de remolho e caleiro, onde se prepara o couro para o curtimento utilizando-se cal, bactericidas, substâncias tensoativas, além de aminas, enzimas e ácidos sulfurosos, o custo desses insumos equivale a 8% no gasto total do processo. Apesar da variedade de produtos, por serem a maior parte commodities, a participação é pequena em comparação com as etapas posteriores.

    Na etapa do curtimento, onde se prepara o wet-blue, convertendo a pele putrescível em um material estável e resistente por meio da reação principalmente de sulfato de cromo ou dos taninos vegetais com a proteína da pele, o custo é mais elevado em comparação com a ribeira. Oscila por volta do R$ 1,17 por metro quadrado de couro ou, em termos percentuais, a 22% do custo total.

    Química e Derivados: Couro: Curtumes, como o Fridolino Ritter, de Picada Café-RS, se modernizam.

    Curtumes, como o Fridolino Ritter, de Picada Café-RS, se modernizam.

    Ao se analisar as etapas pós wet-blue, aí sim fica fácil entender o porquê do interesse da indústria química em manter a direção do mercado brasileiro rumo ao couro acabado. A começar pelo recurtimento, no qual serão desenvolvidas a grande parte das propriedades finais do couro , o custo isolado é o maior de todas as etapas: chega a 40%. Isso se explica pela grande quantidade de insumos empregados, uma combinação de dois ou mais produtos, dependendo das exigências. Os mais comuns são os recurtentes minerais, sais de cromo utilizados para “recromar” e igualizar os wet-blues com teores de óxido de cromo diferentes ou então os sais de alumínio, usados para clarear e dar solidez à luz, e os de zircônio, com emprego mais restrito.

    Mas ainda formam a família do recurtimento os produtos vegetais, como os taninos que favorecem os aspectos de penetração, tonalidade, enchimento e solidez à luz e removem a elasticidade do couro cromado, para facilitar a estampagem e o lixamento. Há ainda as opções pelos chamados recurtentes sintéticos, formadas pelos taninos de base fenol, que da mesma forma melhoram as propriedades de enchimento, lixabilidade e estampagem, ou as resinas, famílias químicas variadas, nas quais vêm se destacando muito as acrílicas, com propriedades de solidez à luz, preparação para estampagem, leveza, etc.

    Química e Derivados: Couro: couro_grafico05. A etapa seguinte ao recurtimento, o tingimento, tem uma participação de 8% no custo total. Apesar de não ser muito alta na contabilidade produtiva, trata-se de fase com importância cada vez maior. A criatividade dos estilistas e designers força a indústria a renovar constantemente a possibilidade de seus corantes. Além da versatilidade, outras características são fundamentais aos corantes, em geral azóicos, como a penetração, a igualização e a resistência à água, luz, fricção, abrasão e à migração a outros materiais sintéticos.

    Por fim, os produtos para acabamento representam 23% do custo do processo. Responsável pela definição das propriedades finais da superfície do couro, como cor, brilho, toque e outras mais específicas, como a hidrofugação, essa etapa exige do fornecedor químico know-how tecnológico, daí ser dominado por grandes grupos. São eles que fornecem resinas acrílicas, poliuretânicas e butadiênicas, com função ligante para garantir resistências físicas e de suporte a pigmentos e outros auxiliares, ou então as caseinadas, com mesma função.

    Também no acabamento fazem parte corantes e pigmentos, que reforçam a cor na camada final, mas também um sem-fim de produtos auxiliares, como espessantes, para regular a viscosidade, ceras para permitir a aderência de estampagem ou prensagem, e lacas de nitrocelulose, poliuretânicas ou acrílicas, para dar o toque final de resistência à abrasão, brilho e fixação.

    Wet-white – Consciente do grau de importância da química em cada uma das etapas do beneficiamento, não só por ter sido a responsável pelo levantamento de custo citado como por ser uma das líderes desse mercado mundial avaliado em 3 bilhões de euros, a Basf desenvolve estratégia no Brasil compatível com as tendências mundiais e locais. Isso se traduz, segundo explica o seu gerente de departamento da unidade regional, Lukas Haeussling, no empenho do grupo em importar da matriz tecnologias para tingimento e acabamento de couros para bancos de automóveis e para estofamento da indústria moveleira.



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