Couro: Curtumes aderem ao acabamento, mas governo prefere apoiar o wet-blue

Fornecedores químicos investem para atender modernização dos curtumes, que passaram a produzir maior quantidade de couro acabado. Mas a tendência corre risco, com medida de estímulo à exportação do couro apenas curtido com cromo, o wet-blue.

Química e Derivados: Couro: couro_abre.Se depender da disposição da importante e tradicional indústria coureira nacional, o setor químico deve manter um ritmo crescente de vendas de insumos para o beneficiamento das peles animais. A perspectiva tem relação direta com a modernização em curso nos curtumes, que de uns quatro anos para cá têm dado preferência a produzir couros acabados ou semi-acabados (crust), cujos processos consomem muitas vezes mais produtos químicos, sobretudo especialidades, em detrimento dos couros wet-blue, beneficiados apenas até o curtimento primário com sais de cromo.

Química e Derivados: Couro: couro_grafico01. Mas como a economia de um país não é apenas regida pela disposição dos seus empreendedores, dependendo ainda de políticas públicas, se não protecionistas pelo menos sensatas, esse cenário favorável também corre riscos. Isso porque na primeira vez que a indústria do couro precisou de uma “ajudinha” do atual governo, esta lhe foi negada. Recentemente, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão interministerial que regulamenta as exportações do Basil, achou por bem não prorrogar resoluções temporárias adotadas pelo governo anterior, a partir de dezembro de 2000, e revalidadas várias vezes até 15 de janeiro de 2004, cujo teor principal era sobretaxar a exportação de couro wet-blue com alíquotas de 9%. A nova determinação do governo Lula estabelece a redução do imposto para 7% até o fim de 2004, e para 4%, em 2005, chegando a zero em 2006.

A gravidade da suspensão da taxa é por ter sido justamente ela a principal responsável pela modernização dos curtumes, motivando a demanda por novos processos e produtos químicos. Basta recordar o que ocorria antes desse período, quando não havia a proteção na década de 90. Apesar das exportações de couro terem triplicado entre 1990 e 2001, o valor adicionado às peles embarcadas decresceu. A participação do couro acabado nas exportações, em valor, passou de 33%, em 1990, para 19%, em 2000, enquanto a de wet-blue aumentou de 35% para 57% nesse período.

Química e Derivados: Couro: Acabamento de couro - três vezes mais valor agregado.
Acabamento de couro – três vezes mais valor agregado.

Pela inibição da venda externa de um bem de processamento primário e o estímulo à exportação do couro acabado, os curtumes passaram a ver vantagens em estender o beneficiamento às fases de recurtimento e acabamento. Levando em conta a extrema dependência local do mercado externo, visto que 80% das 35 milhões de peles bovinas processadas por ano são exportadas diretamente ou em forma de sapatos, o Brasil tornou-se palco de investimentos e de nacionalização de tecnologias. Grandes e médios curtumes, antes no wet-blue, passaram a produzir couro acabado.

Para os fornecedores químicos não poderia ter sido melhor. Sobretudo porque até a etapa do curtimento a quase totalidade dos insumos utilizados em curtumes são commodities, como o curtente sulfato de cromo, o cal para inchar e corrigir o pH das peles salgadas, o sulfeto de sódio usado para remover os pêlos do couro ou os ácidos sulfúrico e fórmico empregados na preparação para o curtimento (piquelagem). Passar a vender especialidades de acabamento e recurtimento, de maior valor agregado, livrou um pouco a sina do setor químico de ser vendedor de produtos com ínfimas margens de lucro e cuja única estratégia comercial viável é procurar ganhos de escala.

Os números recentes do setor coureiro provam o movimento de modernização iniciado. Desde a adoção da medida no final de 2000, de pouco mais de 10% do total exportado os couros acabados chegaram ao final de novembro de 2003 a cerca de 27% das 17 milhões de unidades comercializadas no exterior. Enquanto isso, a exportação de wet-blue caiu de 66% para 60%.

Química e Derivados: Couro: Produção de wet-blue - o certo é usá-lo no Brasil.
Produção de wet-blue – o certo é usá-lo no Brasil.

As conseqüências positivas sobressaltaram em termos financeiros. Por ser produto mais caro, já que a unidade de couro wet-blue é cotada em US$ 30, contra US$ 90 do acabado, de janeiro até novembro de 2003 as exportações de 5,2 milhões de peles bovinas acabadas renderam ao País US$ 419,8 milhões. Já o wet-blue, apesar de muito mais comercializado em volume, com um total no mesmo período de 11,8 milhões de unidades, gerou receita de apenas US$ 371 milhões. Não por menos, desde a adoção da alíquota de 9%, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) notificou a geração de divisas extras para o setor de US$ 632 milhões, com o crescimento acumulado de 240% nas exportações de couro acabado.

Ainda segundo o CICB, se o ciclo de modernização se mantiver inalterado, o Brasil tem condições de alavancar o faturamento com exportação de couro de US$ 791,5 milhões para US$ 1,37 bilhão, caso todo o material seja vendido na forma acabada. Mas caso se privilegie o wet-blue, e hipoteticamente todos deixem de produzir o couro acabado, o valor total cairia para US$ 521,9 milhões. Isso tudo, lógico, sem se considerar ainda outras perdas importantes em toda a cadeia do setor, como o desemprego. Estima-se que para cada milhão de couros semi-acabados (até o recurtimento) são gerados 650 empregos diretos, enquanto o igual montante de acabados geram mil. Se a produção for de manufaturados de couro, então, os postos são aumentados em mais 25 mil a 30 mil. Já no wet-blue, o milhão de couros só geram 300 empregos.

Risco tecnológico – Se apenas pela questão do emprego já não fosse suficiente estranhar a medida do governo, que segundo se diz no mercado cedeu a pressões de alguns frigoríficos poderosos que exportam o wet-blue, há vários outros pontos negativos a se considerar. Um muito importante diz respeito ao aprimoramento tecnológico e produtivo dos curtumes. Nada garante que, desestimulada a produção de couro acabado, muitos investimentos sejam descontinuados e projetos engavetados.

Química e Derivados: Couro: couro_grafico02.Seria uma perda considerável para o setor químico deixar de lado o que já foi feito e o programado para o futuro próximo. Mercado importante para grandes holdings químicas, como Bayer, Basf e Clariant (consideradas, nessa ordem, as três primeiras em beneficiamento do couro), e fundamental para outras estrangeiras e nacionais que praticamente vivem desse mercado, como TFL, MK Química, Tanquímica e Tanac, em quase todas essas corporações há exemplos de planos executados ou em andamento para atender a demanda de dar acabamento ao couro.

A expectativa do mercado, levando em conta a experiência positiva dos últimos três anos e a possível reconsideração na mudança da política tarifária (através de lobby realizado pelos curtumes), é haver aumento substancial na venda de produtos para acabamento. Hoje a estimativa, segundo levantamento da Bayer, é a de que o mercado total brasileiro de produtos químicos para couro gire em torno de US$ 200 milhões. Desse valor, cerca de US$ 150 milhões são de insumos até a fase do recurtimento. Os restantes US$ 50 milhões são de produtos para acabamento, número considerado bem abaixo do potencial.

E mesmo sob risco, é provável que as empresas não tenham mais tempo para voltar atrás em suas estratégias.

Química e Derivados: Couro: couro_grafico03.A ordem tem sido especializar o fornecimento de produtos, sistemas e serviços para beneficiamento. Colabora nessa tendência não apenas o fato concreto provocado pela taxação sobre o wet-blue, mas também um aspecto criado pela nova ordem comercial do mercado de manufaturados de couro. Trata-se do desempenho arrasador da economia chinesa, que cresce sem parar a uma média de 7% ao ano, e tem dominado o mercado calçadista mundial, onde o Brasil sempre foi forte, mas passa por estagnação. A “síndrome da China” tem feito os produtores brasileiros – leia-se aí fabricantes e curtumes – procurarem nichos de mercado onde os orientais ainda não tenham invadido. Estofamentos para automóveis e móveis são os principais exemplos.

Química e Derivados: Couro: Vallendor - Investimento em produtos para acabamentos.
Vallendor – Investimento em produtos para acabamentos.

Bayer ataca – Esses novos segmentos, com características sofisticadas, incentivam a oferta de sistemas inéditos no Brasil, obrigando o pessoal da química a se preparar e reestruturar seus departamentos técnicos, comerciais e produtivos. Um caso bastante ilustrativo da transformação é o da divisão couro da líder Bayer Chemicals. Fornecedora completa do setor, desde os processos iniciais de remolho até acabamentos elaborados, a empresa está investindo R$ 1 milhão para reformular toda sua operação na área, na sede da divisão em Novo Hamburgo-RS. O objetivo é ampliar sua participação nas etapas de acabamento dos curtumes.

O plano, segundo o gerente de marketing Tomas Vallendor, é contrabalançar, com os novos produtos, o peso em seu faturamento hoje exercido pela venda do curtente sulfato de cromo, seu carro-chefe em volume. Do mercado brasileiro de 42 mil toneladas/ano do sulfato de cromo, com faturamento de US$ 25 milhões, de acordo com Vallendor a Bayer detém cerca de 50%. Importado de sua fábrica na Argentina, em Zarate, a 100 km de Buenos Aires, isso significa uma venda de 21 mil toneladas. O restante do fornecimento, segundo uma estimativa informal do mercado, ficaria por conta da Stoppani do Brasil (9 mil t), com fábrica em Uberaba-MG; da nacional MK Química (6 mil t), de Portão-RS; e da uruguaia American Química (5 mil t), com escritório em Novo Hamburgo-RS.

A necessidade de não se tornar tão dependente do cromo tem explicação. Embora seja líder no sulfato de cromo, de longe o mais empregado agente de curtimento do mundo, a Bayer, assim como os demais competidores, reconhece a reduzida margem de lucro da venda. Esse argumento é ainda mais convincente ao se saber que a empresa alemã consegue ter ganhos de escala em razão de seu porte multinacional, ao contrário das demais. Sua fábrica argentina responde por 65% do mercado latino-americano (até o México) de 90 mil t/ano e, além desta, ainda possui outra na África do Sul, país onde mantém jazidas do minério de cromo e a partir do qual abastece os mercados europeu e asiático.

A primeira etapa do projeto de investimento da Bayer foi desfazer seu contrato com a distribuidora Corium, de Novo Hamburgo-RS, até janeiro de 2004 responsável pela revenda de sua extensa linha de produtos para recurtimento e acabamento. Assumindo a venda direta das linhas, a empresa precisou ampliar sua equipe comercial e de assistência técnica e construir um laboratório de aplicação e desenvolvimento na sede gaúcha, etapas ainda em execução. “O recurtimento e o acabamento são extremamente dependentes da assessoria tecnológica do produtor”, ressalta o gerente Vallendor.

Serão comercializadas, com ênfase nessa nova fase, a linha de resinas acrílicas para recurtimento e acabamento. Esses recurtentes sintéticos base acrílica, utilizados nos fulões (tambor giratório empregado em curtumes para dar os banhos químicos nos couros), após a etapa de cromagem, promovem enchimento nas partes flácidas dos couros, além de solidez à luz, capacidade de estampagem e leveza, entre outras propriedades. Também haverá preocupação inicial na venda de óleos vegetais para engraxe, usados na etapa de recurtimento para dar maciez ao couro e empregados na forma de emulsão por meio da ação de emulgadores. Ainda em recurtimento, a linha Tanigan de derivados de taninos merecerão importância.

Dentro da lista completa de produtos para beneficiamento do couro, a Bayer destacará vários produtos para acabamento, etapa final responsável por propriedades de superfície, como cor, brilho, toque e outras resistências específicas. São exemplos as lacas de nitrocelulose, cujo emprego confere resistência à abrasão, brilho e de fixação das camadas anteriores de cor, toque, viscosidade, entre outras.

Química e Derivados: Couro: A exportação de couros acabados cresceu 240%.
A exportação de couros acabados cresceu 240%.

A nova equipe da Bayer, que até o fim do ano mudará de nome em razão da divisão de seus negócios mundiais, também passará a vender diretamente óleos vegetais para engraxe e sistemas de poliuretano. E também linhas recentes, como os compostos Xeroderm, polímeros para hidrofugação de couros que dispensam o uso de sais de cromo ou minerais para fixação. Está programado ainda um outro reforço de peso nas áreas de acabamento e recurtimento. Em breve, o acordo mundial mantido com a Rohm and Haas de produtos base acrílica será nacionalizado. Segundo Tomas Vallendor, é cogitada até a produção local desses polímeros.

Custo maior – Um estudo sobre os custos dos produtos químicos em cada uma das etapas do beneficiamento do couro, realizada por outra líder química no setor, a alemã Basf, comprova a maior importância comercial das fases finais do processo. Na primeira etapa, nas chamadas operações de ribeira ou de remolho e caleiro, onde se prepara o couro para o curtimento utilizando-se cal, bactericidas, substâncias tensoativas, além de aminas, enzimas e ácidos sulfurosos, o custo desses insumos equivale a 8% no gasto total do processo. Apesar da variedade de produtos, por serem a maior parte commodities, a participação é pequena em comparação com as etapas posteriores.

Na etapa do curtimento, onde se prepara o wet-blue, convertendo a pele putrescível em um material estável e resistente por meio da reação principalmente de sulfato de cromo ou dos taninos vegetais com a proteína da pele, o custo é mais elevado em comparação com a ribeira. Oscila por volta do R$ 1,17 por metro quadrado de couro ou, em termos percentuais, a 22% do custo total.

Química e Derivados: Couro: Curtumes, como o Fridolino Ritter, de Picada Café-RS, se modernizam.
Curtumes, como o Fridolino Ritter, de Picada Café-RS, se modernizam.

Ao se analisar as etapas pós wet-blue, aí sim fica fácil entender o porquê do interesse da indústria química em manter a direção do mercado brasileiro rumo ao couro acabado. A começar pelo recurtimento, no qual serão desenvolvidas a grande parte das propriedades finais do couro , o custo isolado é o maior de todas as etapas: chega a 40%. Isso se explica pela grande quantidade de insumos empregados, uma combinação de dois ou mais produtos, dependendo das exigências. Os mais comuns são os recurtentes minerais, sais de cromo utilizados para “recromar” e igualizar os wet-blues com teores de óxido de cromo diferentes ou então os sais de alumínio, usados para clarear e dar solidez à luz, e os de zircônio, com emprego mais restrito.

Mas ainda formam a família do recurtimento os produtos vegetais, como os taninos que favorecem os aspectos de penetração, tonalidade, enchimento e solidez à luz e removem a elasticidade do couro cromado, para facilitar a estampagem e o lixamento. Há ainda as opções pelos chamados recurtentes sintéticos, formadas pelos taninos de base fenol, que da mesma forma melhoram as propriedades de enchimento, lixabilidade e estampagem, ou as resinas, famílias químicas variadas, nas quais vêm se destacando muito as acrílicas, com propriedades de solidez à luz, preparação para estampagem, leveza, etc.

Química e Derivados: Couro: couro_grafico05. A etapa seguinte ao recurtimento, o tingimento, tem uma participação de 8% no custo total. Apesar de não ser muito alta na contabilidade produtiva, trata-se de fase com importância cada vez maior. A criatividade dos estilistas e designers força a indústria a renovar constantemente a possibilidade de seus corantes. Além da versatilidade, outras características são fundamentais aos corantes, em geral azóicos, como a penetração, a igualização e a resistência à água, luz, fricção, abrasão e à migração a outros materiais sintéticos.

Por fim, os produtos para acabamento representam 23% do custo do processo. Responsável pela definição das propriedades finais da superfície do couro, como cor, brilho, toque e outras mais específicas, como a hidrofugação, essa etapa exige do fornecedor químico know-how tecnológico, daí ser dominado por grandes grupos. São eles que fornecem resinas acrílicas, poliuretânicas e butadiênicas, com função ligante para garantir resistências físicas e de suporte a pigmentos e outros auxiliares, ou então as caseinadas, com mesma função.

Também no acabamento fazem parte corantes e pigmentos, que reforçam a cor na camada final, mas também um sem-fim de produtos auxiliares, como espessantes, para regular a viscosidade, ceras para permitir a aderência de estampagem ou prensagem, e lacas de nitrocelulose, poliuretânicas ou acrílicas, para dar o toque final de resistência à abrasão, brilho e fixação.

Wet-white – Consciente do grau de importância da química em cada uma das etapas do beneficiamento, não só por ter sido a responsável pelo levantamento de custo citado como por ser uma das líderes desse mercado mundial avaliado em 3 bilhões de euros, a Basf desenvolve estratégia no Brasil compatível com as tendências mundiais e locais. Isso se traduz, segundo explica o seu gerente de departamento da unidade regional, Lukas Haeussling, no empenho do grupo em importar da matriz tecnologias para tingimento e acabamento de couros para bancos de automóveis e para estofamento da indústria moveleira.

Química e Derivados: Couro: Haeussling - Basf traz tecnologia para estofamento.
Haeussling – Basf traz tecnologia para estofamento.

“De forma geral, o couro para automóvel precisa passar por testes rigorosos de temperatura alta e de solidez à luz”, explica Haeussling. Nesses casos, a Basf importa seus corantes estáveis a esses requisitos e disponibiliza a linha de resinas acrílicas e poliuretânicas produzidas em sua unidade de Guaratinguetá-SP. Segundo o gerente ainda são poucos, por volta de cinco, os curtumes capazes de produzir sob essas exigências e fornecer para as OEMs listadas pelas montadoras. Já para vender o couro aos fabricantes de bancos after-market, ou seja, de bancos não-originais, trata-se de mercado mais diluído, portanto sem o mesmo padrão dos fabricantes automotivos.

Essa demanda por bancos automotivos, ainda um item de carro de luxo no Brasil mas aos poucos se popularizando, chega a ter outras idiossincrasias também atendidas pelo catálogo de vendas local da Basf. A Volkswagen/Audi tem como padrão internacional seguir o ditame ambientalmente correto de não conter cromo em seu couro. A regra do chromium-free fez a Basf transferir para um grande curtume nacional, o Bertin, de Lins-SP, uma tecnologia de curtimento isenta, à base de glutaraldeído, que dá origem ao chamado couro wet-white, em contraponto ao wet-blue.

A questão do cromo é antiga e surgiu quando foram levantadas suspeitas de carcinogenicidade quando na forma hexavalente. Ocorre que o metal em industrialização apenas está nessa forma no ínicio da rota química, como dicromato de sódio, ou depois, quando o produto curtido com o sulfato de cromo é incinerado. Devidamente controlado no processo produtivo, sem contato com os trabalhadores, o risco desaparece. A única dúvida é no final do ciclo de vida do produto. Daí a preferência da Volks e de outras empresas também iniciadas nessa exigência em expulsar o metal do convívio.

Química e Derivados: Couro: Kettermann - nova fábrica e quase o triplo de produção.
Kettermann – nova fábrica e quase o triplo de produção.

Para o gerente da Basf, aliás, o futuro a longo prazo pertence aos substitutos do cromo, como por exemplo o glutaraldeído e os curtentes vegetais. No caso da primeira tecnologia, Haeussling vê um candidato promissor. Nos testes de resistência à temperatura, onde o cromo continua imbatível, o glutaraldeído perde por pouco. Enquanto o wet-blue resiste à água fervente (até 110ºC), o wet-white suporta próximos 100ºC. A pequena diferença, suficiente para atender o padrão Volks, se reflete ainda no preço: ele é apenas 10% mais caro que o curtente de sulfato de cromo. Mas, como nada é perfeito, o glutaraldeído tem problemas. Por ser também um biocida, aumenta a carga orgânica na estação de tratamento de efluentes, destruindo as bactérias do tratamento biológico.

Embora ainda nenhum País proíba o cromo, Haeussling afirma que há restrições pontuais. Na Alemanha, por exemplo, sapatos para crianças não podem utilizá-lo como curtente, assim como no Japão. “Mas as nossas pesquisas de mercado dão conta que no futuro essas restrições aumentem”, diz. Aliás, segundo ele, a Basf trabalha com a visão de que o couro ideal, em termos ambientais, ainda será isento de cal (por ser não-renovável), de sulfetos (gera gás sulfídrico, responsável pelo mau odor característicos dos curtumes) e de efluentes no processo. “As pesquisas perseguem essa utopia.”

Enquanto a Basf não atinge a meta utópica, outros desenvolvimentos procuram limpar um pouco o processo dos curtumes. Nessa vertente, a empresa lança um novo tipo de desengraxante para substituir os tensoativos nonilfenol (no Brasil há a linha da Oxiteno, Renex), sob suspeita de serem disruptores endógenos, ou seja, causadores de alterações hormonais transmitidas geneticamente. Não por menos, a partir de janeiro de 2005 todos os curtumes europeus estarão proibidos de utilizar nonilfenol nas etapas iniciais de remoção de gordura do couro. O produto criado pela Basf é o Eusapon OD, um derivado de ácido graxo biodegradável com molécula patenteada.“Ele também é mais eficiente na emulsificação da gordura”, completa o gerente.

Química e Derivados: Couro: Kiefer - Couro nacional e melhor para móveis.
Kiefer – Couro nacional e melhor para móveis.

Mais investimento – Os lançamentos da Basf provam o potencial do mercado brasileiro. Principalmente ao se saber que chegam em uma hora em que o desempenho mundial do setor de couro não é dos melhores. Capitaneado pela Itália, principal País produtor de artefatos de couro, sobretudo calçados e móveis, e também o líder no beneficiamento (o mercado químico na área equivale a 330 milhões de euros), os fornecedores mundiais sentiram a queda de 20% nos preços do mercado italiano. Além do mais, a crescente concorrência asiática, famosa em copiar os desenvolvimentos químicos dos produtores ocidentais, em corantes e especialidades, também causa estragos.

E essa confiança no mercado brasileiro, independente dos percalços tarifários e de cunho econômico, conta com outras evidências. Além dos investimentos das líderes alemãs, as demais competidoras químicas locais, que totalizam cerca de 100 empresas, incluindo produtoras e distribuidoras, também querem tirar proveito do muito ainda a ser feito para tornar o Brasil forte em couro acabado.

A maior parte com escritório central, caso da Basf, Bayer e Clariant, ou fábrica na região do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, considerado o maior pólo coureiro-calçadista do País, é difícil não encontrar nessas empresas planos concretos de investimento. Para começar por outra competidora internacional de peso, a TFL do Brasil, com fábrica e escritórios em São Leopoldo-RS, o projeto é ambicioso e inclui a quase triplicação da capacidade produtiva de insumos para acabamento.

Com aporte total de 600 mil euros, a idéia é até outubro de 2004 a empresa chegar a uma capacidade mensal de 400 t/mês, contra as 150 t atuais. De acordo com seu gerente de pesquisa e aplicação, João Augusto Kettermann, a unidade em operação será desativada e a nova partirá do zero. Trata-se, inclusive, de investimento promovido independente dos rumos que o setor de couro terá no futuro próximo. Isso porque a TFL, conforme Kettermann, estava operando acima da capacidade instalada em produtos para acabamento. “Estamos a 120%, dobrando os turnos”, afirma.

Química e Derivados: Couro: couro_grafico06. Trabalhando para atender a um mercado que cresce no Brasil, segundo suas estimativas, a uma média de 15% ao ano, a TFL já projetou sua nova unidade com folga para ser duplicada daqui a cinco anos. “Hoje os cerca de 80 produtos para acabamento que comercializamos no Brasil representam 25% do faturamento, mas a tendência é chegar a 50%”, explica Kettermann. E esse fenômeno, segundo ele, além de representar a realidade brasileira, também tem a ver com uma tendência mundial. “O boom da tecnologia mundial está no acabamento, enquanto o recurtimento está estagnado e o curtimento inicia uma mudança com a biotecnologia.” Nesse último caso, Kettermann se refere às pesquisas de substituição do sulfeto de sódio, na depilação, por enzimas.

Companhia originária da fusão entre as áreas de couro da suíça Ciba e da alemã Huels em 1996, que em 2000 foi vendida para um grupo de investidores (Permira) e, novamente em 2003, para o grupo Odewald, a TFL possui produtos para todas as etapas do couro. Com fábricas também na França, EUA, Índia, China, ela atende o mercado sul-americano também por unidade argentina, em Zarate, onde a capacidade (18 mil t/ano) é um pouco maior que a brasileira (13 mil t/ano). Mas, com o investimento, as duas fábricas ficarão quase parelhas.

No Brasil, continuarão as produções voltadas para ribeira, remolho, purga, caleiro e de resinas, além de pigmentos, ceras e agentes de carga para acabamento. Enquanto isso, a argentina continua a se responsabilizar pelos corantes e taninos sintéticos, além de óleos sintéticos e naturais para engraxe. No caso dos produtos de ribeira, novos investimentos não são necessários, segundo Kettermann, em razão de se tratar de mercado estável e também porque eles já foram feitos em 1998, quando a TFL elevou a capacidade para 300 t/mês. Já no acabamento, não faltam motivos para prever mais e mais necessidades. Uma é o crescimento do mercado de móveis, previsto para breve. Prova disso, para o gerente da TFL, é o fato de muitos curtumes nacionais hoje terem como grandes acionistas grupos italianos, os líderes mundiais em móveis de couro. Além do couro, em breve esses grupos também passarão a produzir os móveis no Brasil. “Dentro de uns dez anos o Brasil deve estar muito maior nesse segmento, que demanda couro acabado de qualidade”, explica. (E com isso deve interromper a atual exportação de wet-blue.)

A fábrica ampliada da TFL contará com cinco novos reatores, produzidos no Brasil, e deve acrescentar entre sete a dez produtos à linha local de acabamento, ainda bastante inferior ao catálogo mundial da empresa, de 400 produtos em média. A perspectiva da TFL, considerada a quarta empresa do ramo (atrás da Bayer, Basf e Clariant), é ter escoamento total da produção, tanto no Brasil como na Argentina, já um grande produtor de estofamentos, com grandes curtumes em operação e dona de um couro mais prestigiado no mercado mundial, por ter menos marcas de fogo e de insetos, quesitos valorizados.

Química e Derivados: Couro: Kongler inaugura unidade em Três Lagoas - MG
Kongler inaugura unidade em Três Lagoas – MG.

Couro pior é melhor – Até mesmo essa desvantagem comparativa do couro brasileiro, de ser de pior qualidade do que o argentino e o europeu, torna-se um alento para o ramo químico. Possuir mais defeitos, em virtude da maior incidência de parasitas do clima quente brasileiro e do desrespeito dos criadores de gado, que marcam a fogo o gado em partes nobres do animal, gera maior demanda por acabamentos químicos melhores, mais resinas, ceras e corantes para esconder as marcas. Um recurso muito empregado, por exemplo, é o uso de poliuretano e um agente de expansão, o chamado em italiano stucco, uma espécie de massa corrida que esconde as marcas. Isso sem falar nos tops de laca ou de resinas acrílicas para dar um brilho disfarçador.

Mas o couro brasileiro tem vantagens competitivas mais diretas, segundo explica Carlos Guilherme Kiefer, o presidente da respeitada Associação Brasileira dos Químicos e Técnicos da Indústria do Couro (Abqtic), entidade sediada na meca do couro nacional: Estância Velha-RS. Por ser oriundo de gados do tipo Zebu e Nelore, a pele bovina nacional é de maior envergadura do que as européias, dando um couro com maior metragem. O nacional tem em média 4,5 metros quadrados, contra 4 metros da européia. Além disso, há outra vantagem natural, de acordo com Kiefer. “A fibra do couro europeu é mais delicada, apropriada para sapatos e roupas, enquanto a brasileira é mais resistente, ideal para estofamento”, diz. Portanto, com os processos de acabamento químico, escondendo os defeitos, os curtumes brasileiros e os futuros fabricantes têm em mãos um couro ideal para produzir móveis e estofamentos.

Os comentários do presidente da Abqtic não têm valor apenas pelo teor positivo das informações técnicas-comerciais. De forma indireta, refletem também outro bom indicador de desempenho do setor coureiro nacional, muito útil para novas empreitadas. Seu conhecimento de causa, natural a um presidente de entidade com mais de mil técnicos associados, simboliza a massa crítica já formada no Brasil no setor do couro. Só para se ter uma idéia, no Centro Tecnológico do Couro do Senai, em Estância Velha, ao lado da sede da Abqtic, em mais de 30 anos de existência cerca de 1.600 técnicos em curtimento já foram formados. Isso sem falar nos formados em escola similar de Campina Grande-PB e em outra de técnicos de calçados em Franca-SP.

“Vivemos uma situação muito diferente da que o setor tinha há cerca de 30 anos. Antigamente precisávamos importar técnicos europeus, hoje exportamos os nossos para países como China e Tailândia”, afirma Kiefer. E esse cenário, segundo ele, também encontra paralelo em termos de fornecimento de insumos, antes dominado por pouquíssimos grupos transnacionais. De uns quinze anos para cá, diz o presidente, a oferta aumentou muito. Tanto com a entrada de outros fornecedores menores, principalmente italianos (que por sinal compraram a sua empresa, a Mark Produtos Químicos), como com o fortalecimento de empresas nacionais. “Hoje em todas as fases químicas e em equipamentos os curtumes têm amplo leque de escolha.”

Uma dessas primeiras empresas nacionais do ramo químico é a MK Química, de Portão-RS, cidade do Vale dos Sinos vizinha à Estância Velha. Seu crescimento, em 25 anos de história comemorados em 2004, tem sido constante e a tornou uma empresa com estrutura competitiva similar à dos grupos estrangeiros. Isso significa que hoje a empresa conta com produtos para as três principais fases do beneficiamento, possui três fábricas e se esforça para aumentar a participação em mercados externos.

Desde o início, aliás, a empresa teve a sina de ser uma alternativa aos competidores multinacionais, que antigamente também sofriam as agruras da economia fechada. Foi quando seu fundador, Milton Kogler, técnico em curtimento formado pelo Senai de Estância Velha em 1969, prestava consultoria para curtumes da região. Para suprir a falta no mercado de um tensoativo não-iônico fornecido como desengraxante por um desses grupos internacionais, Kogler adaptou o processo de um cliente para uma versão aniônica criada por ele mesmo. A solução deu certo e, sem ainda constituir sua empresa, passou a produzir o tensoativo literalmente no fundo do seu quintal, para atender outros clientes interessados. “A partir dali percebi que o mercado carecia de um fornecedor mais próximo, o que me fez fundar a empresa”, explica Kogler.

Essa origem de fundo de quintal não tem mais nada a ver com a MK. Especializada inicialmente em produtos para curtimento, a empresa passou a ser uma das principais fornecedoras locais de sulfato de cromo, hoje com cerca de 6 mil t/ano, e de vários outros produtos auxiliares, desde tensoativos, enzimas, aminas, fungicidas e polímeros. Sua produção se concentra na fábrica principal de Portão e ainda na de Juazeiro-BA, inaugurada em 2000, e a partir de março em uma terceira, em Três Lagoas-MG.

“O segredo é ficar próximo dos clientes e economizar algumas centenas de quilômetros de logística”, afirma o presidente da MK. Vale acrescentar que, desde a década de 90, a distribuição é feita por nove caminhões próprios.

Com o grosso de suas vendas ainda oriundo das commodities do curtimento, a MK, de acordo com Kogler, também busca alternativas para entrar em mercados de melhor rentabilidade. A primeira saída foi passar a exportar mais. Com um trabalho iniciado em 1996, hoje 30% da produção volta-se ao mercado externo, entendendo-se aí América do Norte, Mercosul, Europa e Asia. “O mercado interno dá volume para a economia de escala, a rentabilidade mesmo conseguimos com a exportação”, explica.

A outra saída para fugir da baixa rentabilidade e da grande concorrência do mercado interno de curtimento é fazer como os outros competidores: focar em recurtimento e acabamento. Com esse objetivo, a ordem na MK é lançar cerca de 20 produtos novos por ano. A única dúvida é saber se, com o movimento de todos os demais produtores, também esse mercado não vai passar por um processo de “commoditização”. Isso sem falar dos possíveis efeitos negativos advindos da extinção das alíquotas sobre o wet-blue.

Especialização também atinge o curtimento

Química e Derivados: Couro: Cantanhêde vende novo conceito de wet-blue.
Cantanhêde vende novo conceito de wet-blue.

A tendência da especialização no beneficiamento químico do couro atinge praticamente todas as empresas do ramo, inclusive as produtoras de insumos tradicionais, de grande consumo e empregados nas chamadas fases molhadas, ou seja, até o curtimento. Um exemplo importante de especialização nas fases iniciais do beneficiamento ocorre na Rhodia, que há cerca de três anos se iniciou no mercado nacional do couro para escoar novos desenvolvimentos. Trata-se de sistemas condicionantes para o curtimento ao cromo que dispensam o uso de ácidos (fórmico e sulfúrico) tradicionalmente empregados para baixar o pH a 2,5 a 3 e permitir o curtimento. (Além disso, após a redução do pH, tornam-se necessários ainda agentes alcalinos para elevar o pH e assim fixar o cromo.)

O sistema da Rhodia, um betacarboxílico denominado Rhodiaeco WB, permite o curtimento e autofixação com pH mais alto (4.6). Segundo explicou o gerente de vendas, Paulo Cantanhêde, durante o processo o metal libera ácido sulfúrico, estabilizando o curtimento e autofixando o cromo. “É um processo sem choques de pH, com redução lenta que não causa manchas ao couro e dispensa boa parte dos ácidos [ainda é necessário um pouco do fórmico] e de agentes alcalinos”, explica.

Por mudar o conceito do wet-blue, segundo Cantanhêde, ainda há um pouco de resistência dos clientes em optar pelo sistema condicionante, aos poucos vencida. Nos primeiros três anos das vendas do produto, a Rhodia contava com a parceria da empresa Seta. Mas desde julho de 2003 passou a vender sozinha, terceirizando representações. O foco aí são os produtores de wet-blue, mais concentrados hoje no Centro-Oeste do Brasil, onde se localizam também muitos frigoríficos, vários deles donos de curtumes.

Química e Derivados: Couro: Lamb ( esq.) e Kuhn vendem tanino taylor-made.
Lamb ( esq.) e Kuhn vendem tanino taylor-made.

Até mesmo por ter esse foco o produto ainda não deslanchou de vez, para o gerente. “As vantagens principais do sistema são para o importador do wet-blue”, diz. Cantanhêde se refere ao fato de que o couro tratado sem o emprego de muito ácido mantém mais da resistência mecânica natural e da firmeza da flor do couro, visto que a ação corrosiva hidrolisa a proteína perdendo substância dérmica do material.

A estratégia de vender diretamente atende ao plano de criar uma divisão de couro na Rhodia. Isso porque a empresa já iniciou a venda de outros produtos, resultado de outras descobertas de novos usos para derivados da cadeia cetônica de sua unidade de Paulínia-SP. Uma linha de desencalantes, denominada Descal, à base de ácidos orgânicos, da cadeia do adípico, está buscando substituir os tradicionais sulfato ou cloreto de amônio, empregados na fase de remoção da cal. Segundo o gerente, o Descal possui maior poder de solubilidade e não libera nitrogênio no efluente, uma crescente exigência ambiental. Outro produto é o Rhodiaeco Formiplus, uma mescla de ácidos acéticos que substituem o ácido fórmico utilizado na piquelagem (etapa de preparação para o curtimento).

Juntando todos os produtos, a Rhodia comercializa hoje cerca de 200 t/mês. Mas a meta é aumentar ainda mais o leque de produtos. Ainda neste semestre a empresa promete lançar uma linha de taninos sintéticos, tarefa fácil tendo em vista que são compostos fenólicos e a Rhodia é a única produtora de fenol do País. Outra idéia é lançar resinas acrílicas para recurtimento e acabamento e um sal, a partir de ácidos dicarboxílicos, para substituir o formiato de sódio empregado como neutralizante em recurtimento.

Química e Derivados: Couro: Cascas de acácia na Tanac - maior produção.
Cascas de acácia na Tanac – maior produção.

Taninos – Outro exemplo de “especialização” nas fases até o curtimento ocorre com a maior produtora nacional de curtentes de taninos vegetais, a Tanac, de Montenegro-RS. “Hoje as modificações de características dos taninos para atender pedidos de clientes são parte do dia-a-dia da empresa”, afirmou o gerente de pesquisa e desenvolvimento, Luiz Henrique Lamb.

A tendência taylor-made segue uma outra maior, a da preferência de consumo por produtos naturais, o que estimula a opção por um curtente extraído das cascas das árvores de acácia negra. Por enquanto, são utilizados basicamente como curtentes em couros atanados (mais pesados e empregados em cintos e bolsas), em solas de sapato e como recurtente de couros curtidos ao cromo. Mas com as modificações podem ganhar mais terreno, principalmente no mercado externo. Um exemplo de novo uso no exterior é como curtente em couros para cabedal de sapato. “Misturas de taninos possibilitaram o uso”, explica Lamb.

A Tanac identifica a tendência naturalista em vários dos clientes estrangeiros, responsáveis por dois terços de suas vendas totais. “A meta é fazer modificações para aproximar o tanino vegetal das propriedades do cromo, ainda difíceis de ser atingidas”, explicou o gerente de vendas Edison Kuhn.

Só para lembrar, o cromo suporta testes de temperatura até 110ºC, sem encolher, enquanto o tanino apenas 70ºC. O único risco com as modificações é justamente fazer com que o curtente vegetal perca sua característica de biodegradabilidade.

O mercado mundial de taninos vegetais oscila por volta de 160 mil t/ano, sendo cerca de 100 mil t dos provenientes de acácias e o restante dos outros tipos: castanheira (origem italiana), quebracho (argentino) e de Tara (peruano). A Tanac possui a maior unidade mundial, com capacidade para 32 mil t/ano. A outra concorrente brasileira, a Seta, tem duas fábricas com capacidade total para 27 mil t/ano. Em termos de produção nacional, o Brasil empata com países africanos, também com clima propício para as florestas de acácia. Aliás, a Tanac possui 26 mil hectares próprios cultivados próximos ao porto de Rio Grande, no estado gaúcho, de onde também exporta a lenha restante da extração para o Japão. Além disso, 45% do consumo total é comprado de 30 mil famílias que cultivam as árvores, em ciclos de sete anos, dentro de seus minifúndios típicos da região.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.