Cosméticos: Xampus mantêm sadios cabelos e couro cabeludo

Formulações de xampus mantêm sadios cabelos e couro cabeludo

Xampus são produtos cosméticos destinados à limpeza e tratamento do couro cabeludo e dos fios de cabelo. De acordo com a literatura acadêmica, entre os principais componentes desse produto estão os tensoativos (com destaque para o lauril éter sulfato de sódio e as betaínas); espessantes (polímeros sintéticos, polímeros naturais e cloreto de sódio), além de sobrengordurantes, estabilizantes de espuma, perolizantes, conservantes, essências e corantes.

Todavia, a complexidade dos diversos tipos de cabelos, decorrente da miscigenação de várias etnias, e a busca por produtos cada vez mais completos, otimizados e sustentáveis, impõem aos formuladores novos desafios no sentido de oferecer ao mercado soluções quase personalizadas, que atendam ao conceito de “skinificação”, que consiste em tratar o cabelo junto com o couro cabeludo, de forma sistêmica.

Se o futuro da beleza está na diversidade, os fabricantes devem criar uma formulação de xampus que atendam às expectativas dos consumidores em relação à qualidade, praticidade, preço e, claro, sua identidade.

Dentre os insumos químicos mais utilizados na fabricação de produtos para a indústria cosmética, estão os derivados do ácido láurico e do laurílico (extraídos de óleos vegetais), o lauril sulfato de sódio (LSS) e o lauril éter sulfato de sódio (LESS).

Eles são baratos e cumprem a função de limpar bem os cabelos, porém, removem demasiadamente a gordura do couro cabeludo, provocando ressecamento e prejudicando a hidratação e nutrição natural dos fios. Inovações de produtos químicos surgem para reduzir ou eliminar esses danos.

Questão de fórmula

Ana Carolina Ribeiro, conselheira da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), farmacêutica de formação e mestre em Cosmetologia, comenta que aditivos são utilizados há muito tempo e não são restritivos nas formulações.

Cosméticos: Formulações de xampus mantêm sadios cabelos e couro cabeludo ©QD Foto: iStockPhoto
Ana Carolina: tensoativo deve manter pH do couro cabeludo

“O lauril sulfato de sódio é um detergente, uma commodity barata e com alto teor de limpeza. A questão é equilibrar a quantidade dos ingredientes incluídos na fórmula: quanto maior o porcentual, mais agressivo será ao couro cabeludo e fio de cabelo, pois maior ação detergente terá. Se regularmos a sua concentração na composição final do xampu e adicionarmos outras substâncias, como ácido graxo de coco, por exemplo, isso tornará o xampu mais sobreengordurante, e certamente, um composto mais suave que vai desidratar menos o cabelo.”

Ela também cita como opção outro componente bastante utilizado na indústria, o lauril éter sulfosuccinato de sódio, um tensoativo aniônico mais suave que o lauril sulfato de sódio e com o menor poder de limpeza, geralmente aplicado em xampus infantis. Outra substância da família de laurílicos é o lauril sarcosinato de sódio, tensoativo aniônico derivado de ácidos graxos naturais, ideal para cabelos quimicamente processados. “Ele tem menos poder de limpeza que o LSS e LESS, agride menos o couro cabeludo e os fios submetidos à coloração, descoloração ou ferramentas térmicas, portanto danificando menos, e já tratando os fios.”

Considerando a tendência de skinificação e quais aditivos devem ser incorporados aos xampus para evitar irritações cutâneas, a especialista recomenda levar em conta os cuidados com o couro cabeludo e fatores que possam afetá-lo como: dermatites, queda de cabelo, lavagens inadequadas e uso de apliques, géis, etc. “Para esse grupo, não adianta só tratar os fios, é preciso pensar em matérias-primas para a pele também. Os óleos vegetais, há muitos anos utilizados em cosméticos para a pele, são um exemplo disso. O de copaíba tem uma ação calmante eficaz que ajuda em processos descamativos como na caspa, além de ser adjuvante no controle da oleosidade; por sua vez, o óleo de andiroba, que funciona como um potente antioxidante, ajuda na recuperação da fibra capilar e do ressecamento do couro cabeludo. Esses ingredientes, porém, devem ser adicionados em quantidades adequadas na formulação. Além desses aditivos, para acalmar a irritação no couro cabeludo, pode-se adicionar o azuleno, substância encontrada na flor de camomila com propriedades suavizantes; ou ácido hialurônico, que contém grande poder de hidratação. Todos esses aditivos podem compor a fórmula do xampu adequada ao conceito de skinificação”, explicou.

Biotecnologia

O avanço da biotecnologia, que pode aumentar o rendimento e otimizar substâncias nas formulações, tem levado os xampus a outro patamar. “O diferencial hoje é que se associa aos detergentes mais suaves ativos que trazem um potencial benefício ao couro cabeludo. Podemos comparar isso a uma receita de bolo, você pode ter os mesmos ingredientes de base, mas se mudar o ativo, o sabor e a consistência serão diferentes, com resultados diferentes.” Com essa explicação, a especialista desfaz o mito de que o sulfato deve ser eliminado do xampu para cabelos secos, cacheados, crespos ou afro. “É claro que as características étnicas e genéticas influenciam na textura e na curvatura do fio, porém a ciência já oferece ferramentas para tratar os diversos tipos de cabelo, seja seco, oleoso, normal (oleosidade controlada) ou misto (couro cabeludo oleoso e fio seco). Então, basicamente, a fórmula do tensoativo deve ser capaz de manter o cabelo higienizado, sem alterar o pH no couro cabeludo e, se necessário, adiciona-se algum agente condicionante para reduzir danos aos fios sensíveis.”

Beleza saudável

Na produção de cosméticos, o conceito Clean Beauty, segundo Ana Carolina Ribeiro, pode ser aplicado nas matérias-primas, como por exemplo, a substituição de esfoliantes à base de polietileno por sementes de maracujá, que são resíduos da indústria alimentícia. “Hoje, a tecnologia permite utilizar cascas e sementes de frutas para produção de ingredientes biodegradáveis. As grandes marcas já seguem esse caminho e, cada vez mais, resíduos orgânicos são utilizados como matérias-primas para formulação de cosméticos”.

No Brasil, a indústria de especialidades químicas, focada no segmento cosmético, está a par e passo com a tendência mundial no que se refere à skinificação e ingredientes sustentáveis para as marcas de beleza.

“O cabelo em si sempre foi tratado de maneira separada de qualquer outra parte do corpo. Com os consumidores mais conscientes da necessidade de tratar tanto o couro cabeludo como os cabelos para manutenção adequada e duradoura da aparência saudável dos fios, o conceito de skinification vem crescendo”, comentou Luciana Moreno Rodrigues, líder de aplicação e desenvolvimento para Personal Care da Clariant. Segundo ela, a empresa possui um amplo portfólio de surfactantes suaves, a exemplo da linha Glucotain para xampus que proporciona benefícios comprovados aos cabelos, como maciez, demonstrados por diversos estudos de eficácia, além de proporcionar suavidade ao couro cabeludo. Para complementar a linha, a Clariant lançou recentemente um novo sistema opacificante para uso em xampus e produtos de higiene pessoal, o Plantasens OP 95, com RCI (índice de carbono renovável) de 95%.

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Luciana: linha de surfactantes tem sustentabilidade garantida

“É a alternativa natural aos opacificantes convencionais à base de acrilatos e sulfatos, prontamente biodegradável e livre de microplásticos, minimizando os impactos de produtos para banho e cabelos com enxágue na vida marinha e fluvial.”

A executiva também cita o rótulo EcoTain, selo próprio da Clariant atribuído a produtos que demonstram sustentabilidade ambiental. O conceito foi desenvolvido através de interações multidisciplinares e com suporte de uma organização sem fins lucrativos, o Collaborating Centre for Sustainable Consumption and Production, sediado em Wuppertal, na Alemanha. “A Clariant oferece vários surfactantes suaves, condicionadores de cabelo, emolientes e conservantes com o selo EcoTain, que permite aos clientes e à cadeia de valor como um todo identificá-los”.

Henrique Marconi, coordenador de marketing em cuidados capilares da Chemyunion aponta que a skinificação vem aumentando no mercado a conscientização e educação sobre os folículos capilares e suas condições.

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Marconi: usuários passam a dar atenção aos folículos capilares

“Dados da WGSN, obtidos por monitoramento das redes sociais, mostraram que as pessoas estão mais habituadas aos benefícios de cuidados com a pele quando falam de couro cabeludo, concentrando-se na hidratação, alívio ou desintoxicação. Visando essa demanda, a Chemyunion lançou um ativo dedicado à reversão dos danos invisíveis do cabelo e couro cabeludo. Esse ingrediente remove partículas nocivas de forma suave, ‘detoxificando’ os fios e o couro cabeludo”, explicou Marconi.

Outro ingrediente inovador é o Proshine, formado por ésteres de origem 100% vegetal, com alto índice de refração, que ativam o brilho intenso dos fios ao interagirem com as proteínas da fibra capilar. Projetado dentro dos preceitos da Química Verde, ele garante alta performance de brilho e realce da cor em todos os tipos de cabelo. A empresa também oferece outros produtos como o Restart PRO, ativo com ação reticulante baseado na associação sinérgica de ácido dicarboxílico insaturado (ácido itacônico), aminoácido (arginina), pró-vitamina B5 (d-pantenol) e polissacarídeos extraídos de sementes de linhaça e de chia, que atua pelos mecanismos de reparação e proteção proativa dos cabelos quimicamente danificados. Destaque também para Polluout Detox, tecnologia que conta com uma associação sinérgica de agente quelante polimérico polidentado; o poliitaconato de sódio, agente quelante derivado de alfa-hidroxiácido; o citrato de sódio e o biosurfactante extraído do fruto da Sapindus mukorossi, conhecido como o fruto que prolonga vida. “Este ingrediente auxilia na remoção de partículas e interferentes nocivos aos cabelos e couro cabeludo, como cálcio, magnésio, cobre e outros poluentes, melhorando o brilho, a penteabilidade e a eficácia dos tratamentos, protegendo o DNA da pele e revitalizando os fios desde a sua origem”, concluiu Marconi.

Marcia Berbel, especialista em aplicação hair care da Lubrizol, afirma que a saúde do cabelo atualmente é um foco fundamental para o mercado de massa e marcas independentes.

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Márcia: catiônicos oferecem vantagens para formulações

“Dentro do conceito de skinificação, aumentaram as buscas dos consumidores por ingredientes de alta performance, que limpam e equilibram o pH e o microbioma do couro cabeludo; e soluções mais personalizadas que aumentam a densidade do cabelo e atenuam os efeitos dos raios UV. Propriedades antipoluição, antivirais e antibacterianas, também são oportunidades de lançamento para as marcas”, avaliou.

Na classe de aditivos para reduzir o ressecamento do couro cabeludo, a Lubrizol apresenta o AlgaPūr High Stability High Oleic (HSHO), um óleo biotecnológico altamente estável, contendo mais de 90% de Ômega-9 benéfico (ácido oleico), que ajuda a proteger e fortalecer a fibra do cabelo, dá brilho, hidrata e mantém o couro cabeludo saudável para um cuidado capilar integral.

O uso de polímeros catiônicos também pode trazer inúmeros benefícios para formulações de xampus. Marcia cita o portfólio da linha Merquat de alta performance, que possui sinergia entre si e com outros ingredientes Lubrizol, como modificadores reológicos e tensoativos especiais. “Trazemos soluções para melhoria de penteabilidade a úmido e a seco, controle de frizz, diminuição da quebra dos fios e qualidade da espuma. A linha Merquat já é reconhecida pelos formuladores de produtos para cuidados pessoais, sendo uma das pioneiras no desenvolvimento dos polímeros catiônicos Polyquaternium. Os Polyquaternium da linha Merquat também ajudam na deposição controlada de silicones ou agentes de hidratação, como óleos ou manteigas, e podem contribuir para mitigar a irritação de alguns tensoativos”.

Outra alternativa citada é o Seascalp Biomarine (water, Pseudoalteromonas ferment extract, sodium salicylate), um ingrediente biotecnológico que ajuda a ter um couro cabeludo saudável naturalmente. “Essa solução minimiza o acúmulo de lipídios sebáceos e fortalece a função barreira cutânea para reduzir a coceira, escamação e oleosidade, enquanto ajuda na manutenção diária do couro cabeludo propenso a caspa”, esclareceu a especialista, acrescentando:

“para o futuro, devem predominar nos xampus os tensoativos não sulfatados de origem natural e biodegradáveis, que ofereçam uma limpeza equilibrada sem agredir a pele e os cabelos. Por exemplo, em nossa linha temos o Chemccinate DSLS-BA, (disodium laureth sulfosuccinate) que é um tensoativo aniônico, derivado natural, ideal para uma limpeza efetiva e suave; e o Chemoryl SFB-10SSB surfactante (disodium laureth sulfosuccinate and sodium cocoyl isethionate and cocamidopropyl betaine), um blend de tensoativos não sulfatados, derivados naturais, que oferece excelente formação de espuma, promovendo uma limpeza suave e eficiente.”

A Nouryon, que atua no mercado de polímeros de origem natural, traz em seu portfólio alternativas para aplicação em xampus como modificadores reológicos à base de amido de milho, que além de contribuírem para o aumento de viscosidade também ajudam na cremosidade e estabilidade da espuma, oferecendo sensorial macio mesmo depois do enxágue, como o inovador Structure XL (hydroxypropyl starch phosphate).

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Glasiela: ingredientes ampliam hidratação do couro cabeludo

“Consideramos todo o ciclo de vida do produto, desde a seleção de ingredientes naturais e de fontes renováveis, análise de suas origens (cultivo, coleta e processamento) até os impactos em logística e, principalmente, como estes ingredientes se degradarão após o uso”, comentou Glasiela Passos, gerente de serviços técnicos de personal care da Nouryon.

Ao comentar sobre skinificação, Glasiela afirma que couro cabeludo necessita de um cuidado específico. “Um ponto importante é o pH desta região que é em torno de 5,4-5,9, mais alto que a pele de outras partes de nosso corpo, portanto, produtos para couro cabeludo devem respeitar este equilíbrio do pH. Além disso, a hidratação e a função barreira da pele do couro cabeludo devem ser preservadas. Uma das formas é usar potentes agentes hidratantes e umectantes, como o ativo biodegradável Hydrovance (hydroxyethyl urea) que atua aumentando a hidratação a curto e longo prazo. Por ser um ativo em base aquosa, ele não causa oleosidade do couro cabeludo. Além disso, este ativo também tem importantes propriedades de recuperação da fibra capilar danificada.” A especialista disse ainda que entre as alternativas de fonte natural e sustentável, a Nouryon se destaca como líder nas tecnologias de polímeros formadores de filme para pele e cabelo e biopolímeros modificadores de sensorial e reológicos. “Para os próximos anos, a Nouryon contará com o lançamento de produtos inovadores para esse segmento.”

Uma das principais inovações da Evonik é o desenvolvimento de biossurfactantes verdes, obtidos por meio da biotecnologia. Essas moléculas são produzidas por processos naturais de fermentação, a partir de matérias-primas renováveis, como o açúcar e óleo de canola, e são totalmente biodegradáveis, apresentando baixíssima toxicidade aquática. Daniel Rosim Coelho, coordenador de marketing da Evonik em care solutions para a América Latina, explica que os biossurfactantes oferecem uma alternativa sustentável aos surfactantes convencionais e apresentam alta eficiência e excepcionais propriedades de espumação, proporcionando uma sensação suave à pele. No entanto, a produção ainda é limitada e, por isso, seu custo é mais elevado do que outros surfactantes alternativos.

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Coelho: biotecnologia produz surfactantes mais eficientes

“A empresa tem investido em pesquisa e desenvolvimento para a produção de biossurfactantes em larga escala e já possui um portfólio com essa tecnologia. Um exemplo de biossurfactante ramnolipídico à base de glicolipídios desenvolvido pela Evonik é o Rheance One, que pode ser utilizado como ingrediente em xampus e que oferece diversos benefícios além de biodegradabilidade e segurança”.

Dentro do conceito skinificação, a empresa disponibiliza o produto Sphingony, que tem como base a esfinganina, um precursor biomimético de ceramidas produzido em processo biotecnológico patenteado. “Esses ingredientes agem no equilíbrio e fortalecimento da barreira do couro cabeludo, prevenindo a queda capilar. O processo de produção por fermentação garante que a esfinganina apresente a mesma estrutura estereoquímica encontrada na natureza e na pele humana e, com isso, o organismo o reconhece e o absorve mais facilmente”, detalhou Coelho. Outra solução oferecida pela Evonik é o Hairflux, um ativo vegano multifuncional, que combina o óleo de rícino e ceramidas biomiméticas derivadas da oliva, que confere fortalecimento e reparação dos fios, enquanto protege e cuida do couro cabeludo.

“Acreditamos que a demanda por ingredientes naturais e ecológicos permanecerá alta e que a preocupação com os impactos ao meio ambiente será crescente. O mercado como um todo ainda sente os impactos da desaceleração econômica mundial, mas cremos na retomada gradual dos negócios do segmento de cosméticos devido aos benefícios que os ingredientes agregam aos diversos tipos de formulações”, concluiu Coelho.

Ao analisar o mercado de cosméticos, o especialista Rafael Ishikawa, assistente técnico de desenvolvimento de home e personal care do Grupo Solvay na América Latina, observa que a indústria de bens de consumo atravessa uma profunda transformação para uma beleza mais inclusiva, sustentável, limpa e segura.

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Ishikawa: tendência global de eliminar dioxanas dos xampus

“O mundo dinâmico e cheio de informações gerou a necessidade dos consumidores de construir confiança nas marcas que consomem. Outro exemplo de como essa tendência afeta o nosso mercado, são as restrições regulatórias à presença de dioxanas em formulações de produtos cosméticos, que está acontecendo desde o início de 2023 nos Estados Unidos, e já é uma realidade em alguns países da Ásia e está em discussão na Europa. Como as formulações sulfatadas têm a tendência de ter mais impurezas deste tipo, a reformulação de xampus livres de dioxana se tornou um forte driver para a substituição dos tensoativos tradicionais.”

Em 2022, a Solvay lançou a linha de aditivos Mirasoft SL, composta por biosurfactantes 100% naturais e biodegradáveis, produzidos por fermentação, permitindo uma pegada de carbono até 60% menor que os tensoativos tradicionais. “O processo fermentativo de obtenção dos produtos Mirasoft SL viabiliza a produção desses componentes em grande escala, permitindo a obtenção de produtos custo-efetivos para a utilização em formulações de cosméticos”, garantiu Ishikawa, acrescentando que a linha tem a função de limpeza e benefícios para a saúde da pele e do couro cabeludo, enquanto mantém suas propriedades como tensoativos.

Com relação às formulações livres de silicone, o especialista diz que hoje é possível encontrar emolientes derivados naturais, não ecotóxicos e adaptáveis, como o Dermalcare LIA MB, desenvolvido pela Solvay. Este éster vegetal é uma alternativa aos silicones em formulações com e sem enxágue, contribuindo com um brilho excepcional, penteabilidade, maciez e um sensorial “nude”, sem causar efeito build up (acúmulo) nos fios. O produto rendeu à Solvay o prêmio ECO 2020 da Amcham pelo processo inovador de fabricação por meio de esterificação enzimática, que resulta em uma pegada de carbono negativa, sendo uma alternativa circular aos silicones.

“No ano passado, nós criamos o nosso score de biodegradabilidade de ingredientes cosméticos com base nos testes propostos pela OCDE. A partir deste estudo e do aprendizado de anos trabalhando com polímeros derivados naturais, lançamos em 2023 a linha Naternal, cujos produtos se enquadram nas melhores categorias de biodegradabilidade. Estamos ansiosos pelas novidades virão para complementá-la.”, finalizou Ishikawa.

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