Química

Cosméticos – Tinturas – Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida

Rose de Moraes
13 de novembro de 2008
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    Cabelos eternamente naturais – Os cabelos humanos bem que podiam ser eternizados na cor natural. Essa aspiração ilustra a vontade não só de pessoas comuns, usuárias de tinturas ou candidatas ao uso, mas também mobiliza vários estudos empreendidos por cientistas. Para se contar com a perspectiva de, no futuro, manter naturalmente os cabelos sem a perda de melanina, é preciso compreender sua composição e estrutura.

    Os cabelos são constituídos principalmente de uma proteína, denominada queratina, composta por alta concentração de um aminoácido chamado cisteína. A fibra capilar se compõe de cutícula, córtex e medula. A cutícula que reveste o fio compõe a parte mais externa e se constitui fundamentalmente de queratina, a proteína responsável pela elasticidade e flexibilidade. A função principal da cutícula é proteger os cabelos contra os danos e agressões externas. Mas a cutícula também é a grande responsável pelas características sensoriais dos cabelos como maciez, brilho e desembaraço.

    O córtex consiste na parte interna do fio. Também responde pela elasticidade, reestruturação e resistência dos cabelos, mas tem outras funções muito importantes como armazenar as células de pigmentação dos cabelos, ou seja, as melaninas, abrigando o cemento dos cabelos onde estão presentes a queratina e a ceramida. A queratina presente nos fi os é muito rica em aminoácidos. Exatos dezoito aminoácidos entram em sua composição. São eles a leucina, a threonina, a porlina, a serina, a arginina, a glutamina, a cisteína, a metionina, o triptofano, a histidina, a tirosina, a fenilalanina, a isoleocina, a alanina, a glicina, a valina, a lisina e a asparagina. A glutamina e a cisteína são as que aparecem em maiores quantidades. A cisteína é rica em enxofre e também responde pelas ligações de enxofre nos cabelos. A queratina se interliga às estruturas do fio por meio de três ligações químicas básicas como ligações de enxofre, de hidrogênio e salinas. A medula é a porção mais interna do fi o e apresenta células indiferenciadas. Os fios nascem na medula, mas, ao crescer, o canal da medula também pode apresentar queratina de uma forma esponjosa.

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    A cor do cabelo é gerada pelos melanócitos da raiz

     

    Os cabelos, de modo geral, têm pH levemente ácido, na faixa entre 5,0 e 6,0. A depender do tipo – asiático, caucasiano ou negróide –, os cabelos apresentam diferentes diâmetros que variam de 40 mm até 120 mm. Os cabelos asiáticos são em geral mais espessos em comparação com os cabelos caucasianos ou negróides e os cabelos caucasianos são mais regulares. Os negróides tendem a ser mais irregulares, apresentando áreas mais espessas ou mais finas, o que pode torná-los mais frágeis e quebradiços por não receberem a proteção oleosa proveniente do couro cabeludo.

    Os cabelos são coloridos por pigmentos encontrados no córtex. A cor dos cabelos é determinada pela presença de pigmentos naturais, as melaninas, caracterizadas por eumelaninas, feomelaninas e oximelaninas. As eumelaninas são pigmentos naturais responsáveis pelas colorações mais escuras como os pretos e os castanhos. Quimicamente, são polímeros consistindo principalmente de 5,6-di-hidroxiidol (DHI) e, em menor quantidade, de 5,6-di-hidroxiindol- 2-ácido carboxílico (DHICA), ligados por meio de ligações carbonocarbono. Outras unidades, presentes em proporções menores, incluem 5,- di-hidroxi-indol semiquinona e pirrol carboxilado. Esses elementos menores, segundo especialistas, provavelmente decorrem da fissão parcial de indóis pelo peróxido de hidrogênio formado durante a melanogênese.

    As feomelaninas são os pigmentos naturais responsáveis pelas colorações louras e avermelhadas dos cabelos. Pouco se sabe sobre a estrutura das feomelaninas, que incluem diversos pigmentos com diferentes estruturas e composições. Dentro de uma abordagem ampla, as feomelaninas se caracterizam por uma complexa mistura de polímeros que contêm altos percentuais (10% até 12%) de enxofre, apresentando-se principalmente em unidades de 1,4-benzotiazinil- alina, unidas aleatoriamente por meio de vários tipos de ligação.

    Por último, as oximelaninas são também responsáveis pelos pigmentos louros e avermelhados, não contendo enxofre. Especialistas já se referiram a esses pigmentos, com colorações semelhantes àquelas das feomelaninas, como eumelaninas branqueadas, surgidas da clivagem peroxidante parcial de unidades de 5,6-dihidroxi-indol.

    Com o avanço das pesquisas, descobriu- se que o embranquecimento dos cabelos é decorrente da ausência de melanina nos fi os, mas não no bulbo piloso. Mais instigante, porém, é desvendar por que com o passar do tempo as ligações bioquímicas interrompem a comunicação entre os melanócitos e os queratinócitos, impedindo que o fi o continue a crescer pigmentado sobre as nossas cabeças. Cientistas já descobriram que a produção de melanina não sofre interrupção com o avançar da idade e tentam, agora, decifrar o mecanismo que levaria a restabelecer as ligações entre os melanócitos e os queratinócitos, rompidas com o passar dos anos.



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    1. maria

      Boa tarde,
      Também tenho medo de tinta devido ao ppd…mas fenilendiaminas (diaminotoluenos), não é o mesmo? a syoss penso que usa fenilendiaminas (diaminotoluenos), na sua fórmula.


    2. Sonia Alves

      Já estamos em 2016 e até agora continuo aguardando que essa lei entre em vigor aqui no Brasil. Sou alérgica ao PPD, já utilizei a coloração 10′ da L’Oreal que há alguns anos foi colocada em nosso mercado, não tive nenhuma reação negativa no couro cabeludo mas ela, infelizmente, rapidamente foi retirada das lojas sem ninguém saber porque…



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