Química

Cosméticos – Tinturas – Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida

Rose de Moraes
13 de novembro de 2008
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    Segundo bem lembrou Souza, há ainda um outro tipo de tintura que vem contando com rápida difusão nesse mercado. Esse é o caso das tinturas demipermanentes, que não utilizam amônia para promover a reação oxidativa. “As tinturas que não utilizam amônia contêm a molécula de monoetanolamina (MEA), menos agressiva, mas também menos oxidativa, e se enquadram na categoria de tinturas amônia-free, consideradas tinturas demipermanentes”, informou o especialista.

    Química e Derivados, Simone França, coordenadora técnica da LCW do Brasil, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida

    Simone França: demipermanentes não precisam de amônia

    A monoetanolamina (MEA), utilizada como molécula alcalinizante, em substituição à amônia, segundo observou Simone, promove baixo efeito clareador e não tem capacidade para reduzir tons, resistindo, porém, a doze lavagens, em média. “A MEA é, sem dúvida, uma opção menos agressiva, mas não irá proporcionar 100% de cobertura dos fios brancos”, destacou.

    Os pigmentos menos agressivos posicionam- se cada vez mais na ordem do dia dos novos desenvolvimentos, seja por força das legislações mais rigorosas e restritivas, ou da evolução que se presencia no campo das moléculas e dos ingredientes. Muitos lançamentos, atualmente, fazem uso de pigmentos catiônicos de deposição, cujas moléculas não são agressivas, mas carregam a desvantagem de não cobrir totalmente os fi os brancos.

    Existem pelo menos três categorias de pigmentos de deposição bem conhecidas e que irão dar origem a tinturas temporárias e semipermanentes.

    Os pigmentos ácidos, constituídos de moléculas maiores, segundo ensinou Simone, devem ser formulados em faixa baixa e exata de pH (3,5 pH), sem qualquer tipo de variação, para que a sua adsorção na superfície do fio logre pleno sucesso, não penetre no fi o e possa garantir a reprodutibilidade da cor, conferindo maior permanência às sucessivas lavagens. Essa categoria de pigmento costuma ser utilizada com freqüência em xampus para uso contínuo, e proporciona uma coloração gradual aos fi os. De acordo com Simone, os pigmentos ácidos tiveram papel muito importante na substituição do acetato de chumbo, substância comprovadamente agressiva, recentemente proibida no mercado brasileiro.

    Os pigmentos de deposição também podem ser constituídos de nitroanilinas. Essas moléculas menores foram as primeiras a serem descobertas para uso em tinturas de deposição e devem ser trabalhadas em faixa constante de pH próxima ao neutro de 6,0 a 8,0, sendo especialmente indicadas para cabelos virgens, não quimicamente modificados. “As moléculas de nitroanilina são muito utilizadas nas formulações de tinturas fabricadas na Europa porque lá, diferentemente do Brasil, as mulheres não têm por hábito descolorir os cabelos e nem fazem alisamentos, condutas desfavoráveis à maior durabilidade das tinturas”, comentou a especialista.

    Os pigmentos de deposição com características catiônicas são os que têm mobilizado a maior parte dos lançamentos porque apresentam grande afinidade com os cabelos, naturalmente carregados com cargas negativas. As moléculas catiônicas, na opinião de Simone, são as mais indicadas para as tinturas direcionadas às brasileiras porque são compatíveis com cabelos quimicamente modificados com alisamentos e outros procedimentos. “As moléculas catiônicas são as ideais para as tinturas no Brasil, e constituem a linha que mais tem registrado avanços em tecnologia, oferecendo corantes básicos e diretos, hidrossolúveis, com peso molecular razoavelmente alto e sem qualquer contra-indicação para aplicação após os alisamentos, até no mesmo dia, devendo-se obrigatoriamente trabalhar com pH constante, na faixa de 6 pH e 8 pH”, afirmou.

    Nos três casos, a recomendação da especialista destaca a importância de uso de solventes especiais como misturas de glicóis, álcoois-benzílicos e quatérnios, para garantir a homogeneidade da cobertura na superfície dos fi os e difi cultar o acúmulo de pigmentos nas partes mais danificadas, evitando, ainda, a recristalização das moléculas corantes.

    Além das opções em pigmentos, o mercado de tinturas também vem oferecendo às consumidoras novas formas de apresentação dos produtos. “As formulações em creme, sem dúvida, são as mais usuais, mas as mais inovadoras no momento são as formulações que utilizam géis translúcidos como veículos, que melhoram a aplicabilidade das tinturas e permitem adicionar pigmentos perolados, promovendo, assim, maior apelo visual aos produtos”, informou Simone.

    As tinturas temporárias, segundo recomendam os especialistas, também podem ser utilizadas entre as tinturas oxidativas com a finalidade de realçar o brilho dos cabelos e propiciar um aumento no intervalo entre as colorações. “As tinturas temporárias contêm moléculas catiônicas de maior dimensão que realçam os tons dos cabelos e se ligam às cutículas por atração elétrica, sendo incompatíveis com tensoativos aniônicos como Lauril-Éter-Sulfato de Sódio (LESS). Já as tinturas semipermanentes assumem uma dupla função: manter os processos oxidativos e serem responsáveis pelas cores vibrantes como amarelos e vermelhos”, explicou Souza.


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    1. Sonia Alves

      Já estamos em 2016 e até agora continuo aguardando que essa lei entre em vigor aqui no Brasil. Sou alérgica ao PPD, já utilizei a coloração 10′ da L’Oreal que há alguns anos foi colocada em nosso mercado, não tive nenhuma reação negativa no couro cabeludo mas ela, infelizmente, rapidamente foi retirada das lojas sem ninguém saber porque…



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