Cosméticos: Europa começa a banir pigmentos irritativos

Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida

A última tendência mundial em tinturas é abolir o emprego das moléculas de parafenilenodiamina (também chamadas de PPD) nas formulações.

As tinturas com PPD já foram proibidas na Alemanha e o conceito PPD-free dyes começa a se alastrar na Europa.

As primeiras tinturas contempladas com fórmulas livres de PPD foram preparadas para a aplicação por profissionais, para uso exclusivo em salões.

A holandesa Keune, tradicional empresa familiar do ramo que, desde 1924, se dedica integralmente à manufatura de produtos para cabelos direcionados a cabeleireiros, já teria lançado, em 2007, uma nova tecnologia em tintura, deixando para trás o PPD, utilizado há quase um século por grandes fabricantes de tinturas.

Mais recentemente, chegou a vez da L’Oréal Paris abraçar a causa PPD-free, ao apresentar para o mercado do varejo, de sua base de lançamentos européia, a tintura de oxidação Excell 10’.

Em lugar de PPD, essa coloração permanente em creme traz diaminotolueno (TDS), pigmento considerado de menor agressividade para a saúde do couro cabeludo, e que promete cobrir 100% dos fi os brancos.

No mundo todo, prós e contras associados ao uso dos pigmentos de PPD e outras substâncias já são há algum tempo conhecidos.

Constituídos de moléculas primárias para uso em tinturas oxidativas permanentes, esses pigmentos apresentam pequena dimensão e têm capacidade para penetrar além das cutículas protetoras dos fi os, atingindo o córtex, onde darão origem aos tons de fundos mais escuros como os pretos e os castanhos escuros.

A utilização do PPD em tinturas A 32 para cabelos é tão antiga quanto a produção das mais renomadas e globais fábricas de tinturas. No início do século passado, o químico francês Eugène Schueller, fundador da L’Oréal, já utilizava o PPD em suas tinturas.

Química e Derivados, Francisco Santin de Souza, coordenador de pesquisa e inovação da Cosmotec Especialidades Químicas, de São Paulo, representante da James Robinson, fabricante de pigmentos da Inglaterra, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida
Francisco Santin de Souza lamenta banimento dos pigmentos de PPD

“O pigmento de PPD há muitos anos é conhecido pelos seus efeitos potencialmente irritativos, mas também representa a molécula mais utilizada no mundo todo para tinturas oxidativas”, informou Francisco Santin de Souza, coordenador de pesquisa e inovação da Cosmotec Especialidades Químicas, de São Paulo, representante da James Robinson, fabricante de pigmentos da Inglaterra.

Antenado com as principais mudanças que poderão ocorrer no campo da química cosmética, Souza confirma os indícios de que o PPD talvez possa vir a ser banido em toda a Europa, mas sua efetividade, na opinião do especialista, ainda é considerada única, existindo, portanto, o receio do ponto de vista técnico de não se encontrar um substituto à sua altura, que propicie a mesma capacidade de cobertura dos fi os e uma efi ciente coloração em tons mais escuros.

Levantamento realizado por Souza na James Robinson indica que, atualmente, quatro substâncias entraram na rota de banimento da Colipa (The European Cosmetics Association): a 2-nitro-p-fenilenodiamina está definitivamente banida; a 2-cloro-fenilenediamina sulfato, a o-aminofenol e a HC Yellow 5 estão sem suporte adicional.

Ou seja, em breve poderão ser banidas oficialmente, pois até agora os fabricantes não apresentaram estudos comprovando a segurança desses produtos (ver tabela).

Segundo Souza, é importante ressaltar que a legislação da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em muito se assemelha à legislação adotada pelos europeus.

“Assim sendo, as restrições e as proibições de uso lá fora poderão ser rapidamente reproduzidas pelo órgão regulatório brasileiro”, considerou.

Incrédulo com certos apelos de marketing feitos por indústrias de tinturas reportando o desenvolvimento de tinturas “amônia-free” e “PPD-free”, Manoel Carames de Beires Lopes Freire de Gouvea, diretor da filial brasileira da LCW Sensient Cosmetic Technologies, considera que muitos claims dirigidos ao mercado não são esclarecedores.

Ao contrário, confundem os usuários, pois é perfeitamente possível produzir tinturas de deposição sem amônia ou PPD, tratando-se, no caso, de tinturas semipermanentes e temporárias.

Manoel Carames de Beires Lopes Freire de Gouvea, diretor da filial brasileira da LCW Sensient Cosmetic Technologies, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida
Manoel Carames de Beires Lopes Freire de Gouvea: tinturas de deposição dispensam uso de amônia e PPDs

“As tinturas de deposição contam com parâmetros específicos e distintos das tinturas de oxidação. Nas tinturas de deposição, quando são utilizadas nitroanilinas, por exemplo, não se pode abrir mão de solventes fixadores para a distribuição homogênea das moléculas ao redor dos fios de cabelos e sua fixação, pois, se parte dos fios estiver danificada por radiações solares, descolorações, alisamentos e outros procedimentos mais agressivos, a tintura poderá ficar manchada. Nas tinturas de oxidação, são previstas reações muito fortes em meio alcalino e, do contrário, dificilmente seria possível mudar radicalmente cabelos naturalmente pretos para louros ou colorir totalmente fios brancos, sendo, portanto, difícil prescindir do PPD para se tingir os cabelos na coloração preta intensa”, considerou Carames.

Com atuação mundial em pigmentos para cosméticos, a LCW, divisão cosmética do grupo Sensient, preocupa- se com os impactos de prováveis restrições e proibições de substâncias químicas sobre a produção industrial.

Assim, de sua base instalada em Saint- Ouen-L’Aumône, na França, surgem de tempos em tempos informes e comunicados de alerta às filiais e às revendas, com o objetivo de manter atualizadas as indústrias e antecipar prováveis restrições e resoluções em caráter definitivo a serem adotadas pela Comunidade Européia em relação à química cosmética capilar.

De acordo com o último comunicado emitido pela sede da LCW, a nitroanilina azul, a Basic Blue 26, constitui a próxima molécula a ser banida dos produtos para coloração dos cabelos, o que deverá ocorrer a partir do mês de agosto de 2009, conforme expresso na diretiva da Comissão Européia número 2008/88/CE, tornada pública em 23 de setembro último.

“Já estamos respondendo a consultas e informando aos nossos clientes a proibição de uso dessa molécula na Europa, bem como apresentando nossa sugestão para substituir a nitroanilina azul por um quaternário, o Arianor Steel-Blue, existente em nossa linha de produtos”, informou Carames.

Química e Derivados, Lista de ingedientes banidos ou em processo de descontinuação - Colipa 2008, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida
Lista de ingredientes banidos ou em processo de descontinuação – Colipa 2008

Oxidação e deposição– As tinturas de oxidação resultam de reações químicas entre pequenas moléculas primárias de acoplamento como o parafenilenodiamina (PPD), o paraaminofenol (PAP), o ortoaminofenol (OAP) e o parafenilenodiamina sulfatado (PPDS) e moléculas consideradas modifi cadoras como metaaminofenol (MAP), resorcinol (RCN), naftol (NA) 4-clororesorcinol (4CLR), 4-amino2hidróxitolueno (AHT), 2-amino4hidróxietilamino-anisole sulfato (AHEAS), 2-4-diaminofenoxietanol HCL (2-4-DAPE), entre outras, que reagem entre si, formando moléculas maiores, obtidas de misturas com amônia, e que ficarão de certo modo “aprisionadas” no córtex dos fi os de cabelos.

A química e especialista em cosmetologia Simone França, coordenadora técnica da LCW do Brasil, confere a seguinte definição para as tinturas de oxidação:

Química e Derivados, Simone França, coordenadora técnica da LCW do Brasil, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida
Simone França: demipermanentes não precisam de amônia

“São reações químicas entre bases de acoplamento e intermediários de reação que ocorrem em meio oxidante e alcalino para a obtenção de polímeros coloridos dentro da estrutura de cada fio dos cabelos.”

As tinturas de oxidação, portanto, são consideradas permanentes e podem resistir em média a 24 lavagens, permitindo a cobertura total dos fios brancos.

Tinturas desse tipo em geral requerem o uso de hidróxido de amônia como substância alcalinizante, para reagir com a melanina natural dos fios de cabelos e promover o seu clareamento, e também não dispensam o uso de peróxido de hidrogênio, a ser utilizado como substância oxidante.

“Os corantes de oxidação são constituídos por bases de acoplamento e por modifi cadores de reação de baixo peso molecular, que vão sofrer oxirredução no interior do córtex capilar e proporcionar o polímero colorido responsável pela coloração”, ensinou Simone.

As tinturas de oxidação reduzem os tons de cores naturais, permitem a tintura em cores-fantasia e cobrem até 100% dos fios.

Nunca é demais lembrar, segundo a técnica, que, para lograrem êxito, as tinturas de oxidação precisam ser trabalhadas em faixas de pH acima de 9,0, e necessitam de substância alcalinizante como o hidróxido de amônia ou a monoetanolamina, para que ocorra a reação de oxirredução.

“As tinturas de oxidação promovidas em meio fortemente alcalino e oxidante irão abrir as cutículas dos cabelos, permitindo que as bases e os acopladores de baixo peso molecular penetrem facilmente na estrutura interna dos fios.

No transcorrer do processo de oxidação, a molécula se polimeriza internamente, originando polímeros coloridos, e sofre aumento do seu peso molecular, o que, conseqüentemente, irá evitar que a cor seja removida”, explicou Simone.

Segundo bem lembrou Souza, há ainda um outro tipo de tintura que vem contando com rápida difusão nesse mercado.

Esse é o caso das tinturas demipermanentes, que não utilizam amônia para promover a reação oxidativa.

“As tinturas que não utilizam amônia contêm a molécula de monoetanolamina (MEA), menos agressiva, mas também menos oxidativa, e se enquadram na categoria de tinturas amônia-free, consideradas tinturas demipermanentes”, informou o especialista.

A monoetanolamina (MEA), utilizada como molécula alcalinizante, em substituição à amônia, segundo observou Simone, promove baixo efeito clareador e não tem capacidade para reduzir tons, resistindo, porém, a doze lavagens, em média.

“A MEA é, sem dúvida, uma opção menos agressiva, mas não irá proporcionar 100% de cobertura dos fios brancos”, destacou.

Os pigmentos menos agressivos posicionam- se cada vez mais na ordem do dia dos novos desenvolvimentos, seja por força das legislações mais rigorosas e restritivas, ou da evolução que se presencia no campo das moléculas e dos ingredientes.

Muitos lançamentos, atualmente, fazem uso de pigmentos catiônicos de deposição, cujas moléculas não são agressivas, mas carregam a desvantagem de não cobrir totalmente os fi os brancos.

Existem pelo menos três categorias de pigmentos de deposição bem conhecidas e que irão dar origem a tinturas temporárias e semipermanentes.

Os pigmentos ácidos, constituídos de moléculas maiores, segundo ensinou Simone, devem ser formulados em faixa baixa e exata de pH (3,5 pH), sem qualquer tipo de variação, para que a sua adsorção na superfície do fio logre pleno sucesso, não penetre no fio e possa garantir a reprodutibilidade da cor, conferindo maior permanência às sucessivas lavagens.

Essa categoria de pigmento costuma ser utilizada com freqüência em xampus para uso contínuo, e proporciona uma coloração gradual aos fios.

De acordo com Simone, os pigmentos ácidos tiveram papel muito importante na substituição do acetato de chumbo, substância comprovadamente agressiva, recentemente proibida no mercado brasileiro.

Os pigmentos de deposição também podem ser constituídos de nitroanilinas.

Essas moléculas menores foram as primeiras a serem descobertas para uso em tinturas de deposição e devem ser trabalhadas em faixa constante de pH próxima ao neutro de 6,0 a 8,0, sendo especialmente indicadas para cabelos virgens, não quimicamente modificados.

“As moléculas de nitroanilina são muito utilizadas nas formulações de tinturas fabricadas na Europa porque lá, diferentemente do Brasil, as mulheres não têm por hábito descolorir os cabelos e nem fazem alisamentos, condutas desfavoráveis à maior durabilidade das tinturas”, comentou a especialista.

Os pigmentos de deposição com características catiônicas são os que têm mobilizado a maior parte dos lançamentos porque apresentam grande afinidade com os cabelos, naturalmente carregados com cargas negativas.

As moléculas catiônicas, na opinião de Simone, são as mais indicadas para as tinturas direcionadas às brasileiras porque são compatíveis com cabelos quimicamente modificados com alisamentos e outros procedimentos.

“As moléculas catiônicas são as ideais para as tinturas no Brasil, e constituem a linha que mais tem registrado avanços em tecnologia, oferecendo corantes básicos e diretos, hidrossolúveis, com peso molecular razoavelmente alto e sem qualquer contra-indicação para aplicação após os alisamentos, até no mesmo dia, devendo-se obrigatoriamente trabalhar com pH constante, na faixa de 6 pH e 8 pH”, afirmou.

Nos três casos, a recomendação da especialista destaca a importância de uso de solventes especiais como misturas de glicóis, álcoois-benzílicos e quatérnios, para garantir a homogeneidade da cobertura na superfície dos fi os e dificultar o acúmulo de pigmentos nas partes mais danificadas, evitando, ainda, a recristalização das moléculas corantes.

Além das opções em pigmentos, o mercado de tinturas também vem oferecendo às consumidoras novas formas de apresentação dos produtos.

“As formulações em creme, sem dúvida, são as mais usuais, mas as mais inovadoras no momento são as formulações que utilizam géis translúcidos como veículos, que melhoram a aplicabilidade das tinturas e permitem adicionar pigmentos perolados, promovendo, assim, maior apelo visual aos produtos”, informou Simone.

As tinturas temporárias, segundo recomendam os especialistas, também podem ser utilizadas entre as tinturas oxidativas com a finalidade de realçar o brilho dos cabelos e propiciar um aumento no intervalo entre as colorações.

“As tinturas temporárias contêm moléculas catiônicas de maior dimensão que realçam os tons dos cabelos e se ligam às cutículas por atração elétrica, sendo incompatíveis com tensoativos aniônicos como Lauril-Éter-Sulfato de Sódio (LESS).

Já as tinturas semipermanentes assumem uma dupla função: manter os processos oxidativos e serem responsáveis pelas cores vibrantes como amarelos e vermelhos”, explicou Souza.

Cabelos eternamente naturais – Os cabelos humanos bem que podiam ser eternizados na cor natural. Essa aspiração ilustra a vontade não só de pessoas comuns, usuárias de tinturas ou candidatas ao uso, mas também mobiliza vários estudos empreendidos por cientistas.

Para se contar com a perspectiva de, no futuro, manter naturalmente os cabelos sem a perda de melanina, é preciso compreender sua composição e estrutura.

Os cabelos são constituídos principalmente de uma proteína, denominada queratina, composta por alta concentração de um aminoácido chamado cisteína.

A fibra capilar se compõe de cutícula, córtex e medula. A cutícula que reveste o fio compõe a parte mais externa e se constitui fundamentalmente de queratina, a proteína responsável pela elasticidade e flexibilidade.

A função principal da cutícula é proteger os cabelos contra os danos e agressões externas. Mas a cutícula também é a grande responsável pelas características sensoriais dos cabelos como maciez, brilho e desembaraço.

O córtex consiste na parte interna do fio. Também responde pela elasticidade, reestruturação e resistência dos cabelos, mas tem outras funções muito importantes como armazenar as células de pigmentação dos cabelos, ou seja, as melaninas, abrigando o cemento dos cabelos onde estão presentes a queratina e a ceramida.

A queratina presente nos fi os é muito rica em aminoácidos. Exatos dezoito aminoácidos entram em sua composição.

São eles a leucina, a threonina, a porlina, a serina, a arginina, a glutamina, a cisteína, a metionina, o triptofano, a histidina, a tirosina, a fenilalanina, a isoleocina, a alanina, a glicina, a valina, a lisina e a asparagina.

A glutamina e a cisteína são as que aparecem em maiores quantidades.

A cisteína é rica em enxofre e também responde pelas ligações de enxofre nos cabelos.

A queratina se interliga às estruturas do fio por meio de três ligações químicas básicas como ligações de enxofre, de hidrogênio e salinas. A medula é a porção mais interna do fio e apresenta células indiferenciadas.

Os fios nascem na medula, mas, ao crescer, o canal da medula também pode apresentar queratina de uma forma esponjosa.

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A cor do cabelo é gerada pelos melanócitos da raiz

 

Os cabelos, de modo geral, têm pH levemente ácido, na faixa entre 5,0 e 6,0. A depender do tipo – asiático, caucasiano ou negróide –, os cabelos apresentam diferentes diâmetros que variam de 40 mm até 120 mm.

Os cabelos asiáticos são em geral mais espessos em comparação com os cabelos caucasianos ou negróides e os cabelos caucasianos são mais regulares.

Os negróides tendem a ser mais irregulares, apresentando áreas mais espessas ou mais finas, o que pode torná-los mais frágeis e quebradiços por não receberem a proteção oleosa proveniente do couro cabeludo.

Os cabelos são coloridos por pigmentos encontrados no córtex. A cor dos cabelos é determinada pela presença de pigmentos naturais, as melaninas, caracterizadas por eumelaninas, feomelaninas e oximelaninas.

As eumelaninas são pigmentos naturais responsáveis pelas colorações mais escuras como os pretos e os castanhos.

Quimicamente, são polímeros consistindo principalmente de 5,6-di-hidroxiidol (DHI) e, em menor quantidade, de 5,6-di-hidroxiindol- 2-ácido carboxílico (DHICA), ligados por meio de ligações carbonocarbono.

Outras unidades, presentes em proporções menores, incluem 5,- di-hidroxi-indol semiquinona e pirrol carboxilado.

Esses elementos menores, segundo especialistas, provavelmente decorrem da fissão parcial de indóis pelo peróxido de hidrogênio formado durante a melanogênese.

As feomelaninas são os pigmentos naturais responsáveis pelas colorações louras e avermelhadas dos cabelos. Pouco se sabe sobre a estrutura das feomelaninas, que incluem diversos pigmentos com diferentes estruturas e composições.

Dentro de uma abordagem ampla, as feomelaninas se caracterizam por uma complexa mistura de polímeros que contêm altos percentuais (10% até 12%) de enxofre, apresentando-se principalmente em unidades de 1,4-benzotiazinil- alina, unidas aleatoriamente por meio de vários tipos de ligação.

Por último, as oximelaninas são também responsáveis pelos pigmentos louros e avermelhados, não contendo enxofre. Especialistas já se referiram a esses pigmentos, com colorações semelhantes àquelas das feomelaninas, como eumelaninas branqueadas, surgidas da clivagem peroxidante parcial de unidades de 5,6-dihidroxi-indol.

Com o avanço das pesquisas, descobriu- se que o embranquecimento dos cabelos é decorrente da ausência de melanina nos fios, mas não no bulbo piloso.

Mais instigante, porém, é desvendar por que com o passar do tempo as ligações bioquímicas interrompem a comunicação entre os melanócitos e os queratinócitos, impedindo que o fi o continue a crescer pigmentado sobre as nossas cabeças.

Cientistas já descobriram que a produção de melanina não sofre interrupção com o avançar da idade e tentam, agora, decifrar o mecanismo que levaria a restabelecer as ligações entre os melanócitos e os queratinócitos, rompidas com o passar dos anos.

Custos milionários – Cerca de um milhão de euros é o custo estimado para se desembolsar com pesquisa, desenvolvimento, registro e aprovação de uma nova molécula corante para cabelos. Por isso, o número de novas patentes requeridas nesse campo é relativamente pequeno, abrangendo novas substâncias até que possam, fi nalmente, fi gurar na lista positiva de órgãos regulatórios.

As principais inovações tecnológicas em moléculas corantes para cabelos, principalmente no campo das tinturas permanentes de oxidação, têm surgido na área de acopladores. Uma das mais importantes, e divulgada recentemente pela revista Cossma, foi desenvolvida pela Henkel. Trata-se de um novo acoplador com melhores propriedades toxicológicas e dermatológicas e que permite a penetração do corante no córtex dos fi os de cabelos, sem provocar danos e alterações na estrutura capilar.

Os novos acopladores são derivados de metafenileno diamina, contêm várias cadeias alifáticas e permitem desenvolver diversas colorações com boa resistência à luz.

Não menos difícil e oneroso do que desenvolver novas moléculas, para aprimorar as tinturas sem provocar danos à estrutura capilar, é pesquisar e provar o nexo causal entre determinadas substâncias e seus efeitos adversos provocados aos cabelos e ao couro cabeludo, mas também à saúde como um todo das pessoas.

Do ponto de vista toxicológico e de segurança, os corantes de oxidação representam uma das principais preocupações de órgãos regulatórios europeus como a Colipa e norte-americanos como a Food and Drug Administration (FDA).

Pesquisadores da Universidade de Dortmund afi rmaram, com base em vários estudos epidemiológicos, não existirem evidências de que as tinturas de oxidação constituam risco à saúde humana associado ao aparecimento de câncer.

Professores da University Hospital Nijimegen, da Nova Zelândia, por sua vez, concluíram que corantes como parafenilenodiamina e paraaminobenzeno aumentaram o risco de sensibilização da pele e de surgimento de dermatites de contato.

Vários trabalhos já publicados em revistas da área médica e de toxicologia atestaram que houve aumento no surgimento de linfomas em mulheres que usaram tinturas de oxidação antes de 1980.

Publicações recentes divulgadas pela FDA relataram estudos sobre os efeitos tóxicos do acetato de chumbo até pouco tempo atrás aceito em tinturas, associados ao surgimento de alguns tipos de câncer, incluindo leucemia, linfomas, câncer de bexiga, entre outros.

Alguns pesquisadores chegaram a afirmar que o excesso de alcalinidade presente nas colorações pode até destruir células cerebrais.

Os efeitos adversos de tinturas capilares foram e continuarão sendo pesquisados e relatados por publicações científicas, abrangendo desde irritações na pele e alergias até intoxicações mais graves.

As reações alérgicas mais freqüentes incluem vermelhidão, feridas, ardor, comichão e desconforto.

Em vários casos, a principal causa dessas reações foi atribuída à para-fenilenodiamina, presente na maior parte das tinturas de oxidação e considerada responsável por provocar desde irritações até edema de glote.

A fragilização, o desbotamento, o ressecamento e o rompimento dos fi os de cabelos são alvos de preocupação permanente de várias empresas dedicadas ao fornecimento e fabricação de novas matérias-primas e ingredientes para uso em tinturas ou em cosméticos pós-tinturas a serem utilizados para manter os cabelos saudáveis ou mesmo reverter fios danificados pelo uso de produtos de qualidade duvidosa ou que foram aplicados sem os devidos cuidados e precauções.

Segundo Souza, o processo de tingir os cabelos oxida as melaninas, clareando-as, e destrói as ligações peptídicas que são responsáveis pela elasticidade dos fios.

Por isso, é muito importante enriquecer as formulações com ativos que possam restituir a massa capilar, responsável pela resistência e pela força dos fi os, bem como a maciez e o brilho naturais das fibras.

“A grande difi culdade é desenvolver ingredientes ativos estáveis para uso em tinturas oxidativas porque as formulações apresentam faixas extremas de pH”, considerou Souza.

Por isso, a variedade de ativos para incorporação direta às tinturas pode ser considerada relativamente reduzida.

A Cosmotec oferece ao mercado nacional o polímero catiônico Merquat 280 (Polyquarternium 22), cuja ação pode ocorrer em ampla faixa de pH, desde 3 pH até 12 pH.

Tal característica possibilita seu emprego diretamente nas fórmulas das tinturas.

“O principal benefício do Merquat 280 é oferecer maciez e proteção às fi bras dos cabelos durante o processo oxidativo”, afi rmou Souza. Especialmente desenvolvido para proporcionar condicionamento aos cabelos quimicamente tratados, esse polímero também contribui para o desembaraço dos fios, facilitando a penteabilidade a úmido.

Esse ingrediente também pode ser utilizado em produtos para permanentes e para descoloração.

Outro ativo inovador disponibilizado pela Cosmotec é o Abil UV Quat 50. Trata-se de uma mistura de polímero catiônico de silicone (polissilicone 19) e de ácido metoxicinamico, desenvolvida para a manutenção da cor de cabelos tingidos, para uso em cremes, condicionadores, xampus e máscaras capilares.

“A característica catiônica de Abil UV Quat 50 faz com que esse ativo apresente afinidade com a queratina natural dos cabelos, formando uma fina camada protetora sobre os fios que irá absorver os prejudiciais raios UV, tanto em produtos leave-on quanto enxaguáveis”, acrescentou Souza.

Também na opinião de Tatiana Straioto Bianco, analista de marketing da área cosmética da Ipiranga Química, vários efeitos adversos das tinturas aos cabelos como ressecamento e desbotamento podem ser facilmente revertidos com o emprego de ativos especialmente desenvolvidos para formulações de tinturas.

“Para uso em tinturas, oferecemos ao mercado dois ativos específi cos, cuja ação é comprovada por testes de eficácia”, informou Tatiana.

Um deles é o óleo de jojoba (Eco Oil), que propicia vários benefícios às tinturas.

“Estudos de eficácia comprovaram que a adição do óleo de jojoba às formulações melhora a espalhabilidade da tintura nas mechas dos cabelos, facilita a penetração da cor no córtex, aumenta a durabilidade da cor e promove brilho, mesmo após sucessivas lavagens”, informou a especialista.

Outro ativo específico para incorporação em tinturas foi desenvolvido pela Ajinomoto.

Trata-se de arginina, um aminoácido que torna os cabelos tingidos mais macios e previne o enfraquecimento dos fios.

“Incorporar a arginina como agente alcalinizante à porção oxidativa das tinturas reduz os danos causados aos cabelos, melhora a textura e a sedosidade ao toque e prolonga a duração da cor, reduzindo a perda da coloração por lavagem”, informou.

A recomendação quanto à concentração de uso desse ativo em tinturas é até 8% e quanto mais for possível aumentá-la menor uso se fará de hidróxido de amônio.

Além de ativos para tinturas, a Ipiranga Química também oferece vários ativos para tratamento de cabelos pós-coloração que revitalizam os cabelos danificados.

O Ajidew TM NL 50 é uma pirrolidona carboxilato de sódio, um PCA sódico, na forma de solução aquosa a 50% que mantém a coloração dos cabelos tingidos, conforme comprovado por testes clínicos.

Já Prodew 500 é um blend constituído de aminoácidos – PCA sódico, lactato de sódio e mais onze aminoácidos na forma de solução aquosa a 50%.

“Por conter PCA sódico, Prodew 500 ajuda a manter a coloração dos cabelos após as lavagens, sendo que a arginina aumenta a adsorção do PCA de sódio aos fi os e o mix de aminoácidos ajuda a diminuir os danos causados aos cabelos”, informou Tatiana. Ambos os ativos representam tecnologias da Ajinomoto.

Corantes naturais – A italiana Alfaparf resgatou recentemente um conceito de tintura que vem da Antiguidade, quando os cabelos eram tingidos com plantas de alto poder tintorial. Assim, a linha Color Wear de colorações vem oferecendo ao público a mais nova opção em fórmulas tonalizantes naturais que propiciam até 100% de cobertura dos fios brancos, alcançando até a tonalidade correspondente ao louro médio.

“Trata-se de uma linha de coloração tom sobre tom, desenvolvida com pistilos das flores de açafrão (amarelos), raízes da rúbia (vermelhas) e índigo (azul), e que também conta com fixador natural à base de taninos de vinho”, informou Rivelino Rodrigues, técnico de produtos do Centro Técnico da Alfaparf, instalado em São Paulo.

Testada quanto à efi – cácia, a linha toda contendo corantes naturais comprovou ser 30% mais duradoura nos cabelos em comparação com os demais tonalizantes de qualidade existentes no mercado.

De todos os corantes naturais utilizados, o mais famoso certamente é o índigo. Originalmente cultivada na Índia, a planta índigo, também utilizada na coloração de calças jeans, os famosos jeans índigo blue, é conhecida no Brasil por anil, sendo representada por várias espécies como Indigofera tinctoria L. e Indigofera anil L. que, fermentadas e submetidas a altas temperaturas, dão origem à substância corante denominada indigotina. O anil já foi bastante cultivado no Brasil, mas perdeu escala de produção com o advento dos corantes sintéticos de anil, desenvolvidos a partir de 1880.

Dependendo das proporções de diluição das tinturas da linha Color Wear com corantes naturais, é possível oferecer desde nuances de brilho aos cabelos, tonalizá-los, criar reflexos mais vibrantes, profundos ou mais suaves ou, ainda, cobrir totalmente os fi os brancos até em tons de louro médio.

As inovações tecnológicas da Alfaparf também estão presentes na tradicional linha de colorações permanentes Evolution of The Color. As fórmulas dessa linha, abrangendo 116 nuances, contêm micropigmentos cristalizados.

A cristalização, patente da empresa, constitui um processo que torna os micropigmentos ainda menores e mais puros, com grau de pureza superior a 99%.

Um dos resultados é a maior penetração das moléculas corantes no córtex dos fi os de cabelos, o que possibilitará diminuir os teores de amônia empregados nas tinturas.

“A fórmula de Evolution of The Color é considerada revolucionária e requer a mais baixa concentração de amônia utilizada em tinturas permanentes do mercado”, destacou Rodrigues.

Além das tinturas, outra forte preocupação da empresa é desenvolver vários cosméticos para tratamento dos cabelos, voltados a manter a juventude dos fios tanto virgens quanto tingidos.

“A plataforma tecnológica da linha para tratamento e rejuvenescimento dos cabelos, lançada em julho na Europa e em agosto no Brasil, está focada no semi di lino, nas proteínas da seda e em extratos de rebentos de faia, matérias-primas que criam uma mistura energética que proporciona maciez, brilho, força e vida aos cabelos ”, informou Rodrigues.

A linha completa à base de sementes de linhaça, proteínas extraídas dos casulos do bicho-da-seda, e brotos de faia abrange xampu, bálsamo e loção revitalizante.

Química e Derivados, Rúbia, açafrão e índigo (de cima para baixo): cor natural, Cosméticos - Tinturas - Europa começa a banir pigmentos irritativos a Brasil deve seguir medida
Rúbia, açafrão e índigo (de cima para baixo): cor natural

O xampu antiage Rejuvenating Sham poo elimina em profundidade os agentes poluentes que se depositam sobre os fios, causando seu envelhecimento. A fórmula, à base de brotos de faia, exerce ação estimulante e energizante sobre o bulbo capilar, proporcionando volume, vitalidade e brilho aos cabelos, sem deixá-los com a aparência pesada.

O bálsamo antiage desembaraça os fios e revitaliza toda a fibra capilar. O creme, enriquecido com polifenóis da uva, previne a oxidação e bloqueia a formação de radicais livres.

Já a loção revitalizante antiage reforça e protege a fi bra capilar. O enriquecimento dessa fórmula com ativos das proteínas da seda proporciona hidratação aos cabelos e cria uma espécie de barreira contra os fatores ambientais agressivos, deixando os cabelos brilhantes, revitalizados, sedosos e com volume.

Proteínas e óleos restauradores – Ácidos graxos essenciais, fitoesteróis e ceramidas são alguns dos muitos ingredientes inovadores descobertos pela indústria e que já integram a composição de novas fórmulas de tinturas sem ocasionar qualquer tipo de incompatibilidade, ao contrário, oferecem muitos benefícios, pois são capazes de proteger e restaurar tanto os fios quanto o couro cabeludo.

Especializada em desenvolvimentos específicos para incorporação em tinturas, a Cognis transformou as ceramidas dos girassóis em um importante ativo para tinturas. Esse é o caso de Sphingoceryl VEG, restaurador das camadas lipídicas e protetor dos cabelos, desenvolvido pelo Laboratoires Srobiologiques, que age, segundo a farmacêutica Silvana Camilo Azzellini, da área de marketing Skin Care da Cognis Brasil, fechando as cutículas e deixando os cabelos menos porosos, mal que costuma atacar os cabelos tingidos.

Também para uso direto nas fórmulas de tinturas mais avançadas, a Cognis desenvolveu Phytosoothe. Composto de fi toesteróis, considerados o colesterol de plantas, encontrados praticamente em todas as plantas, têm, porém, como fontes mais ricas a soja e a canola.

“Phytosoothe tem ação biomimética, pois imita e restitui o colesterol da barreira lipídica, e apresenta altíssima resistência a pH e temperaturas extremas, podendo ser incorporado na própria tintura e em diversos tratamentos químicos como permanentes, alisamentos e escovas progressivas”, informou Silvana.

Além disso, o ativo também atua como barreira protetora e restauradora do couro cabeludo e dos fios, deixando os cabelos hidratados, maleáveis e macios, possuindo também ação antiinflamatória, evitando, assim, irritações do couro cabeludo nos vários procedimentos químicos.

A linha da Cognis para emprego em tinturas também inclui o ativo com certificação Ecocert Lipofructyl Argan. Trata-se de óleo do Marrocos, riquíssimo em ômega 6, de efeito restaurador do brilho e da força dos cabelos submetidos a tinturas.

“Esse óleo é rico em ácidos graxos esssenciais como o linoléico e o linolênico e atua repondo os lipídeos perdidos durante os procedimentos químicos, conferindo tratamento aos cabelos tingidos, e restaurando a hidratação, a maciez e o brilho”, acrescentou Silvana.

Presente em produtos recém-lançados,l Lipofructylk Argam deve utilizado em tinturas fabricadas com pH máximo de 8,0.

Cabelos submetidos a tinturas também contam com um filtro solar especial desenvolvido pela Cognis com foto absorvedores e flavonóides de efeito antiradicais livres encontrados na laranja amarga e no baobá.

“Trata-se de Vegeles Phyto Filtre, que protege os cabelos das radiações ultravioleta, responsáveis por danos mecânicos que atingem a estrutura dos cabelos, alterando as pontes de enxofre, a composição de aminoácidos e a composição lipídica e que também atua contra a oxidação, que causa o desbotamento dos cabelos tingidos”, informou Silvana.

Agindo, portanto, como filtro solar, Vegeles Phyto Filtre é recomendado para incorporação em xampus, condicionadores e máscaras para pentear.

Também para aplicação pós-tintura, a empresa oferece um blend de compostos marinhos para revitalizar os cabelos danificados e prevenir quedas. Composto de algas e de polissacarídeo marinho (glicogênio), esse ativo, denominado Vitaplex, restabelece a energia para as células.

“O glicogênio presente em Vitaplex restaura imediatamente a vitalidade e a juventude do couro cabeludo, enquanto o extrato de algas age hidratando os fios, formando um filme restaurados com sensorial agradável,sendo, portanto, ótimo para reverter os danos causados por tinturas, para emprego em xampus, condicionadores, máscaras capilares, creme para pentear, entre outros produtos”, finalizou Silvana.

Tecnologias nacionais – AS tinturas também contam com outras tecnologias nacionais. A Polytechno oferece várias fórmulas especiais que podem ser aditivadas diretamente nas colorações permanentes e semipermanentes, para aumentar a durabilidade das tinturas e proteger os cabelos contra os danos que possam ser causados pelas colorações.

Um dos desenvolvimentos da empresa nessa área é denominado Bio- Restore, uma associação de um derivado estável de cisteína – aminoácido responsável pela reparação intensiva das cutículas danificadas –, com fi tonutrientes e silício orgânico.

De acordo com o engenheiro químico Joãosinho A. Di Domenico, vice-presidente da Polytechno e da Íon Química, e também responsável pelas diretorias técnica e industrial, o Bio-Restore confere força e resistência aos cabelos, repara as fi bras capilares, apresentando alta bioafinidade com os fios.

Essa composição de ativos, portanto, tem alta afinidade com a queratina, e irá produzir um filme protetor nos fios com efeito condicionante, retendo a hidratação. Tinturas capilares formuladas com Bio-Restore comprovaram várias melhorias em laboratório.

Testes para verificar a estrutura do fio microscopicamente revelaram que o produto reparou totalmente as cutículas, deixando-as com as escamas fechadas e uniformes.

A estabilidade na cor de tinturas com Bio-Restore também se manteve praticamente inalterada após 24 lavagens.

Os benefícios decorrentes da incorporação desse ativo em tinturas permanentes trazem resultados muito signifi cativos quanto à redução de volume e aumento de brilho, mais do que dobrando a maciez, a redução de frizz e a penteabilidade tanto a seco quanto a úmido.

A lista de bioativos desenvolvidos pela Polytechno é, porém, bem mais ampla. Com proteínas hidrolisadas do arroz, presentes em ProArroz, é possível não só reduzir a velocidade de perda da cor dos cabelos tingidos, como reparar os fios, protegendo-os contra a agressividade dos agentes colorantes.

A associação de proteínas obtidas da soja, do trigo e da aveia, tal qual realizada em Bioex Cereais, formando um filme protetor nos cabelos, restaura a flexibilidade natural dos fios e confere hidratação intensa.

Com Polygreen Orbignya Quat, outra tecnologia inovadora da Polytechno, desenvolvida com o quaternário derivado do óleo de babaçu, a empresa oferece ao mercado, segundo destacou Domenico, uma importante alternativa ao uso convencional de quaternários, porém, com performance superior e segurança comprovadas.

Com quaternário derivado do óleo de oliva, a Polytechno também desenvolveu Polygreen Quat OL.

Após sucessivos testes realizados com esse ativo, constatou-se excelente ação lubrificante e baixa irritabilidade, além de maciez, conferidos pelos nutrientes do óleo de oliva. Uma composição de triglicerídeos vegetais, presente em Phyto-Glyceride, também comprovou facilitar a penetração dos pigmentos nas cutículas e no córtex dos cabelos.

Química e Derivados, Joãosinho Di Domenico, Diretor técnico e industrial da Polytechno, Tensoativos
Joãosinho A. Di Domenico: aditivo com císteína para reparar as fibras capilares

“PHyto-Glyceride restaura a flexibilidade e a elasticidade natural dos fios, previne e combate o ressecamento e melhora a textura dos cabelos e a espalhabilidade da tintura, além de reduzir o tempo para que ocorra a penetração dos pigmentos da tintura no córtex, aumentando, assim, a quantidade que irá penetrar nos cabelos, melhorando bastante a coloração capilar”, concluiu Domenico.

Tinturas renovadas – Aminoácidos da queratina, como a cisteína, integram inovações em tinturas permanentes de oxidação. Esse é o caso da linha Keraton Color, desenvolvida pela Kert, em 25 nuances, entre louros, castanhos, marrons, cobres, vermelhos e preto, incluindo nove tons intensos.

A ação do aminoácido está voltada à proteção da fibra capilar e visa a conferir proteção para que os cabelos não percam elasticidade.

“A cisteína não representa apenas um dos dezoito aminoácidos da queratina existentes nos fios de cabelos, como também, juntamente com a glutamina, são as que ocorrem em maior concentração nos fios, sendo também rica em enxofre, e responsável pelas ligações de enxofre, que devem ser preservadas pois, do contrário, será muito difícil restabelecer ligações rompidas dos fios, passíveis de ocorrer em meios muito alcalinos, quando se trabalha com pH acima de 11,0”, esclareceu a química Ivete Szilágyi de Carvalho, diretora da Kert.

Além das colorações permanentes, a empresa também produz tonalizantes de deposição, sem amônia ou monoetalonamina, mas fabricados com nitroanilinas, para durar desde seis até oito lavagens, e que são compatíveis com tioglicolato de amônia, hidróxido de sódio, hidróxido de lítio e guanidina.

Adepta do uso das nitroanilinas, Ivete considera que essa categoria de pigmentos não agride o couro cabeludo e é muito mais suave, recomendando seu uso para toda a extensão dos cabelos, fazendo-se apenas o retoque das raízes com colorações permanentes, caso seja necessário cobrir totalmente os fios brancos.

Colorações com nutrientes capazes de reconstruir os fios também compõem as novidades da Maxiline.

A empresa está inovando ao apresentar ao mercado coloração em creme formulada com sistema bionutritivo de colágeno hidrolisado e manteiga de cupuaçu, que promove a melhor permeação dos pigmentos sobre as cutículas e reconstitui a matriz protéica dos fios.

Assim, as tinturas oferecem tripla ação que consiste na cobertura total dos fi os brancos, no realce da cor e na proteção da fibra capilar contra os danos causados pelos oxidantes.

Além das colorações, a empresa também desenvolveu emulsão reveladora cremosa para restabelecer o controle e o equilíbrio da pigmentação.

Graças à estabilidade de seus componentes, essa emulsão garante as quantidades de átomos de oxigênio necessárias para a oxidação e ou o clareamento dos cabelos.

Já o pó descolorante pode ser usado em todas as técnicas de mechas, reflexos, balayages, decapagens e clareamentos, pois possui ação intensa, rápida e de fácil homogeneização, sendo ainda microgranulado e não liberando partículas do produto no ar.

A Truss Color oferece suas novas tecnologias em coloração, as quais permitem a fi xação de micropigmentos em cristais no interior das fibras capilares, proporcionando a mais perfeita cobertura dos fi os brancos, maior durabilidade das cores e brilho intenso.

Além de micropigmentos, porém, as fórmulas contam com ativos enriquecedores de óleo de buriti, silicones, queratina e glicina de soja, que oferecem nutrição, reconstrução e hidratam os fi os.

Ativo nanotecnológico – As tinturas em creme da Valmari também se propõem a deixar os cabelos mais saudáveis. Enriquecidas com manteiga de cereais e com óleo de jojoba, promovem maior durabilidade da cor e condicionamento dos fios.

Mulheres que tiveram, contudo, seus cabelos danificados por processos químicos não precisam mais suportar fios arrepiados ou recorrer a cortes e esperar sua renovação.

A solução para tais problemas vem da Chemyunion, que acaba de lançar um ativo composto de nanopartículas catiônicas de sericina, denominado Seriseal, que promete promover a nanoreposição da massa protéica perdida, restaurar o brilho molecular, oferecendo condicionamento, maciez e penteabilidade.

Segundo técnicos da empresa, os efeitos são percebidos imediatamente após a aplicação, tendo- se comprovado a harmonização do relevo capilar em testes de eficácia.

Compatível com vários tipos de formulação cosmética de tratamento, Seriseal foi desenvolvido para entrar na composição de condicionadores leave-on e rinse-off, finalizadores de penteados, cremes para pentear, entre outros produtos.

Testes por microscopia eletrônica de varredura confirmaram os benefícios de Seriseal. Mechas de cabelos danificadas por processos químicos após tratamento com Seriseal, em solução a 5%, comprovaram a restituição do brilho aos cabelos e a reparação do dano nas cutículas por meio do nanoefeito. Testes comparativos realizados com queratina também comprovaram superior brilho oferecido aos cabelos por Seriseal.

“A sericina possui alta afinidade com a queratina dos cabelos e liga-se fortemente a ela, agindo como um adesivo que cimenta as cutículas danificadas dos fios e a nanotecnologia permite agregar as moléculas protéicas por meio de interações iônicas com agentes catiônicos, cujo conjunto dá origem a nanopartículas.

A estruturação da proteína globular nanoparticulada transforma o efeito adesivo característico da molécula individual da sericina em efeito selo.

Como resultado, há maior capacidade de cobertura da superfície dos fi os, sem engordurar os cabelos, e a reparação das cutículas, gerando brilho em conseqüência dos efeitos de superfície das nanopartículas depositadas”, explicou a engenheira química Valéria Câmara, gerente de novos negócios da Chemyunion.

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8 Comentários

  1. A koleston é a coloração com a.maior concentração de ppd quase morri com a koleston, nunca tinha tido reação nenhuma com colorações até usar a koleston
    A keune, sensi color que sao para pessoas alérgicas, ela tbm contem o ppd maquiado com outros componentes, adquiri essa alergia ao ppd e amônia,no Brasil não existe nenhuma coloração ou tonalizante para pessoas alérgicas ao ppd, faço tratamento no hospital das clínicas, com alergologista e não tem nada que nos ajude com esse problema…usei um banho de brilho da salon line ele é uma máscara tonalizante que disfarça os fios brancos e tem tbm o Dedicace da loreal que pode ajudar tbm…o restante da reação até mesmo a henna surya!

  2. Boa tarde,
    Também tenho medo de tinta devido ao ppd…mas fenilendiaminas (diaminotoluenos), não é o mesmo? a syoss penso que usa fenilendiaminas (diaminotoluenos), na sua fórmula.

  3. Já estamos em 2016 e até agora continuo aguardando que essa lei entre em vigor aqui no Brasil. Sou alérgica ao PPD, já utilizei a coloração 10′ da L’Oreal que há alguns anos foi colocada em nosso mercado, não tive nenhuma reação negativa no couro cabeludo mas ela, infelizmente, rapidamente foi retirada das lojas sem ninguém saber porque…

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