Cosméticos – Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar

Terceirizar a produção no mercado cosmético pode ser uma estratégia de mestre. Afinal, a verdadeira vocação de uma empresa nem sempre se resume a produzir. Muitas descobrem a possibilidade de delegar a tarefa a terceiros ao longo do percurso.

Outras promovem mudanças radicais de rumo após constatarem que foram talhadas para pesquisar, criar produtos ou gerar negócios.

O fato é que tanto grandes corporações como pequenos e médios empreendedores, movidos por diferentes circunstâncias, estão considerando muito mais rentável e viável desenvolver marcas, criar novos produtos e transformá-los em ícones de consumo, passando a cuidar atentamente da sua comercialização e expansão, em vez de ficarem acompanhando a produção no chão das fábricas.

Investir grandes somas de capital na aquisição de novas áreas para a construção de uma segunda fábrica e equipá-la com os melhores recursos em equipamentos também pode não estar entre as prioridades de empresas bem-sucedidas.

Mas se a esses paradigmas porventura for somado um mercado que não pára de crescer, como o cosmético, posicionando o Brasil em terceiro lugar no ranking mundial dos maiores produtores, uma das alternativas mais viáveis certamente será contar com a possibilidade de terceirizar a produção, em parte ou até mesmo no todo.

Delegando a fabricação de itens de higiene e beleza a empresas especializadas em manufatura cosmética, os detentores de marcas, garantem os especialistas em terceirização, não terão maiores preocupações em administrar fábricas ou aumentar a produtividade.

A terceirização, assim concebida, sugere cenários promissores, quase paradisíacos para investidores e donos de marcas que desfrutam de credibilidade no mercado, cuja maior preocupação será apenas aumentar a soma de capital, tendo resguardados todos os seus direitos de propriedade sobre marcas e fórmulas por meio de contratos prevendo sigilo absoluto e responsabilidade das contratadas pela qualidade dos produtos finais.

A prática de terceirizar a produção cosmética tem sido bem mais freqüente do que se possa imaginar. Os maiores níveis de crescimento foram observados principalmente na última década, mas sua implementação no País remonta há pelo menos quarenta anos.

Produção de 200 milhões de itens – Por várias razões, as indústrias cosméticas recorrem às empresas de terceirização. Uma das mais freqüentes é atender a situações pontuais, de picos de demanda por determinados produtos, muitas vezes relacionadas com o sucesso além do esperado de vendas de lançamentos, ou com sazonalidades do calendário e datas festivas.

A esses casos, empresários bem-sucedidos no ramo, como Fábio Zalaquett, sócio-diretor da Total Pack, de Louveira- SP, denominam fornecimentos spot.

Química e Derivados, Fábio Zalaquett, Sócio-diretor da Total Pack, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Zalaquett: clientes querem se dedicar mais à pesquisa de ingredientes ativos

Mas há várias outras situações que mantêm as empresas de terceirização com índices elevados de produção e ocupação durante todo o ano. “As indústrias também nos procuram quando as escalas de produção são menores, ou quando o ritmo de produção tem de ser elevado rapidamente para dar sustentação a lançamentos”, informou Zalaquett.

Não é raro grandes empresas chegarem à conclusão de que é mais importante investir na pesquisa de novos ativos e no desenvolvimento de novos produtos e marcas de maneira contínua – até para dar conta das exigências de um dos mercados mais dinâmicos da economia, impulsionado constantemente por inovações e novas descobertas –, em vez de se ocuparem totalmente com a produção, uma vez que encontram várias empresas especializadas em manufatura cosmética.

Na opinião de Zalaquett, terceirizar a produção representa uma oportunidade ímpar para uma indústria diluir custos fixos e poder dedicar maiores equipes de profissionais à expansão de marcas, até mesmo para exportação.

Terceirizar também deve pressupor muita confiança entre contratantes e contratadas. Na Total Pack, segundo Zalaquett, antes de se iniciar um novo projeto de terceirização, a contratada assina um termo de confidencialidade para a contratante. A responsabilidade, no caso, não se restringe apenas aos proprietários da contratada, mas toda a equipe de trabalho dedicada ao novo projeto também assina o termo.

Com 23 grandes clientes ativos atualmente, líderes de mercado e detentores de marcas famosas, a Total Pack produz pelo menos três centenas de diferentes itens, como cremes, xampus e condicionadores, alguns deles abrangendo toda a produção, como é o caso dos cremes de barbear.

“Juntas, as duas empresas – Total Pack e Provider, empresa do mesmo ramo instalada também em Louveira e da qual Fábio Zalaquett também é sócio, juntamente com seu irmão Ricardo Zalaquett – produzem 200 milhões de peças ao ano. O volume surpreende até mesmo o diretor: “É como se fabricássemos mais de um produto para cada um dos brasileiros.”

Incentivado pelo pai, o engenheiro químico industrial chileno Antonio Zalaquett Srur, que construiu carreira durante mais de trinta anos na Unilever, o também engenheiro químico industrial Fábio Zalaquett seguiu o mesmo caminho, trabalhando durante catorze anos na mesma empresa, sendo os quatro últimos no desenvolvimento de processo e de manufatura, área de sua especialidade, em unidade fabril da Unilever instalada na Inglaterra.

De volta ao Brasil, fundou com o pai a Total Pack, em 1993. No início, apenas aplicando envoltórios plásticos em pacotes promocionais de produtos destinados ao varejo. Um ano depois, porém, surgiu a oportunidade para fabricar talcos em regime de terceirização. Na seqüência vieram desodorantes, colônias, cremes de barbear, cremes para pentear, condicionadores e xampus. Mais nova no mercado que a TotalPack, a Provider iniciou suas operações em 2000. “Nesses sete anos, a Provider quintuplicou em tamanho e aumentou em dez vezes o nível de faturamento”, lembrou Fábio Zalaquett.

Um dos diferenciais das empresas para tanto sucesso, segundo Zalaquett, é contar com a família para assumir a frente de todos os negócios. “Ao longo desses anos construímos uma boa reputação por produzir com qualidade produtos com alto valor agregado e respeitar os prazos de entrega. O nosso lema sempre foi: antes de nos tornarmos uma empresa grande, é preciso ser uma grande empresa.”

Química e Derivados, Envasadora, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Envasadora totalmente automatizada permite acelerar a operação

Outra qualidade valorizada pelos clientes é a capacidade da empresa de agilizar e otimizar processos produtivos. “Desenvolvemos métodos de trabalho que nos permitem fabricar uma carga de condicionadores em duas horas, em lugar de seis horas que seriam necessárias a uma produção convencional.”

Outra área de forte atuação é a de envase. Entre os vários equipamentos disponíveis, uma envasadora giratória para altas produções, recém-adquirida da Serac, chegou da França e já opera a todo vapor envasando xampus em frascos de 300 ml de polipropileno. Por enquanto, existem apenas quatro equipamentos desse tipo, totalmente automatizados, em operação no mundo. Além da alta velocidade, o equipamento conta com sistema para controlar o peso dos produtos dentro das embalagens.

Aberta às auditorias de qualidade e de gestão do meio ambiente, a Total Pack também monitora o ar e a água na fábrica, promovendo limpezas e desinfecções periódicas para garantir as boas práticas de fabricação.

“Para se ter idéia da nossa preocupação com a qualidade da produção e do ambiente, a água aqui utilizada, além de ser tratada, é desmineralizada, e também contamos com sistema próprio de tratamento de efluentes”, acrescentou o empresário.

Demanda superaquecida – Todas as instalações na cor branca causam boa impressão ao visitante logo na recepção. Adentrando na fábrica, é possível observar os cuidados na organização e na limpeza. Caminhando mais à frente, avistam-se três pavimentos distintos, protegidos por paredes de vidro, onde funcionários trabalham no envase de diferentes produtos, fabricados cada qual num dos andares, para marcas e empresas provavelmente concorrentes.

Na K&G, de Louveira-SP, tudo acontece assim, em clima de muita organização. O sistema de trabalho prevê para cada cliente um ambiente de produção reservado. As células de trabalho são montadas para as diferentes produções e as equipes de profissionais também se dedicam a determinados clientes e às suas respectivas produções, discretamente, sem trocar informações entre si, orientadas para conservar total sigilo sobre as produções.

“Uma das nossas premissas é só trabalhar com funcionários contratados e preparados para atender a cada cliente e às suas necessidades de manufatura. Não temos funcionários temporários porque buscamos o comprometimento das pessoas com suas tarefas e, com isso, contamos com alto grau de confidencialidade”, informou Adriana Gragnani dos Santos, diretora da K&G.

“O grau de exigência da indústria cosmética está se equiparando ao da indústria farmacêutica, e temos que contar com alta tecnologia e com mão-de-obra especializada para estar à altura das necessidades e da alta competitividade existente nesse setor”, completou o diretor José Roberto dos Santos, conhecido por Russo.

O casal Santos começou a implementar as atividades de terceirização da K&G em novembro de 1996. “Em novembro próximo, completaremos onze anos de muito trabalho”, lembrou Santos. Inicialmente montando embalagens e kits promocionais para vários segmentos, a empresa foi crescendo passo a passo até chegar à fase atual, oferecendo emprego a 440 funcionários e produzindo mais de 600 diferentes itens que, convertidos em peças, ultrapassam os 5 milhões de unidades ao mês.

A terceirização, no caso da K&G, é exclusiva para o setor cosmético, há alguns anos cresce movida pela demanda aquecida e a empresa tem correspondido ao mercado, oferecendo diferentes modalidades de contrato às indústrias.

O contrato do tipo full-service, segundo Santos, abrange a gestão de toda a cadeia, ou seja: aquisição de insumos, matérias-primas e embalagens; realização de análises laboratoriais físicoquímicas e microbiológicas; industrialização; envase e embalagem secundária e, em alguns casos, até estoque dos produtos na empresa.

Esse tipo de contrato full-service está sendo cada vez mais requisitado, principalmente pelos investidores que vêm de fora do País e que não têm fábrica local, nem laboratórios de desenvolvimento e de controle de qualidade. Com freqüência, Santos recebe empreendedores com esse perfil, em busca de serviços, trazendo nas mãos apenas um briefing do projeto que desejam implementar. “Em geral, são donos de marcas ou apenas de fórmulas cosméticas, empreendedores dispostos a terceirizar a produção e implementar ações de marketing, abrangendo vendas e distribuição de seus produtos”, informou dos Santos.

Outra modalidade de contrato freqüente é voltada ao beneficiamento. “Nesse caso, o cliente já tem uma indústria e quer nos contratar apenas para produzir o excedente à sua capacidade de produção, visando a atender à demanda aquecida”, explicou. Por essa modalidade, o cliente envia todas as matérias-primas e insumos validados com as análises, podendo contratar apenas o envase dos produtos, ou também para industrializar e, nesse caso, caberá à K&G realizar as análises microbiológicas.

“A terceirização industrial no setor cosmético está altamente confiável. Difícil é encontrar o parceiro certo, que preserve tudo o que já foi construído de forma positiva pelo empreendedor para valorizar a qualidade e a imagem do seu produto”, considerou Santos.

Contando atualmente com fábrica de 15 mil m², a K&G está em vias de concluir a construção de uma nova unidade com 14 mil m². A razão da expansão ocorre por causa de três novos projetos, conservados sob sigilo, e que deverão entrar em produção a partir de janeiro. “Na nova fábrica, vamos trabalhar com algumas tecnologias diferenciadas e os equipamentos estarão homologados para fabricar desde colônias até cremes dentais e cremes para tratamento, como dermocosméticos, além de produtos para o público infantil, formulados sem conservantes e com óleos essenciais”, comentou.

A K&G investiu R$ 20 milhões na primeira fase das novas instalações. O projeto prevê a entrada em operação de catorze reatores, instalados numa plataforma de100 m², área limpa de 4 mil m², com várias unidades de descontaminação do ar, além de áreas de envase separadas das áreas de embalagens secundárias, confirmando que o modelo de gestão da produção via terceirização cresce a uma velocidade alcançada por poucos segmentos no País.

“Os empresários atualmente avaliam que não vale a pena imobilizar milhões de dólares em fábricas e, por isso, terceirizam a produção. Vários clientes nossos dobram a cada quatro anos o faturamento e a demanda no setor cresce entre 30% a 40% ao ano”, calculou Santos.

Atendimento personalizado– Com seis unidades industriais totalizando 18 mil m²em Monte Mor, a120 quilômetros da capital paulista, a Sinter Futura e a TecSoap têm avançado no desenvolvimento de formulações de sabonetes, cosméticos, produtos de higiene pessoal e medicinais, em mais de catorze anos de atividades voltadas ao setor.

Química e Derivados, Adriana Gragnani dos Santos, José Roberto dos Santos, Diretores da K&G, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Adriana e José Roberto: investimento em novas tecnologias

Seu parque industrial atual comporta quinze linhas de fabricação de sabonetes, dedicadas a cerca de 200 diferentes formulações, para mais de 40 clientes.

“Na área de líquidos, possuímos reatores e equipamentos de envase para a produção de sabonetes líquidos, xampus, condicionadores, cremes, protetores solares e flaconetes. São instalações modernas com práticas de GMP e salas com pressão positiva, alimentadas com ar filtrado para atender aos padrões mais exigentes de qualidade, legislação e proteção ao meio ambiente”, informou Breno Grou, um dos responsáveis pela área comercial da Sinter Futura. A empresa organiza, controla e valida toda a documentação interna e externa pertinente às orientações e procedimentos homologados pelos clientes.

Além da expertise em produção, Grou considera essencial prestar atendimento diferenciado aos clientes. Assim procedendo, a empresa oferece ao mercado três diferentes modalidades de terceirização: full-service, contrato parcial e prestação de serviços.

“Nos contratos full-service, a Sinter Futura realiza a gestão de toda a cadeia de suprimentos, fabricação e transporte de produtos acabados até o cliente. Nos contratos parciais, o cliente fornece as matérias-primas e a Sinter realiza a gestão dos itens comuns de uma formulação, fabricação e transporte dos produtos acabados para o cliente. Já nos contratos de prestação de serviços, os clientes são responsáveis pela gestão da cadeia de suprimentos, cabendo à Sinter Futura a fabricação dos produtos”, explicou.

Das colônias aos produtos para tratamento – Fernanda Mendonça, gerente-geral da Freedom Cosméticos, comentou que, há alguns anos, as indústrias terceirizavam somente as atividades que não geravam lucro. Atualmente, transferem toda a produção, desde o desenvolvimento e/ou adaptação das formulações até os processos fabris, incluindo envase e embalagem de cremes, xampus, colônias, flaconetes, entre outros. “Nossa empresa trabalha da maneira que o cliente necessitar. Com formulações prontas, desde que sejam testadas em nossos laboratórios, ou desenvolvendo projetos globais ou parciais”, informou Fernanda.

“Nossos contatos constantes com fornecedores de matérias-primas e de embalagens mantêm nosso corpo técnico atualizado com as novas tendências e tecnologias, sendo que, para cada um dos projetos aprovados e desenvolvidos em nossos laboratórios é gerado um lote piloto para adequação ao maquinário”, acrescentou.

Outros pontos que contam a favor da produção se relacionam à existência de reatores com aquecimento e turbinas de diferentes capacidades, para produções nas quantidades desejadas pelos clientes.

Com experiência consolidada na manipulação e aprovação de colônias, a Freedom Cosméticos se dedica ultimamente ao desenvolvimento de sabonetes íntimos e depilatórios químicos, cujo tempo de atuação sobre a pele não costuma ultrapassar cinco minutos para fazer efeito.

Na opinião de Fernanda, empresas dedicadas à terceirização não deveriam trabalhar com linhas próprias. “Aos olhos dos clientes, não é interessante ter linhas próprias, pois o cliente receia que todo o empenho dedicado à sua linha de produtos possa ser compartilhado com a linha da empresa contratada”, considerou.

Operando também na linha de tratamentos corporais, a Freedom Cosméticos mantém em sua carteira de clientes os grupos Cimed e Polishop, considerados os pioneiros no lançamento de produtos com grau de risco 2, cujas formulações desenvolvidas foram testadas efetivamente em humanos, comprovando-se a sua eficácia e recebendo aprovação da Anvisa.

Cosmético em padrão farmacêutico – O setor farmacêutico absorve hoje grande parte da produção da Eurofarma nas operações de terceirização. A atividade rende à empresa posições destacadas. De acordo com o grupo dos profissionais executivos do mercado farmacêutico (Grupemef), a empresa já é o quinto maior laboratório farmacêutico do País, terceiro maior em capital nacional e terceiro maior fabricante de medicamentos genéricos, com produção anual de 80 milhões de unidades (embalagens), resultantes da atuação das seguintes áreas – prescrição médica (farma), genéricos, hospitalar e licitações, oncologia, serviços a terceiros, Pearson (veterinária), Euroglass e exportação. Dentro de pouco tempo, porém, a oferta de terceirização da produção para o setor cosmético e de higiene pessoal deverá avançar. Empenho e tecnologias para impulsionar o crescimento nesse setor já existem e não são poucos. No complexo industrial de Itapevi,30 quilômetros distante da capital paulista, estão sendo investidos R$ 260 milhões, e mais de 4 mil m² já foram reservados à produção de cosméticos e de produtos de higiene pessoal para indústrias parceiras.

Parcialmente inaugurado em março deste ano, o complexo de Itapevi contará ao todo com 80 mil m² de área construída, 60 mil m² já finalizados. Mas para não descontinuar a produção em nenhum setor, a empresa preferiu escalonar em algumas etapas a mudança, iniciando as operações fabris com algumas especialidades farmacêuticas nas áreas de semisólidos, como cremes, pomadas e géis, e de líquidos para higiene oral. “Vamos produzir cosméticos e produtos de higiene pessoal de acordo com padrões farmacêuticos”, informou Alexandre Bella Barbosa, gerente da unidade de negócios voltados a serviços a terceiros da Eurofarma.

Dentro desse balizamento, a produção cosmética seguirá as normas preconizadas pelas boas práticas de fabricação (GMP). Contará com a qualificação de fornecedores de matérias-primas e de insumos e com a validação de equipamentos, e terá organizado o fluxo de pessoal e materiais. Também serão construídas salas limpas, classificadas entre as classes 10.000 até 100, para garantir a qualidade em todas as etapas de fabricação.

“Nosso foco não será produzir esmaltes, batons, perfumes ou mesmo xampus convencionais. Não temos nada contra esses tipos de produção, mas nossa fábrica está sendo estruturada e equipada para atender a exigências mais rigorosas de órgãos regulatórios internacionais, como a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos e a European Agency for the Evaluation of Medicinal Products (EMEA), da Europa, informou Barbosa.

Química e Derivados, Alexandre Bella Barbosa, Gerente da unidade de negócios voltados a serviços a terceiros da Eurofarma, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Barbosa: complexo de Itapevi terá padrão farmacêutico

Com isso, a empresa pretende multiplicar em algumas vezes a dimensão dos negócios voltados à terceirização de cosméticos e de produtos de higiene diferenciados, como sabonetes líquidos íntimos, xampus com qualidade farmacêutica, fotoprotetores, entre outros, tornando os resultados financeiros bem mais expressivos no contexto do faturamento global da empresa.

A bem da verdade, basta observar a produção da Eurofarma na década de 1990 para constatar que a terceirização de cosméticos não representa exatamente a abertura de uma nova frente de trabalho, mas uma retomada de negócios no setor, pois, naquela época, a empresa chegou a produzir em grande escala para grandes parceiros, só diminuindo o ritmo nos anos seguintes por ter se dedicado intensivamente à área de medicamentos.

Nessa época, a Eurofarma produziu muito para a Nívea, para a Unilever e para a Combe. Atualmente, produz o creme dental Unique, marca própria da empresa, e o fotoprotetor Photoderme, fator 100, dermocosmético licenciado pelo laboratório francês Bioderma, além de cremes dentais em contratos de produção compartilhada, firmados para dar conta de demandas excessivas.

Atualmente, boa parte da produção e da administração estão espalhadas, em quatro fábricas na capital paulista e também em uma unidade exclusiva para a fabricação de produtos veterinários, instalada no Rio de Janeiro. A produção de cosméticos e produtos de higiene pessoal atualmente é realizada na unidade de Interlagos.

Expansão em Itapevi – No complexo de Itapevi, inicialmente estão previstas as operações de dois reatores para a produção de cremes dentais e mais dois reatores para produzir enxaguatórios bucais, cada qual com capacidade para 10 mil litros por batelada. Somente um dos equipamentos adquiridos para envasar bisnagas de cremes dentais, segundo revelou Barbosa, tem capacidade para 9 mil unidades/hora, estando também prevista a instalação de vários tanques para armazenagem de produtos com capacidades até 10 mil litros.

Considerada uma das pioneiras na terceirização para os setores farmacêutico e cosmético, a Eurofarma iniciou suas atividades em 1972, na época sob a denominação de Billi Farmacêutica, assumindo a atual razão social em 1993.

Na atual fase de prospecção de negócios, a empresa, segundo Barbosa, não se atém a limitações financeiras, podendo realizar novos investimentos de acordo com as necessidades de seus parceiros. Com esse propósito altamente empreendedor, as fronteiras também deverão se alargar pela busca de novas oportunidades de negócios nos demais países da América Latina e da Europa.

De sachês ao produto final– Em fase final de acabamento, em condomínio industrial em Diadema-SP, a nova fábrica da Mappel abrigará um dos mais ousados projetos da companhia voltados à terceirização para o setor cosmético. Serão três galpões interligados com pé-direito de 12 m, e 4.500 m² de área construída, onde estão sendo investidos, só na primeira fase, mais de R$ 5 milhões.

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Galpão da Mappel, em Diadema-SP, conta com salas limpas

Atuante desde 1968, envasando sachês para a indústria cosmética, e hoje contando com capacidade para 15 milhões de unidades/mês, a empresa oferecerá serviços mais completos e novas especialidades a partir de novembro.Além de envasar, embalar e encaixotar, a empresa também vai produzir, desenvolver, conceber e até pesquisar novas oportunidades para seus clientes, em regime de terceirização. Algumas negociações já estão em fase avançada, dentro da carteira de mais de 200 clientes.

O gerente da nova unidade da Mappel de Diadema, Eugênio Romano, aconselha: “O empresário que pretende investir no setor cosmético tem que contar com a certeza de que poderá manter a fábrica com pelo menos 60% de ocupação, pois, do contrário, não compensa sequer montá-la.”

Nessa linha de raciocínio, aumentos de demanda entre 5% e 20% nem sempre justificam a construção de uma segunda fábrica. Com base nessas avaliações, muitos empresários acabam recorrendo às indústrias prestadoras de serviços de produção, delegando tarefas, custos fixos e preocupações, e postergando novos investimentos em capacidades próprias.

Para Romano, a manufatura em regime de terceirização para os proprietários de marcas é uma alternativa extremamente viável, capaz de evitar investimentos da ordem de R$ 2 milhões até R$ 3 milhões em empreendimentos de 2 mil m², para a produção de 100 mil peças/mês. A montagem de uma estrutura completa de fabricação também precisa atender aos padrões de qualidade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e abranger áreas de pesquisa e desenvolvimento, reatores, laboratórios, equipamentos, instalação de áreas de recebimento, pesagem e manipulação de matérias-primas, linhas de envase e ainda soluções em logística, armazenagem, transporte e administração, necessidades para as quais ele calculou um desembolso aproximado de R$ 120 mil por mês, só para manter a fábrica e cobrir os custos fixos, sem contar com os gastos relativos à compra de matérias-primas e de embalagens.

Prosseguindo nos cálculos, pela média de custos praticada no mercado, Romano afirma que, para pôr em marcha um projeto de manufatura no setor cosmético, sem investir em instalações, equipamentos e em recursos humanos, por meio de terceirização, seriam necessários apenas R$ 20 mil por mês. Esse valor cobriria os custos de fabricação de 100 mil unidades de um mesmo produto. A única contrapartida que costuma ser exigida pelas empresas de terceirização, segundo Romano, é a contratação de um volume mínimo, definido de acordo com cada tipo de produto.

Com esses argumentos, é difícil não ser convencido por Romano. Ele espera fazer isso com futuros empreendedores, incluindo empresários experientes que intencionam expandir seus negócios sem empatar altas somas de capital.

Os negócios no ramo da terceirização não são apenas convincentes sob a ótica do custo/benefício. As tecnologias planejadas para o novo empreendimento também são atrativas para quem pretende delegar a produção.

“Nossa fábrica de Diadema será totalmente automatizada para assegurar aos clientes a repetibilidade necessária nos processos. Estamos equipando nossas instalações para fabricar cremes, loções, colônias, desodorantes, xampus, condicionadores, óleos corporais, entre outros produtos, construindo uma planta de Primeiro Mundo com padrão de produção cosmética similar ao da produção farmacêutica, prevendo a existência de salas limpas, especiais e enclausuradas, e ambientes controlados em umidade, temperatura, exaustão e insuflamento de ar”, informou.

Ainda segundo Romano, na nova planta, as áreas de envase também estarão isentas de contaminação. No fluxo da produção não entrarão embalagens secundárias, do tipo caixas de papelão, fitas adesivas, codificadores, mas apenas embalagens primárias, como frascos e tampas.

Química e Derivados, Eugênio Romano, Gerente da Mappel, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Romano: fábrica com menos de 60% de ocupação dá prejuízo

A experiência na adoção de cuidados e de práticas sanitárias em fábricas não é recente. O grupo Mappel foi fundado em 1955, no Rio de Janeiro, para atuar na terceirização de embalagens para a indústria farmacêutica, e reúne hoje capacidade para fabricar e embalar 140 milhões de comprimidos/mês. Ainda nos anos 60, importou da Alemanha a sua primeira máquina para a fabricação de blisters. Sempre pautado pela prestação de serviços, o grupo diversificou, anos depois, suas atividades, passando a envasar e embalar em sachês temperos para redes hoteleiras e companhias aéreas. Em 1968, começou a envasar produtos cosméticos em sachês na unidade do Rio de Janeiro e, a partir de 1989, ampliou suas atividades de envase de cosméticos em sachês, inaugurando sua primeira unidade paulista,em São Bernardodo Campo, somando com a unidade do Rio de Janeiro capacidade total para envasar mais de 40 milhões de sachês ao mês.

A Mappel foi reconhecida durante uma década, de 1997 até o início de 2007, como unidade fabril brasileira do laboratório farmacêutico francês Servier. “O laboratório Servier contratou nossos serviços de manufatura de medicamentos durante dez anos para fabricarmos cem por cento da produção e, assim, pôde concentrar seus investimentos em vendas e distribuição, crescendo exponencialmente com essa estratégia”, afirmou Maurici Marques, gerente técnico e comercial do grupo Mappel.

A descontinuidade do contrato com o laboratório francês e o crescimento da empresa, ocorrido em virtude da forte demanda no mercado cosmético por sachês, também contaram a favor do novo projeto de construção – quase concluída – da nova fábrica de Diadema, montada exclusivamente para prestar serviços ao setor cosmético.

“Nos últimos três anos, o crescimento da demanda do mercado cosmético por sachês foi muito substancial”, informou Marques. Os sachês atualmente não só servem para comportar pequenas amostras de produtos para a experimentação de públicos-alvo, integrando as clássicas estratégias de lançamento, mas assumiram mais recentemente status de embalagens primárias, comportando ativos e concentrados para pele, corpo e cabelos, comercializados aos milhares em perfumarias, farmácias e lojas especializadas existentes em todos os cantos do País.

Qualidade se propagou – Os grandes serviços de terceirização prestados à Nívea por mais de duas décadas renderam à Greenwood boa reputação, mantida até os dias de hoje, ao completar quarenta anos de atividades a serviço da higiene pessoal e do embelezamento.

Distante 60 quilômetros da capital paulista, na tranqüila São Roque, a empresa, ao ser fundada, se dedicava apenas à comercialização de colônias importadas de produtores europeus.

Química e Derivados, Maurici Marques, Gerente técnico e comercial do grupo Mappel, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Marques: demanda por produtos em sachês cresce há três anos

Anos depois, as atividades se expandiram para a fabricação e comercialização de colônias, desodorantes, loções e sabonetes de duas grifes mundialmente conhecidas, a Gucci e a Fiorucci. A Greenwood operou como licenciada, mantendo em produção até hoje os produtos da marca Fiorucci.

Logo no início dos anos 80, começou a fabricar para a Nívea. Inicialmente óleos e loções destinados ao público infantil. Mais tarde, introduziu as linhas de desodorantes, loções corporais, protetores solares e o mais famoso creme hidratante de todos os tempos, aquele da latinha azul, usado e aprovado por várias gerações de consumidores. “A terceirização para a Nívea nos propiciou muito aprendizado, nos estruturamos e nos equipamos com o que havia de melhor em tecnologia no mundo. As nossas operações eram praticamente exclusivas, pois dedicávamos 95% da nossa capacidade instalada só para atender às suas necessidades de produção”, informou Reynaldo Marcondes, gerente-industrial da Greenwood.

Porém, quando a Nívea sinalizou, no final dos anos90, aintenção de instalar fábrica própria no Brasil, concretizada anos depois com a construção de unidade em Itatiba-SP, a Greenwood partiu em busca de novas oportunidades no ramo de serviços. Pouco tempo transcorreu para que firmasse novos contratos com empresas de renome, como Coty, Johnson & Johnson, Gillete e Revlon-Bozzano. Com a vinda dos novos parceiros, também expandiu sua linha de produtos para xampus, condicionadores, colônias, desodorantes (sprays, rollons e aerossóis), cremes, emulsões, hidratantes, sabonetes líquidos, loções com proteção solar, géis, óleos, espumas para barbear, entre outros.

“O mercado cosmético instiga investimentos de muitos empreendedores, representando um oásis num deserto de incertezas econômicas, mas é bom frisar que nem todo mundo consegue ganhar dinheiro. É preciso ter um bom planejamento, ter canais de distribuição e pontos-de-venda assegurados e ainda ter bastante fôlego financeiro para suportar o início das operações. Tudo isso tem que ser muito bem avaliado antes. Muitos empreendedores nos procuram com projetos para investir, mas considero muito importante alertá-los em relação a esses aspectos porque o sucesso, além de bons produtos, também depende das vendas”, afirmou Marcondes.

Química e Derivados, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Antes restritos a amostras, sachês contêm produto final

Um dos diferenciais técnicos da Greenwood, segundo ele, está na capacidade da fábrica de produzir loções, emulsões e hidratantes com ou sem proteção solar por meio de homogeneizador a vácuo, da marca alemã Becomix, adquirido durante o período de parceria com a Nívea.

“Outro ponto que conta muito a favor de nossa empresa é ser rigorosa quando se trata da qualidade dos produtos e, como exemplo, contamos até com sistema de osmose reversa na fábrica para tratamento de toda a água utilizada para a industrialização”, acrescentou. As operações terceirizadas realizadas pela Greenwood podem abranger desde a compra dos materiais e análises de sua qualidade, fabricação, envase, incluindo a expedição para as operadoras logísticas dos clientes.

“Analisamos detalhadamente as matérias- primas e as embalagens, conforme as especificações do cliente e/ou do fornecedor antes de dar início à industrialização. O processo produtivo também é alvo de análises, pois avaliamos amostras dos produtos fabricados antes da liberação para o envase, elaborando análises físico-químicas e microbiológicas e emitimos laudos técnicos que acompanham cada um dos lotes produzidos”, explicou Marcondes.

Antes de liberar os produtos para a área de embalagem, a empresa analisa o processo de envase com apontamentos de higiene, limpeza, peso, vácuo, torque e microbiologia. “Também antes de liberar os produtos para a área de expedição, realizamos análise final em cada palete, avaliando aspectos gerais dos produtos, como marcações de lote e validade, etiquetagem e montagem”, acrescentou.

Química e Derivados, Reynaldo Marcondes, Gerente-industrial da Greenwood, Cosméticos - Terceirização reduz custos e libera mais recursos para inovar
Marcondes: qualidade é mantida sob controle rigoroso

Para envasar, a empresa conta com diversos tipos de equipamentos, como envasadoras de bisnagas com fechamento do fundo, envasadoras de frascos, e parceiros, como Francis Hydratta, Kley Hertz, Jequiti, Biodolce, Corpus, De Millus, Herbalife, Organon, Nature’s Plus, Brutt, 3M, Vizcaya e Revlon- Bozzano. Entre as parcerias igualmente interessantes e firmadas recentemente está a selada com a rede de lojas Renner, para a qual a Greenwood produz todos os itens de uma linha voltada ao público masculino. Trata-se da Alchemie, que abrange desodorantes, xampus, colônias, pós-barba e espumas para barbear, e abre maior espaço ao consumo de produtos de higiene e cosméticos pelo público masculino, um universo ainda pouco explorado sob os argumentos de estética, saúde e beleza pelo setor cosmético brasileiro.

4 Comentários

  1. Olá boa noite, já fábrico uma linha de Cosmeticos, gostaria de criar um creme de pentear para mercados, com um custo baixo e que possa atender a todos os públicos e de todas as classes A B C D

  2. Temos a maior fôbrica para produção de Hidroxiapatita do mundo e com um custo jamais alcançado. Assim, desejamos terceirizar a nossa formulação para produção de creme dental com até 10% com o nosso produto. Caso haja interesse da Eurofarma, podemos vender também a Hidroxiapatita, que tem certificação do INN, Instituto de Nano Materiais, na Alemanha. Gostaríamos de saber o custo para a terceirização do nosso creme dental.

  3. Gostaria de saber preço para terceirização de sabonetes de Glicerina translúcido de aproximadamente 90g.
    obrigado Ronaldo Cardoso

  4. O motivo do contato é que pretendo trabalhar com encacheamento de cabelos,e pretendo fabricar o meu próprio creme relaxante para esse fim e produtos de cremes de pentear cabelos

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