Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos – Setor mantém vendas crescentes – Perspectivas 2020

Hamilton Almeida
22 de março de 2020
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    Por falar em tendências, analistas detectam três temas essenciais:

    Sustentabilidade: a indústria está unida em reduzir o impacto da poluição com novas estratégias de embalagens e formulações cada vez mais refinadas. E nesta mesma linha entra a tecnologia sustentável. “Existe um esforço da indústria de HPPC para o uso mais consciente dos ingredientes de origem natural, pela busca de técnicas que preservem o meio ambiente e processos earth-friendly para a produção, o transporte e o armazenamento dos produtos. Esse entendimento, que não tem caminho de volta, é que norteia a relação produtos sintéticos versus naturais ”, comenta Basílio.

    Transparência: para conquistar o consumidor de hoje, as empresas precisam representar algo e refletir essa mensagem de forma consistente. A relação do consumidor com as marcas está mudando. Com isso, as empresas precisam alinhar os seus discursos e campanhas de marketing.

    Experiências: a experiência com a marca será mais decisiva na hora da compra do que o próprio produto e o preço.

    Muitos desses aspectos foram confirmados no Caderno de Tendências 2019-2020 da Abihpec e podem ser classificados como “tendências on-going ”, que ainda irão transitar durante o próximo ano, porém com outras abordagens.

    Publicidade – O que talvez muitos não saibam é que a área de HPPC se mantém como líder entre as indústrias que mais investem em publicidade. A estimativa é de R$ 9,3 bilhões em marca e R$ 3,7 bilhões em ativos. É também uma das divisões industriais que mais aplicam recursos em inovação (cerca de R$ 1,9 bilhão foi aplicado em pesquisa e desenvolvimento, em 2018).

    Costuma-se dizer que a cada R$ 1 milhão investido pelo setor são gerados, em um ano, R$ 3,85 milhões; 38 empregos; R$ 601 mil em impostos e R$ 450 mil em salários. Todos esses índices são superiores aos da indústria geral e até aos de outros ramos, como a agropecuária.

    Quando o assunto é política tributária, os nervos saltam. “A Abihipec não aprova a proposta do Governo Federal que prevê o envio da reforma tributária em quatro etapas. O modelo fatiado irá gerar aumento de carga tributária e inflação, além de diminuir o acesso da população a produtos essenciais para a saúde ”, afirma Basílio.

    De acordo com a LCA Consultores, a eventual retirada do segmento de HPPC do regime monofásico do PIS/COFINS implicará em aumento médio de 8,3% no preço dos produtos. A desoneração da cesta básica também será afetada, já que os produtos de HPPC que compõem a cesta são desonerados de PIS, COFINS e IPI. Com o novo formato, o acesso das classes menos favorecidas a itens fundamentais para a saúde, como papel higiênico, creme dental, fio dental, enxaguatório bucal e sabonete em barra, será fortemente prejudicado.

    A publicação Panorama do Setor diz que, desde 2015, o bloco de HPPC vem sendo impactado por uma série de medidas tributárias que, aliadas ao cenário político econômico desfavorável, tem prejudicado os resultados da indústria. O risco de medidas consecutivas e indiscriminadas (IPI e ICMS), a pretexto do aumento de recursos aos cofres públicos, vem derrubando as vendas setoriais e, por conseguinte, reduzindo as curvas de arrecadação, num efeito contrário ao pretendido pelos governantes. O ramo foi penalizado com aumento de ICMS em 23 Estados e o Distrito Federal, além do forte impacto provocado pelo deslocamento do IPI da indústria para as distribuidoras.

    Inovação – Basílio destaca que “a inovação é fundamental para todas as áreas, especialmente para a de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, que possui consumidores ávidos por novidades. Para chamar a atenção do consumidor, as empresas investem em campanhas de marketing, lançamentos de produtos e mudanças de embalagens ”.

    A necessidade de adaptação a um mercado cada vez mais competitivo e exigente em inovação, qualidade, segurança e eficácia dos produtos tem gerado um contínuo aumento no registro de companhias na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Anuário da Abihpec apontou, em 2018, um aumento de 2,8% nesses registros, chegando a 2.794 empresas, cuja maior concentração está no Sudeste (1.685), seguido pelo Sul (550), Nordeste (307), Centro-Oeste (197) e Norte (55).

    O plano estratégico da Anvisa para o período de 2020 a 2023 prevê, entre seus objetivos, “racionalizar as ações de regularização de produtos e serviços ”. O foco estratégico é “direcionar esforços para ampliar a adoção de estratégias regulatórias de simplificação, reconhecimento mútuo, acordos de equivalência e terceiros autorizados, sem perda de autonomia ou redução dos padrões de qualidade, segurança e eficácia ”. Espera-se “eliminar redundâncias e otimizar a atuação institucional com ganhos de agilidade e eficiência na regularização de produtos e serviços relevantes para o contexto nacional ”.

    Entre as metas, estão: “reduzir para 300 dias o tempo médio de análise de processos de avaliação de segurança e eficácia de novos alimentos e ingredientes, probióticos e enzimas; reduzir para 75 dias o tempo médio para a publicação de registro de cosméticos; reduzir para 70 dias o tempo médio para a publicação de registro de saneantes ”.

    Outras metas da Anvisa para o período: “reduzir 40% do total de não conformidade em produtos cosméticos e saneantes isentos de registro/notificados verificados no sistema, por meio de busca ativa (situações mais críticas) ”.



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