Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Perspectivas 2012 – Cosméticos – Setor continua a crescer, mas em ritmo mais lento do que na última década

Rose de Moraes
15 de janeiro de 2012
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    Primeira necessidade – A grandeza das receitas obtidas no setor de higiene pessoal e beleza no Brasil só não consegue superar os gastos da população com alimentos e medicamentos, mas pode levar a considerar os produtos desse setor na lista dos bens de consumo de primeira necessidade, de acordo com os padrões atuais, e somando as cerca de 40 milhões de pessoas, que passaram a usufruir de itens de higiene, como desodorantes e cremes dentais, e de cosméticos, como batons e esmaltes.

    Quando comparadas com os níveis de faturamento líquido alcançados pelas indústrias de produtos de limpeza e afins, voltados à higienização dos lares e dos locais de trabalho, as receitas do setor de higiene pessoal, perfumes e cosméticos representam quase o dobro.

    Com mais de 1.600 empresas dedicadas a essa cadeia setorial, das quais cerca de vinte delas respondendo pela fatia de 70% do mercado brasileiro, o Brasil em 2011 talvez tenha melhorado sua marca, conquistando novo patamar entre os maiores mercados mundiais de produtos de higiene, perfumes e cosméticos, passando de terceiro maior mercado mundial para a segunda posição no ranking, ultrapassando o Japão. Se isso se confirmar, o Brasil ficará apenas um degrau abaixo dos Estados Unidos.

    A confirmação das informações sobre uma provável vice-liderança do Brasil no setor de higiene, perfumes e cosméticos em 2011 depende do desempenho do Japão no ano passado. Conhecer os resultados alcançados pelos japoneses, excepcionais no consumo per capita e imbatíveis em cremes para a cútis, segmento no qual o Brasil ainda pode crescer bastante, é primordial para definir a posição brasileira nesse ranking.

    A trajetória bem-sucedida do país na produção e no consumo de produtos de higiene e beleza é pontuada pelo desempenho em vários setores. Além de possuir uma rica fonte de princípios ativos e insumos, notadamente de origem natural, o Brasil também dispõe de amplo e avançado parque industrial, altamente receptivo às inovações e às tendências apontadas por consultores e especialistas.

    Importação aumenta – No comparativo de faturamento líquido estimado no final do ano passado durante o Encontro Anual da Indústria Química, o Enaiq 2011, da Abiquim, o crescimento do faturamento apresentado pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) deverá ficar na casa dos 14,5% em 2011, alcançando US$ 15,4 bilhões, contra os US$ 13,4 bilhões registrados em 2010.

    Em reais, a estimativa preliminar da entidade é de crescer 9,2%, alcançando R$ 25,7 bilhões, contra os R$ 23,5 bilhões de 2010. Em volume, o crescimento foi de 7,3%, ou seja, 1.279,2 milhão de toneladas, contra 1.191,7 milhão de toneladas.

    O crescimento das importações no setor também deverá saltar em 2011. Deverá ser 26% maior, enquanto as exportações deverão crescer 9,5%, elevando, portanto, o déficit comercial.

    A balança comercial deficitária do setor é atribuída a vários fatores, como valorização do real e aumento das importações das grandes indústrias que deslocaram para outras bases, fora do Brasil, a produção de itens como maquiagens, perfumes, sabonetes, cremes, xampus etc. para atender à demanda do mercado interno. Contudo, especialistas consideram que, a médio e longo prazo, a situação possa se reverter e que as indústrias que hoje estão importando passem a produzir localmente, diminuindo o déficit atual.

    Um dos motivos para crer nessa possibilidade é que os investimentos realizados pelas indústrias no transcorrer de 2011 foram 9,5% maiores em relação a 2010; e podem alcançar US$ 2,3 bilhões, contra os US$ 2,1 bilhões anteriormente registrados. Já as reservas de investimentos oficializadas até 2016 deverão girar em torno de US$ 11,9 bilhões, superando a média dos US$ 2 bilhões anuais, podendo, no entanto, constituir montante ainda maior, considerando a entrada em operação de novas indústrias e a chegada de novos investidores interessados em também buscar fatias no mercado brasileiro.

    Revista Química e Derivados, Hérida Cristina Tavares, Lafis, crescimento mais comedido

    Herida chama a atenção para o crescimento das vendas diretas

    Após acelerar, ritmo diminui – Para melhor se compreender o desempenho do setor de higiene e beleza em 2011 é recomendável recorrer às análises anteriores. Em 2010, o setor, de acordo com a Lafis, faturou R$ 27,3 bilhões (US$ 15,6 bilhões), o que representa um crescimento de 11,9% em relação ao ano de 2009. Já se a comparação considerar os preços ao consumidor, o mercado brasileiro cresceu 30,1%, atingindo US$ 37,4 bilhões. “Em 2010, o Brasil apresentou o maior nível de crescimento já registrado, sendo seguido pelo índice de crescimento da Rússia (8ª no ranking) e China (4ª), que apresentaram níveis de crescimento de 15% e 10,8%, respectivamente. Em razão das taxas de crescimento relativas a 2010, o Brasil representou 10% do mercado mundial e se manteve na terceira colocação no ranking mundial, posição ocupada desde 2007”, observou Hérida.

    A importância do mercado brasileiro no cenário internacional de produtos de higiene e beleza é muito grande e tem por base, segundo as análises da Lafis, a sua liderança mundial em desodorantes, com participação de 16,5% no mercado global, a sua segunda maior posição em produtos infantis, correspondendo à fatia de 14% do mercado mundial, perfumaria (13,1%), higiene oral (8,3%), proteção solar (10,2%), produtos masculinos (8,6%) e produtos para banho (8,5%), além da terceira classificação em produtos para cabelos (9,8% de participação sobre o total mundial) e maquiagens (5,1%), bem como a sexta posição em produtos para pele (4,5%) e a oitava em produtos depilatórios (3,2%), de acordo com os dados disponíveis até o momento.

    “As perspectivas apontam para a conquista do Brasil da segunda posição no ranking mundial muito em breve, por conta da taxa de crescimento muito acima da taxa do Japão, o segundo colocado, que apresentou crescimento de 6,8%, e participação de 11,7% no mercado mundial em 2010. Entretanto, após o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão em 2011, o país se viu prejudicado em sua atividade econômica, passando de um nível de crescimento de 4% no ano de 2010, para um nível de crescimento do PIB em torno de 0,10%, conforme estimativa do Banco Mundial”, destacou Hérida, o que acentua a possibilidade de o Brasil ocupar o segundo lugar no ranking dos maiores.



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