Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Perspectivas 2012 – Cosméticos – Setor continua a crescer, mas em ritmo mais lento do que na última década

Rose de Moraes
15 de janeiro de 2012
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    Competição aumenta – Na opinião do consultor Sérgio Rebelo, diretor da Factor de Solução, o crescimento nominal do setor de higiene e beleza em 2011 deverá ficar em torno de 8%. Ou seja, o setor deverá crescer apenas 1,5% acima da inflação. Há várias lições a tirar de tudo o que vem ocorrendo, seja no comportamento dos investimentos feitos pelas empresas ou nas condutas dos consumidores. “A competição deverá ser cada vez mais acirrada, pela existência de maior número de empresas focadas no setor, gerando, por consequência, maior oferta e indicando a tendência futura de que os preços irão crescer menos nos próximos períodos”, analisou Rebelo. Além disso, o consumidor mudou em 2011 e passou a dedicar menor parte de seu orçamento para a compra de produtos de higiene e beleza.

    Conforme observou Rebelo, a inflação no setor de higiene e beleza deverá ficar em torno de 3,5% a 4%, enquanto o índice geral de inflação no país no ano que passou deve se situar em 6,5%. Já o faturamento das indústrias deverá ser da ordem de R$ 33 bilhões em 2011, contra os R$ 31,2 bilhões em 2010, resultando em 7% de crescimento.

    Por segmentos, os maiores percentuais de vendas no Brasil continuam a provir das linhas para cabelos, que deverão fechar o ano de 2011 com de 29% a 32% de crescimento. A segunda categoria com maior percentual de vendas em 2011 será, de acordo com o consultor, a de produtos para a pele, que podem somar entre 17% e 20%. Com terceiro melhor desempenho, estão as fragrâncias, aumentando entre 15% e 17%. Na sequência, aparecem os produtos para higiene oral, com 8% a 9% de crescimento, e as maquiagens, com 7% a 9%. Já ao remanescente, classificado na categoria “outros produtos”, deverá caber o percentual de 18%.

    Na leitura de um cenário de prováveis mudanças que poderão se manifestar sobre o setor de higiene e beleza, Rebelo faz a seguinte avaliação: “Nos últimos anos, tanto as empresas multinacionais como as locais olharam para o mercado brasileiro sob uma perspectiva muito otimista, mas, a partir de 2011 e a continuar nos próximos anos, os níveis de crescimento do setor de higiene e beleza deverão se manter mais próximos dos padrões da normalidade, entre 7% e 8% ao ano, que pode representar um impacto muito grande para os grandes investimentos.”

    Sob o ângulo dos negócios, as apostas deverão ficar cada vez mais altas e pesadas. Isso, de acordo com o consultor, deverá provocar o fenômeno da depuração, ou seja, concentração nessa cadeia pela diminuição no número de empresas que terão condições de disputar esse bilionário mercado, dentro do qual as “empresas mais fortes se tornarão cada vez maiores”.

    Crescimento moderado – A analista setorial Hérida Cristina Tavares, da Lafis, apontou que, até setembro de 2011, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE indicou 9,9% de crescimento no volume de vendas de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos sobre o mesmo período de 2010, tendo indicado crescimento de 12,4%, em relação ao ano anterior, na série com ajuste sazonal. “Entretanto, na comparação trimestral, o crescimento foi mais comedido (2,4%) no terceiro trimestre do ano em relação ao segundo.” Quanto às receitas, as variações mais acentuadas, e influenciadas pelo comportamento dos preços ao consumidor, acumularam alta de 14,7% em relação ao mesmo período de 2010. Em relação ao terceiro trimestre, houve alta de 3,3% nas receitas do período, refletindo a desaceleração nos volumes vendidos e nos preços. Ainda de acordo com a pesquisa do IBGE, segundo Hérida, a produção industrial de artefatos de perfumaria e cosméticos (exceto sabonetes) apresentou queda de 3% na comparação até setembro de 2011 em relação ao mesmo período de 2010 e, na comparação trimestral, houve aumento de 7,5% sobre o segundo trimestre do ano.

    Outro indicador importante, segundo Hérida, é o IPCA de Cuidados Pessoais, que apresentou trajetória crescente até agosto de 2011, acumulando alta de 3,2%, enquanto o índice geral acumulou alta de 4,4% no mesmo período.

    “Observamos que as pressões sobre os preços do setor provêm, essencialmente, do comportamento dos preços dos insumos utilizados pelas indústrias, bem como da crescente demanda por essa categoria de bens e serviços, em virtude dos bons resultados advindos do mercado de trabalho”, comentou a analista setorial da Lafis.

    Até o mês de setembro de 2011, o setor de cosméticos e higiene pessoal acumulou déficit de US$ 47,2 milhões na balança comercial, em referência aos principais produtos comercializados. Tal resultado reflete a alta de 5,6% nas receitas de exportações ante um aumento de 33,5% nas despesas de importações desses produtos ao longo dos primeiros nove meses do ano. Entre outros aspectos, esse comportamento reflete a valorização do real perante o dólar.

    Conforme divulgado anteriormente, o setor de vendas diretas, principal canal de vendas do mercado de cosméticos, movimentou, no ano de 2010, de acordo com Hérida, R$ 26 bilhões, apresentando nível de expansão de 17,2% em comparação com o ano anterior. Descontada a inflação do período (IPCA), houve um crescimento real de 11,3%, conforme as estimativas da Associação Brasileira de Vendas Diretas, a Abevd.

    Já o faturamento do setor de cosméticos e higiene pessoal cresceu 11,9% no ano de 2010, comparado com 2009, atingindo R$ 27,3 bilhões. “Tais resultados refletiram a forte e crescente demanda interna por produtos do setor, além da performance favorável da balança comercial, cujo saldo apresentou superávit 61,24% superior ao de 2009.”



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