Cosméticos – Previsão de crescimento – Perspectivas

Mudanças no padrão de consumo pós-covid justificam previsão de crescimento

Novos hábitos

 

Mas o mercado de HPPC vai muito além do álcool em gel e para entendê-lo é preciso olhar para o novo perfil de consumidor que se configurou durante a pandemia.

Pesquisa da Mintel (novembro de 2020) avaliou os impactos da Covid-19 na rotina e nas prioridades dos consumidores brasileiros de HPPC.

Química e Derivados - Cosméticos - Mudanças no padrão de consumo pós-covid justificam previsão de crescimento em 2021 - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhoto
Amanda: nova rotina despertou interesse em cuidados pessoais

Entre as principais consequências da nova rotina imposta sobretudo pelo isolamento social, a alta demanda dos consumidores por bem-estar tem se refletido na busca por marcas e produtos que ofereçam benefícios holísticos. Segundo Amanda Caridad, analista sênior de Beauty & Personal Care Brazil, da Mintel, o cenário é propício para conectar as rotinas de beleza e os cuidados pessoais ao bem-estar emocional, como uma forma de restabelecer certa normalidade no dia-a-dia.

De acordo com o levantamento, 23% dos brasileiros declararam fazer uso de produtos de beleza ou cuidados pessoais como uma forma de lidar com a tensão e o estresse.

O banho, por exemplo, foi ressignificado como um momento de autocuidado: 42% dos entrevistados afirmam que têm tomado banhos mais longos para relaxar.

Segundo Amanda, nota-se um movimento de ritualização dos cuidados pessoais que geram a oportunidade para que as marcas ajudem os consumidores a recriarem experiências indulgentes em casa.

Na pesquisa, 12% dos entrevistados afirmaram ter gasto mais em itens que os ajudem a imitar o ambiente de um SPA no lar. Um em cada quatro brasileiros passou a comprar produtos para a casa com fragrâncias que promovem uma atmosfera acolhedora.

Basilio lembra que muitas pessoas recorreram ao “Do It Yourself” (DIY), o conceito “faça você mesmo”. Com isso, elas passaram a realizar dentro de casa procedimentos de cuidados com os cabelos e a pele, que tradicionalmente eram feitos em salões de beleza e barbearias.

Aliás, no caso da categoria de cuidados capilares, apesar de 36% dos brasileiros entrevistados pela Mintel terem afirmado que passaram a lavar os fios com maior frequência, 35% mantiveram os cabelos ao natural, isto é, sem procedimentos químicos.

As categorias associadas às interações e eventos sociais, como maquiagem, esmaltes e fragrâncias foram as mais afetadas negativamente pelo isolamento social.

Apesar disso, no pós-pandemia, é esperada a lenta recuperação destas categorias, ainda que com algum impacto moderado causado pelo reduzido poder de compra dos brasileiros, que optarão, conforme as estimativas, por marcas e produtos mais acessíveis.

Também é esperado que mesmo após a pandemia, o conceito “beleza limpa” torne-se o novo padrão na indústria de HPPC, por meio de soluções que unam segurança, eficácia clínica, ética e sustentabilidade. De acordo com pesquisa realizada pela Mintel, 18% dos brasileiros se tornaram mais interessados pelas práticas éticas das marcas de beleza que consomem, e outros 14% trocaram um produto regular por uma versão natural ou orgânica.

Outra tendência, segundo Amanda, se refere à simplificação das rotinas de beleza e cuidados pessoais durante a pandemia, e a possível continuidade deste comportamento mais minimalista.

Quarenta e sete por cento dos entrevistados reportaram preferência por produtos de beleza fáceis de usar”, comenta. Os dados revelaram também que um quarto dos brasileiros adotou uma rotina mais minimalista de cuidados faciais e 23% adicionaram uma nova etapa à sua rotina corporal.



Ainda de acordo com dados da Mintel, 29% dos brasileiros afirmaram que durante a pandemia passaram a dar maior prioridade à sua aparência, o que implica manter rotinas de autocuidado. “As marcas de beleza e cuidados pessoais podem se diferenciar ao comunicarem saudabilidade por meio de ingredientes que ofereçam comprovados benefícios à saúde, já que 57% dos brasileiros afirmaram se interessar por produtos que contenham ingredientes que fortaleçam seu sistema imunológico (exemplos: probióticos, vitaminas)”, afirma Amanda.

De acordo com Amanda, 2021 ainda será influenciado pela pandemia e por seus reflexos no estilo de vida e prioridades dos consumidores.

“Até que a vacina seja disponibilizada em larga escala a toda a população, é provável que categorias de beleza mais relacionadas às interações e eventos sociais sejam impactadas negativamente”, reforça.

Por outro lado, ela conta que a retomada das aulas presenciais é um fator que pode afetar a categoria, pois está intimamente relacionada ao retorno de muitas mulheres ao mercado de trabalho, influenciando o consumo de produtos de beleza.

Estima-se também que itens que transmitam a mensagem de proteção contra microorganismos se destaquem. Na pesquisa interna da Mintel, 40% dos brasileiros afirmaram que querem este tipo de produto. “Os brasileiros demonstram preocupação com o risco de exposição ao vírus, bem como preocupação com sua situação financeira, o que indica um comportamento mais orientado à compra de produtos e marcas acessíveis e que comuniquem rentabilidade”, resume Amanda.

Basilio também fala sobre a queda na renda da população. “O consumidor passou a buscar produtos que cabem no seu bolso e o setor brasileiro de HPPC oferece isso: produtos de qualidade e performance para as mais diversas possibilidades orçamentárias”, afirma. Ou seja, nem a limitação da renda parece prejudicar o mercado, neste momento em que os hábitos de higiene pessoal se tornaram primordiais.

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