Cosméticos – Previsão de crescimento – Perspectivas

Mudanças no padrão de consumo pós-covid justificam previsão de crescimento

Picture of showcase with bottles of shampoos and conditioners in the hair care store.

 

Dizer que 2020 foi um ano desafiador parece eufemismo frente ao caos provocado pela Covid-19 em todo o mundo.

No entanto, algumas indústrias sobreviveram aos efeitos deletérios da pandemia e mais do que isso, conseguiram crescer.

Esse é o caso do mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC). Considerado como atividade essencial, o setor não parou e se reinventou.

A tendência é manter os negócios aquecidos, porém, crítico, o momento ainda inspira incertezas, condicionando as expectativas de um cenário econômico menos turbulento à imunização em larga escala.

Química e Derivados - Cosméticos - Mudanças no padrão de consumo pós-covid justificam previsão de crescimento em 2021 - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhoto
João Carlos Basilio: consumidores buscam produtos adequados à sua renda

“A vacinação vai ser o motor para alavancar a saída de nosso país da pandemia”, comenta João Carlos Basilio, presidente executivo da Abihpec – Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.

No entanto, independentemente das questões macroeconômicas, este mercado tem a seu favor o fato de ter sido considerado essencial para o país pelo governo federal.

Esse atributo lhe foi conferido desde o início da pandemia, o que impediu a paralisação das fábricas. Segundo Basilio, dessa forma, foi possível manter as vendas aquecidas e não houve perdas no abastecimento nem desemprego.

Quanto ao prognóstico pós Covid-19, Basilio demonstra cautela. Segundo ele, é cedo para falar das expectativas, pois é tudo muito incerto, e cita, por exemplo, que há indefinições acerca da possibilidade de o governo retomar as iniciativas de fomento à renda e de apoio às empresas, sobretudo as pequenas e as médias. No entanto, de qualquer forma, está confiante.

“Temos sempre otimismo para olhar para 2021”, diz.

Sobre o desempenho do setor em 2020, ainda não há dados consolidados, mas, com base nos resultados registrados até outubro último, a previsão é de crescimento em torno de 6%. O índice reflete, em grande parte, a alta na demanda do que Basilio nomeou de “cesta Covid-19 de consumo”.

Esse kit contém álcool em gel, sabonetes – líquido e em barra –, papel higiênico, lenços de papel descartáveis e toalhas de papel multiuso. Esses produtos registraram um crescimento de 16,1% em valor de vendas (ex-factory) no acumulado de janeiro a outubro de 2020, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Acreditamos na tendência de continuidade de consumo destes produtos de forma ascendente, uma vez que 2021 ainda é um ano pandêmico e estes itens em questão são ferramentas necessárias para a manutenção da saúde mediante o reforço dos hábitos de higiene pessoal”, afirma Basilio.



Um novo comportamento de compra também está por trás da expansão do setor no ano passado. Os números mostram que, entre janeiro e outubro, os itens de cuidados com a pele do rosto tiveram um crescimento de 30,9% (vendas ex-factory), em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O destaque ficou com a subcategoria “máscara de tratamento para o rosto”, com alta de 102,6%.

Os produtos de cuidados com a pele do corpo registraram crescimento de 17,1% (vendas ex-factory), ante o mesmo período de 2019. A procura por ‘esfoliantes’ surpreendeu: avançou 159,9%.

“O brasileiro vem se tornando cada vez mais receptivo para o uso de produtos de cuidados com a pele. Essa já era uma tendência observada antes da pandemia e acreditamos que o ano de 2020 pode ter funcionado como um consolidador desse hábito”, diz Basilio.

Álcool em gel

Entre os destaques de 2020, o álcool em gel para higiene pessoal reina soberanamente. Nos dez primeiros meses do ano, as vendas do produto subiram 1.076,4% (vendas ex-factory, em comparação com o mesmo período de 2019).

Basilio faz questão de ressaltar o esforço conjunto que a indústria realizou junto ao poder público para criar alternativas e condições emergenciais para a produção e o abastecimento do país.

“Como resposta a manifestações da Abihpec, a Anvisa publicou uma resolução emergencial que colocou o álcool em gel em regime de notificação, permitindo a inserção do produto no mercado com maior agilidade”, explica.

As novas circunstâncias às quais o álcool em gel foi submetido, no entanto, tornaram escassa a oferta do espessante da família de polímeros acrílicos hidrossolúveis, usado como base para a sua fabricação. Como o ingrediente, até aquele momento, não era fabricado no Brasil, o governo federal desonerou e simplificou os processos de importação do insumo.

A Abihpec, por sua vez, coordenou ações conjuntas que reuniram os setores privado e público, congregando os diversos elos da cadeia produtiva do álcool em gel na busca de soluções frente à dependência dos insumos importados.

A iniciativa deu certo. Os fabricantes muniram o setor com ingredientes alternativos produzidos localmente.

“Em um intervalo de cinco semanas foi possível reabastecer o país inteiro e garantir à sociedade o acesso a tal produto”, orgulha-se Basilio.

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