Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos – Previsão de crescimento em 2021 – Perspectivas 2021

Renata Pachione
2 de abril de 2021
    -(reset)+

    Picture of showcase with bottles of shampoos and conditioners in the hair care store.

    Mudanças no padrão de consumo pós-covid justificam previsão de crescimento em 2021 – Cosméticos – Perspectivas 2021

    Dizer que 2020 foi um ano desafiador parece eufemismo frente ao caos provocado pela Covid-19 em todo o mundo. No entanto, algumas indústrias sobreviveram aos efeitos deletérios da pandemia e mais do que isso, conseguiram crescer. Esse é o caso do mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos (HPPC). Considerado como atividade essencial, o setor não parou e se reinventou. A tendência é manter os negócios aquecidos, porém, crítico, o momento ainda inspira incertezas, condicionando as expectativas de um cenário econômico menos turbulento à imunização em larga escala.

    “A vacinação vai ser o motor para alavancar a saída de nosso país da pandemia”, comenta João Carlos Basilio, presidente executivo da Abihpec – Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. No entanto, independentemente das questões macroeconômicas, este mercado tem a

    Química e Derivados - Cosméticos - Mudanças no padrão de consumo pós-covid justificam previsão de crescimento em 2021 - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhoto

    Silva: consumidores buscam produtos adequados à sua renda

    seu favor o fato de ter sido considerado essencial para o país pelo governo federal. Esse atributo lhe foi conferido desde o início da pandemia, o que impediu a paralisação das fábricas. Segundo Basilio, dessa forma, foi possível manter as vendas aquecidas e não houve perdas no abastecimento nem desemprego.

    Quanto ao prognóstico pós Covid-19, Basilio demonstra cautela. Segundo ele, é cedo para falar das expectativas, pois é tudo muito incerto, e cita, por exemplo, que há indefinições acerca da possibilidade de o governo retomar as iniciativas de fomento à renda e de apoio às empresas, sobretudo as pequenas e as médias. No entanto, de qualquer forma, está confiante. “Temos sempre otimismo para olhar para 2021”, diz.

    Sobre o desempenho do setor em 2020, ainda não há dados consolidados, mas, com base nos resultados registrados até outubro último, a previsão é de crescimento em torno de 6%. O índice reflete, em grande parte, a alta na demanda do que Basilio nomeou de “cesta Covid-19 de consumo”. Esse kit contém álcool em gel, sabonetes – líquido e em barra –, papel higiênico, lenços de papel descartáveis e toalhas de papel multiuso. Esses produtos registraram um crescimento de 16,1% em valor de vendas (ex-factory) no acumulado de janeiro a outubro de 2020, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

    “Acreditamos na tendência de continuidade de consumo destes produtos de forma ascendente, uma vez que 2021 ainda é um ano pandêmico e estes itens em questão são ferramentas necessárias para a manutenção da saúde mediante o reforço dos hábitos de higiene pessoal”, afirma Basilio.

    Um novo comportamento de compra também está por trás da expansão do setor no ano passado. Os números mostram que, entre janeiro e outubro, os itens de cuidados com a pele do rosto tiveram um crescimento de 30,9% (vendas ex-factory), em comparação com o mesmo período do ano anterior. O destaque ficou com a subcategoria “máscara de tratamento para o rosto”, com alta de 102,6%.

    Os produtos de cuidados com a pele do corpo registraram crescimento de 17,1% (vendas ex-factory), ante o mesmo período de 2019. A procura por ‘esfoliantes’ surpreendeu: avançou 159,9%. “O brasileiro vem se tornando cada vez mais receptivo para o uso de produtos de cuidados com a pele. Essa já era uma tendência observada antes da pandemia e acreditamos que o ano de 2020 pode ter funcionado como um consolidador desse hábito”, diz Basilio.

    Álcool em gel – Entre os destaques de 2020, o álcool em gel para higiene pessoal reina soberanamente. Nos dez primeiros meses do ano, as vendas do produto subiram 1.076,4% (vendas ex-factory, em comparação com o mesmo período de 2019). Basilio faz questão de ressaltar o esforço conjunto que a indústria realizou junto ao poder público para criar alternativas e condições emergenciais para a produção e o abastecimento do país. “Como resposta a manifestações da Abihpec, a Anvisa publicou uma resolução emergencial que colocou o álcool em gel em regime de notificação, permitindo a inserção do produto no mercado com maior agilidade”, explica.

    As novas circunstâncias às quais o álcool em gel foi submetido, no entanto, tornaram escassa a oferta do espessante da família de polímeros acrílicos hidrossolúveis, usado como base para a sua fabricação. Como o ingrediente, até aquele momento, não era fabricado no Brasil, o governo federal desonerou e simplificou os processos de importação do insumo.

    A Abihpec, por sua vez, coordenou ações conjuntas que reuniram os setores privado e público, congregando os diversos elos da cadeia produtiva do álcool em gel na busca de soluções frente à dependência dos insumos importados.

    A iniciativa deu certo. Os fabricantes muniram o setor com ingredientes alternativos produzidos localmente. “Em um intervalo de cinco semanas foi possível reabastecer o país inteiro e garantir à sociedade o acesso a tal produto”, orgulha-se Basilio.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *