Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos – Pesquisas nanotecnológicas buscam apoio financeiro

Rose de Moraes
14 de julho de 2011
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    Para afastar totalmente o risco de a nanopartícula adentrar no folículo piloso da pele, via de acesso à absorção dérmica e sistêmica, com o consequente depósito sobre os órgãos humanos, a dermatologista optou por fazer uso de partículas com 240 nanômetros, embora, de acordo com os parâmetros de segurança adotados pelos cientistas e pesquisadores, seja possível trabalhar com partículas desde 100 até 400 nm.

    Outra preocupação foi assegurar que todos os lotes de produtos apresentassem o mesmo tamanho de nanocápsula. E foi com base nesses conceitos e critérios que a empresa lançou o primeiro fotoprotetor brasileiro com nanotecnologia, com nome comercial de PhotoProt FPS 100.

    “O PhotoProt FPS 100 é o primeiro produto a utilizar o sistema nanométrico totalmente biodegradável e extratos naturais encontrados em biomas brasileiros, como o óleo de buriti, que atua como regenerador da pele e agente antioxidante com função emoliente, e o tocoferol, prevenindo a formação de radicais livres e protegendo a pele do envelhecimento cutâneo, e ainda atuando na redução do nível de expressão da colagenase, responsável pela degradação do colágeno”, informou Simone.

    O produto apresenta três agentes nanoencapsulados: dois filtros solares orgânicos (avobenzona e octocrileno), responsáveis, respectivamente, pela absorção das radiações UVA e UVB, e óleo de buriti, que atua como antioxidante e emoliente. As substâncias protetoras foram encapsuladas com polímero, garantindo a liberação progressiva. O polímero da nanocápsula refletirá a luz solar, sendo essa inovação patenteada pela Biolab. “O sistema de nanoencapsulação dos filtros orgânicos permite a formação de um filtro solar híbrido que ao mesmo tempo absorve e reflete a luz solar”, acrescentou. Testes realizados com o produto revelaram que a formulação permanece intacta após quatro horas de uso e, após seis horas, a fórmula se mantém 95% ativa, portanto.

    Expertise em nano – Responsável por Pesquisa e Inovação – Tecnologia de Produtos do grupo Boticário, Carlos Praes propagou aos presentes a necessidade de o Brasil criar expertise em nanocosméticos, como um diferencial competitivo e uma oportunidade de criação de valor para as indústrias, enaltecendo o potencial das aplicações.

    Um dos projetos acompanhados por ele resultou na criação de Vitactive Nanoserum Antissinais, nanocosmético que possui sistema de liberação direcionada dos ingredientes ativos nas camadas da pele, formados por um complexo antienvelhecimento (Comucel), um complexo antioxidante (Priox-in), um clareador e atenuador de olheiras (Lumiskin), além de vitaminas A, C e K.

    Segundo levantamento feito por Praes, no período de 1996 até 2006, a produção científica em nanociência evidenciava alguns países. Muito à frente dos demais, os Estados Unidos promoveram e publicaram nesse período mais de cem mil artigos em nanociência, enquanto o segundo colocado, a China, publicou mais de 49 mil artigos. Na sequência, aparecem: Japão (mais de 48 mil), Alemanha (mais de 36 mil), França (mais de 23 mil), Reino Unido (mais de 20 mil) – o Brasil também é citado, com 4.380 trabalhos.

    Revista Química e Derivados, Carlos Praes, Responsável por Pesquisa e Inovação/Tecnologia de Produtos do grupo Boticário, nanocosméticos

    Praes: Brasil precisa criar expertise em nanocosméticos

    Em depósito de patentes, os três primeiros colocados são Estados Unidos, Japão e França. No Brasil, em 2009, foram depositadas 25 patentes aplicadas em cosméticos e, em 2010, esse número se elevou para 45.

    “Como terceiro mercado mundial, poderíamos lançar muito mais nanocosméticos, envolvendo nanoemulsões, nanocápsulas, nanoestruturas, enfim, mas hoje apenas 6% dos lançamentos correspondem a nanocosméticos”, afirmou Praes.

    “Em 2011, porém, contamos com perspectivas mais promissoras, que apontam para uma estimativa de lançamento de quinze produtos com tecnologia nano, sendo a categoria skin care a que mobiliza os maiores esforços das pesquisas e inovações”, acrescentou.

    Patentes em expansão – O termo nanotecnologia foi empregado pela primeira vez por Norio Taniguchi, em 1957, em relação às máquinas com níveis de tolerância inferiores a 1 micrômetro (ou 1.000 nm). Mas viria a se popularizar somente a partir dos anos 80, quando as nanopartículas começaram a ser manipuladas.

    Considerada uma tecnologia interdisciplinar baseada em conjunto de técnicas originárias da física, química, biologia e engenharia, e aplicada em escala nanométrica, a fim de obter resultados diferentes daqueles conseguidos quando se utiliza a escala macrométrica, essa tecnologia apresenta grande potencial de crescimento e vem encontrando novos adeptos no país, tanto em empresas que incorporam nanotecnologias em seus produtos como nas que fabricam nanomateriais.

    Embora não haja levantamentos apontando quantas patentes tenham sido depositadas no ano passado no país envolvendo nanotecnologia, mais de 30 mil pedidos de depósito foram solicitados ao INPI em 2010, a maior demanda desde a criação da Lei de Propriedade Industrial, em 1996. Desse total, foram concedidas mais de 3.600 patentes em 2010, o maior número dos últimos cinco anos, revelando o crescente interesse pelo desenvolvimento de inovações.



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