Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos: Perspectivas 2009 – Vendas dos produtos de beleza e higiene pessoal espantam a ideia de crise

Rose de Moraes
16 de janeiro de 2009
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    “Enquanto a indústria reduziu seu crescimento, oferecendo menos empregos e menor desenvolvimento, a Secretaria da Fazenda aumentou sua arrecadação no setor em 274,4% de janeiro a setembro de 2008. Foi um aumento de 387% só em setembro passado em relação a setembro de 2007”, protestou Basílio da Silva.

    Um dos exemplos mais contundentes da alta carga tributária incidente sobre o setor é encontrado nas tinturas para cabelos, taxadas em 90%, quase duplicando os preços dessa categoria de produtos para o consumidor final.

    Em 2009, contudo, a expectativa do setor é a de ser beneficiado com a redução da carga tributária, que poderá se concretizar a partir de 1º de março, caso se confirme a mudança nos regulamentos oficiais, conforme pleiteado pela Abihpec. “Solicitamos que as alíquotas de ICMS de 25%, excessivamente altas, caiam para 18%, tornando os produtos mais acessíveis para a população”, considerou Basílio da Silva. Uma vez atendidas as expectativas da Abihpec, o alívio incidiria sobre perfumes, águas de colônia, maquiagem (batons, sombras, delineadores, rímel, lápis, pós compactos etc.), cremes de beleza, cremes para barbear, condicionadores para cabelos, tinturas, alisantes, entre outros itens vendidos no estado de São Paulo.

    A atual política tributária promoveu a desaceleração do crescimento no setor. “Crescemos em menor escala, mas, ainda assim, acima da média de outras indústrias e uma das principais razões para esse crescimento menos acentuado em 2008 – desde 1986, os níveis de crescimento do setor alcançam 11% ao ano – foi a implantação da substituição tributária, em especial no estado de São Paulo”, considerou o presidente da Abihpec.

    Nas exportações, o Brasil também tem se destacado e deverá fechar o ano de 2008 com balança comercial positiva de US$ 200 milhões. “No ano 2000, exportávamos US$ 110 milhões, para chegar em 2008 com US$ 650 milhões em exportações para 130 países”, afirmou Basílio da Silva. Cerca de 65% das exportações brasileiras do setor têm como destino os países da América Latina, sendo os principais mercados a Argentina, o Chile, a Colômbia, a Venezuela e o México. “Estamos crescendo fortemente nas exportações para a Colômbia, um mercado dez vezes menor, mas que exporta mais do que o Brasil”, informou o presidente.

    Atualmente, Brasil e Argentina estão harmonizando procedimentos para facilitar as negociações previstas no acordo bilateral de reconhecimento mútuo já existente entre os dois países.

    Em 2009, a expectativa é de também colher melhores resultados com as exportações. “As exportações ainda podem avançar muito porque os consumidores do Primeiro Mundo vão precisar de produtos de alta qualidade a preços acessíveis”, concluiu o presidente da Abihpec.

    Vaidade em alta – A preocupação com a aparência pessoal posiciona o Brasil entre os três primeiros colocados no rol de países que mais valorizam a beleza. Estudo global realizado pela Nielsen comprovou que as maiores pressões pela conquista da beleza estão no Brasil, Grécia e Portugal, enquanto Hong Kong, Noruega, Nova Zelândia e Estados Unidos apresentam as menores pressões.

    A importância dada à aparência é revelada pela expansão nas vendas de produtos de cuidados pessoais. Na Grécia, o crescimento nas vendas de autobronzeadores alcançou o impressionante percentual de 375%, de acordo com o estudo realizado no primeiro trimestre de 2007, sinalizando comportamentos e grandes tendências de consumo de cosméticos no mundo. Em Portugal, os maiores percentuais de crescimento ficaram por conta de protetores labiais (60%), depilatórios (22%), cosméticos faciais como blushes, pós e bases (17%) e cremes para o rosto e olhos (15%), enquanto no Brasil os maiores crescimentos foram constatados no mesmo período em depilatórios (22%), lenços umedecidos (19%), protetores solares (14%), cremes para assaduras de bebês (14%), antissépticos bucais (13%), fraldas descartáveis (12%), tinturas (11%), absorventes higiênicos (10%), cremes e loções de limpeza e tonificantes para a pele (10%) e loções pós-barba (10%).

    De acordo com esse estudo, que pesquisou o consumo de produtos de beleza e de cuidados pessoais em 69 mercados de várias regiões, incluindo Ásia, Europa Oriental, Oriente Médio, África, Europa, América Latina e América do Norte, os países em desenvolvimento apresentaram as maiores taxas de crescimento – Venezuela (34%), Romênia (26%), Argentina (26%), Emirados Árabes (22%), Índia (19%) –, enquanto os países desenvolvidos responderam pelas menores taxas – Estados Unidos (3%), França (1%) e Suíça (-1%).

    Entre as grandes tendências apontadas, a conveniência continua influenciando o comportamento de compra dos consumidores, sendo confirmada pelo crescimento no consumo de fraldas descartáveis, lenços umedecidos e sabonetes líquidos. Em âmbito global, a crescente preocupação com a saúde e com a juventude é comprovada pelo aumento no consumo de hidratantes, cremes para o rosto, protetores solares e clareadores de pele. As vendas de algumas categorias de produtos conseguiram crescer duas vezes mais do que a média global e incluíram cremes e óleos para massagem (26%), clareadores de pele (21%), antissépticos bucais (12%), protetores solares (11%), fraldas para incontinência (10%) e hidratantes para rosto e olhos (10%).

    Depois de papéis higiênicos e fraldas descartáveis, os produtos de maior crescimento em faturamento no mundo foram os xampus, absorventes higiênicos, cremes dentais e sabonetes.

    Depois de produtos de higiene pessoal (absorventes, papéis higiênicos, fraldas para incontinência e lenços umedecidos para adultos), que detêm 20% de participação entre os produtos de maior consumo no mundo, os cosméticos direcionados aos cuidados com o corpo (desodorantes, cremes, óleos, sais de banho, sabonetes etc.) e com os cabelos (xampus, pós-xampus, tinturas e colorações etc.) aparecem empatados com 18% de participação cada.



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