Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos: Perspectivas 2009 – Vendas dos produtos de beleza e higiene pessoal espantam a ideia de crise

Rose de Moraes
16 de janeiro de 2009
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    Química e Derivados, Olegário Araújo, Gerente de contas da Nielsen Brasil, Cosméticos

    Olegário Araújo: vendas porta a porta crescem em todo país

    “Convivemos durante os últimos treze anos com um crescimento constante no setor, mas, a partir de 2008, alguns impactos começaram a ser observados em algumas categorias, com intensidade variável e dependente dos diferentes perfis econômicos encontrados nas regiões”, analisou Olegário Araújo, gerente de contas da Nielsen Brasil. De grande valia para as indústrias, uma das últimas pesquisas realizadas pela empresa levantou, em 36,5 milhões de domicílios urbanos, o comportamento de compra dos consumidores para dez itens de uma cesta básica de higiene e beleza, que inclui sabonetes, cremes dentais, xampus, desodorantes, escovas de dentes, bronzeadores, tinturas, produtos pós-xampus, absorventes higiênicos e papéis higiênicos.

    A comparação dos resultados encontrados no primeiro semestre de 2008 com os do mesmo período de 2007 ajudou a identificar os hábitos e as preferências mais recentes de consumo das várias categorias de produtos. Segundo os resultados divulgados, em 2007, 98,2% dos consumidores escolheram os supermercados como locais de compra de cosméticos. A pesquisa de 2008 confirmou a preferência, com 98% de respostas positivas para o uso desse canal mercantil.

    Em relação às compras realizadas em perfumarias, o comportamento dos compradores de um ano para outro também se manteve praticamente inalterado, com 31,2% dos domicílios efetuando compras nesses pontos-de-venda em 2007, contra 30,2% em 2008. Nas farmácias, as compras de produtos de higiene e cosméticos apresentaram leve declínio. Efetivamente 43,8% dos domicílios pesquisados efetuaram compras nesses locais em 2007, caindo para 41,9% em 2008.

    No entanto, o que mais chama a atenção na abrangente pesquisa é o crescimento das compras realizadas pelo sistema de vendas diretas no último ano. Chamado de venda porta a porta, esse canal mobiliza alguns milhões de seguidores em todas as regiões brasileiras, alcançou 35% dos domicílios pesquisados em 2007, e conquistou a preferência de 42,4% em 2008. “O crescimento da tradicional venda porta a porta foi sem dúvida o mais significativo e atraiu 2,7 milhões de novos lares compradores só no primeiro semestre de 2008”, salientou Araújo.

    Algumas categorias de produtos segmentadas pela pesquisa também revelaram informações muito interes­santes. Dos 2,7 milhões de lares que passaram para o sistema porta a porta em 2008, 1,2 milhão compraram desodorantes, desembolsando R$ 2,89 a mais em suas compras com essa categoria de produto.

    A inserção de novos lares na compra de itens da cesta básica de higiene e beleza por intermédio do porta a porta também foi observada na compra de itens como pós-xampus, xampus e sabonetes. Exatamente 1,1 milhão de novos lares compraram por venda direta pós-xampus no primeiro semestre de 2008, desembolsando R$ 1,30 a mais nesse tipo de compra; 1,1 milhão de lares compraram xampus, efetuando acréscimos nas despesas de R$ 1,97; enquanto 975 mil lares utilizaram sabonetes adquiridos via porta a porta, acrescendo R$ 7,91 no total de despesas realizadas para a compra desses produtos de higiene pessoal.

    “Todos esses lares contribuíram positivamente para o crescimento das vendas por intermédio do canal porta a porta, que alcançava 14,76 milhões de domicílios em 2007, passando a ser utilizado por 17,64 milhões em 2008, com 20% de crescimento”, calculou Araújo. Pelo estudo, as vendas pelo sistema porta a porta se destacaram em todas as regiões brasileiras. No interior paulista, onde as vendas diretas em 2007 alcançavam 27% dos municípios, mas chegaram a conquistar 45% em 2008, o resultado foi excepcional. Altos níveis de crescimento das vendas diretas também foram observados em Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, passando a envolver 64% dos municípios em 2008, percentual que era de 54% em 2007.

    Além de abrirem mercado, as vendas diretas são um bom exemplo para que as empresas possam enfrentar períodos difíceis na economia. Como especialista, Araújo aconselha as indústrias cosméticas a ampliar a distribuição pelos vários canais de vendas, além de adotar estratégias específicas para a atuação nas diferentes modalidades comerciais.

    Em 2009, será preciso redobrar a atenção ao desempenho dos vários canais, mas a indústria interessada em ampliar sua presença no mercado precisa se convencer de que não é possível direcionar cosméticos só para 21% dos domicílios pesquisados, representando as classes de consumo A e B. “O mercado exigirá cada vez mais produtos de qualidade para pessoas de todos os níveis socioeconômicos”, sentenciou o consultor.

    Em 2009, os consumidores deverão ter uma postura mais racional nas compras que exijam maiores desembolsos. Porém Araújo prevê que sejam mantidas as vendas de produtos de menor valor, como constatado em crises financeiras passadas.

    Mais do que prestar atenção na crise, as indústrias cosméticas precisam, de acordo com a opinião de Araújo, ficar mais atentas às tendências irreversíveis. Nesse caso estão o crescente envelhecimento das populações; a maior preocupação detectada em quase todas as partes do mundo com o bem-estar, a aparência e a saúde das pessoas; e a crescente participação da mulher no mercado de trabalho, exigindo maior conveniência e praticidade dos produtos. Outros pontos incluem reconhecer a relevância das vendas porta a porta no país, incluindo a necessidade de se instalar também uma oferta de serviços nos pontos-de-venda de cosméticos.



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