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Cosméticos para cuidados com o couro cabeludo – ABC Cosmetologia

Quimica e Derivados
25 de maio de 2020
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    Química e Derivados - Ana Carolina Ribeiro é Vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)Química e Derivados - Cosméticos para cuidados com o couro cabeludo ©QD Foto: iStockPhoto

    Durante muitos anos, os cosméticos capilares tiveram um foco muito grande em embelezar os fios de cabelo. Os cuidados com o couro cabeludo e problemas de queda capilar eram realizados apenas com o uso de medicamentos prescritos por médicos.

    O avanço das alterações estéticas capilares relacionadas ao estilo de vida moderno contribui para o aumento de disfunções do sistema capilar, como um aumento dos quadros de alopecias (masculina e feminina) e distúrbios do couro cabeludo (como caspa, oleosidade excessiva e descamação).

    Entendendo-se que qualquer alteração do funcionamento equilibrado do sistema capilar é evidência de sua patologia, os cosméticos capilares passam a ter grande importância na manutenção da integridade do couro cabeludo, por meio do uso de produtos como xampus, condicionadores e tônicos específicos, sendo um mercado em franca expansão.

    Nesses casos, o desenvolvimento de cosméticos para o tratamento de couro cabeludo deve considerar:

    – Manutenção da barreira cutânea: o estrato córneo funciona como uma barreira contra a perda de água e a entrada de microrganismos e agentes nocivos do meio ambiente. A barreira cutânea consiste basicamente em várias camadas de corneócitos encapsulados em lamelas lipídicas, mantidos aderidos por estruturas especializadas de adesão celular intercelular, chamada desmossomas. Quaisquer alterações na composição lipídica lamelar, tamanho ou forma do corneócito, número de desmosoma e espessura, podem levar a alterações na função da barreira de permeabilidade epidérmica. Caspa e dermatite seborreica são exemplos de disfunções com perda da manutenção da barreira cutânea.

    Para manter a integridade da barreira, os detergentes usados nos produtos de higienização devem ter uma ação mais suave e a adição de substâncias como os óleos vegetais (jojoba, abacate, girassol, etc), ceramidas e extratos glicólicos hidratantes (aloé-vera, calêndula, etc) são boas escolhas em condicionantes e tônicos.

    – Acalmia: o prurido, sensação desagradável que evoca um desejo de coçar, é muito comum em pessoas com couro cabeludo sensibilizado (muitas vezes por uso de colorações ou alisamentos). Fatores etiológicos envolvidos no prurido incluem aumento de liberação de histamina e citocinas, além de exacerbada resposta dos receptores sensoriais cutâneos. Nesses casos, os cosméticos podem auxiliar quando formulados com substâncias hipoalergênicas, o pH da formulação for o mais próximo do pH fisiológico do couro cabeludo, além de usarem ingredientes com poder calmante (como o azuleno e o óleo essencial de hortelã pimenta). As substâncias hidratantes, como o pantenol, também podem auxiliar nesse processo de acalmia.

    – Manutenção da microbiota: nos últimos anos muito se tem falado, e entendido, sobre a microbiota do couro cabeludo. A microbiota cutânea compreende todas as comunidades de microrganismos (vírus, bactérias, fungos) a nossa pele. Essa população de microrganismos supera em número as células humanas e tem o poder impactar na síntese de compostos essenciais, apresentar proteção do hospedeiro contra invasores e auxiliar na modulação do sistema imunológico. Estudos demonstram que 25% da população microbiana encontra-se nos folículos pilosos. Desequilíbrio na população de Malassezia sp. está associado à queda e formação de caspa, além da dermatite; bem como a de Cutibacterium acnes está associada à acne e tem sido relatada em casos de alopecias.

    Lavar a pele demais ou o uso constante de substâncias antissépticas podem levar à disfunção dessa microbiota. Nesses casos, ativos probióticos (como o extrato de Saccharomyces) e prebióticos (alfa-glucan oligossacarídeo, inulina, etc) podem ser incorporados em cosméticos capilares para a manutenção da microbiota.

    – Renovação celular: em algumas situações, promover uma renovação celular é importante para a melhora da condição do couro cabeludo. Nesses casos, o uso de substâncias queratolíticas (como alfa, beta e poli-hidroxiácidos) são requeridas. Essas substâncias devem aumentar o turnover do estrato córneo e causar a descamação da camada mais externa, sem prejudicar a função de barreira, aumentam o conteúdo de água do estrato córneo, promovem proliferação celular. No caso do uso do ácido salicílico, além da ação queratolítica, ainda há a capacidade de reduzir o prurido, além de atividade bacteriostática e bactericida. Normalmente, esses ativos queratolíticos são adicionados em pré-xampus e seu uso é semanal ou quinzenal.

    Química e Derivados - Ana Carolina Ribeiro é Vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)

    Ana Carolina Ribeiro é Vice-presidente técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)

    – Controle de oleosidade: morfologicamente, o folículo piloso está sempre associado a uma glândula sebácea. A testosterona, ao se transformar em di-hidrotestosterona pela ação da enzima 5-alfa redutase, exerce a ação de estimular a produção de sebo nas glândulas sebáceas. Em associação à descamação desordenada da pele e à presença dos microrganismos, esse sebo sofre peroxidação, alterando a sua composição e como consequência levando à perda da função de defesa do couro cabeludo.

    Para se ter uma harmonização no sebo produzido, e na sua qualidade, ativos normalizadores de sebo (como extrato de sabal e niacinamida) são adicionados nos xampus ou tônicos capilares.

    Nesse artigo exemplificamos com poucos ativos que existem no mercado brasileiro de matérias-primas cosméticas. O objetivo era compreender os mecanismos para se manter a integridade do couro cabeludo, resultando, consequentemente, em um fio de cabelo mais forte, macio e brilhante!

    Texto: Ana Carolina Ribeiro



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