Cosméticos – Pandemia aumenta a demanda de produtos para cabelos

Novos hábitos – Segundo Ana, por sair esporadicamente de casa (devido à pandemia), os consumidores não têm a necessidade de lavar os cabelos com água, frequentemente, e por isso, abre-se espaço no mercado para o xampu a seco. “É um produto versátil que permite o espaçamento entre as lavagens com água e xampu tradicional”, comenta.

Química e Derivados - Cosméticos - Pandemia mexe com formulações ©QD Foto: iStockPhotos
Ana: insumo permite formular xampu a seco para cabelos

Estima-se também que desponte uma demanda por formatos sólidos de produtos para cuidados e tratamento dos cabelos. Segundo Theodoropoulos, é crescente a busca por formulações de xampu e condicionador em barra que tragam como proposta de valor o desempenho do produto na sua utilização e na preservação do ambiente (leia-se: redução do uso de água na produção e não utilização de embalagens plásticas).

Os efeitos da pandemia potencializaram algumas tendências anunciadas nos últimos anos. Na opinião de Theodoropoulos, um dos aspectos mais relevantes atualmente é a intensificação do conceito “faça você mesmo”, originária do inglês Do it Yourself (DiY). Segundo ele, o consumidor passou a realizar em casa os procedimentos antes feitos nos salões de beleza. Ferreira concorda. Para ele, o maior tempo em casa e a restrição de recorrer a profissionais foram os responsáveis por este fenômeno. “Vimos consumidores criando suas próprias receitas caseiras de máscaras e tratamentos capilares”, diz.



Christiane afirma que a Brenntag aposta nessa tendência há mais de um ano; até por isso, ela é um pouco mais contundente e acredita que esta ideia deixou de ser uma tendência e hoje se configura como uma realidade do mercado. “Os consumidores buscam atender às suas necessidades em casa, com produtos eficientes e seguros para que possam utilizar da maneira que precisam, e que quando combinados com outros ativos, entregam a performance e o sensorial que desejam”, afirma.

Química e Derivados - Cosméticos - Pandemia mexe com formulações ©QD Foto: iStockPhotos
Mechas de cabelos representam várias etnias e colorações

Com a clausura imposta, muitas pessoas aproveitaram ainda para mudar o cabelo, seja alisando ou reassumindo os cachos, por exemplo. “Produtos como máscaras de reparação e fortalecimento dos fios estão sendo bem aceitos”, pontua Maria. Também vem crescendo o número de consumidoras que optam por assumir os cabelos grisalhos e com isso, para Agda, despontam oportunidades de negócio para os cuidados capilares com matérias-primas que mantêm a hidratação, sobretudo, sem conferir aspecto amarelado aos fios.

Há muitas outras mudanças em curso com impacto direto nas formulações. Uma delas se refere ao aumento da procura por formulações de alto valor agregado. A Pesquisa Mintel de Hábitos de Consumo mostrou que, após a Covid-19, 11% dos brasileiros estão comprando itens premium como um agrado para si. “Em médio prazo, é esperado que a demanda por produtos e serviços que sejam indulgentes aumente entre os consumidores brasileiros”, diz Amanda.

Ela conta ainda que há uma busca por produtos que ofereçam benefícios holísticos – desejo anunciado por 35% dos entrevistados, conforme dados do relatório da Mintel. “Além de oferecer bem-estar por meio de ingredientes que ofereçam relaxamento/alívio do estresse, as marcas podem inovar em texturas e formatos que ofereçam uma experiência sensorial aos consumidores”, comenta Amanda.

A era digital também trouxe um novo padrão de consumo, agora considerado mais consciente pelos profissionais do setor. “O consumidor lança mão do digital – aplicativos, Internet e mídias sociais. Aspectos como escolher um produto seguro quanto aos seus componentes, que não causem impacto ambiental e não tenham sido testados em animais, são relevantes e influenciam cada vez mais na decisão de compra”, diz Theodoropoulos. A Mintel ratifica sua afirmação. Pesquisas revelam que um em cada quatro brasileiros afirmam que estão assistindo a mais conteúdos de beleza on-line, como tutoriais.

Os novos tempos embutem ainda uma nova forma de consumir. Para Agda, há um “boom” do e-commerce. Ela se refere à pesquisa do Euromonitor Internacional, segundo a qual 19% dos consumidores compram cosméticos para cabelos pela internet e, muitas vezes, sua decisão de compra é influenciada pelas mídias digitais, conteúdos on-line e opiniões/reviews de usuários.

Independentemente do canal de compra, apesar das adversidades de 2020, há confiança no mercado. Theodoropoulos observa que já é possível perceber que as atividades relacionadas à Pesquisa e Desenvolvimento foram intensificadas. Para Coelho, apesar do cenário difícil previsto para os próximos anos, é possível manter a categoria de produtos capilares em crescimento no Brasil. Ferreira, por sua vez, fala sobre o quão difícil é prever a velocidade de uma retomada da economia e do consumo, em meio ao surgimento de novas medidas de recolhimento em algumas regiões do mundo. No entanto, aponta: “valerá o trabalho em conjunto entre clientes e fornecedores para mitigar potenciais riscos”. Por sua vez, Christiane demonstra otimismo: “2021, temos certeza, será um ano excepcional para o nosso negócio”, conclui.

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