Cosméticos – Novos filtros UV facilitam a produção de protetores solares

A nova geração de filtros químicos simplifica a produção de protetores solares e encoraja novos desenvolvimentos planejados por várias indústrias nacionais e internacionais. Os processos de fabricação, antes considerados complexos, morosos e de alto custo, oferecem alta versatilidade aos formuladores, podendo reduzir custos e, provavelmente, facilitar expansões de oferta ao mercado, consequências muito bem-vindas, principalmente em países tropicais, como o Brasil, que tem boa parte de sua população exposta a altos níveis de insolação e de radiações UVA e UVB durante todo o ano.

Com mais de uma dezena de amostras distribuídas entre fabricantes do Brasil, Argentina, Chile e México, em fase de testes, com a previsão de formar base para lançamentos para o verão de 2011, o Escalol Evolution, uma inovadora combinação de filtros da International Specialty Products – ISP do Brasil, desperta o interesse de empresas atuantes no mercado interno e externo.

Trata-se de um desenvolvimento realizado nos laboratórios da filial brasileira da ISP, instalados na Vila Anastácio, em São Paulo. A inovação demandou cerca de quatro anos para ser aprovada e transformada em produto comercial. É a quinta patente depositada pelo gerente-técnico de Personal Care da ISP do Brasil, Nelson Perassinoto, nos quase vinte anos de carreira dedicados ao setor cosmético. O desenvolvimento do Escalol Evolution contou com o apoio integral e supervisão de profissionais da sede da ISP, em New Jersey, nos Estados Unidos, servindo de exemplo de superação das dificuldades típicas do surgimento de novos produtos.

Segundo Perassinoto, até o advento de Escalol Evolution, a fabricação de protetores solares podia ser considerada atividade bastante complexa, geradora de perdas de matérias-primas, e dependente de equipamentos sofisticados. Esses problemas foram superados pela nova combinação de filtros, formada por cinco diferentes matérias-primas: butil-metoxidibenzoilmetano, protetor contra as radiações UVA; etilexil-metoxicinamato, protetor contra as radiações UVB; benzofenona-3, conciliadora das duas proteções UVB e UVA; etilexil-salicilato e octocrylene, ambos para proteção contra UVB.

Portanto, além das facilidades propiciadas ao formulador para desenvolver fotoprotetores desde FPS 6 até FPS 60 em processos realizados totalmente a frio, o Escalol Evolution já leva em conta a tendência mundial de criação de produtos adaptáveis a cada tipo de pele e às suas necessidades específicas, apresentando alta capacidade de emulsificação, até mesmo permitindo a incorporação de outras matérias-primas.

A nova combinação de filtros orgânicos da ISP, além de proteger e hidratar a pele, também oferece proteção contra radicais livres, por conter vitamina E biodisponível, atuando como antioxidante. Em apenas cinco horas de exposição natural ao sol, podem ocorrer níveis de redução (até 50%) na concentração de vitamina E no corpo humano.

“Escalol Evolution é a primeira combinação de filtros a oferecer ao mercado a característica de dispersão em água fria, inovando também ao propor o conceito de FPS adaptável, o que significa que, de um único produto, é possível formular fotoprotetores com diferentes FPS, em processos totalmente a frio, utilizando apenas misturadores simples, condições que deverão resultar em grande agilidade para o desenvolvimento de novos fotoprotetores”, afirmou Perassinoto.

De acordo com formulações testadas e recomendadas pelo fabricante, são necessários apenas 30% da nova combinação de filtros e água para a fabricação de protetores solares com FPS 15. Para fotoprotetores com FPS 30, as proporções passam a ser: 60% de Escalol Evolution, 3,75% de Escalol Block – filtro físico também fabricado pela empresa e que contém 40% de dióxido de titânio ativo – e água. Os protetores com FPS 60 devem contar com 70% de Escalol Evolution, 10% de Escalol Block e o restante em água.

Química e Derivados, Nelson Perassinoto, Gerente-técnico de Personal Care da ISP do Brasil, Cosméticos - Novos filtros UV facilitam a produção de protetores solares
Perassinoto: blenda de filtros permite processamento a frio

Segundo o especialista, as formulações realizadas com a nova combinação são tão versáteis que admitem a adição de glicóis para diminuir a viscosidade, ou incorporar polímeros de acrilatos para torná-los mais viscosos, se necessário.

Outra grande vantagem advém da rapidez na realização dos processos de fabricação. Como exemplo, ele citou a fabricação de duas toneladas de protetores com FPS igual a 30 que, por via convencional, costuma demandar oito horas, em média, tempo encurtado para duas com o uso da nova combinação de filtros.

Além desses aspectos, outro ponto a favor da nova tecnologia é o ganho ambiental pelo uso de apenas água no processo, associado à simplicidade para a produção de fotoprotetores em larga escala. Com ela, é possível simplificar a seleção de ingredientes na fase aquosa, seguida de aquecimento a 80ºC-85ºC. A isso se seguia a escolha dos insumos da fase oleosa, também aquecida a 80ºC-85ºC, para depois proceder à mistura das duas fases em misturadores de alta potência, seguida pelo resfriamento final a 35ºC. Essa sequência resume o trabalhoso processo convencional de fabricação de protetores solares.

Estabilidade com alto FPS – Os manuais costumam ressaltar a importância dos fotoprotetores em oferecer eficácia comprovada, segurança, tolerância, espalhabilidade, homogeneidade, longa duração e resistência ao enxaguar. Nos últimos anos, com o avançar das pesquisas, a oferta de filtros também passou a incluir não só insumos anti-UVB – faixa do espectro de luz ultravioleta que apresenta comprimentos de onda entre 280 nanômetros (nm) até 320 nm –, como também para proteção contra as radiações UVA – entre 320 nm e 400 nm –, com fotoestabilidade comprovada.

Isso porque as radiações UVA produzem efeitos cumulativos sobre a pele, sendo consideradas as principais responsáveis pelo fotoenvelhecimento sem queimaduras, como acontece na exposição às radiações UVB. Alguns países, como a Austrália, com o objetivo de diminuir os altos índices de indivíduos com câncer de pele, adotaram medidas mais radicais de proteção. Como conduta de saúde pública, não são aceitos protetores solares apenas contra as radiações UVB e nem se aprovam protetores com FPS superior a 30, exigindo constar nos rótulos a informação de que esses produtos oferecem quatro horas de resistência ao “enxágue”, no máximo. Tais medidas partem do entendimento de que quanto mais elevada a proteção UVB, mais o indivíduo poderá se expor às radiações solares, transmitindo a falsa ideia de proteção enquanto se corre perigo pela falta de defesa contra o UVA.

De acordo com os conceitos mais atuais, um bom filtro também deve ser compatível com os demais insumos e alcançar sinergias, com vistas a otimizar o balanço de propriedades e oferecer o maior espectro possível de proteção aos usuários. Para agradar aos consumidores, as formulações finais também devem apresentar suavidade à pele e ser menos oleosas, proporcionando sensação agradável ao toque.

Uma das maiores dificuldades dos formuladores, no entanto, segundo Luis Julian Junior, coordenador de serviços técnicos de Personal Care Ingredients da Basf, é desenvolver formulações acima de FPS 50 que sejam estáveis e agradáveis aos atuais requisitos sensoriais.

“Os filtros fotoestáveis garantem a manutenção do FPS e a proteção UVB durante todo o período de exposição solar e a maior preocupação é que também apresentem grande intensidade de absorção das radiações UVA”, informou o especialista. Na Europa, segundo ele, já prevalece a recomendação de que todo protetor solar deve apresentar um balanço de proteção UVA e UVB. “Os produtos têm de apresentar proteção UVA expressa como UVA-PF, correspondente a um terço do valor de FPS da formulação, ou seja, um protetor solar com FPS 30 deve apresentar UVA-PF correspondente a 10, no mínimo”, explicou. Apesar de regulamentações como essa não estarem em vigor no Brasil, os consumidores, na opinião de Julian Junior, estão cada vez mais conscientes dos efeitos das radiações UVA, responsáveis pelo fotoenvelhecimento da pele e, por isso, irão cada vez mais buscar produtos que ofereçam a dupla proteção UVB e UVA.

Dispersão aquosa – A última inovação da Basf em filtros solares remete ao Tinosorb S Aqua. Lançado em abril deste ano, durante a FCE Cosmetique 2010, trata-se da molécula de bis-etilexiloxifenol metoxifenil triazina (BEMT), apresentada originalmente em Tinosorb S (antes somente disponível em pó para ser solubilizado na fase oleosa da emulsão) e, agora, oferecida ao mercado em dispersão aquosa, com o objetivo de facilitar sua incorporação na fase aquosa das emulsões para proteção solar.

“Tinosorb S Aqua é uma opção de amplo espectro muito interessante para os formuladores perante a existência de poucos filtros para a fase aquosa, e que permite reduzir a concentração de ésteres, podendo ser utilizada em protetores solares de alto FPS, bem como em produtos de cuidados diários para a pele, apresentando proteção fotoestável contra o fotoenvelhecimento e alta absorção das radiações UVA e UVB”, informou Julian Junior.

As vantagens do novo filtro abrangem desde o uso de maiores concentrações do ativo e menores quantidades de solubilizantes na fase oleosa, resultando em formulações menos oleosas, até a diminuição do risco de cristalização de outros filtros presentes nas formulações e que necessitariam de solubilizantes, como as avobenzonas e as benzofenonas, segundo Julian Junior.

As avobenzonas, lançadas em 1973, como lembrou o especialista, foram os primeiros filtros para proteção UVA, mas a sua fotoinstabilidade estimulou novas pesquisas, que culminaram, no caso da Basf, com o lançamento em 2004 do seu primeiro filtro fotoestável para proteção UVA, o Uvinul A Plus, com dietilamino hidroxibenzoil hexilbenzoato, hoje presente em muitas formulações de protetores solares.

Outro desenvolvimento inovador assinado pela companhia é Tinosorb M. Único filtro orgânico particulado dispersível na fase aquosa e que atua, segundo Julian Junior, por absorção, dispersão e reflexão. Ele não perde sua atividade durante mais de um dia de exposição solar, ou seja, apresentando fotoestabilidade maior do que 90% mesmo após 90 MED (Minimum Erythema Dose), sem requerer, para tanto, nenhum tipo de estabilizador.

Considerado filtro especial, o Tinosorb M, como filtro químico, tem a capacidade de absorver a energia solar e a transformar em calor, sem que seja produzido qualquer tipo de interferência ou consequência à epiderme. Atuando também como filtro físico, reflete as radiações, sendo seu grau de segurança em grande parte associado ao seu peso molecular, correspondente a 658, sendo capaz de filtrar as radiações mais longas, compreendidas entre 360 nm e 400 nm.

“Todos os filtros para proteção contra as radiações UV do portfólio da Basf foram submetidos aos protocolos de testes exigidos pelos órgãos regulamentadores, e foram muito bem avaliados com relação à segurança e à eficácia. Essas regulamentações apresentam limites máximos de uso permitido para cada tipo de filtro UV, e esses limites servem exatamente para garantir que o produto não agrida a saúde, desde que a concentração-limite não seja ultrapassada. Por apresentarem alta absorção, em muitos casos os filtros da Basf são utilizados em quantidades bem inferiores aos limites permitidos para o alcance dos FPS esperados, dispensando totalmente estabilizadores, outro aspecto também muito interessante a ser observado pelos formuladores”, comentou Julian Junior.

Química e Derivados, Luis Julian Junior, Coordenador de serviços técnicos de Personal Care Ingredients da Basf, Cosméticos - Novos filtros UV facilitam a produção de protetores solares
Julian: é difícil estabilizar protetores com FPS acima de 50

Portanto, as fórmulas mais recentes de protetores solares contemplam a proteção contra as radiações UVB e UVA, e também proporcionam efeitos hidratantes e estimulantes da renovação celular, ajudando não só a prevenir queimaduras e fotoenvelhecimento, sendo também hipoalergênicas e não-comedogênicas. Integram em loções não-oleosas, à prova d’água por períodos até 80 minutos.

As associações de filtros químicos hidrossolúveis também podem resultar em géis de alta performance e de rápida absorção pela pele, sem deixar resíduos, para uso em fórmulas que possam destacar nos seus rótulos não conter álcool, corantes e tampouco parabenos, por exemplo.

Critérios de fotoproteção – As indústrias cosméticas utilizam há muitos anos basicamente dois tipos de filtros físico-químicos, que atuam por reflexão da luz: o dióxido de titânio e o óxido de zinco. Os primeiros se tornaram mais utilizados por oferecerem maiores facilidades de incorporação às formulações e também porque potencializam o FPS, atuando principalmente na faixa das radiações UVB.

As moléculas orgânicas que dão origem aos filtros identificados no mercado apenas como filtros químicos são motivadoras, nos últimos tempos, do maior número de pesquisas e de novos desenvolvimentos tanto por parte dos provedores de matérias-primas como também dos próprios fabricantes de protetores solares.

Na opinião do consultor Adelino Nakano, vice-presidente técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), o metoxicinamato de etilexila, classificado como filtro químico, é um dos mais amplamente utilizados atualmente pelas indústrias por ser apresentado na forma líquida, que facilita muito a sua incorporação. Segundo ele, seu uso também se tornou mais disseminado no setor pelo fato de poder atuar como solvente para outros filtros químicos que possam vir a ser utilizados na formulação.

Além do metoxicinamato de etilexila, segundo lembrou Nakano, outros filtros também concorrem em busca da preferência das indústrias, como octocrileno, homosalato, salicilato de etilexila e benzofenona-3. A benzofenona-3, aliás, já esteve no alvo de controvérsias, mas é permitida em concentrações até 10%, de acordo com a resolução RDC 47/06, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada em 2006 e que atualizou os conceitos da resolução anterior, a RDC 237/02, de 2002.

As condutas mais aceitas mundialmente no âmbito dos filtros solares são aquelas adotadas entre todos os países da Comunidade Europeia, consideradas rigorosas e que dão respostas à altura das descobertas feitas pelos cientistas. Nos países desse bloco, um protetor solar só consegue obter o necessário registro se comprovar que o nível de proteção UVA corresponde a pelo menos um terço do nível da proteção UVB. Assim, se o protetor oferecer FPS (nomenclatura adotada para informar a proteção UVB) igual a 30, deverá também, obrigatoriamente, oferecer, no mínimo, proteção UVA igual a 10 PPD (Pigments Permanent Darkening), ou seja, proteger contra a pigmentação escurecida e persistente da pele.

Segundo lembrou o vice-presidente da ABC, além da proteção UVA, os protetores solares nos países da Comunidade Europeia também precisam fazer frente ao “comprimento de onda crítico de radiação, de pelo menos 370 nm, correspondente a 90% da área total do espectro de absorção do protetor solar”, afirmou.

Vários critérios vêm ajudando a compor esse mosaico de exigências relacionadas com a fotoproteção a ser oferecida por um filtro. “A efetividade de um filtro solar pode ser entendida pela sua capacidade de oferecer proteção contra as radiações ultravioleta, pela intensidade de proteção (nível de absorção), pela manutenção da sua performance ao longo do tempo de uso (fotoestabilidade) ou, mesmo, pelas facilidades relacionadas com sua incorporação às fórmulas”, considerou Nakano.

Vale lembrar, porém, como enfatizou, que o mecanismo de ação dos filtros químicos continua sendo desativar a energia UV absorvida por meio de processos térmicos, mas permitindo que essa dissipação não destrua nenhuma ligação química interna, ou seja, a performance do filtro deve ser mantida com o passar do tempo, pois só assim estará comprovada a sua fotoestabilidade.

Portanto, a seleção de filtros pode ocorrer de acordo com especificidades e características particulares apresentadas por cada uma das moléculas. De acordo com Nakano, os insumos mais utilizados atualmente em virtude de suas propriedades são: o filtro químico etilexil triazina, que atua na faixa das radiações UVB, considerado fotoestável e que apresenta especificidade molecular; o filtro químico dietilamino hidroxibenzoil hexil benzoato, que atua na faixa de UVA, e também é fotoestável; o filtro químico fotoestável bis-etilexilmetoxifenil triazina, considerado de amplo espectro e que atua na faixa do UVA e UVB; e o fenilbenzimidazol ácido sulfônico e fenildibenzimidazol tetrassulfonato dissódico, ambos com característica hidrossolúvel, sendo o primeiro considerado de alta absorção, na faixa das radiações UVB, e o segundo atuante na faixa das radiações UVA. Por último, o filtro químico-físico dióxido de titânio, por sua capacidade de absorção das radiações solares, principalmente na faixa do UVB.

Coadjuvantes de proteção – As novas tecnologias em dispersões poliuretânicas da Bayer MaterialScience (Bayqsan) também trouxeram benefícios para os protetores solares, respondendo às necessidades de lançamento de produtos com FPS cada vez mais altos, mas que também proporcionem suavidade e maciez à pele.

De acordo com vários testes realizados com filtros UVA e UVB, orgânicos e inorgânicos, e que contaram com as novas dispersões poliuretânicas, foram constatados vários níveis de aumento de FPS. Em composição com o octocrileno (10%) para proteção UVB, o Bayqsan (7,5%) proporcionou aumento de FPS de 6,7 para 14,4, ou seja, dobrou o nível de proteção solar. A linha também apresenta compatibilidade com vários tipos de filtros orgânicos, como o butilmetoxidibenzoilmetano, etilexilmetoxicinamato, homosalato, benzofenona-3, octocileno, etilexil salicilato, e os inorgânicos, como dióxido de titânio e óxidos de zinco.

“Ao contrário de produtos à base de polímeros convencionais, a linha Bayqsan também apresenta a vantagem de ser considerada mais ecológica porque não utiliza solventes nem conservantes em sua formulação, resultando em produtos ultrapuros, feitos à base de água, e que podem ser empregados como formadores de filme, aditivos sensoriais, e também como impulsionadores de FPS”, afirmou Alberto Hassessian, gerente da unidade de negócios nas áreas de revestimentos, adesivos e especialidades da BayerMaterialScience para a América Latina.

Entre os produtos específicos para aplicações em fórmulas de protetores solares estão Bayqsan C 1000, dispersão poliuretânica formadora de filme não oclusivo, resistente à água, e com propriedades de não-transferência e longa duração; e Bayqsan C 1005, poliuretano em pó, de alta capacidade de absorção de óleo, e que promove textura aveludada à pele.

Algumas linhas de emulsionantes de origem vegetal, sem solventes ou conservantes, e compatíveis com filtros químicos e químico-físicos, também estão sendo requisitadas para as novas formulações de protetores solares. Esse é o caso da linha Montanov, da Seppic, distribuída com exclusividade no Brasil pela Chemyunion.

“Estáveis em ampla faixa de pH, esses novos emulsionantes são excelentes promotores de cristais líquidos, além de conferir hidratação e proporcionar a sensação de suavidade quando aplicados sobre a pele”, informou Vanessa Alves Arruda, técnica da Chemyunion. Outras matérias-primas indicadas para protetores solares da Chemyunion são Melscreen Coffee, Melscreen Buriti e Ecobidens.

Melscreen Coffee é um óleo de café verde, capaz de reduzir eritemas e incrementar o FPS e que, por ser rico em ácido linoleico, diminui os danos causados à pele pelas radiações UV, restaurando os lipídeos do estrato córneo.

Já o Melscreen Buriti, com alta concentração de carotenóides e tocoferóis, apresenta ótima resposta contra radicais livres. Ecobidens, por sua vez, é um extrato de picão preto, padronizado em polifenóis. “Essa matéria-prima, de alto poder antioxidante, inibe os mediadores de microinflamações e diminui a degradação do DNA por fotoexposição, auxiliando no seu reparo, ao estimular a expressão gênica de neuropeptídeos, um dos responsáveis pelos reparos ao DNA, mantendo a integridade celular”, informou Vanessa.

Fotoprotetores e produtos pré-sol concebidos para preparar a pele para ser exposta ao sol também podem contar com Heliostatine. Trata-se de ativo vegetal apresentado ao mercado pela ISP para aumentar a síntese de melanina, e que tem ação clinicamente comprovada. Extraído de ervilhas verdes, é especialmente indicado para prolongar o bronzeamento da pele, podendo também ser empregado em produtos antienvelhecimento e para tratamentos pré e pós-sol. Um complexo estável formado por fosfato de tocoferol e lauriminodipropionato dissódico (Vital ET) representa outra opção para produtos pós-sol. Também comercializado pela ISP, possui propriedades antieritemas e anti-inflamatórias, podendo entrar na composição de produtos para prevenção e alívio de queimaduras provocadas por exposições solares.

Tendências e regulamentos – Como grande mercado para a fabricação de protetores solares, o Brasil está inserido no circuito das tendências mundiais. “Seguimos as tendências em termos de novas moléculas porque somos um país que acompanha as atualizações mercadológicas e regulatórias do mundo. Assim, quando novas moléculas são aprovadas na Europa ou nos Estados Unidos, elas são incorporadas na nossa legislação para permitir a atualização tecnológica do nosso mercado. Em termos científicos, o que se busca é a exposição solar de forma segura. Existem pesquisas que visam a estimular o bronzeamento por meio do uso de comprimidos, e também focadas em ativos que, incorporados às dietas, poderiam promover a diminuição dos danos causados pelo sol, ou, ainda, baseadas em filtros solares de origem vegetal, mas todas ainda muito incipientes e em nível acadêmico”, considerou Nakano.

Para obter registro na Anvisa, os fotoprotetores devem apresentar resultados de testes toxicológicos que comprovem a sua segurança, bem como relatórios de testes de eficácia, realizados de acordo com as metodologias preconizadas pela FDA (Food and Drug Administration), dos Estados Unidos, ou pela Colipa, a Associação Europeia das Indústrias Cosméticas, de Artigos de Toucador e Perfumaria.

Até o momento, no entanto, um protetor solar para ser comercializado no mercado brasileiro não precisa comprovar proteção UVA, mas apenas o grau de proteção UVB. Embora a proteção UVA não seja uma exigência com amparo legal, vários fabricantes estão se antecipando e oferecendo ao mercado também esse tipo de proteção. Segundo acreditam vários especialistas, em pouco tempo, a proteção UVA também poderá passar a ser exigida, e o próprio comportamento dos consumidores já está se encarregando disso, ao criar demanda para protetores com a dupla proteção.

Química e Derivados, Adelino Nakano, Vice-presidente técnico da Associação Brasileira de Cosmetologia(ABC), Cosméticos - Novos filtros UV facilitam a produção de protetores solares
Nakano: além da proteção, filtros precisam se adaptar bem às fórmulas

Por vários motivos, portanto, as condutas assumidas em países do Primeiro Mundo e no âmbito do FDA ou da Colipa acabam sendo monitoradas por especialistas brasileiros, tendo em vista a inevitável atualização de parâmetros técnicos e os subsídios oferecidos às ações e produções locais.

Num breve retrospecto, vale lembrar que o primeiro protocolo instituindo os testes comprobatórios para a proteção UVA foi emitido em 1994, pela Colipa, ou seja, há dezesseis anos, enquanto o primeiro protocolo considerando os critérios para a comprovação de Fator de Proteção Solar (FPS), para proteção UVB, foi emitido em 1976 pelo FDA, ou seja, carregando um histórico de pelo menos 34 anos.

Enquanto a saúde pública espera respostas mais rápidas sobre novas medidas protetivas relacionadas com fotoproteção, as polêmicas persistem, envolvendo várias substâncias químicas. “Uma delas diz respeito à existência de potencial estrogênico de alguns filtros químicos e o problema de penetração de filtros físicos nanotecnológicos. Essas informações são advindas de estudos científicos que mostraram alguns indícios nesse sentido. Entretanto, essas publicações ainda são incipientes ou apresentam uma visão específica sobre um determinado ponto ou condição. São necessários inúmeros estudos para comprovar tais efeitos e realmente chegar a uma conclusão de que existe um malefício associado ao uso. Estudos posteriores que estão sendo realizados por grupos científicos independentes e experts de comitês científicos internacionais não confirmam os indícios e, até o momento, são considerados seguros. No entanto, constantemente os dados sobre os filtros solares são revisados e periodicamente pode haver algumas atualizações em termos de aprovações e restrições de uso”, afirmou Nakano.

Há alguns anos, substâncias como as benzofenonas II, por exemplo, chegaram a ser responsabilizadas por pesquisadores por ocasionar efeitos nocivos às atividades hormonais e foram excluídas da lista de filtros da Colipa. Restrições também foram feitas em relação aos filtros físicos nanotecnológicos, apontados por pesquisadores como nocivos por penetrarem na derme e na epiderme, podendo causar interações indesejadas entre seus componentes e as células, tecidos e órgãos do corpo humano.

Recentemente, porém, a Colipa, segundo Adelino Nakano, tomou a iniciativa de promover a harmonização do protocolo de avaliação de FPS (SPF Test Method) com o Japão e a África do Sul. Isso significa que todos os países envolvidos poderão seguir as mesmas diretrizes técnicas de avaliação de FPS, tomando por base testes in vivo, realizados com voluntários.

“A Colipa tomou a iniciativa de harmonizar a legislação de protetores solares com o Japão e a África do Sul. Assim, esses países hoje seguem a mesma proposta de avaliação do FPS de um produto em termos de protocolo de testes. Além disso, houve preocupação bastante grande no que tange à proteção UVA, visto que o FPS é uma medida que indica a proteção somente na região UVB. Na Colipa, foram criados critérios para classificar se um produto apresenta uma proteção adequada no UVA, baseado em dois estudos: comprimento de onda crítico e PPD (ou equivalente). De acordo com esses resultados, o produto pode ser classificado e identificado como tendo essa proteção. O FDA possui uma monografia que foi publicada em 1999, mas que está sob constante avaliação. Há alguns anos, o órgão emite consulta pública na qual também propõe formas de avaliação da proteção UVA, mas ainda não houve a emissão de um documento final. A Anvisa adota os dois principais protocolos de proteção solar (Colipa e FDA) e a regulamentação nacional específica para protetores solares (RDC 237/2002) considera também qualquer atualização nesses documentos. Assim, toda e quaisquer modificações nos métodos de teste são consideradas pela agência”, informou Nakano.

Por enquanto, portanto, por obra e mérito da Colipa, chegou-se a um consenso em relação ao protocolo do FPS entre os países envolvidos. Resta, porém, aguardar os próximos passos das autoridades em relação à proteção contra as radiações UVA, que, por ora, levam em conta estudos focalizando o critério de comprimento de onda crítico e PPD (Pigments Permanent Darkening), revelando o grande peso dos apontamentos da comunidade científica sobre os filtros solares.

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