Cosméticos – Fragrâncias – Espécies vegetais da Amazônia podem abrir mercados sofisticados para a produção local

Química e Derivados, Tarcízio Candelária, Diretor de Scent & Care Division da Symrise, Cosméticos - Fragrâncias - Espécies vegetais da Amazônia podem abrir mercados sofisticados para a produção local
Candelária: produtores locais criaram estilo próprio

A participação de fragrâncias em cosméticos no Brasil também está entre as mais significativas do mundo, uma vez que o País se posiciona em terceiro lugar no ranking dos maiores produtores mundiais de cosméticos. Os maiores fornecimentos em volume de fragrâncias, segundo Candelária, destinariam-se aos produtos para cabelos, como xampus, condicionadores e cremes. Em 2006, só o mercado de xampus representou volume de 177 mil toneladas e um total de 420 mil toneladas foram consumidas em todos os itens destinados ao tratamento dos cabelos. O segundo maior consumo de fragrâncias caberia ao setor de desodorantes e sabonetes. Em 2006, só o mercado de sabonetes correspondeu em volume a 293 mil toneladas.

Prazer do olfato – Os óleos essenciais são utilizados há mais de quatro mil anos. Acredita-se que seu uso inicial ocorreu no Egito. Naquela época, as técnicas de destilação ainda não eram conhecidas, mas os antigos povos egípcios colhiam as plantas aromáticas selvagens e as maceravam em óleos e gorduras. De acordo com alguns registros, o primeiro óleo vegetal a ser utilizado como ungüento na era neolítica foi o de gergelim.

A perfumaria se compõe de matérias-primas de origem natural e sintética, de acordo com ensinamentos do perfumista Morineau. As naturais são extraídas de flores, como rosas, jasmins, ilangue-ilangue, gerânios e tuberosas, e são bem cotadas comercialmente. As matérias-primas extraídas de folhas e plantas fornecem à perfumaria notas verdes, cítricas, florais, frutais, refrescantes, como as folhas de violetas, lemongrass e eucaliptos, sendo muito utilizadas como notas de saída. Mais voláteis, essas notas são perceptíveislogo na abertura dos perfumes. As matérias-primas extraídas de madeiras, musgos e raízes, são utilizadas em notas de corpo e fixação do perfume. Em geral, são notas florais mais concentradas, amadeiradas, frutais cítricas, como limão, bergamota, laranja, mandarina e balsâmicas, podendo se compor de cedros, sândalos, musgos de carvalhos, vetivert e resinas. As notas de fixação ou de fundo costumam ser amadeiradas, almiscaradas, ambaradas e abaunilhadas e são cada vez mais desenvolvidas sinteticamente.

As matérias-primas sintéticas reproduzem os perfumes naturais ou representam desenvolvimentos aromáticos que não encontram correspondentes naturais. A maior parte dos componentes aromáticos sintéticos é derivada de reações químicas. Os ingredientes químicos se dividem em: terpênicos, alifáticos, como os aldeídos, os primeiros ingredientes sintéticos utilizados em perfumaria, os álcoois, os ésteres, as cetonas e as lactonas, além dos benzenóides.

Volume de vendas é crucial – Além da preocupação constante com a criação e o lançamento de novas tendências em fragrâncias, as empresas de perfumaria movimentam esse fabuloso mercado lançando mão de algumas estratégias promotoras de crescimento, apresentando, por exemplo, edições especiais derivadas de perfumes famosos, mas cuja longevidade será determinada pelos volumes de vendas. “A fragrância Amarige, por exemplo, deu origem à edição especial Amarige Mariage, que se tornou um sucesso de vendas e teve produção continuada”, informou Tarcízio Candelária, da Symrise.

Entre as estratégias muito utilizadas para servir de alavanca de vendas, as empresas de perfumaria, principalmente no mercado norte-americano, mas também no Brasil, têm criado fragrâncias que serão assinadas por celebridades. Esse é o caso do Unforgettable Woman, assinado por Jennifer Lopez, e do “Luiza Brunet”, assinado pela própria, para a Avon.

Outra importante tendência de mercado, segundo Candelária, iniciada há mais de dez anos, mas que se manifesta até hoje, é a aquisição pelas grandes corporações de marcas de perfumes de grande prestígio internacional, como Hugo Boss, adquirida pela Procter & Gamble; Calvin Klein, comprada pela Unilever; ou Louis Vuitton, vendida ao grupo L.V.M.H., também proprietário das marcas Guerlain, Kenzo e Givenchy.

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