Cosméticos – Fragrâncias – Espécies vegetais da Amazônia podem abrir mercados sofisticados para a produção local

Química e Derivados, Hidrofusão, Cosméticos - Fragrâncias - Espécies vegetais da Amazônia podem abrir mercados sofisticados para a produção local
Hidrofusão extrai o óleo da Lavandula dentata

Segundo ensina Antonio Carlos Vanzo Júnior, gerente técnico regional para a América Latina de fragrâncias da IFF Essências e Fragrâncias, unidade brasileira do grupo americano International Flavors & Fragrances, líder mundial no fornecimento de fragrâncias para perfumaria fina, os patchoulies podem vir das folhagens colhidas na Indonésia. Botões de cassis, mimosas, narcisos e jasmins, dos campos de cultivo espalhados pela França, e os osmanthus, da China. As folhas de violeta vêm do Egito, e as rosas dos tipos centifoglia ou damascena, do Marrocos ou da Turquia. A Itália contempla o mundo com as mandarinas e os preciosos orris absolutos, as matérias-primas mais bem cotadas e com as quais se obtêm fragrâncias utilizando as raízes da bela Íris, cujo custo por quilo pode superar a 10 mil euros.

Assim, não existe dúvida, as matérias-primas mais valorizadas no mundo advêm como dádivas da natureza. Por essa razão, as casas de fragrâncias mais conceituadas, como a IFF, além de produzir matérias-primas sintéticas, dão prioridade à fabricação de seus próprios ingredientes naturais, não se importando se, para isso, será necessário percorrer grandes distâncias, pois o mais importante é extrair as mais puras essências, segundo Vanzo Júnior, selecionando os locais de plantio onde o sol, a lua, a terra, a água e a atmosfera garantirão o melhor cultivo e as melhores safras.

“Manejamos aproximadamente oitenta espécies botânicas para produzir mais de 120 tipos de óleos essenciais naturais no Laboratório Monique Remy, instalado em Grasse, no sul da França, cidade considerada o berço da perfumaria fina. A região possui clima único para o desenvolvimento de flores, com invernos amenos (entre 5ºC e 15ºC) e verões generosos (entre 25ºC e 32ºC), fundamentais para a concentração, no inverno, das substâncias aromáticas, para que se possa colher o melhor das essências na primavera”, informou.

Anualmente, a empresa publica e divulga um completo catálogo, o IFF Wins, com informações sobre as fragrâncias masculinas e femininas criadas por sua equipe de mais de cem perfumistas que conquistaram a preferência dos usuários, batendo recordes de vendas.

Em apoio às inúmeras criações, os laboratórios da IFF utilizam as mais modernas técnicas para a obtenção de óleos essenciais, como destilação por arraste de vapor, hidrodestilação ou extração de compostos aromáticos por solventes, além das técnicas para purificação, segundo Vanzo Jr., como destilação fracionada e destilação molecular. Mas ainda há outras igualmente interessantes, como as técnicas de extração por fluido supercrítico por uso de dióxido de carbono (CO2), uma das mais avançadas e que permite selecionar, para Vanzo Jr., as faixas de peso molecular para a separação entre todas as substâncias.

Nesse processo de extração, o gás carbônico é conduzido além dos seus pontos críticos de pressão e temperatura, obtendo-se um fluido que combina propriedades favoráveis dos líquidos (densidade e poder de solubilização) e dos gases (transporte e compressibilidade). Em seguida, esse fluido entra em contato com o vegetal, extraindo todos os aromáticos puros. Com a redução da pressão, o fluido volta ao estado gasoso, encerrando o processo. “A grande vantagem oferecida pelos óleos essenciais obtidos por meio dessa técnica é o fato de eles serem extremamente puros, exclusivos e reconhecidamente possuírem grande valor no mercado de perfumaria”, destacou.

Na opinião de Vanzo Jr., algumas áreas de desenvolvimento de fragrâncias estão fazendo a fama do Brasil lá fora. Esse é o caso das fragrâncias criadas para sabonetes em barra e para desodorantes.

Contando com dois laboratórios de aplicação no Brasil, um no México, dois outros na Colômbia e na Argentina, sob sua alçada, Vanzo Jr. coordena mais de dois mil desenvolvimentos de fragrâncias por mês, e possui em estoque mais de seis mil ingredientes para atender às necessidades das indústrias usuárias de fragrâncias de toda a região, dois mil dos quais acondicionados sob temperaturas controladas em câmaras frias, como medida de preservação. Nesses laboratórios, além das criações, são também realizados estudos de compatibilidade e estabilidade das fragrâncias em relação às suas bases, abrangendo desde os itens de perfumaria fina até produtos de limpeza doméstica.

Com quarenta fábricas, 39 centros de pesquisa e desenvolvimento, e marcando presença em trinta e cinco países, a IFF investe 7,5% do resultado das vendas em P&D e opera no Brasil desde 1951. Seu primeiro escritório foi instalado em 1962,em Petrópolis-RJ. Seisanos depois, mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro. Em 1979, instalou novo centro criativo de fragrâncias e escritórios de vendas em Alphaville-SP, onde permanece até hoje. Em 1996, inaugurou uma unidade industrial exclusiva para aromasem Taubaté-SP. Atualmente, a IFF se dedica também à construção de um novo centro de fragrâncias, maior e ainda mais moderno, em Alphaville.

Criações locais crescem – Perfumes europeus, americanos e nacionais costumam apresentar diferentes concentrações de essências, segundo o perfumista Jean Luc Morineau. Em média, os perfumes europeus contêm entre 18% e 24% de essências, os americanos, entre 18% e 30%, e os nacionais, entre 10% e 12%. “Isso explica em parte a diferença de fixação notada pelo brasileiro entre os produtos nacionais e os importados”.

O clima predominantemente quente, com temperaturas elevadas, induz o consumidor brasileiro a apreciar perfumes mais suaves. Por outro lado, as altas temperaturas provocam o aumento da transpiração, o que leva os consumidores a buscar perfumes de mais longa duração. “Essa contradição constitui o maior desafio para os perfumistas brasileiros”, considera o perfumista Morineau.

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