Cosméticos – Fragrâncias – Espécies vegetais da Amazônia podem abrir mercados sofisticados para a produção local

“A WNF foi a primeira empresa a produzir no País extratos isoativos distribuídos exclusivamente pela Ipiranga Química. A produção ocorre por meio de processo no qual isolamos os princípios ativos das plantas, aplicando uma base glicólica, e não utilizando a glicerina como solvente extrator, e depois submetendo as plantas à hidrodifusão. Essa técnica oferece várias vantagens às indústrias cosméticas, pois, por meio dela, consegue-se padronizar os extratos e evitar qualquer tipo de contaminação.”

Há cerca de três anos, segundo Amaral, a WNF, via distribuição da Ipiranga Química, oferece ao mercado mais de oitenta extratos isoativos para a fabricação de xampus, sabonetes e cremes. Esse fato vem propiciando às indústrias substituir os extratos glicólicos convencionais pelos isoativos, considerados bem mais estáveis e de mais fácil adição nas formulações.

Hoje, por hidrodifusão, a WNF promove a extração de óleos essenciais de lavanda, de alecrim, de menta, de lemongrass, de palmarosa e de patchouli. Mas há potencial para criar oito mil blendas de óleos essenciais e desenvolver projetos especiais, como o cheiro criado para o personagem Shrek por Amaral para a Becker Brasil.

O cultivo de lavanda em particular abrangeu cinco espécies diferentes: a Lavandula estoechas, a L. purpurea, a L. intermedia, a L. officinalis e a L. dentata, para que Amaral chegasse à conclusão de que esta última seria a que melhor se adaptaria às condições de clima e solo brasileiros.

A demanda mundial por lavanda para fins cosméticos tem dimensões gigantescas. Segundo Amaral, é a fragrância mais admirada e comercializada no mundo. Termo originado do latim, lavanda significa lavar. De cada dez perfumes produzidos, oito levam lavanda em sua composição. Concentrado no sul da França, seu plantio representa a base econômica de toda a região de Provence e Grasse.

No Brasil, a estimativa é a de que o País importe algo em torno de US$ 300 milhões só em óleos de lavanda ao ano. Seria a Lavandula angustifolia, única registrada internacionalmente pela França.

Inicialmente, segundo os cálculos de Amaral, a WNF teria condições de produzir 20 toneladas de Lavanda dentata ao ano. “O Brasil tem a maior biodiversidade inexplorada em aromas do planeta. Na França, a colheita da lavanda é feita apenas uma vez por ano, enquanto, no Brasil, estamos conseguindo até seis colheitas ao ano”, afirmou Amaral.

Na aprazível Monte Verde, ele também planta lemongrass e estima poder atender o mercado com uma produção inicial de quatro toneladas/ano a partir de 2008, já fazendo planos para ampliar o cultivo nos próximos meses, hoje totalizando 50 mil matrizes. Originária da Índia, lemongrass é um cítrico suave com toque adocicado, mas a matriz utilizada no plantio de Amaral é nativa.

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Amaral investe em lavanda de qualidade em Monte Verde

“Já temos demanda de mercado por lemongrass de, no mínimo, cinco toneladas ao mês. No Brasil, não há produtor e conseguimos alcançar um grau de qualidade destacado, e já aprovado pelas indústrias de perfumaria e cosméticos”, informou. Na fazendaem Minas Geraistambém são cultivadas dez mil matrizes de alecrim. O óleo essencial derivado do alecrim é também muito apreciado pela perfumaria, por sua ação refrescante, agindo também como potente agente circulatório em cosméticos.

Da Amazônia – Ativos naturais de castanha do Pará, andiroba, açaí, buriti, guaraná e cupuaçu estão na ordem do dia entre os mais apreciados da Amazônia e compõem as especialidades da Isan Essências, entrando na composição de inúmeras fragrâncias para relaxamento, energização e anti-stress.

A castanha-do-pará, além de proporcionar suavidade aos cabelos, é comprovadamente antioxidante, emoliente, hidratante e evita a formação de radicais livres. A andiroba possui ação antiinflamatória e anti-séptica para uso em xampus, condicionadores e cremes e as fragrâncias de açaí costumam ser utilizadas em xampus, cremes e condicionadores.

“Muitos cosméticos estão dando preferência aos ativos da Amazônia, como loções, hidratantes, cremes, xampus, condicionadores, géis e sabonetes e a nossa linha está obtendo ótima aceitação nos mais diferentes mercados internacionais, e temos clientes que já estão exportando produtos com notas olfativas de ativos da Amazônia há algum tempo”, revelou Nelson Ramos Salazar, sócio-diretor e perfumista da Isan.

Fornecedor de essências também para o setor automotivo, Salazar aponta novas preferências nesse setor: “Tradicionalmente, a linha automotiva utiliza essências com notas frutadas, porém, já observamos tendência de utilização de perfumaria fina também nesse setor”, disse. Nos fornecimentos para domissanitários, que costumam utilizar essências de lavanda, eucalipto, pinho, coco e maçã vermelha, por exemplo, Salazar observa que o cheiro e a fixação estão sendo cada vez mais preponderantes para a escolha desses produtos, com as notas olfativas remetendo à sensação de bem-estar.

E foi justamente por captar esse tipo de conceito entre os consumidores que a empresa criou a linha Bem-Estar, utilizando notas florais, cítricas, frutais, alavandadas, mentoladas e frescas.

Sem fronteiras – As fragrâncias pertencem a um mundo sem fronteiras. É o que se aprende nos primeiros contatos com a química e a arte da perfumaria, área de criação e conhecimento capaz de provocar diferentes sensações.

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