Cosméticos – Fragrâncias – Espécies vegetais da Amazônia podem abrir mercados sofisticados para a produção local

“Com raras exceções, o Brasil ainda não tem grandes extensões de terras dedicadas a grandes projetos e plantações de rosas, jasmins, narcisos, tuberosas e ainda pouco domina as tecnologias de extração de matérias-primas naturais”, afirmou Elisabeth W. Maier, perfumista da Dierberger.

De acordo com ela, o Brasil ainda estaria importando mais de 90% das essências florais extraídas da natureza. O mesmo, porém, não se pode afirmar da oferta de essências cítricas. Óleos essenciais cítricos, como os de limão, bergamota, laranja amarga e mandarina, e de outras plantas, como citronela, palmarosa, vetivert, eucalipto e cipreste, obtidos por prensagem a frio, destilação a vapor, até mesmo por autoclave, integram a oferta brasileira há mais de cinqüenta anos.

A Dierberger, em 1950, iniciou a extração de óleos essenciais obtidos de suas próprias plantações de matérias-primas aromáticasem Barra Bonita-SP, incluindo em sua produção químicos aromáticos, como matérias-primas sintéticas para a composição de fragrâncias. “Mas a própria Dierberger importa absolutos de jasmim, da Índia e do Egito, absolutos de rosas, de Marrocos e da Bulgária, narcisos, do sul da França, entre outros, para desenvolver novas fragrâncias, ao ritmo de pelo menos 400 novas por ano, para abastecer os mercados de perfumaria fina, cosméticos e de produtos de limpeza”, informou Elisabeth.

Aos poucos, porém, a oferta de óleos essenciais obtidos de ativos naturais da Amazônia tende a crescer. A Dierberger também passou a desenvolver há dois anos fragrâncias com o óleo essencial de priprioca, com características amadeiradas, e passou a ofertá-las ao mercado.

Fragrâncias com notas verdes, florais, musk e óleos essenciais cítricos criadas por Elisabeth já foram premiadas. Criações formuladas com óleos essenciais de limão, bergamota, mandarina, cedro, vertivert e sândalo, e também com absolutos de rosas e de jasmins, entre outras, carregam na bagagem o histórico de abrir caminho para que muitos fabricantes de perfumes brasileiros possam exportar.

Um dos bons exemplos desses casos é a criação de Elisabeth para a Surya Henna, tradicional fabricante de henna (colorante natural para cabelos), que ingressou no mercado de perfumaria. “Trata-se da fragrância Sensual, desenvolvida com notas cítricas, florais exóticas e amadeiradas, muito bem aceita na Europa e que acabou abrindo portas para a exportação do nosso cliente Surya Henna”, informou Elisabeth.

Entre os mais recentes desenvolvimentos, Elisabeth destaca as linhas Brazilian Fruit e Caipirinha, da Nativa e Natural, desenvolvidas especialmente para exportação. “Formulamos várias fragrâncias para a linha Brazilian Fruit, como brilhos labiais de carambola, banana e guaraná, e para a linha Caipirinha criamos o perfume, com notas de limão e acordes de rum, além de esfoliante, gloss, hidratante e sabonete utilizando óleos essenciais de limão e lima”, relatou Elisabeth. A linha de perfumes e cosméticos Caipirinha foi apresentada com destaque na última Beauty Fair, de Paris, realizada em outubro deste ano.

Produção local de lavanda – Cem mil matrizes plantadas e cultivadas pelo empresário Fernando Amaral em terreno de dez hectaresem Monte Verde, no sul de Minas Gerais, abrem perspectivas para que o mercado brasileiro possa contar com a produção local de óleos essenciais de lavanda de alta qualidade. Trata-se da primeira plantação com cultivo orgânico de que se tem notícia no País. Derivados da Lavandula dentata, uma espécie rústica e nativa de lavanda selvagem, plantada oito anos atrás. Os óleos possuem base menos volátil, agem como fragrâncias apresentando notas marcantes e cheiro incomparável e ainda possuem grande potencial analgésico, comprovado por pesquisas realizadas por Amaral em conjunto com profissionais do departamento de química da Universidade de São Paulo.

“Sei que muitos não acreditam que a lavanda possa vingar no Brasil, mas tenho a intenção de tornar o País competitivo em óleo de lavanda”, revelou Amaral. Formado em osmologia, na Suíça, onde se especializou no estudo de plantas aromáticas e na classificação de seus odores e dos efeitos psicológicos produzidos pela rica e ampla flora terrestre nos seres humanos, Amaral fundou na Suíça, em1995, aWorld’s Natural Fragrances, a WNF, empresa transferida anos depois para o Brasil.

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Flores com essências atraentes, desde a esq.: orquídea, copaíba, lírio-do-brejo e maracujá

Especializada na produção de óleos essenciais e essências extraídas de plantas aromáticas, a WNF detém processo de extração de óleos utilizando a tecnologia de hidrofusão. Descoberta no mundo em 1920, essa técnica permaneceu guardada a sete chaves e foi transmitida pessoalmente por um de seus precursores, Pierre Roulet, para Amaral, na Suíça.

“Destilamos toda a planta, na época da florescência, no final de julho e início de agosto, obtendo os óleos essenciais e os hidrolatos, sendo estes últimos muito utilizados nas formulações de cremes e loções cosméticas A nossa previsão é de ofertá-los ao mercado a partir de 2008, pois estamos no momento realizando testes e análises químicas para identificar todos os seus componentes”, informou o empresário.

Além das fragrâncias, os óleos essenciais derivados de plantas aromáticas pela tecnologia de extração da WNF também têm indicações terapêuticas. Por poder entrar no preparo de fitocosméticos, encontram boa aceitação entre grandes e conceituados laboratórios e fabricantes, como Welleda, Natura, Nazca, Viscaya, Biotherm, Decleor e Lancôme.

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