Cosméticos – Formulações exigem funcionalidade de ingredientes naturais e orgânicos

Química e Derivados, Buriti e as cascas do tronco da Preciosa geram óleos de uso cosmético, Cosméticos
Buriti (abaixo) e as cascas do tronco da Preciosa geram óleos de uso cosmético

Desenvolver cosméticos naturais mais saudáveis é o grande desafio a ser vencido atualmente pela indústria cosmética. Embora contem em alguns mercados com taxas de crescimento superiores aos dos convencionais, os cosméticos naturais e orgânicos ainda precisam transpor vários obstáculos, que vão desde a escolha de matérias-primas adequadas até encontrar consumidores receptivos a esse tipo de oferta.

A química cosmética natural não é apenas inovadora porque capta da natureza ingredientes e ativos capazes de embelezar. As empresas que abraçam esse tipo de produção precisam munir-se de muita coragem e colocar em prática novos paradigmas que, embora encontrem eco em várias partes do mundo, impõem abrir mão de procedimentos e práticas convencionais para buscar novas alternativas compensadoras, até mesmo sob o aspecto financeiro.

 

Química e Derivados, Buriti, Cosméticos
Buriti

A produção cosmética natural abre fronteiras, mas carrega o compromisso de primar pela funcionalidade e eficácia dos cosméticos que serão oferecidos ao mercado.

Da produção cosmética natural saem xampus, sem espuma, mas que higienizam profundamente, condicionadores com efeito condicionante, mas sem a característica comedogênica, emulsões e cremes que não só hidratam, mas também repõem as composições lipídicas da pele e despertam respostas imunológicas e até desodorantes com ação bacteriostática desencadeada por ativos vegetais. Esses são apenas alguns dos atributos já encontrados em cosméticos naturais destinados a parcelas mais conscientes e exigentes de consumo em várias partes do mundo.

Atentos a essas demandas, líderes globais do setor empenham-se na construção de novos conceitos e no desenvolvimento de novas tecnologias.

Um dos melhores exemplos vem da Avon, que acaba de lançar a primeira fragrância completamente natural, em fevereiro último, no mercado brasileiro. Batizada Vitality, seu próprio nome já diz o que se pode esperar de cosméticos e perfumes originados da natureza. Com ingredientes que misturam óleos essenciais de flores e extratos de pepino e melão, as notas de saída da nova fragrância são cítricas e reúnem óleos essenciais de bergamota italiana e grapefruit. Já as notas de corpo são florais e constituídas de óleos essenciais de flores como rosa absoluta, jasmim absoluto, gerânio e petitgrain, enquanto vetiver do Haiti, sândalo australiano e cedro branco marcam as notas de fundo.

Química e Derivados, Fragrância só usa ingredientes naturais na fórmula, Cosméticos
Fragrância só usa ingredientes naturais na fórmula

A criação é assinada pela Casa de Fragrâncias Robertet. Especializada em óleos essenciais e plantas, a casa francesa foi fundada pelo perfumista Christian Truc, vencedor do Oscar da Perfumaria Fifi Awards e especialista em fragrâncias naturais.

“O lançamento de Vitality vem fortalecer o segmento de bem-estar da Avon e atende às expectativas da mulher moderna, que busca cada vez mais qualidade de vida”, considerou Elisabete Rodrigues, gerente da área de Cuidados Pessoais da Avon.

Acompanhada de loção hidratante para o corpo, a fragrância natural Vitality chega ao mercado brasileiro um ano após o lançamento da linha liiv botanicals, que abrange até o momento mais oito itens para tratamento cosmético da pele à base de extratos vegetais.

Desenvolvida pelos cientistas do laboratório de Cuidados da Pele da Avon, instalado em Nova York, a linha liiv botanicals levou em conta os resultados de pesquisa mundial realizada pela Avon, a Avon Global Women´s Survey 2005, que mostrou que seis entre dez mulheres no mundo todo preferem cosméticos para a pele do rosto elaborados com ervas naturais e plantas medicinais.

Assim, a proposta da linha liiv botanicals é totalmente diferenciada de todas as demais criações realizadas pela empresa.

A tecnologia empregada para captar os ativos dos extratos das plantas e formar complexos únicos com função revitalizante e rejuvenescedora da pele é exclusiva e foi denominada Plant Essence Technology.

Do óleo de sementes de linhaça, a empresa selecionou o ácido linoleico, para acelerar o processo de formação da barreira natural, protetora da pele. Dos polifenóis do chá verde, foram selecionadas as propriedades antioxidantes para purificar, suavizar e neutralizar a ação de radicais livres. Com o extrato de Lagerstroemia, a Avon desenvolveu um cosmético único, que ajuda a promover a renovação celular. Com o extrato de erva-doce, comprovou ser possível melhorar a sustentação e a elasticidade da pele. Ao selecionar o extrato de Portulaca oleracea, conferiu aos cosméticos a capacidade de proteger o colágeno e a elastina presentes na pele.

Química e Derivados, Linha da Avon tem oito itens para tratar a pele, Cosméticos
Linha da Avon tem oito itens para tratar a pele

A linha liiv botanicals também se compõe de dois sabonetes líquidos com efeito esfoliante e outro revitalizante, gel de limpeza facial, gel facial para uso noturno, sabonete vegetal, creme facial e óleo trifásico. Além de higienizar e revitalizar a pele, os ativos promovem a comunicação entre as células e a renovação da pele. Ainda em 2009, a linha liiv botanicals deverá ser acrescida de novos itens.

Maquiagem orgânica – O pré-lançamento das maquiagens orgânicas da Surya Brasil, uma das maiores empresas brasileiras especializada na fabricação de cosméticos naturais e orgânicos, realizado em março último tanto na Biofach, na Alemanha, como na Natural Products Expo West, nos Estados Unidos, já atraiu compradores entusiastas e também serve de exemplo às demais indústrias que pretendem ingressar na produção cosmética natural.
No Brasil, o lançamento das maquiagens orgânicas, segundo Dario Chaves, responsável pelo marketing da Surya Brasil, deverá ocorrer no segundo semestre deste ano, pois, no momento, a empresa se dedica à escolha de embalagens mais apropriadas a esse tipo de produto.

Formulada com óleos vegetais de macadâmia, babaçu, cupuaçu e cacau, e com pigmentos minerais provenientes de argilas, a nova linha de maquiagens, além de se destacar por ser orgânica, conta com o diferencial de apresentar sombras para olhos em cores metalizadas, abusando de tonalidades de azul, verde, dourado e prata, ou seja, em perfeita sintonia com as tendências de cores sinalizadas nos mercados internacionais e preferidas pelas mulheres.

O desenvolvimento das maquiagens orgânicas demandou pesquisas e testes durante cerca de dois anos, representando a quarta categoria de produtos da linha de cosméticos orgânicos, denominada Amazônia Preciosa. Considerada a linha mais top da empresa, lançada em 2006, inicialmente trouxe ao mercado cosméticos para tratar cabelos e pele. Mais tarde, em 2008, foi ampliada para atender o público masculino, devendo contar em 2009 com gel antisséptico para as mãos, item com lançamento previsto para maio.

Com 80% da produção de cosméticos orgânicos destinada ao mercado externo, 50% da qual praticamente reservada para atender ao mercado norte-americano, um dos maiores apreciadores de cosméticos naturais produzidos no Brasil, a empresa vem expandindo suas fronteiras com exportações frequentes para Espanha, Portugal, Arábia Saudita, Canadá, Chile, Inglaterra, França, Grécia, Japão, Itália, México, Taiwan, Austrália, num total de mais de vinte países, tendo instalado escritórios em Nova York e na Índia.

Química e Derivados, Produtos com base em ativos orgânicos, Cosméticos
Produtos com base em ativos orgânicos

O sucesso das fórmulas da linha Amazônia Preciosa se deve à alta concentração de ativos naturais, como óleos vegetais e essenciais, extratos e manteigas, provenientes de cultivos orgânicos, mas também coloca em evidência o fato de ser um produto gerado na Amazônia, a maior referência em floresta tropical do mundo.

Ditames da produção natural – Além das constantes pesquisas em busca de fontes naturais renováveis e com produção sustentável, o desenvolvimento de cosméticos naturais também promove um repensar de princípios e condutas a ser adotadas pelas indústrias. A química Erica Barroso, responsável técnica pelo laboratório da Surya Brasil, argumentou: “Não é apenas pela ingestão de alimentos com resíduos de agrotóxicos e por respirar ar poluído que corremos riscos, pois, ao aplicar um cosmético nos cabelos ou na pele, nosso organismo também absorve facilmente todos os seus componentes químicos e, por isso, a linha de cosméticos Amazônia Preciosa foi concebida livre de óleos minerais, parabenos, ftalatos, entre outras substâncias reconhecidamente agressivas”, resumiu.

Segundo Erica, exemplos de substâncias potencialmente agressivas são encontrados em várias categorias de ingredientes. Os óleos minerais, por exemplo, largamente utilizados em vários países por proporcionar efeito hidratante, podem interferir na capacidade da pele de eliminar toxinas. Já os parabenos, utilizados como conservantes, podem desencadear reações alérgicas e erupções cutâneas, e já foram associados ao surgimento de tumores, enquanto os ftalatos, utilizados em fragrâncias sintéticas para promover maior fixação, já tiveram seu uso banido na Europa, segundo ela, porque, entre outras comprovações, estudos científicos chegaram a revelar traços de ftalatos na urina de grandes contingentes populacionais.

Outra substância potencialmente agressiva, segundo alertou Erica, é o surfactante lauril sulfato de sódio. De largo emprego na fabricação de xampus, é utilizado como agente de limpeza, formador de espuma, e também considerado altamente irritante para a pele e para o bulbo capilar.

Química e Derivados, Erica Barroso, Responsável técnica pelo laboratório da Surya Brasil, Cosméticos
Erica Barroso: produtos isentos de substâncias agressivas

No lugar de empregar lauril sulfato de sódio em formulações como de xampus, condicionadores e sabonetes em gel, a empresa optou por utilizar cocoil glutamato dissódico e cocoamidopropil betaína, ingredientes mais suaves e não-irritantes.

Conservantes clorados e formadores de formaldeído como imidazolidinil ureia e DMDM hidantoína também encontraram nos desenvolvimentos cosméticos da Surya Brasil substitutos como ácido desidroacético e álcool benzílico e, no lugar de dietanolamida de ácidos graxos de coco, utilizada em produções convencionais, apesar de poder conter componentes cancerígenos, as fórmulas cosméticas da empresa contêm tensoativos naturais orgânicos como cocoato de sacarose.

Para fabricar loções, condicionadores e máscaras, os emulsionantes da empresa são constituídos de álcool cetearílico de oliva e oleato sorbitano, enquanto outras indústrias utilizam componentes etoxilados como álcool cetoestearílico etoxilado e PEG em suas produções cosméticas.
A viabilidade de desenvolver cosméticos naturais também é factível na área de emolientes. No lugar de utilizar emolientes sintéticos para promover o espalhamento dos cosméticos, a empresa faz uso de óleos e manteigas vegetais orgânicos, que, além da emoliência, agem como antioxidantes, como nos casos dos óleos de buriti e açaí, e como hidratantes, envolvendo nesses casos os óleos de babaçu, cacau e cupuaçu.

Além de valorizar o emprego de óleos naturais nas fórmulas, a linha Amazônia Preciosa também faz uso em loções e cremes para tratamento corporal de extratos de aloe vera e de acerola, ambos orgânicos, e com alto poder hidratante, revitalizante e antioxidante.

Preciosa até no nome – A considerar pela experiência da Surya Brasil, não faltam opções técnicas para substituir ingredientes sintéticos por naturais. No lugar de ftalatos, a empresa emprega óleos essenciais, como de cumaru, que contém uma substância denominada cumarina, que confere odor agradável aos cosméticos.

Especialmente quando se trata de obter óleos essenciais, deve-se ficar atento à escolha dos métodos de extração, a fim de não comprometer suas propriedades.

Química e Derivados, O cupuaçu gera óleo muito empregado pelos produtores, Cosméticos
O cupuaçu gera óleo muito empregado pelos produtores

O óleo essencial obtido das cascas do tronco da Preciosa (Aniba canelila), árvore nativa da região amazônica que dá nome à linha de cosméticos orgânicos da Surya Brasil, é extraído por destilação a vapor e seu odor característico se deve ao nitrofeniletano, considerado o único nitro-derivado odorífero conhecido até o momento.

Óleos e manteigas vegetais participam em grande escala da produção na empresa que faz uso do buriti, babaçu, cupuaçu, ucuuba, murumuru, entre outros.

Presente na linha de tratamento capilar, especialmente voltada para cabelos tingidos e danificados, o óleo de buriti, extraído da polpa de Mauritia flexuosa, carrega em sua composição o ácido graxo oleico, ingrediente ativo que confere alta proteção aos cabelos. Já o óleo de babaçu, extraído das amêndoas da Orbignya oleifera, presente em todos os condicionadores e máscaras da linha Amazônia Preciosa, é considerado um poderoso emoliente, alternativo aos óleos minerais.

Com a manteiga de cupuaçu, extraída das sementes de Theobroma grandiflorum, a empresa também produz xampus capazes de repor a oleosidade natural dos fios. Já com a manteiga de ucuuba, extraída das sementes da Virola sebífera, ricas em óleo mirístico, a empresa desenvolveu linha capilar para tratamento de cabelos cacheados.

Ricas em ácidos oleico e linoleico, as manteigas de murumuru também são incorporadas às linhas para tratamento de cabelos oleosos.

Para cuidar da pele do rosto e do corpo, a empresa oferece desde hidratantes, máscaras e tônicos de limpeza, até óleos para massagens e argilas para controle da oleosidade.

Polímeros vegetais – “A natureza tem muito a oferecer ao campo cosmético e trabalhando em harmonia com o meio ambiente é possível usufruir de sua riqueza e criar ingredientes para compor formulações estáveis, seguindo o conceito de hipoalergenicidade e com possibilidades ilimitadas de benefícios para o bem-estar, a saúde e a beleza”, afirmou Maria Kelly Ferreira, gerente de Health and Personal Care para a América do Sul da Corn Products Brasil.

Atuando há 80 anos no Brasil, a empresa norte-americana tem como base o uso de fontes vegetais renováveis para desenvolver ingredientes para vários setores, inclusive o cosmético, empregando milho, mandioca e cana-de-açúcar, principalmente.

Química e Derivados, Maria Kelly Ferreira, gerente de Health and Personal Care para a América do Sul da Corn Products Brasil, Cosméticos
Maria Kelly Ferreira: o importante é aliar beleza com hipoalergenicidade

Do milho, da espécie botânica Zea mays L, tecnicamente considerado fonte amilácea, composta por carboidratos poliméricos, a empresa produz grande variedade de ingredientes da linha Farmal, composta por polímeros vegetais, incluindo os modificados e hidrolisados, além de corantes nas tonalidades do caramelo, fibras e óleo.

“Os polímeros vegetais são retirados da natureza sem sofrer qualquer tipo de modificação em sua estrutura química”, informou Maria Kelly.

Assim, polímeros derivados do milho e da mandioca, fornecidos em pó, irão conferir diversas funcionalidades às fórmulas cosméticas. Algumas das mais importantes são reduzir a “pegajosidade” e proporcionar toque seco e aveludado em géis e emulsões, adsorver a água, promovendo com isso o aumento da vida útil de sais de banho, atuar como veículo para talcos e maquiagens, e também cumprir o papel de agente sensorial em sabonetes em barra, contribuindo para a formação de espumas cremosas.

“É importante destacar a grande suavidade oferecida pelas partículas dos nossos ingredientes. Observamos no microscópio estruturas sem a formação de arestas pontiagudas, o que os tornam amplamente indicados para as formulações voltadas a peles delicadas como talcos para bebês”, destacou Maria Kelly.

Já a família de polímeros vegetais modificados do milho, elaborada para oferecer maior versatilidade e estabilidade às formulações, vem demonstrando ser forte candidata a substituir carbômeros e acrilatos também formadores de géis, mas que demandam em muitos casos hidratação e maiores esforços de homogeneização. Tendo por base tantos processos enzimáticos, como químicos e/ou físicos, essa família abrange duas categorias de ingredientes.

A primeira, composta por polímeros formadores de gel, segundo Maria Kelly, atua como agente de viscosidade, mas, além de modificar o sensorial, permite criar texturas mais leves, menos oleosas, para formulações faciais, corporais e capilares tanto de uso adulto como infantil.

“Nesse grupo, desenvolvemos os polímeros Farmal GMS 2142 e o Farmal GMS 2143, utilizando uma nova tecnologia, denominada Cold Water Swelling (CWS), que permite rápidas incorporações de água e formação de géis a frio, sob leve agitação.” Assim, as indústrias cosméticas podem fazer uso desses ingredientes com maior facilidade e reduzir o consumo de energia.

O ingrediente Farmal GMS 2142 é um polímero doador de viscosidade para ser aplicado em formulações capilares, especialmente. “Com esse ingrediente é possível substituir total ou parcialmente as ceras como o álcool cetoestearílico e conferir textura mais leve e brilho às emulsões, constituindo, portanto, ingrediente ideal para elaborar condicionadores e máscaras capilares com toque e brilho diferenciados, além de géis e cremes para pés e mãos que proporcionam a sensação de filme protetor”, acrescentou Maria Kelly.

Já o ingrediente Farmal GMS 2143 foi concebido para formulações cuja característica é propiciar a percepção da formação de filme suave e com rápida absorção pela pele e cabelos. De fácil aplicação em cremes, loções de tratamento facial, filtros solares, condicionadores e ampolas para tratamento capilar, pode também ser adicionado em formulações com base tensoativa como xampus e sabonetes líquidos, para se obter espumas cremosas e ajustar viscosidades.

Os dois ingredientes são polímeros derivados do milho ceroso. Dos mais utilizados nas formulações cosméticas, esse tipo de milho é obtido por meio do processo de cruzamento seletivo do milho regular, sendo cultivado no Brasil desde a década de 70.

A segunda categoria de ingredientes, formada por polímeros modificados do milho (regular) para aplicação na forma de pó em emulsões e géis, tem o objetivo de conferir sensorial diferenciado às formulações.

Química e Derivados, Polímeros naturais em pó, Cosméticos
Polímeros naturais em pó: funções de toque e "pegajosidade"

Além de emulsões e cremes, os polímeros vegetais da Corn Products também podem ser empregados no processamento de maquiagens para melhorar o escoamento das formulações nos equipamentos.

Nesse caso, pós ultrafinos, derivados do milho regular, têm característica free-flowing. Pertencentes à família de polímeros Farmal MS 5110, esses polímeros também atuam como modificadores de sensorial. Esse atributo é de grande utilidade principalmente para que os formuladores possam desenvolver emulsões faciais e corporais e filtros solares mais agradáveis ao contato com a pele.

Podendo ser desde derivados do milho, como da cana-de-açúcar, os polímeros vegetais hidrolisados fabricados pela empresa – açúcares produzidos por conversão ácida e/ou enzimática e polióis modificados e submetidos à hidrogenação – conferem propriedades de umectação para hidratantes destinados à pele e aos cabelos, além de dulçor para produtos de higiene oral e plasticidade para sabonetes em barra.

Se for necessário dar cor, uma boa opção natural oferecida pela empresa está na linha de corantes. Em várias tonalidades caramelos, abrangem desde amarelos claros, passando pelo âmbar, até chegar aos marrons mais escuros. As características tanto aniônica como catiônica desses corantes fazem com que possam ser aplicados em sabonetes líquidos, xampus, emulsões e géis para pele e cabelos, incluindo como um dos seus grandes usos os antissépticos bucais.

Os óleos de milho direcionados às aplicações cosméticas também oferecem vantagens relacionadas com sua própria composição natural. Ricos em ácidos oleicos (omega 9), que ajudam a manter a barreira natural da pele, evitam perdas de água e auxiliam na hidratação. Concentrados também em ácidos linoleicos (omega 6), atuam como poderosos agentes antienvelhecimento, e seus ácidos palmíticos promovem maciez, protegendo a pele contra irritações. De acordo com Maria Kelly, todas essas propriedades fazem dos óleos vegetais uma excelente opção para a fabricação de emulsões.

Antibactérias naturais – Outra novidade recém-chegada ao mercado brasileiro está na área de agentes bacteriostáticos naturais. Trata-se de éster de poliglicerol do ácido caprílico, obtido por processo de esterificação de polpas de coco (Cocos nucifera) e também do rapé, com eficácia bacteriostática comprovada para emprego em formulações de desodorantes, hidratantes e deo-colônias.

Denominada comercialmente por Tego Cosmo P 813, essa substância ativa demonstrou em testes in vitro e in vivo superioridade de ação quando comparada com os demais ativos existentes no mercado, apresentando a particularidade de atuar sob demanda e produzir efeito prolongado por até 24 horas, segundo informou Francisco de Souza, da Cosmotec, representante no Brasil de ativos para uso cosmético desenvolvidos pela Evonik (ex-Degussa).

Graças ao seu modo de ação, esse ativo natural é especialmente recomendado para incorporação em cosméticos inteligentes, cuja ação é desencadeada por demanda.

“À medida que a bactéria causadora do mau odor (gênero Corynebacterium) e as demais bactérias presentes na pele (saprófitas) liberam as lípases para degradação das proteínas e resíduos de sudorese presentes na pele para seu metabolismo, essas lípases são capazes de degradar o ativo (éster) em ácido livre, com alta ação desodorante, impedindo o metabolismo e a ação das bactérias na produção do mau odor, ou seja, a ação desodorante do ativo se faz presente quando necessária e, enquanto isso, o éster contribui com maciez e emoliência para a pele”, explicou Souza.

A Evonik também desenvolveu novo emulsionante (A/O) de origem vegetal (açúcar), PEG-free, com indicações para peles sensíveis e que necessitam de hidratação mais intensa, e também para emprego em fotoprotetores e maquiagens, produtos nos quais promove aumento da hidrorresistência das formulações, contribuindo para a sua maior durabilidade. Tanto o agente bacteristático como o emulsionante contam com certificação de origem natural conferida pela Ecocert.

Para fazer face à demanda crescente de especialidades naturais e orgânicas, outros ingredientes já disponíveis ao mercado brasileiro são as ceras orgânicas de abelha. Produzidas pela Kahl, essas ceras propiciam não só espessamento e maior estabilidade às emulsões, como também ajudam a compor maquiagens, como batons e máscaras para cílios.

Outro ativo orgânico já disponível no mercado brasileiro por intermédio da Cosmotec vem da Silab. Trata-se de Osilift Bio, ativo que promove a ação das polioses da aveia, formando filme uniforme e elástico sobre a pele, podendo preencher microfissuras e rugas existentes no relevo da cútis.

Extrato rejuvenesce – A biodiversidade da mata atlântica brasileira ou do seu remanescente depois de séculos de desmatamento também está na mira das pesquisas de novos ingredientes que darão base aos próximos lançamentos a ser realizados pela Chemyunion. Trata-se de dois extratos vegetais obtidos do picão e do camapu. No primeiro caso, o extrato revelou característica antioxidante comprovada para uso em cosméticos antienvelhecimento, sendo capaz de promover a longevidade celular e proteger o DNA. No segundo, o extrato comprovou oferecer luminosidade à pele e proporcionar efeito calmante baseado na ação de neuromediadores.
“Estamos desenvolvendo e prestes a lançar esses dois extratos vegetais baseados em plantas brasileiras provenientes da mata atlântica, obtidas de plantações próprias e renováveis. O plantio foi feito em áreas que contam com certificação orgânica pela Ecocert Brasil e a sustentabilidade decorre do manejo correto, sendo as matérias-primas obtidas por extração em sistema de glicerina vegetal e água”, explicou a farmacêutica Rejane Werka, do departamento de novos negócios da Chemyunion.

Além dos lançamentos, a empresa dispõe de outro item com certificação orgânica. Trata-se do óleo de café (Melscreen Coffee Org) extraído de grãos verdes da espécie “Coffea arábica”, por prensagem a frio.

“Melscreen coffee org pode ser aplicado em formulações dermocosméticas para tratamento do envelhecimento da pele, em cremes e loções hidratantes e em produtos para uso infantil, para lubrificar a pele e regenerar a barreira hidrolipídica constantemente sujeita a agressões, protegendo ainda a pele contra as radiações UV, principalmente contra os raios UVB, com comprovação clínica, e estimulando a síntese das fibras dérmicas e a atividade das aquaporinas”, explicou Rejane.

Brotos vegetais – A energia vital de brotos vegetais também já está a serviço da cosmetologia. Uma aliança firmada entre a ISP e a Jan Dekker Internacional está propiciando a oferta de extratos de brotos vegetais para a composição de cosméticos naturais como cremes e loções. Trata-se da nova linha de ingredientes denominada “Les Concentrés De Vie”, produzida na França com selo Ecocert, e que tem por base os fundamentos da gemoterapia, ciência conhecida na Europa há alguns séculos, que identifica brotos de diferentes plantas para tratamentos e que agora também está sendo direcionada ao embelezamento.

“Os brotos formam a parte embrionária das plantas e apresentam uma divisão celular intensa, concentrando naturalmente altas taxas de ácidos nucleicos”, explica Nelson Perassinoto, gerente técnico de Personal Care da ISP do Brasil.

Ao todo, são cinco categorias de ativos que já se encontram disponíveis. Com brotos de Fícus carica, da família Moraceae, ricos em flavonóides como o ácido clorogênico, foi desenvolvido GemmoSlim, cujo efeito lipolítico é capaz de remodelar a silhueta. Com brotos de Sorbus domestica, da família Rosaceae, ricos em flavonóides como rutina, quercetina e isoquercetina, chegou-se ao GemmoDrain, ativo capaz de ativar a microcirculação. O terceiro ativo representa uma combinação dos dois primeiros e está voltado ao tratamento da celulite. O quarto ativo, denominado GemmoRegule, é formado por extratos de brotos de Viburnum lantana, ricos em flavonóides com propriedades antiinflamatórias, e está voltado para o tratamento de peles sensíveis e reativas. O quinto e último ativo é o GemmoCalm e foi elaborado com base nos brotos de Ribes nigrum, ricos em catequinas e proantocianidinas e também em prodelfinidinas, que já comprovaram ter efetivas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, respectivamente.

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Cresce o interesse por certificação orgânica

São ainda bem poucos os fabricantes de cosméticos e de ingredientes para cosméticos certificados no Brasil pela Ecocert, a maior empresa certificadora de produtos orgânicos e naturais do mundo, atuante em mais de 80 países, e criada na França em 1991, quando do advento do primeiro regulamento orgânico oficial da comunidade europeia (CEE 2092/91).

Dos cerca de mil fabricantes certificados nesses setores no mundo todo, aproximadamente 700 contam com o selo da certificadora francesa e é justamente a França o país que detém 57% do total de projetos certificados, enquanto outros países europeus respondem por 23% das certificações, cabendo aos demais países a cota de participação de 20% no total das certificações já emitidas. Entre as empresas internacionais certificadas, destacam-se L’Oréal, L’Occitane, Yves Rocher, Henkel, Avent, Clarins, Aveda, Origins, Yves Saint Laurent, somadas às brasileiras como Surya Brasil, Florestas e Beraca.

Apesar do número ainda pequeno de empresas brasileiras certificadas no setor, o interesse, na opinião do diretor da Ecocert Brasil, João Augusto de Oliveira, é crescente e vem se acentuando bastante nos últimos anos.

“No Brasil, temos uma lista de cerca de 30 fabricantes do setor interessados, em processo de negociação. As empresas estão rapidamente buscando se adequar aos novos paradigmas de produção respeitosa do meio ambiente, dos animais e das pessoas e os consumidores desejam cada vez mais produtos obtidos por meios que não agridam o meio ambiente e que não contenham em suas formulações ingredientes e aditivos potencialmente perigosos à saúde humana.”

Segundo o diretor, contudo, as maiores dificuldades para o crescimento mais acelerado das certificações se relacionam com a existência de poucos fornecedores de matérias-primas e ingredientes que atendam aos referenciais da certificação.

“Ao buscar a certificação de seus produtos, as empresas frequentemente precisam encontrar novos fornecedores ou negociar com fornecedores antigos a produção de matérias-primas em conformidade com os referenciais. Se a empresa produz cosméticos convencionais e paralelamente também pretende produzir cosméticos orgânicos precisará estabelecer medidas de separação adequadas dos fluxos, para evitar misturas e contaminações, além de precisar contar com um sistema de rastreabilidade tanto das matérias-primas quanto do processamento e da comercialização.”

Na opinião do diretor João Augusto, o Brasil tem grande potencial como fornecedor de cosméticos, tanto para o mercado doméstico, como para os mercados internacionais e isso se deve à existência de bons fabricantes, quadros técnicos capacitados e à sua “formidável” biodiversidade.

De acordo com o referencial Ecocert, os cosméticos naturais e orgânicos devem contar, no mínimo, respectivamente, com 95% de ingredientes naturais ou de origem vegetal e com 95% dos ingredientes vegetais certificados como orgânicos. Para ser considerada natural e orgânica, uma loção deve ter em sua composição, segundo o referencial Ecocert, 93% de água floral orgânica, 4% de álcool de origem natural, 1% de conservante proveniente de sínteses permitidas e 2% de ativo vegetal orgânico. Da mesma forma, para ser considerado natural e orgânico, um xampu deve ter em sua composição 12% de tensoativo (100% éter, 40% de açúcar vegetal e 60% de álcool gorduroso de origem natural), 13% de tensoativo anfótero (65% de ácido gorduroso de origem natural e 15% de acetato (síntese química) e 20% de amina (síntese química), 6% de hidrolisado de proteínas vegetais (40% de proteínas vegetais orgânicas e 59,8% de água potável e 0,2% de conservante), 53,7% de água potável, 15% de água floral orgânica e 0,3% de conservante (algumas sínteses permitidas pelo referencial Ecocert).

Fundada em 2001, a Ecocert Brasil conta com sede em Santa Rosa de Lima-SC, filial em Florianópolis-SC e escritório em São Paulo.

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