Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos – Encontro técnico aponta vegetalização do setor

Rose de Moraes
15 de outubro de 2011
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    Outros fatores, como as megatendências que irão influenciar o consumo mundial nas próximas décadas, também foram abordados pelos especialistas da Oxiteno durante o workshop. Um deles parte de estudos demográficos, indicando que, em 2030, 87% dos norte-americanos estarão vivendo em cidades. Entre os latino-americanos e caribenhos, esse percentual também é muito grande, de 84%, e entre os europeus é de 78%. Menores proporções de ocupação do espaço urbano só aparecem na Ásia (54%) e na África (51%). Tais níveis de concentração nas cidades representam projeções constantes do relatório “Visão 2050”, da WBCSO, divulgado durante o workshop por Leandro R. S. Rodrigues, gerente de marketing de surfactantes e oleoquímicos da Oxiteno.

    Segundo essas projeções, em 2030, a classe média abrangerá 1,2 bilhão de pessoas e, em 2040, cerca de 2 bilhões de pessoas estarão inseridas entre os novos consumidores. Outras megatendências consideradas indicam que as mulheres concentrarão maior poder econômico e que as parcelas populacionais em idade mais avançada irão aumentar. A diversidade de opções em marcas de produtos e os diferentes canais de compra também levam ao entendimento de que o fator “preço” será “menos relevante” sobre as decisões de compra e de consumo. O maior apelo ambiental leva em conta as emissões de gases de efeito estufa.

    Tensoativos protetores da cor – O Brasil não é somente imbatível no consumo de xampus, condicionadores e cremes para tratamento dos cabelos. O poder de consumo, especialmente das brasileiras, de produtos para coloração (tinturas e tonalizantes) apresenta níveis superiores aos dos países desenvolvidos. Ou seja, enquanto no Brasil os produtos para coloração movimentam um mercado de US$ 2,1 bilhões, nos Estados Unidos, esse montante é de US$ 1,6 bilhão. O consumo acelerado em busca de produtos para mudar a cor dos cabelos não para por aí. Em 2010, os gastos per capita com esses produtos no Brasil foram de US$ 10,7, mais que o dobro dos norte-americanos (US$ 5,3).

    Os dados, levantados pelo instituto Euromonitor e divulgados pelo engenheiro químico Adão de Mattos Coelho, do Centro de Pesquisas, Aplicações e Desenvolvimentos da Oxiteno, não só revelam o peso financeiro dos negócios nesse segmento, mas também evidenciam como é importante pesquisar e investir em novas tecnologias.

    Esses objetivos motivaram o estudo realizado pela Oxiteno de avaliação dos efeitos dos tensoativos aniônicos sulfatados na proteção da cor dos cabelos, para apresentar alternativas para fórmulas de xampus para cabelos tingidos.

    Segundo Coelho, uma formulação típica e convencional de xampu prevê, basicamente, o uso de um tensoativo primário (gerador de espuma e detergência), um cotensoativo (promotor de melhorias nas espumas e no condicionamento, e redutor de irritabilidade) e de espessantes, que oferecem a viscosidade adequada para a manipulação do produto.

    Contudo, levando-se em consideração certos atributos, como evitar o efeito “palha” e a necessidade de preservar a cor e o brilho dos cabelos, o estudo comprovou ser possível, com misturas, promover um balanço adequado de propriedades selecionando ingredientes promotores de hidratação, nutrição, suavidade e desempenho.

    “Nossos estudos nos levaram a duas opções em tensoativos aniônicos. Uma delas apontou o lactilato, que se revelou capaz de agregar maior cremosidade às espumas, melhorar o fator natural de hidratação e ainda contribuir para reparar danos aos cabelos. A outra opção considerou uma mistura de lauril éter sulfato de sódio com sulfossuccinato, que apresentou melhor resultado em termos de preservação da cor dos cabelos após quinze sucessivas lavagens e, com isso, comprovamos que, por meio de um balanço de tensoativos adequados, podemos melhor proteger a cor dos cabelos e também deixá-los mais bem hidratados”, informou Coelho.

    Solventes HAP substituídos – O maior mercado mundial na área de esmaltes para unhas também está no Brasil. Em 2010, US$ 660 milhões foram gerados com a comercialização de 400 milhões de unidades e o setor respondeu por um número recorde de lançamentos, abrangendo mais de 180 produtos. Os números em 2011 devem superar os do ano passado, pois, somente de janeiro a julho deste ano, foram lançados 370 produtos.

    De acordo com Rosangela Apa­recida Luiz, pesquisadora da Oxiteno, os esmaltes apresentam a mesma importância dos acessórios de moda. Contudo, além de observarem uma série de características importantes, como dureza das películas, aderência às unhas, resistência à água e à abrasão, brilho, boa viscosidade, boa secagem, diversidade de cores etc, os fabricantes de esmaltes também devem ficar atentos às novas tendências em formulações, prevendo isentá-las da presença de tolueno, dibutilftalato, formaldeído, benzeno, parabenos e cobalto, entre outras substâncias enquadradas na categoria HAP (Hazardous Air Pollutants) pela EPA, agência de proteção ambiental dos Estados Unidos.

    Segundo a pesquisadora, uma formulação típica de esmalte prevê composições entre solventes, resinas, plastificantes, além de espessantes, pigmentos e corantes, mas já é possível empregar tecnologias mais limpas e sustentáveis em sistemas solventes para esmaltes, optando pelo uso de dois itens alternativos ao tolueno, como o acetato de sec-butila e o acetato de isopentila, e também substituir plastificantes ftálicos por tributilcitratos, resultando em formulações HAP-free e mais competitivas ambiental e economicamente.



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