Cosméticos – Encontro revela vocação nacional para a fitocosmética

Padina pavonica – Aqueles que tiveram a chance de participar dessa edição da rodada tecnológica foram contemplados com a presença do doutor Gilles Gutierrez. Farmacêutico, CEO do laboratório Texinfine, de Lyon (França), e fundador do Instituto de Farmacologia Celular (ICP), ele veio ao Brasil a convite da Pic Química, representante de suas matérias-primas no mercado brasileiro.

Após anos de pesquisas, o cientista descobriu que a filogenética pode contribuir para a homeostase dos seres humanos, partindo da investigação das vias metabólicas de uma alga comestível denominada Padina Pavonica, cujo extrato é capaz de reativar as vias metabólicas dos seres humanos. No estudo “Transcompatibilidade filogenética para tratar o envelhecimento humano”, o doutor Gutierrez afirma que, por milhares de anos, os seres humanos têm utilizado com diferentes graus de sucesso as plantas para embelezar a pele e tratar doenças, mas os estudos científicos sobre os princípios ativos nunca se preocuparam em verificar qual seria o mecanismo pelo qual uma molécula extraída de uma planta atua nas células humanas ou nas vias metabólicas específicas do reino animal.

Segundo Gutierrez, houve época em que as formulações cosméticas eram na maior parte dos casos concebidas como meios nutritivos nos quais estavam presentes as vitaminas, os minerais, os antioxidantes etc. Assim, os produtos cosméticos foram evoluindo, afirmando efeitos fisiológicos de renovação das células por meio de ácidos de frutas, ou da inibição das atividades dos tecidos musculares por meio da toxina botulínica. Ao tomar ciência de que cada etapa do envelhecimento corresponde à falência de uma via metabólica, o doutor Gutierrez comprovou ser possível restaurar por meio de reguladores biomiméticos do reino vegetal as vias metabólicas dos seres humanos.

Originária do Mar Mediterrâneo da região de Malta, a alga comestível Padina pavonica tornou-se, assim, alvo de estudo de Gutierrez. Com habitat natural a 60 metros de profundidade, essa alga apresenta entre as suas características metabólicas a sua capacidade de formar um citoesqueleto ao emergir para as camadas da superfície do oceano. Isso significa que esse vegetal tem a propriedade de produzir as GAG (glicosaminoglicanas), principalmente colágeno e elastina, na presença de luz, mecanismo que também pode ser ativado na pele humana, constituída essencialmente de GAG.

“A afinidade das moléculas de origem vegetal para os receptores das células animais nos leva a uma cosmetologia baseada na observação de mecanismos desenvolvidos por organismos que estão vivos na terra há milhares de anos e muitas vezes preservados até os dias atuais. A separação entre o reino vegetal e o reino animal é uma distinção que podemos aplicar para a melhor compreensão da diversidade de espécies. Essa distinção, no entanto, está fortemente ligada às células, mas é praticamente ausente no âmbito molecular. O envelhecimento é visto frequentemente como a degeneração dos tecidos e o desgaste na qualidade das respostas fisiológicas, mas podemos estabelecer ações corretivas, reduzindo os sintomas resultantes das disfunções ou reviver os caminhos da nossa herança biológica fazendo uso de uma linguagem molecular ainda utilizada pelas plantas guardiãs do patrimônio da nossa infância filogenética”, afirmou Gutierrez.

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Gutierrez: alga mediterrânea produz colágeno e elastina na pele

Premiado em sua abordagem na luta contra o envelhecimento, o que inclui a medalha Pasteur pelo desenvolvimento de pesquisas com plantas marinhas e terrestres, membro da sociedade de desenvolvimento de matérias-primas cosméticas em parceria com o governo da China e palestrante de medicina estética na Universidade de Paris, Gutierrez descobriu a molécula da Padina pavonica e a batizou de maltanedienol.

Rico em minerais e em maltanedienol, o extrato de Padina pavonica estimula a proliferação e a atividade dos fibroblastos na produção da matriz extracelular, proporcionando o aumento na produção das glicosaminoglicanas (GAG) na derme, compostas pelo ácido hialurônico, condroltina sulfato, heparan sulfato e queratan sulfato, e também nas cartilagens.

De acordo com o doutor Gutierrez, o extrato de Padina pavonica aumenta a síntese de colágeno do tipo I e das glicosaminoglicanas, mesmo na presença de citocinas pró-inflamatórias, como a interleucina do tipo 1, responsáveis pelo envelhecimento acelerado dos tecidos de sustentação da pele.

“O extrato da Padina pavonica comprovou melhorar o metabolismo calciotrópico primitivo, provavelmente mais antigo do que os canais de cálcio, e o desenvolvimento de reações inflamatórias envolvendo a interleucina-1. Os resultados obtidos com culturas de células humanas mostraram que as moléculas extraídas dessa alga podem amplificar a síntese da matriz do tecido conjuntivo da derme e desenvolver uma atividade em vias metabólicas calciotrópicas fundamentais. A vida é a resposta ao amadurecimento para preservar a homeostase e foi sendo construída pela adaptação armazenada em nosso genoma. Existem mecanismos que podem reativar essas formas ancestrais cujos traços mantivemos em nosso genoma. Assim, aprendemos com as observações, descobrindo não apenas novas substâncias farmacológicas, mas também novas vias metabólicas”, concluiu.

 

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