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Cosméticos: Cuidados com beleza masculina avançam na América Latina e engordam as vendas setoriais – Perspectivas 2018

Hamilton Almeida
23 de fevereiro de 2018
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    Ponto fora da curva – Em 2015, o giro da roda mudou. As estatísticas da associação indicaram uma queda real no ex factory de 9% em 2015. Foi a primeira vez, em 23 anos, que a indústria brasileira de HPPC retraiu e não despontou como líder em categorias importantes para a manutenção da saúde e bem-estar, cenário que não se modificou em 2016, quando registrou nova queda, então de 6%.

    Nesses dois amargos anos, devido à elevação da carga tributária, tanto no IPI como no ICMS, em 22 Estados e o Distrito Federal, aliado à crise econômica, com desemprego e menor dispêndio, o bloco apresentou perdas muito próximas às da indústria em geral (-8,3% e -6,6%, respectivamente). No caso do desdobramento do IPI da indústria para a distribuidora, a Abihpec já detém algumas sentenças e liminares favoráveis.

    Não faltaram alertas por parte dos industriais: “O risco de medidas consecutivas e indiscriminadas (IPI e ICMS), a pretexto de adição de recursos aos cofres públicos, vem derrubando as vendas e, por consequência, reduzindo as curvas de arrecadação, num efeito contrário ao pretendido pelos governantes”. Basílio sempre protestou: “Deveríamos ter uma carga tributária mais lógica. Produtos antipoluição e para pele e cabelo são itens essenciais”.

    Em 2016, após os preços terem apresentado índice inferior à inflação e ao IPCA (índice de preços ao consumidor), o indicador de preços de HPPC ficou superior ao geral, principalmente devido à dilatação da carga tributária.

    Naquele ano, o déficit da balança comercial foi menor do que em 2015, pela valorização da moeda brasileira. A exportação sofreu redução de 13,7% e a importação, -27,3%, esta pela compressão na despesa de importados, dada à diminuição do poder aquisitivo e pela menor importação de desodorantes da Argentina (-US$ 87 milhões).

    A Argentina vem liderando as compras brasileiras de HPPC (US$ 147 milhões FOB em 2016), seguida do Chile (US$ 65 milhões), da Colômbia (US$ 64 milhões), do México (US$ 63 milhões) e do Paraguai (US$ 50 milhões). O país exportou US$ 619 milhões em 2016.

    Pelo lado das importações, a liderança também é da Argentina: US$ 147 milhões, em 2016. Depois, aparecem os Estados Unidos (US$ 104 milhões), a França (US$ 76 milhões), a China (US$ 75 milhões) e o México (US$ 48 milhões). Essas compras somaram US$ 666 milhões em 2016.

    Na América Latina, o Brasil é responsável por cerca de 60% da produção de HPPC. É seguido pelo México (14,1%), Argentina (8,3%), Colômbia (5,2%) e Chile (4,8%). A participação do continente no planeta é de 13,4%. Com o comportamento do ano considerado “ponto fora da curva”, em 2015, a representatividade do Brasil no globo caiu de 7,1% para 6,6%, em 2016. Em nível latino-americano, a contração foi de 50,2% para 49,1%.

    Perfil – Com mais de 420 empresas associadas, configurando 94% do ramo, a Abihpec encomendou, no ano passado, estudo de percepção à FSB Pesquisa, que concluiu que os produtos de HPPC são “essenciais e indispensáveis para os cuidados básicos com a saúde, bem-estar e qualidade de vida” para 95% dos entrevistados.

    O país abrigava, em 2017, 2.650 indústrias, a grande maioria (1.614) sediada no Sudeste. As 20 de grande porte, com arrecadação líquida de impostos acima de R$ 200 milhões/ano, refletiam 75% do rendimento total.

    HPPC é o 2º segmento industrial que mais investe em inovação (R$ 1,7 bilhão em 2015, em pesquisa e desenvolvimento) e o que mais investe em publicidade (R$ 9,3 bilhões, em igual espaço de tempo) – ficando atrás somente do comércio varejista e serviços ao consumidor, conforme dados do Ibope. Em 2017, os investimentos realizados somaram mais de US$ 800 milhões, de acordo com dados da Abihpec.

    O mercado de serviços de beleza, considerando cabeleireiros, manicures, pedicuros e outras atividades estéticas cresceu acentuadamente desde 2009, quando havia por volta de 27,4 mil empresas, até 2014, com quase 700 mil estabelecimentos.

    Agenda – No final de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na reunião pública da Diretoria Colegiada, a Agenda Regulatória 2017/2020. A AR é um instrumento de gestão que seleciona quais temas são prioritários e merecem ser pauta de regulamentação em um determinado período, “promovendo a transparência e a previsibilidade tanto para os setores envolvidos quanto para os cidadãos”. Em cosméticos dez temas fazem parte da Agenda:

    1. Regularização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    2. Regularização de ingredientes empregados em alisamento capilar;

    3. Cosmetovigilância;

    4. Rotulagem de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    5. Requisitos técnicos gerais para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    6. Regularização de protetores solares;

    7. Regularização de substâncias em produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    8. Parâmetros para controle microbiológico de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes;

    9. Regularização de repelentes de insetos;

    10.Regularização de produtos de higiene pessoal descartáveis destinados ao asseio corporal.



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