Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos – Combinações adequadas dos tensoativos deixam a pele e os cabelos mais limpos e saudáveis

Marcelo Fairbanks
15 de novembro de 2009
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    A Ajinomoto também produz o tensoativo catiônico CAE, derivado de arginina com ácidos graxos de óleo de coco, etanol e PCA (fator de hidratação natural da pele). “É um produto caro, nem divulgamos muito no Brasil”, afirmou Luciene. Ele atua mais como preservante em produtos finais classificados como orgânicos.

    Catiônicos – Os tensoativos catiônicos são usados na composição de condicionadores capilares. Por terem grande quantidade de cargas positivas espalhadas ao longo de suas moléculas, eles se ligam às cargas negativas dos cabelos, protegendo-os e, ainda, tornando-os mais macios, desembaraçados e fáceis de pentear. Isso porque os fios de cabelos ficam “isolados” pela camada de catiônicos.

    Esse segmento de mercado é dominado pelo grupo dos sais quaternários de amônio. A facilidade para a obtenção de moléculas diferentes nesse grupo permite oferecer os diversos tipos de tratamentos e efeitos desejados pelo consumidor final. “Cada catiônico tem uma função distinta para proporcionar maciez, redução de frizz (eriçamento), redução de volume, brilho, facilidade de pentear, entre outros”, comentou Ana Paula Ceolin, química de pesquisa e desenvolvimento da área de personal care da Clariant S.A. Ela ressaltou que a necessidade de tratamentos capilares se intensifica porque as mulheres danificam os cabelos o tempo todo ao fazer alisamento com chapinhas quentes, descolorações e tinturas frequentes. Além disso, os consumidores recebem grande volume de informações e exigem resultados melhores.

    “O tratamento capilar é alcançado pela combinação sinérgica de moléculas, produzindo resultados mais suaves e de condicionamento mais profundo”, explicou a especialista. Isso é possível pelas variações qualitativas e das quantidades relativas dos tensoativos nas formulações, além da incorporação de outros ingredientes, como os silicones.

    Considerando a linha de catiônicos Genamin, ela apontou que o tipo KDMP (cloreto de alquiltrimetil amônio) funciona muito bem na reparação de danos dos cabelos, enquanto o DSAC (cloreto de diestearil amônio) proporciona elevada maciez, sendo derivado de estearina animal. O CTAC (cloreto de cetiltrimetil amônio), por sua vez, atua bem em vários tipos de condicionadores. Esses três itens são produzidos em Suzano-SP.

    “Somos os principais fornecedores desses produtos no mercado, temos laboratórios para desenvolver formulações e prestar assistência técnica aos clientes”, disse Guilherme Macedo, gerente de personal care para a América Latina da Clariant. A companhia vende os tensoativos isoladamente para os formuladores, geralmente de grande porte com os quais mantém acordos de suprimento global. Os clientes médios e pequenos são atendidos por meio de distribuidores especializados.

    Além dos catiônicos, a Clariant conta com extensa linha de tensoativos aniônicos e cosurfactantes anfóteros, com destaque para a cocoamidopropil betaína, produtos de fácil incorporação e alto desempenho, com preço convidativo. Segundo Macedo, na região, a Clariant fabrica tensoativos no Brasil, na Argentina, Chile, México e Venezuela.

    Química e Derivados, Ana Paula, Química de pesquisa e desenvolvimento da área de personal care da Clariant. Macedo, Gerente de personal care para a América Latina da Clariant. Belechuk, químico de pesquisa e desenvolvimento da área de personal care da Clariant. Tensoativos

    Ana Paula Ceolin,Guilherme Macedo e Marcelo Belechuk (dir.): Inovação é maior nos catiônicos

    “Os quaternários entram nos condicionadores, nas máscaras capilares e cremes de pentear, mas também há proteínas hidrolisadas de trigo, seda etc, que atuam muito bem como antiestáticos”, comentou Joãosinho Di Domenico. A Polytechno comercializa cloretos de cetiltrimetil amônio, estearil dimetil benzil amônio, além de polímeros catiônicos multifuncionais. A linha também conta com cloreto de benzalcônio com efeito biocida, requisitado para desodorantes. “Para esse uso, o produto precisa seguir a Farmacopeia Americana [USP], ou seja, ter o mínimo de 40% de moléculas C12 e mínimo de 20% de C14, com a soma de C12 e C14 maior ou igual a 60%”, explicou.

    Edna Fernandes comentou que os catiônicos apresentam resultados importantes, especialmente quando bem combinados com os tensoativos presentes nos xampus. Porém, seu uso apresenta efeito acumulativo que gera resultados indesejados. “Quando o mesmo produto é usado continuamente, os cabelos ficam sobrecarregados de catiônicos e se apresentam pesados, com aspecto ‘lambido’”, explicou. Ela recomenda aos consumidores variar de produtos com alguma frequência, ou usar um xampu antirresíduos, de alta detergência, para recuperar a aparência desejada.

    Sabonetes melhorados – A moderna tecnologia de tensoativos permite produzir sabonetes mais compatíveis com a pele humana, sem prejuízo do poder de limpeza. Di Domenico explica que um sabonete comum tira 18% da água e 33% da gordura superficial da pele, cuja reposição demora entre quatro e seis horas. Nesse intervalo, a pele fica ressecada, perde elasticidade e reduz a atividade biológica. A Polytechno desenvolveu o Polysoap, aditivo adicionado na massa do sabão com a função de proteger a pele, manter equilibrado o manto lipídico e melhorar a produção de espuma, a qual adquire um aspecto cremoso. “Com o aditivo, elimina-se a remoção de água e a retirada de gordura cai significativamente, mas é reposta em aproximadamente duas horas”, explicou. Ele também mencionou que o aditivo facilita a extrusão e a prensagem dos sabonetes. “A ideia veio da produção dos chocolates”, revelou Di Domenico. O produto foi recentemente aprovado por grandes clientes, após um longo processo de avaliação.

    A produção de sabonetes também incorpora tensoativos betaínicos, cocoanfodiacetatos e cocoil isetionatos (Miracare Plaisant), segundo Edna Fernandes, da Rhodia. Ela indica a aplicação de poliquaternium 7 para evitar as rachaduras que aparecem nos sabonetes. “Temos uma patente para uso do Jaguar em produtos em barra, mas a dosagem é alta, entre  0,7% e 1%, dificultando a sua aceitação”, comentou.

    A Croda recomenda a aditivação para os sabonetes premium. “Com pequenas mudanças na formulação é possível obter resultados muito superiores”, afirmou Sérgio Gonçalves. A umidade das barras pode ser mantida com a incorporação de Procetil AWS, que pode ser combinado com proteínas, na dose total inferior a 1% do peso da massa, com melhoria no produto final. Gonçalves indica a adição de óleos naturais para agregar propriedades diferenciadas e também mudar a cor do sabonete. Ele salienta que os sabonetes líquidos se comportam como xampus, com a diferença no aspecto sensorial, que precisa ser mais suave e proporcionar hidratação superior.



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