Cosméticos, Perfumaria e Higiene Pessoal

Cosméticos – Combinações adequadas dos tensoativos deixam a pele e os cabelos mais limpos e saudáveis

Marcelo Fairbanks
15 de novembro de 2009
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    Maior produtora regional de óxido de eteno e derivados, a Oxiteno também se destaca como a principal fornecedora de tensoativos e está em plena fase de ampliação e verticalização da produção. “Entre 2007 e 2009 estamos investindo US$ 550 milhões em expansão e em novas plantas, que resultarão em um acréscimo de 30% na capacidade produtiva de especialidades químicas, entre elas os tensoativos”, comentou Gerson Moacir Secomandi, gerente de mercado para cosméticos, detergentes e agroquímicos da Oxiteno. A companhia produz surfactantes aniônicos (sulfatados), nãoiônicos (etoxilados) e anfotéricos (betaínas) para diversos segmentos industriais, que contam com o apoio de dois centros de tecnologia (no Brasil e no México) e de treze laboratórios para o desenvolvimento de novas aplicações.

    Neste ano, a Oxiteno inaugurou a unidade oleoquímica, produtora de álcoois graxos pelo método de substituição, alimentada por óleo de palmiste. “Trata-se de um insumo fundamental para a produção de cosméticos que, até então, era totalmente importado da Ásia”, disse Secomandi. A disponibilidade de álcoois graxos permitirá à Oxiteno verticalizar a produção de sulfatados, oferecendo garantia de suprimento e maior competitividade aos clientes.

    Essa também é a expectativa de Di Domenico. “O preço deverá seguir os padrões internacionais, mas teremos uma logística mais econômica e confiável, sem perder a qualidade”, avaliou.

    Química e Derivados, Joãosinho Di Domenico, Diretor técnico e industrial da Polytechno, Tensoativos

    Joãosinho Di Domenico: tecnologia própria para fazer derivados de karité

    Xampus variados – O principal tensoativo usado nos xampus, encontrado na grande maioria dos produtos à disposição dos consumidores, continua sendo o lauril-éter sulfato de sódio, identificado pela sigla SLES ou LESS. “É o mais polivalente dos tensoativos, pode ser usado em diferentes tipos de xampus e alcança os resultados que os usuários fi nais querem”, disse Di Domenico. Esse surfactante aniônico é obtido pela etoxilação do ácido graxo láurico/mirístico com posterior sulfatação e neutralização com soda cáustica. Essa neutralização, segundo o diretor, pode ser feita com trietanolamina, monoetanolamina ou amônio, porém essas alternativas são pouco adotadas no país.

    A “polivalência” do LESS permite aos fabricantes trabalhar com menos itens no inventário, uma vantagem considerável. Também é preciso mencionar que se trata de uma commodity de preço muito atraente, porém esse aniônico apresenta uma considerável irritabilidade para a pele humana. O uso de misturas com outras famílias de tensoativos resolve o problema para o uso a que se destina, de forma mais econômica que a adoção de um surfactante mais sofisticado. “A associação do tensoativo aniônico com anfóteros é bem conhecida, com os últimos apresentando menor irritabilidade, boa detergência e poder antiestático”, comentou Di Domenico. Ele salientou que a associação de isetionatos e/ou isocianatos com derivados de aminoácidos gera tensoativos primários de alto desempenho e isentos de sulfatados, mas com eficiência de limpeza inferior a estes.

    “Não dá para fazer xampu com um só surfactante porque os consumidores finais querem muita espuma, embora ela não limpe nada”, explicou Edna Fernandes, especialista em desenvolvimento e aplicação da divisão personal care da Rhodia Brasil. Para ela, a melhor combinação de tensoativos reúne aniônicos, anfóteros e não-iônicos. Os anfóteros produzem espuma rica e densa, enquanto os não-iônicos são muito suaves, embora tenham elevado poder de detergência. A proporção entre esses componentes varia conforme o xampu a ser produzido. “Um produto infantil, por exemplo, leva mais não-iônicos, geralmente succinatos, do que outro para adultos porque se quer evitar a irritação dos olhos”, explicou.

    A especialista também salienta uma característica importante: 70% da população brasileira tem cabelos secos. Por isso, um xampu não pode ser apenas um agente de limpeza, mas deve proporcionar algum cuidado capilar. Os formuladores precisam definir um mix de ingredientes, entre eles os polímeros naturais ou sintéticos, além de aminas/amidas, para depositar um pouco de condicionantes para melhorar a penteabilidade. A lavagem com xampus deixa os cabelos com cargas negativas, havendo a necessidade de aplicar um condicionador para neutralizá-las e ao mesmo tempo repor parcialmente a carga graxa. Um dos trabalhos dos formuladores consiste em ajustar a composição de xampus e condicionadores, formando os pares oferecidos aos consumidores.

    Ela comentou que a preferência de mercado nos aniônicos se concentra no lauril éter sulfato de sódio, menos agressivo que o lauril sulfato. A Rhodia oferece aos clientes como anfótero o cocoanfodiacetato de sódio (Miranol), muito bem-aceito no Brasil. Esse tensoativo reduz a irritabilidade e produz mais espuma. “As betaínas também são muito usadas em combinação com o LESS, especialmente em xampus transparentes”, informou Edna, embora prefira o cocoanfodiacetato pela sua maior suavidade, o que permite a aplicação em lenços umedecidos para bebês e demaquilantes.

    Além disso, esse anfótero aumenta a deposição dos aditivos poliméricos nos fios de cabelo, permitindo economia de aditivos usados para essa função, compensando a diferença de preço em relação às betaínas.

    O mercado associa alguns efeitos à aparência do produto, embora isso nem sempre seja verdadeiro. Edna comentou que os fabricantes fazem xampus brancos quando querem enfatizar o tratamento dos cabelos. Xampus perolados enfatizam a alta qualidade. As linhas mais comuns geralmente adotam a transparência, também usada para indicar pureza.

    Edna verifica o interesse crescente dos fabricantes de cosméticos e produtos de higiene pessoal em tornar mais racional seus inventários, que podem chegar, com facilidade, a dois mil itens. “Isso exige adotar insumos mais flexíveis, que possam ser aplicados em várias formulações”, comentou.

    A Rhodia oferece misturas prontas de tensoativos com aprovação da Anvisa para várias aplicações. Essas misturas facilitam o desenvolvimento de novos produtos finais, bastando colocar fragrâncias e alguns aditivos.

     



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