Manutenção Industrial

Corrosão – Melhor proteção catódica e revestimentos controlam ação corrosiva de dutos

Marcelo Furtado
14 de julho de 2011
    -(reset)+

    química e derivados, corrosão dos dutos, Diogo Menezes, engenheiro de manutenção da Comgás

    Menezes: correntes no solo geram a pior corrosão para os dutos

    As alternadas – Não são muitas as linhas de transmissão com corrente contínua como a de Itaipu. A maior parte dessas linhas de alta tensão é por corrente alternada e, mesmo que não sejam as principais fontes de preocupação para os dutos, elas também começam a despertar o cuidado dos “inimigos” da corrosão. A Comgás, por exemplo, monitora as correntes alternadas em malhas onde há a intersecção com linhas dessa natureza, garantindo por meio de acopladores que essas correntes não ultrapassem 15 volts nos dutos.

    Um sinal bastante claro da preocupação é o envolvimento do Laboratório de Corrosão e Proteção do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, em pesquisas para estudar e identificar problemas relacionados com as interferências de correntes alternadas. “Desenvolvemos uma tecnologia para identificar se o duto enterrado está recebendo correntes alternadas e em qual grau de risco”, explicou o pesquisador do IPT, o físico Neusvaldo Lira de Almeida. Trata-se, segundo ele, de uma sonda específica que usa eletrodos de referência para fazer medições das correntes na profundidade dos tubos. “É inovador”, disse Almeida.

    O projeto foi desenvolvido durante quatro anos em parceria com a Petrobras, a grande financiadora do laboratório de corrosão do IPT, totalmente modernizado há dois anos com verba da estatal. De acordo com o pesquisador, embora pronta, a tecnologia ainda não está disponível. “Provavelmente alguma empresa especializada em sistemas de proteção catódica deve comprar a licença tecnológica para implementá-la em inspeções”, disse. Para o físico, o interesse da Petrobras se justifica porque pouco se sabe sobre a interferência das correntes alternadas nos dutos, ao contrário das correntes contínuas, já amplamente estudadas e sob constante preocupação dos técnicos. “Várias novas pesquisas apontam para a falta de controle da corrosão feita pela corrente alternada. Há a necessidade de se alterar a proteção catódica quando há essas interferências e isso também é uma linha na nossa pesquisa”, disse.

    química e derivados, risco da corrente alternada, IPT, Neusvaldo Lira de Almeida

    Neusvaldo: IPT criou técnica para identificar risco da corrente alternada

    Revestimentos – O aço-carbono, mesmo com sua propensão à corrosão, que o leva a precisar de uma sofisticada engenharia de controle, ainda é imbatível em termos de custo, resistência mecânica e disponibilidade. Continua firme e forte no mercado de dutos, mas no futuro pode ser substituído pelo plástico, segundo acreditam alguns experts. A tecnologia de polímeros, que hoje já domina os revestimentos dos tubos de aço, pode radicalizar como alternativa anticorrosiva de forma integral.

    “Já existem dutos para gás e óleo de grande porte no Canadá com polietileno ou polipropileno extrudados e reforçados com malha de aço inox ou fibra de vidro”, afirmou o consultor especialista em anticorrosivos Francisco Portezan, profissional com quase 40 anos de experiência e atuante nos principais projetos de gasodutos e oleodutos do país. Uma das fabricantes, aliás, é a canadense Flex Pipe Systems, do grupo ShawCore, também proprietário da empresa Canusa CPS, para a qual Portezan presta suporte técnico no Brasil na aplicação de mantas termocontráteis de tripla camada usadas em pontos de solda e reparos de dutos.

    Mesmo crendo no domínio futuro dos plásticos nessa área, o que com certeza facilitaria em muito a vida dos engenheiros especializados em corrosão (até dispensando o uso da proteção catódica ou limitando-a a pontos de solda com conectores de aço), o consultor afirma que o movimento atual é o de trocas de trechos de dutos ainda revestidos com tecnologias antigas, leia-se aí coal tar (alcatrão de hulha) e o esmalte asfáltico, pelas versões tecnológicas mais recentes.

    química e derivados, teste em revestimentos de dutos, célula atlas

    Célula Atlas faz teste em revestimentos de dutos no IPT

    “Ainda há muitos trechos com esses revestimentos, mas é notório que os problemas e falhas normalmente ocorrem neles, nunca onde há os de tripla camada”, disse. O duto de tripla camada, considerado o melhor padrão da atualidade, tem uma camada primer de epóxi líquido no aço, um adesivo hot-melt na segunda e a terceira, externa, com PE ou PP normalmente extrudados direto no tubo. A Transpetro, por exemplo, ainda conta com metade do total de seus dutos em coal tar e, segundo sua diretoria, não tem projeto específico para substituí-los, por entender que ainda se encontram íntegros.

    Já há alguns anos as empresas só usam desses dutos nas novas obras e em trocas, por ser um revestimento muito melhor e sem os vários defeitos dos betuminosos. Mas a possibilidade de crescimento na tendência de substituição de dutos antigos com coal tar pelos de tripla camada está fazendo até o Centro de Tecnologia em Dutos (CTDUT), no Rio, avaliar o comportamento da proteção catódica com esse mix de tecnologias. Isso porque a injeção de corrente elétrica fica mais forte nos tubos revestidos com polímeros e pode provocar desgastes em trechos sequentes com o coal tar.



    Recomendamos também:









    1. Cremildinho

      Muito bom artigo, ajudou bastante



    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *