Manutenção Industrial

Corrosão – Melhor proteção catódica e revestimentos controlam ação corrosiva de dutos

Marcelo Furtado
14 de julho de 2011
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    Já quando o eletrólito é o solo, cuja resistividade elétrica é de média a alta, o método empregado é o de corrente impressa. Nessa tecnologia, retificadores instalados ao longo dos dutos (aproximadamente a 100 metros de distância) geram corrente contínua a leitos de ânodos inertes enterrados perpendicularmente e conectados entre si por cabos elétricos. Estes ânodos, tradicionalmente de ferro-silício-cromo e os mais recentes de titânio ativado com óxidos de metais nobres, dispersarão a corrente em direção aos dutos para anular o processo corrosivo eletroquímico.

    Todos os grandes gasodutos e oleodutos terrestres do país e do mundo contam com imensos sistemas de proteção catódica por corrente impressa. A maior rede de dutos do país, da Transpetro, por exemplo, com 14 mil quilômetros de extensão, precisa de 382 retificadores ao longo da malha. A Comgás, na sua área de concessão em São Paulo, que conta com uma malha de dutos de aço de 2 mil quilômetros (o total é de 7,6 mil km, quando incluem os tubos de polietileno para distribuição), precisa gerenciar 171 retificadores com potência nominal de 2 KVA cada um.

    Correntes no solo – A engenharia da corrosão, no caso do gerenciamento da proteção catódica de dutos enterrados, não se limita a transformar o aço em um catodo. Um aspecto controlado de forma bem acurada, considerado por muitos como o mais fundamental, é o que evita as influências corrosivas das correntes elétricas fugitivas no solo, sejam elas principalmente as contínuas (DC) advindas de trilhos de trens e metrôs ou de algumas linhas de transmissão de energia ou as alternadas (AC), originárias de redes elétricas de alta tensão.

    química e derivados, polietileno extrudado

    Ilustração 1: Polietileno extrudado tripla camada/Manta termocontrátil tripla camada – Clique para ampliar

    “Esta é a pior corrosão para o duto, a que precisa ser mais bem controlada para garantir a integridade”, afirmou Diogo Menezes, engenheiro de manutenção da Comgás. Segundo ele, a principal frente de ataque da concessionária visa a controlar a parte da corrente contínua que escapa dos trilhos do metrô de São Paulo e da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM). “Essas correntes que escapam dos trilhos vão para o solo atrás de um metal e o mais próximo será o constante no duto nas faixas de servidão. E depois elas tendem a sair pelas falhas do revestimento do tubo, podendo provocar furos perigosos”, explicou.

    Para combater esse círculo elétrico provocador de corrosão eletrolítica, as empresas criam sistemas de drenagem elétrica em pontos dos dutos que cruzam com ferrovias. Trata-se de equipamento que capta as correntes fugitivas e as devolve por cabos para os trilhos. Todo esse cuidado, de acordo com o engenheiro da Comgás, é para evitar uma taxa de corrosão que a literatura técnica estima da seguinte forma: 9,6 kg.ampere/ano. Isto é: sem controle, uma fuga de 1 ampere no solo durante um ano destrói 9,6 kg de tubulação.

    química e derivados, Proteção catódica por corrente galvânica

    Ilustração 2: Proteção catódica por corrente galvânica – Clique para ampliar

    Menezes explica que o trabalho de monitoramento das correntes nos dutos foi muito favorecido ultimamente pela interação entre os diversos compartilhadores dos leitos de passagem. Pelo menos no que diz respeito a São Paulo, a Comgás e a Petrobras se uniram e lideraram em 2008 a formação da comissão de interferência do estado, presidida por Diogo Menezes e da qual também fazem parte, além das duas empresas, a Abraco, o IPT, a Sabesp, a Braskem/Quattor, o Metrô, a Cteep, a Eletropaulo, a CPTM e a TBG (que administra o Gasoduto Brasil-Bolívia).

    Com a criação da comissão, foi possível pela primeira vez preparar um mapa dos dutos do estado e, com isso, tomar iniciativas e estudar formas para, por exemplo, interligar as correntes dos vários sistemas de proteção catódica nos pontos de intersecção. “Depois disso, criamos com a Petrobras sistemas para monitorar as correntes geradas por nossos retificadores em pontos de interligação e assim instalar cabos para drenar aquilo que pode ser prejudicial ao sistema”, disse Menezes.

    química e derivados, Proteção catódica por corrente impressa

    Ilustração 3: Proteção catódica por corrente impressa – Clique para ampliar

    Para se ter uma ideia da importância da interação entre os compartilhadores dos leitos de passagem, já houve caso de detecção de alteração altíssima de espessura no gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol) da TBG, em Araçoiaba da Serra-SP, em decorrência da interferência da linha de transmissão por corrente contínua oriunda da Usina de Itaipu e a qual passa por cima do duto nessa cidade. A sorte foi o problema ter sido descoberto antes de um possível acidente por meio de uma inspeção de rotina com o equipamento PIG instrumentado (Pipeline Inspection Gadget, ferramenta que passa por dentro do duto para medir a espessura do aço).

    Utilizar inspeções e outras formas de monitoramento do controle da integridade de dutos, aliás, confirma-se como conduta crescente entre os usuários. Apesar de ainda não utilizar o PIG instrumentado como a Petrobras faz de forma sistemática em seus mais de 14 mil km de dutos – por não ter muita flexibilidade para interromper a distribuição de gás para a inspeção, segundo afirmou Menezes –, a Comgás monitora seus dutos pelo método ECDA (External Corrosion Direct Assessment). Trata-se de tecnologia que seleciona áreas críticas, onde há problemas de falhas no revestimento, para escavação e possível substituição das faixas de dutos ou reparos dos revestimentos.



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    1. Cremildinho

      Muito bom artigo, ajudou bastante



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