Corantes têxteis – Inovações oferecem redução do consumo de água

Inovações oferecem redução do consumo de água e de energia nas operações de tinturaria

Cerca de 90% do consumo de água de toda indústria têxtil se dá no processo de tinturaria e acabamento, por isso, tanto fabricantes de insumos quanto universidades e centros de pesquisa no Brasil e no mundo vêm intensificando pesquisas para desenvolvimento de produtos e processos que não gerem resíduos ambientais e sejam mais enxutos e econômicos.

Tecnologias de aplicação mínima com spray digital ou por rotor de tingimento garantem gerar economia de água, energia e produtos químicos.

Outra novidade foi apresentada em fevereiro pela empresa alemã adphos Group; trata-se de um novo sistema para secagem rápida de fibras, fios e tecidos após o tingimento, utilizando tecnologia NIR (infravermelho próximo ao visível).

Segundo a companhia, a vantagem é que a radiação adphosNIR penetra rapidamente nas fibras e remove a água e os solventes de toda a espessura do substrato, possibilitando um beneficiamento mais ecológico.

Em países da Europa e da Ásia, a aplicação de lipossomas no processo de tingimento têxtil também desponta como promissora.

Devido às suas características estruturais, é possível encapsular corantes hidrofílicos como os corantes reativos, ácidos e básicos; ou carregar agentes auxiliares como umectantes, surfactantes e outros compostos usados no tingimento.

Mercado brasileiro – Têxteis

Os materiais têxteis podem ser tingidos por processos descontínuos (pequenos lotes), contínuos (grandes metragens com adição de vapor ou temperatura) e semicontínuos (impregnação por Foulard), que dependem de muitas características, incluindo tipo de material como fibra, fio, tecido e classe de corantes utilizada.

Estima-se que mais de 10 mil corantes e pigmentos diferentes sejam usados industrialmente e mais de 7,5 milhões de toneladas de corantes sintéticos são produzidos em todo o mundo por ano.

Luiz Wagner de Paula, coordenador do Comitê da Comissão de Estudos de Acabamentos Têxteis GT Segurança Química (ABNT/CB-017) e gerente de Negócios da Golden Technology, que acompanha de perto o mercado, afirma que a grande maioria dos corantes sintéticos e pigmentos são produzidos na Ásia, em especial na China e na Índia, mas no Brasil também há empresas que atendem à demanda local.

Após um ano de crise provocada pela pandemia de Covid-19, Luiz Wagner faz um balanço de como está o mercado brasileiro:

Luiz de Paula: reutilização de banhos é boa iniciativa ©QD Foto: Divulgação
Luiz de Paula: reutilização de banhos é boa iniciativa

“O Brasil como grande parte do mercado global foi afetado pela crise na primeira metade do ano passado que, por sua vez, no segundo semestre começou a retomada que se manteve até fevereiro de 2021.

Em 2020, o mercado de corantes e pigmentos foi de 44 mil t, ficando apenas 12% menor que o do ano anterior (50 mil t).

Dividindo o consumo de corantes e pigmentos em 2020, houve uma redução de 19% para os corantes e um acréscimo de 12% para os pigmentos têxteis em relação a 2019”.

 



 

Para 2021, ele considera incerto fazer um prognóstico devido ao lockdown iniciado em março em vários estados brasileiros, com fechamento de shopping centers e do varejo em geral.

“Se as restrições não perdurarem por muito tempo, além da retomada de empregos, teremos um ano bom, em relação a 2020”.

Dentro do volume consumido pela indústria têxtil brasileira, Luiz Wagner aponta que as tintas de impressão (sublimáticas ou diretas) apresentaram o maior consumo, seguida de pigmentos, corantes reativos, ácidos e dispersos.

 

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