Corantes e Pigmentos

Corantes: Mercado da cor prioriza preço baixo

Marcelo Fairbanks
6 de outubro de 2001
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    Outra linha de pigmentos da companhia é denominada Colourplex, inicialmente pigmentos cerâmicos que se mostraram promissores para tintas e plásticos. “São complexos inorgânicos que resistem a altas temperaturas, podendo ser usados em tintas em pó e na injeção de plásticos, sem deformar peças, como acontece com as ftalocianinas em contato com polietileno e polipropileno”, explicou. A indústria automotiva e de autopeças é o destinatário preferencial dessa linha, por ter banido os pigmentos de metais pesados, além de atuar com polímeros mais sofisticados como as poliamidas.

    No caso dos Colourplex, os amarelos são obtidos com a síntese de óxidos de titânio, antimônio e cromo (trivalente, não cancerígeno). Os verdes e azuis partem de óxidos de cobalto e níquel, cobalto e titânio, ou alumínio, zinco e cobalto. Já os pretos são oriundos de óxidos de cobre e cromo.

    Como exemplo de aplicação, Russi menciona as lonas de PVC usadas para revestimento de piscinas, antes tingidas com ftalocianinas. “Na piscina pronta havia a degradação das ftalocianinas em contato com o cloro e a radiação UV”, comentou. Há sete anos, foi desenvolvido pigmento azul de cobalto para essa aplicação, hoje em franca expansão. “Estamos entrando no cimento com esse pigmento, pois o cobalto resiste à alcalinidade, permitindo fazer telhas azuladas”, comentou. As massas de rejunte de azulejos para piscinas já usam o cobalto.

    Nas linhas de óxidos de ferro transparente, cobalto e dispersões, a distribuição de produtos ficará a cargo da Foothills, ficando a Johnson Matthey com os negócios Indent com os clientes de maior porte. “A Foothills trouxe em outubro o primeiro contêiner da Inglaterra com produtos para distribuição”, informou Russi.

    Na linha dos cromatos e molibdatos de chumbo, a Basf, que os produz em São Caetano do Sul-SP, ressalta que esses pigmentos continuam a ser comercializados regularmente na Europa, embora admita a tendência atual de substituição. A própria companhia oferece produtos substitutos, inclusive na América Latina, onde já se nota a iniciativa de algumas companhias internacionais de deixar de lado esses materiais. Para 2002, a Basf promete lançar pigmentos para várias aplicações, porém declinou de fornecer detalhes por motivos estratégicos. A companhia espera crescimento do mercado nacional de pigmentos acima dos índices de avaliação de desempenho econômico nacional, principalmente por causa das inovações a introduzir.

    A variação cambial impactou os negócios da Basf em pigmentos, uma vez que a maioria das matérias-primas dependem de importações e não se consegue repassar imediatamente o custo. Em relação à concorrência com os asiáticos, a companhia identificou na variação cambial uma proteção, embora limitada, à concorrência predatória. Diferentemente do ocorrido com os corantes têxteis, nos quais o avanço oriental foi enorme, os consumidores locais de pigmentos apresentam-se mais conservadores, evitando riscos desnecessários de ruptura de qualidade ou de abastecimento. Por manter produção local e confiável, além de oferecer assistência técnica, a Basf torna-se muito competitiva contra importados.

    Química e Derivados: Corantes: Pinheiro - fábrica de dispersões no Brasil.

    Pinheiro – fábrica de dispersões no Brasil.

    Dispersões – O uso de sistemas tintométricos, as chamadas mix machines, nos pontos de venda de tintas exige a fabricação de dispersões pigmentárias de alta precisão, a fim de garantir o perfeito funcionamento da alternativa de vendas. “Temos 65% do mercado mundial de sistemas tintométricos”, afirmou Gilmar Pinheiro, gerente de produto da Degussa Brasil Ltda., empresa que assumiu a participação da antiga Hüls. Enquanto nos EUA esses sistemas respondem por 80% das vendas de tintas, no Brasil essa participação não passa de 15%, sendo mais notável na linha de repintura automotiva. A Degussa importa todas as dispersões para o Brasil, mas já prepara para final de 2002 a inauguração de fábrica em Americana-SP.

    “Com a nova unidade será possível pensar em redução de preços”, disse Pinheiro. Afinal, as dispersões pagam alíquotas maiores de imposto de importação que os pigmentos em pó, afora os ganhos logísticos. “Estamos negociando com fornecedores de outros insumos para ter ingredientes adequados à qualidade internacional que vamos manter”, afirmou. Além disso, a companhia inagurará, em abril, uma fábrica de negro-de-fumo em Paulínia-SP.

    Além dos custos imediatos, há um ganho adicional em manter fábrica no País, por permitir a tropicalização das dispersões. Dentro dos planos da Degussa, a fábrica nacional de dispersões, que recebeu investimento de US$ 25 milhões, responderá por todos os produtos da linha decorativa (imobiliária), enquanto os tipos especiais continuarão a depender de importações.

    As indústrias também estão preferindo operar com dispersões e pastas pigmentárias, de modo a eliminar trabalhos internos. “As indústrias estão abandonando essas verticalizações e cedendo espaço para o conceito de linha de montagem”, afirmou Mohamed Nabil Mouallem, diretor da Chemipol, produtora de sistemas tintoriais e pastas pigmentárias em Itaquaquecetuba-SP. Esses produtos permitem aos clientes maior flexibilidade e repetibilidade, além de menores custos. A Chemipol produz sistemas tintoriais para tintas imobiliárias acrílicas e alquídicas; concentrados para base aquosa; concentrados de corantes; dispersos formulados em poliol, epóxi, cetônicos, alquídico, arílico, vinílico, poliéster, DOP, óleo mineral e outros.



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    Um Comentário


    1. Em 2001,eu era operador especializado da empresa Dystar em Jacareí SP.Conhecia tudo sobre corantes,cores,e secagem final(spray).Ainda me lembro bem do anúncio do fechamento da unidade que me deixou muito abalado.Com certeza nunca vou esquecer a empresa,mas já superei a perda.Um abraço a todos que fazem parte das unidades espalhadas pelo Brasil.



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