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Corantes e Pigmentos

Corantes: Mercado da cor prioriza preço baixo

Marcelo Fairbanks
6 de outubro de 2001
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    Inorgânicos ativos – As vendas de pigmentos de cádmio no Brasil caíram 15% entre 1999 e 2001, segundo Eduardo Tedesco, gerente de distribuição da Multicel, única produtora local dessa linha de produtos, abrangendo desde o amarelo-limão ao vermelho-azulado e suas combinações. “Houve uma ligeira recuperação de vendas nos últimos dois meses”, comentou.

    A diminuição da demanda no Brasil foi compensada pelo incremento das exportações, que começaram pela América Latina e hoje atingem a Europa e a Oceania, por meio de representantes comerciais. “Há apenas cinco grandes fabricantes de cádmio no mundo e eles estão meio acomodados”, disse Tedesco. “Nós nos apresentamos como alternativa de suprimento”. Para atender mercados diversificados, a empresa conseguiu certificação na norma ISO 9002 e promoveu algumas adaptações nos produtos. A Multicel possui capacidade produtiva para 600 t/ano de cádmio, mantendo nível de ocupação entre 75% e 80%.

    Do ponto de vista ambiental, Tedesco lamenta as pressões sobre o pigmento, ressaltando sua inocuidade. “Além disso, os pigmentos representam apenas 2% do cádmio existente no ambiente, enquanto mais de 80% é oriundo de pilhas e baterias de equipamentos eletrônicos”, afirmou.

    A crise energética exigiu alterações na fábrica nova, em São Bernardo do Campo-SP. “Nossas estufas foram convertidas para usar gás natural”, mencionou. Ao mesmo tempo, a crise teve um efeito benéfico para a Multicel. “As indústrias de cerveja ampliaram as vendas em garrafas, para contornar o alto custo do alumínio, grande consumidor de eletricidade”, explicou. Mais garrafas, mais garrafeiras plásticas para transporte, um dos principais mercados para os vermelhos de cádmio.

    Além de sua linha tradicional, a Multicel começou recentemente a distribuir pigmentos da Basf (cromatos e molibdatos de chumbo), titanatos (Basf e Shepherd) e dióxido de cromo importados. “Vendemos pigmentos em pó e color matches (misturas de pigmentos para formar cores especiais)”, explicou. Tedesco acredita no rápido crescimento das vendas dos titanatos, substituindo cromatos e molibdatos no prazo de cinco anos. “O cádmio deve perdurar, pois é ambientalmente seguro, além de oferecer 20 anos de solidez à luz e elevada resistência térmica”, disse.

    Há três anos atuando no Brasil com pigmentos, a Johnson Matthey (detentora da marca Cookson) dedica-se ao nicho de especialidades de cádmio e de óxido de ferro. “O mercado nacional de cádmio fica em torno de 250 t/ano, mas competir com o dólar a US$ 2,80 é inviável”, comentou James Russi, gerente de vendas e marketing para a América Latina. Mesmo nos Estados Unidos, Europa e Japão, mercado nos quais o cádmio atende a requisitos normativos, a demanda é estável, mas se exige contínuo desenvolvimento de aplicações. “O cádmio é competitivo em todos os mercados, mas está em uma faixa de qualidade superior”, explicou Russi. Como exemplo de aplicação nova, ele citou o uso em tintas em pó, curadas a altas temperaturas. O cádmio suporta as condições de secagem e também dispersa com facilidade, reduzindo custos. Mas o principias mercados são a fabricação de masterbatches plásticos a de tintas.

    Nos tons amarelos, por exemplo, a concorrência é feita com o cromato de chumbo e com o óxido de ferro hidratado convencional. “São produtos de baixo desempenho, mas com preços muito inferiores aos do cádmio”, disse o gerente. “O cádmio amarelo é três a quatro vezes mais caro que o cromato de chumbo”, concordou Tedesco, da Multicel.

    No Brasil, a Johnson Matthey administra as importações diretas dos clientes (vendas Indent), além de distribuir seus produtos de cádmio por meio da Ferro Enamel do Brasil, que se encarrega de elaborar os color matches locais. Dessa forma, detém aproximadamente 25% do mercado nacional.

    A par do cádmio, a empresa traz para o Brasil o óxido de ferro transparente, uma especialidade consumida nas tintas automotivas e na indústria de madeira. “Todos os óxidos de ferro [amarelo, vermelho e marrom] possuem a mesma estrutura cristalina”, explica Russi. “É preciso controlar a precipitação a fim de obter cristais muito pequenos, que conferem a aparência transparente.” A companhia é uma das três maiores do mundo nesse tipo de produto, tendo comprado a Houghton-Davies (EUA) e transferido a tecnologia para a fábrica da Inglaterra.

    Segundo Russi, o óxido transparente atua como protetor contra radiação ultravioleta, substituindo aditivos orgânicos mais caros. “Por ser inorgânico, ele fica mais tempo na película seca”, disse. O material serve para a produção de stains, sistemas protetores de madeira, que evitam manchas em contato com a água. “Os stains deixam madeira ‘respirar’”, comentou.

    A Johnson Matthey produz dispersões para aplicação em sistemas base solvente ou base aquosa, com uso também como tingidor de madeira, antes da aplicação do verniz final (acrílico ou poliuretânico). “Estamos encontrando boa aceitação pela indústria de madeira”, afirmou Russi. Essa era uma aplicação cativa dos corantes, que, por serem muito potentes em tingimento, exigem controle apurado de aplicação para manter o ponto correto de cor. Além disso, os sistemas com corantes costumam esconder os veios naturais da madeira. “O óxido de ferro dá uma cobertura mais suave, deixando ver os veios”, explicou.



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    Um Comentário


    1. Em 2001,eu era operador especializado da empresa Dystar em Jacareí SP.Conhecia tudo sobre corantes,cores,e secagem final(spray).Ainda me lembro bem do anúncio do fechamento da unidade que me deixou muito abalado.Com certeza nunca vou esquecer a empresa,mas já superei a perda.Um abraço a todos que fazem parte das unidades espalhadas pelo Brasil.



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