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Corantes e Pigmentos

Corantes: Mercado da cor prioriza preço baixo

Marcelo Fairbanks
6 de outubro de 2001
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    Nem mesmo a crise de eletricidade afetou a produção. “Cumprimos a meta de redução de consumo, sem prejuízo para a produção”, informou o diretor-presidente, alegando operar com gás natural. Apesar disso, a empresa investe em projeto para co-geração de energia. Para 2002, outra novidade será a mudança do sistema de lavra do minério para dragagem, reduzindo custos. Aliás, a empresa conta com jazida própria na Paraíba para mais 17 anos de trabalho.

    O grande problema do pigmento branco é o preço de venda. “A média de US$ 2 mil/t registrada nos últimos dez anos não permite margens satisfatórias e exige contínuo corte de custos”, comentou Andrade. “Basta verificar que foram raros os projetos de novas fábricas do pigmento nesse período em todo o mundo.” Na sua avaliação, o titânio transformou-se em commodity difícil de trabalhar, que enfrenta exigências ambientais crescentes, como acontece com toda a indústria química. “A oferta mundial do TiO2 é grande, obrigando alguns produtores a reduzir a produção”, disse.

    Não é o caso da Millenium no Brasil, que manteve a capacidade de 60 mil t/ano do pigmento. Porém, o acalentado projeto de ampliação de 10 mil t/ano foi indefinidamente adiado. Levantamentos de mercado apontam que o abastecimento de mercado é complementado pela Du Pont, que importa anualmente a média de 40 mil t de clínquer, fazendo o acabamento do produto em Uberaba-MG. “Outras companhias também vendem titânio no País, tanto em especialidades, quanto nas commodities, embora sem grandes ambições”, comentou Andrade. As importações brasileiras de pigmento acabado não passam de 5 mil t/ano. “Para acompanhar os custos e permitir novos investimentos, o produto deveria custar entre US$ 2,7 mil a US$ 3 mil por tonelada”, calculou.

    Química e Derivados: Corantes: Oliveira - cresce a produção de pigmentos orgânicos em Suzano.

    Oliveira – cresce a produção de pigmentos orgânicos em Suzano.

    Cores disputadas – A pressão ambiental estimula substituir as linhas inorgânicas, nas quais se destacam os produtos com metais pesados, com exceção óxidos de ferro, pelos pigmentos orgânicos. “Podemos oferecer a mesma qualidade dos inorgânicos em poder de cobertura e solidez à luz, às intempéries e ao SO2”, afirmou Oliveira, da Clariant.

    Ele ressaltou o bom momento por que passa a Linha 70 de pigmentos orgânicos, herdada da Hoechst, lançada no Brasil na década de 80. “As exigências ambientais favorecem muito os nossos produtos”, comentou. Oliveira explicou que Linha 70 é a denominação do tratamento especial dado ao pigmento para se obter o desempenho avançado nas aplicações, especialmente em tintas imobiliárias e automotivas. Os amarelos, laranjas e vermelhos , por exemplo, têm base química azo ou diazo. Já os azuis partem da ftalocianina. A linha se completa com semi-especialidades para a produção de esmaltes secos ao ar e com especialidades, como a crinacridona, indicada para alta cobertura de automóveis.

    Do ponto de vista econômico, o diretor menciona vantagens por causa da elevada intensidade de cor, permitindo substituir inorgânicos na razão de 1 (orgânico):2,6, em média. Além disso, segundo ele, os inorgânicos ficaram com preços contidos durante muito tempo e, agora, é preciso acompanhar a evolução do mercado internacional, com tendência à elevação. Já os orgânicos da Clariant se beneficiam da reestruturação havida na companhia, pela qual todas as sínteses passaram a ser feitas na unidade de Suzano-SP, absorvendo as operações com pigmentos antes feitas na fábrica de Resende-RJ, agora dedicada aos corantes para têxteis, papéis e couros. “Os processos foram todos racionalizados ao máximo possível e permitido, e a fábrica foi atualizada tecnologicamente”, explicou. Isso permitiu produzir no site pigmentos antes de operação impossível.

    Em Suzano já são feitos todos os produtos considerados “clássicos” da Linha 70, os mais vendidos. “A idéia é nacionalizar um pigmento sempre que for possível”, informou Oliveira. A produção nacional é suprida de intermediários importados, onerados com 2% de imposto de importação, acrescidos de 2,5% de taxa alfandegária. Em 2005, o total de ônus cairá para 2%, segundo previsão oficial. “Além disso, é preciso computar o chamado custo Brasil”, disse. Dessa forma, embora a taxa de câmbio ajude a vender pigmentos produzidos localmente, ela também pressiona os custos. “Como está difícil repassar a elevação de custos, acabamos comprimindo as margens de lucro”, explicou.

    Dentro da estratégia mundial da companhia, a unidade de Suzano atende à demanda dos demais países da América Latina (exceto México). Como o peso relativo do Brasil chega a 65% das vendas da divisão de pigmentos, os resultados regionais tendem a acompanhar o comportamento nacional. “A Argentina está com sérios problemas, enquanto a Colômbia segue estável”, comentou o diretor, citando os principais mercados. No caso brasileiro, enquanto as tintas imobiliárias e automotivas apresentam retração, os sistemas gráficos revelam bom desempenho, sendo acompanhados pela cadeia dos plásticos. Um quarto mercado promissor é a produção de tintas para impressoras na linha desk-jet, usadas em escritórios e residências.

    O mercado mundial de pigmentos orgânicos soma US$ 4,4 bilhões. A contribuição brasileira nesse montante é difícil de mensurar, segundo Oliveira, que a estima perto de 2,1%. Isso daria algo em torno de US$ 80 milhões/ano. O mercado de inorgânicos é avaliado, a grosso modo, pelo diretor em valor abaixo da metade das vendas dos orgânicos.

    Como proposta de trabalho, a Clariant oferece sistemas e preparações de pigmentos adequados aos processos dos clientes. “A idéia é agregar valor, evitando que o usuário tenha processamentos in house dos pigmentos”, explicou. Em geral, os pigmentos são vendidos na forma de pó. Isso exige várias etapas de concentração e secagem. Vendendo dispersões, muitas sob medida, contendo aditivos, por exemplo, se obtêm várias economias, inclusive de energia. “Nesse caso, podemos repartir os ganhos com os clientes”, comentou.



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    Um Comentário


    1. Em 2001,eu era operador especializado da empresa Dystar em Jacareí SP.Conhecia tudo sobre corantes,cores,e secagem final(spray).Ainda me lembro bem do anúncio do fechamento da unidade que me deixou muito abalado.Com certeza nunca vou esquecer a empresa,mas já superei a perda.Um abraço a todos que fazem parte das unidades espalhadas pelo Brasil.



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