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Corantes e Pigmentos

Corantes: Mercado da cor prioriza preço baixo

Marcelo Fairbanks
6 de outubro de 2001
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    “O preço dos corantes está caindo ano a ano, em dólar”, avaliou Ferragina. Somado à já conhecida crise econômica, isso justifica a queda de 15% nas vendas prevista para este ano. Para 2002, ele espera manter as vendas no mesmo patamar. “Em toneladas, as vendas ficaram praticamente iguais”, comentou. Na sua opinião, o mercado têxtil brasileiro apresenta amplas vantagens competitivas apenas em denim (jeans azul, bom para o índigo) nos artigos para cama, mesa e banho. “A Ásia já responde por 50% do mercado têxtil mundial e até os Estados Unidos apresentam redução de 10% ao ano na cadeia têxtil”, afirmou.

    Química e Derivados: Corantes: tabela01.A situação complicada do setor pouco deveria afetar os negócios da indústria química. “Os corantes conferem atratividade aos produtos e representam menos de 4% do preço dos artigos têxteis acabados”, ressaltou Ferragina.

    No cômputo geral, as estatísticas indicam crescimento do consumo aparente de corantes e pigmentos no Brasil nos últimos cinco anos. “De dez anos para cá, o consumo praticamente dobrou no País”, apontou Falzoni. “O problema é que as importações passaram a representar mais de 50% do negócio.”

    Deixando de lado os têxteis, segmento mais afetado pela importação, as vendas para outras atividades obtêm bons resultados. Em couros, a situação é boa, embora o País se destaque apenas como exportador de wet blue (apenas com tratamento inicial). “O Brasil conta com boa indústria de couros, espalhada geograficamente, mas a produção de artefatos precisa evoluir”, afirmou. A saída é aumentar a produtividade, porque o aumento de preços transfere mercado para o setor de plásticos. “Veja a fabricação sandálias, por exemplo”, disse Falzoni.

    A fabricação de papel também garante negócios para a indústria nacional, em especial nos alvejantes ópticos sulfonados (linha Eniaphor), tanto para massa, quanto para superfície. O uso de papéis sanitários coloridos, bem difundidos na Europa, não pegou no Brasil. A linha de corantes para papel (Eniacel) lista produtos diretos, ácidos e básicos.

    Pressão nos pigmentos – Também na área de pigmentos, as pressões da globalização são sentidas, com a agravante da preferência atual dos consumidores finais recair em poucas cores. Basta observar os carros mais novos nos estacionamentos para constatar o predomínio dos tons de preto, branco e cinza, com algumas concessões para o prata e o azul-marinho. As linhas de tintas decorativas imobiliárias também se ressentem do mesmo problema, acompanhado da redução de demanda verificada em 2001.

    “As vendas de pigmentos em 2001 apresentaram queda de 3% a 4% em relação ao ano passado”, confirmou Eide Paulo de Oliveira, diretor da divisão de pigmentos e aditivos para a América Latina da Clariant. A redução de demanda foi constante durante todo o ano, mesmo antes da disparada do dólar e dos atentados terroristas em Nova York. “O setor de tintas e vernizes, nosso principal consumidor, fechará o ano em retração”, disse. Já para 2002, a previsão da Clariant é melhor, projetando crescimento de 3% a 4% em volume.

    Química e Derivados: Corantes: Andrade - baixa rentabilidade retarda investimentos no Ti02.

    Andrade – baixa rentabilidade retarda investimentos no Ti02.

    Principal pigmento consumido nas tintas e em vários setores industriais, o dióxido de titânio também registra retração de demanda, segundo Manoel G. de Andrade, diretor-presidente da Millenium Chemicals no Brasil, companhia internacional que comprou a antiga Tibrás, na Bahia. Pelas suas estimativas, se tivesse sido mantido o ritmo de crescimento de mercado registrado nas décadas de 70 e 80, a demanda interna do pigmento no ano passado teria chegado a 160 mil t.

    “O mercado verificado para 2000 ficou entre 113 mil e 115 mil t”, informou. Sua previsão para este ano não passa de 103 mil t.

    O diretor credita a queda na procura pelo dióxido de titânio à evolução tecnológica da indústria de tintas, principal consumidora, hoje capaz de aplicar o pigmento com mais eficiência e, portanto, em menor dosagem. Ao mesmo tempo, o crescimento da “segunda linha” de tintas incentivou a oferta de produtos com menos TiO2 e mais cargas minerais, de modo a reduzir preços de venda.

    O setor de celulose e papel também reduziu seu consumo de dióxido de titânio, adotando cargas minerais, como o caulim, de preços inferiores. “É um segmento altamente especializado, mas não é mais um grande consumidor do titânio”, comentou Andrade. Nos Estados Unidos, segundo informou, o setor papeleiro representava há alguns anos 20% da demanda do pigmento, percentual que caiu para 4% atualmente.

    Já a transformação de plásticos tem reforçado o uso do pigmento, respondendo por 20% da demanda local, contra os 10% do passado. “Esse segmento talvez sofra impactos da guerra no Afeganistão”, avaliou. Ele critica a falta de incentivos à reciclagem e ao reuso de materiais plásticos no Brasil, fato que poderá alimentar futuras pressões negativas, de cunho ambiental. “Colocar plásticos nos lixões é um desperdício”, lamentou.

    A produção nacional do dióxido de titânio foi criticada no passado exatamente pelos efeitos ambientais da atividade, geradora de subprodutos do beneficiamento mineral. “A Tibrás iniciou o saneamento ambiental em 1991”, disse Andrade, que liderou a operação. “Em 1998, quando a Millenium comprou a empresa, o problema ambiental já estava resolvido.” A antiga montanha de sulfato ferroso deu origem a uma unidade industrial que dele obtém produtos para tratamento de água.



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    Um Comentário


    1. Em 2001,eu era operador especializado da empresa Dystar em Jacareí SP.Conhecia tudo sobre corantes,cores,e secagem final(spray).Ainda me lembro bem do anúncio do fechamento da unidade que me deixou muito abalado.Com certeza nunca vou esquecer a empresa,mas já superei a perda.Um abraço a todos que fazem parte das unidades espalhadas pelo Brasil.



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