Corantes alimentícios: Atento à saúde, consumidor prefere os naturais

Química e Derivados - Muffins coloridos ficam mais atraentes
Muffins coloridos ficam mais atraentes
Química e Derivados - Goldberg: rótulo limpo indica o futuro do setor alimentício
Goldberg: rótulo limpo indica o futuro do setor alimentício

Sob a ótica da saudabilidade, o mercado de corantes alimentícios se reinventou. Há algum tempo os consumidores pressionam a indústria a ofertar produtos com apelo saudável. Não por acaso, a demanda por corantes naturais cresce mais de 10% ao ano. O caminho é sem volta, porém nada retilíneo. Barreiras tecnológicas para esse incremento do consumo foram superadas, mas o custo não, tornando esta categoria restrita a um nicho. De qualquer forma, o setor não para. Os fabricantes investem alto em soluções afins com este novo perfil de compra. Prova disso, são os concentrados de vegetais e frutas, formulações desenvolvidas para colorir naturalmente, isentando o alimento do estigma de ser “aditivado”.

A ideia de o produto alimentício ser colorido, mas sem a inscrição “contém aditivo” no rótulo corrobora o clean label, conceito que privilegia produtos capazes de realçar a redução, eliminação ou substituição de aditivos e ingredientes que os consumidores percebem como sendo um risco. “São produtos com apelos como sem conservantes, livre de OGM (Organismos Geneticamente Modificados) e sem aditivos”, explica Airton Vialta, vice-diretor do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), pertencente à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Essa prática já consolidada internacionalmente se fortalece ano a ano por aqui. Antes atrelado exclusivamente a segmentos de alto valor agregado, hoje, o conceito fomenta os negócios da indústria e se faz presente nos novos desenvolvimentos. “O clean label chegou, se estabeleceu e criou raízes que mostram que o futuro seguirá cada dia mais nesta forte direção”, aponta Norbert Goldberg, líder da unidade de negócios Sabores, Cores e Nutrição em Saúde da Döhler América Latina.

Química e Derivados - Inácio: extratos vegetais são alternativa ao uso de corantes
Inácio: extratos vegetais são alternativa ao uso de corantes

Voltando ao alimento colorido sem corante, trata-se de uma resposta dos fabricantes à tendência de naturalidade. Em linhas gerais, são concentrados ou extratos de vegetais e/ou frutas capazes colorir sem declarar-se como corante. A Vogler Ingredients vê esta categoria de produto como uma terceira via entre os aditivos sintéticos e os naturais. A ideia aqui seria superar o preconceito do consumidor em relação ao corante. “Entregamos a experiência da cor, sem adicionarmos algo artificial. É uma solução ao cliente clean label”, afirma o gerente de marketing Régis Inácio. Ele se refere à linha da Vogler/CHR Hansen, Fruitmax. São ingredientes naturais, como beterraba, abóbora, cenoura e tomates, entre outros legumes e frutas, minimamente processados que passam por procedimentos simples e físicos como lavar, cortar, amassar e ferver para concentrar as cores.

A Döhler trilha o mesmo caminho. Um exemplo vem de sua planta alemã, onde formulou um extrato de malte. Com propriedades de coloração e sem interferir no sabor, o ingrediente pode substituir o caramelo III e o caramelo IV, e ainda ser utilizado em dosagens reduzidas. O pulo do gato está no fato de o produto não ser identificado como um corante. “O extrato de malte será em breve uma alternativa muito procurada pelas empresas que querem se diferenciar e buscar uma comunicação melhor para seus produtos”, comenta Goldberg. Segundo o executivo, outro exemplo de ingrediente clean label da marca é o concentrado de cenoura negra.

Química e Derivados - Doces contam com linha de corantes naturais da Döhler
Doces contam com linha de corantes naturais da Döhler

Sim, a preferência pelo produto alimentício mais natural possível é incontestável, mas nem sempre se reflete na decisão de compra. “O problema é que, muitas vezes, não se quer pagar por isso. Em São Paulo, o consumidor busca novidades e olha o rótulo. Mas sem ir muito longe, no interior do Estado, essas questões já não são muito valorizadas”, observa Inácio.De qualquer maneira, firma-se um novo paradigma no mercado alimentício. É mais do que um modismo a preferência do consumidor por produtos com rótulos cada vez mais limpos, excluindo-se nomes como artificial, sintético, aditivos ou nomenclaturas como dióxido de titânio (TiO2). Vialta faz um adendo importante. Ele frisa que nem tudo o que o consumidor entende como risco tem respaldo científico. Os aditivos exemplificam essa questão, pois eles são aprovados pelas agências reguladoras somente após sua segurança e eficácia serem comprovadas cientificamente.

Química e Derivados - Juliana: sintéticos são mais estáveis e têm custo baixo
Juliana: sintéticos são mais estáveis e têm custo baixo

“A busca pelo natural é uma tendência consolidada, e o número dos produtos lançados com esse apelo não para de crescer”, comenta Vialta. O pesquisador acertou o diagnóstico. Em relação ao mercado de aditivos alimentícios, na Europa mais de 85% dos lançamentos da indústria são de corantes naturais. Por aqui, essa taxa gira em torno de 60%, segundo estimativas de Gerson Leme, gerente geral da Sensient Technologies Brasil.

Goldberg traz outro dado que ajuda a entender o universo dos corantes naturais. Segundo ele, trata-se de um nicho que cresce mais de 10% ao ano e deve ultrapassar a soma de US$ 50 milhões em 2022 na América Latina. A análise exclui o carmim e o caramelo. O executivo explica o motivo: “são produtos consolidados, mas que a cada ano enfrentam maior rejeição por parte dos consumidores”.

A Era dos Saudáveis – Hoje, entre os corantes naturais mais populares estão: urucum, páprica, cúrcuma, antocianinas e carmim de cochonilha. Se as especulações do mercado se confirmarem, essa lista só tende a crescer. “Os sintéticos não acabarão, mas perderão sua participação. Talvez a proporção seja de 70% naturais e 30% sintéticos, em dez anos”, prevê Leme.

Essas novas diretrizes não refletem somente um estilo de vida saudável, mas um olhar mais crítico da sociedade em relação aos produtos que não consideram benéficos para a saúde. O carmim de cochonilha elucida esta postura. Por ser de origem animal, o ingrediente enfrenta grande rejeição na Europa e nos Estados Unidos; fenômeno que já desponta no Brasil e em outros países latino-americanos. A saber: o ácido carmínico é um composto orgânico derivado da antraquinona, extraído a partir de fêmeas dessecadas de insetos da espécie Dactylopius coccus. O corante caramelo também sofre repúdio por uma parcela da população. O ingrediente tem sido associado a possíveis efeitos cancerígenos.

Atentas a estas restrições, as indústrias se movimentaram. Produzido na planta de Karaman, na Turquia, um lançamento da Döhler ilustra como a busca por ingredientes substitutos leva à inovação. A companhia realizou um processo de adsorção/dessorção da antocianina recuperada do bagaço da cenoura negra, de forma a oferecê-la como alternativa ao corante carmim. A betanina, proveniente da beterraba, é outra opção da fabricante para ocupar o lugar do ingrediente rechaçado.

Reconhecida como uma das principais provedoras de corantes naturais para as tonalidades vermelha e roxa, a Döhler tem um amplo espectro de produtos para colorir alimentos e bebidas que vão dos concentrados vegetais (linha coloring food stuff) aos corantes naturais e às emulsões turvantes. “Também oferecemos soluções tailor-made (sob medida)”, diz Goldberg.

A Sensient também se moveu em prol das substituições. A empresa lançou um extrato para entrar no lugar do caramelo IV, ingrediente de uso restrito em alguns países, sobretudo no segmento de bebidas. Mas um dos grandes negócios tem sido a sua linha Avalanche, comercializada como alternativa limpa e brilhante ao dióxido de titânio. Trata-se de um opacificante branco natural que pode ser empregado em vários níveis de pH, além de ser estável à luz e ao aquecimento. Atende aos segmentos de cereais, balas, confeitos e coberturas de chocolate, entre outros. Vale lembrar que o dióxido de titânio vem sendo banido pela legislação europeia, especificamente, da França. Segundo Leme, os produtos da marca trazem todos os requisitos para suprir a retirada do dióxido de titânio do mercado.

A unidade brasileira da Sensient chegou ao país em 2003 e está instalada em Jundiaí-SP. A Sensient Global investiu nos últimos cinco anos mais de US$ 300 milhões em novas tecnologias, processos e atualizações das fábricas para produção de corantes naturais nas Américas, Europa e Ásia.

Distribuidora exclusiva da indiana Ajanta, uma das grandes produtoras mundiais de corantes sintéticos, a Sunset Importação e Exportação é reconhecida por sua tradição nesse segmento, mas nem por isso ficou indiferente às tendências. O diretor técnico e de marketing da Sunset, José Ramos de Carvalho, anuncia sua entrada no segmento dos corantes naturais com os produtos da chilena Invertec. O novo negócio está em fase de desenvolvimento, e veio como uma resposta às novas diretrizes do setor. “Estamos nos adequando às solicitações dos clientes”, comenta Carvalho.

Segundo o diretor, as grandes empresas estão, sim, buscando substituir os corantes sintéticos por naturais, porém esta transição não será maciça e muito menos em curto prazo. “Os corantes naturais deverão ser testados com larga margem de tempo”, pontua.Urucum – Segundo Iara Moino Furlan, analista de desenvolvimento da New Max Industrial, esse movimento das indústrias alimentícias para a reformulação de seus produtos vem aumentando o consumo do corante de urucum. Aliás, este ingrediente merece um capítulo à parte, pois dele são fabricados os corantes naturais mais difundidos da indústria de alimentos.

Química e Derivados - Corantes aplicados aos alimentos
Corantes aplicados aos alimentos
Química e Derivados - Sementes de urucum produzidas pela New Max geram corantes aplicados aos alimentos (acima)
Sementes de urucum produzidas pela New Max geram corantes aplicados aos alimentos (acima)

Maior produtor mundial de urucum, o Brasil produziu algo em torno de 14 mil toneladas da semente em 2017 – dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O ingrediente tem bastante visibilidade por aqui. A fim de atender pontos importantes da cadeia produtiva do urucum, segundo o pesquisador do Ital, Paulo Roberto Nogueira Carvalho, foram produzidos e publicados diversos estudos de estabilidade do corante e de metodologias de análise de impurezas e de determinação de umidade em sementes. O pesquisador divulga um estudo recente. Trata-se de um trabalho de resgate do corante de produção doméstica, intitulado Projeto Corante da Vovó. O instituto coordena ainda um projeto que busca o aproveitamento da semente de urucum após a remoção do corante.

Os pigmentos do urucum são extraídos da camada externa das sementes e o principal pigmento é a bixina, carotenóide lipossolúvel que apresenta coloração amarela-alaranjada e representa mais de 80% dos carotenóides totais presentes no urucum. Da bixina são obtidos outros pigmentos como a norbixina, também lipossolúvel, e o sal da norbixina que, por sua vez, é hidrossolúvel. O sal de norbixina pode ser convertido em norbixina por precipitação ácida, sendo insolúvel em água. “Sendo assim, para produtos de base aquosa, o corante hidrossolúvel de urucum (sal de norbixina) é o produto mais recomendado, como no caso de salsichas, peixes defumados, frangos temperados, queijos, bebidas instantâneas, massas, cereais e misturas secas”, explica Iara.

Os outros pigmentos são empregados em produtos com base oleosa, como molhos, maioneses, queijos e snacks. A saber: um dos primeiros corantes a ser utilizado em manteiga e margarina foi o extrato lipossolúvel de urucum.

Uma das líderes de mercado na produção de aditivos, ingredientes e corantes naturais, a New Max tem sua produção de urucum verticalizada. São 400 hectares de plantação própria, o suficiente para a produção de 1.200 toneladas de sementes por ano. O restante das sementes vem de pequenos agricultores locais. “Isso nos permite acompanhar desde a plantação das mudas, colheita, secagem e beneficiamento das sementes, garantindo a qualidade do produto a ser processado”, destaca Iara.

Também interessada neste filão, a Daxia inaugurou recentemente uma unidade de produção de corantes urucum e cúrcuma. “Expandimos nossas linhas de produção e incluímos outros corantes em nosso portfólio”, afirma Rafael Blanco, CEO da Daxia, referindo-se aos corantes naturais. Para ele, antes, a procura pelos corantes naturais se dava em segmentos nos quais o uso dos sintéticos era restrito, sobretudo as linhas infantis ou de alimentos de alto valor. Mas hoje a demanda tem outro perfil. Os produtos com apelo saudável estão deixando de se limitar a pequenos grupos de consumidores. “Clientes que optam desde já por desenvolver produtos com corantes naturais podem estar à frente de seus concorrentes e ganharão a preferência do consumidor final”, avisa Blanco.

Química e Derivados - Juliana: sintéticos são mais estáveis e têm custo baixo
Juliana: sintéticos são mais estáveis e têm custo baixo

Em transição – Como não poderia ser diferente, o processo de substituição dos corantes artificiais pelos naturais é um desafio. Dos grandes. Os caminhos que levam à viabilização técnica e econômica dos novos produtos têm entraves a serem superados. O aditivo sintético ainda sai na frente em diversos quesitos. “A maioria dos corantes artificiais apresenta alta estabilidade (luz, oxigênio, calor e pH), uniformidade na cor, alto poder tintorial, isenção de contaminação microbiológica e custo de produção relativamente baixo”, resume Juliana Rosito, engenheira de alimentos da Nicrom Química. Tradicional no ramo de corantes, a empresa foi fundada em 1992, e tem como atividades principais a importação, distribuição, comercialização e logística de produtos químicos.

Outro ponto crítico dos corantes naturais se refere ao fornecimento das matérias-primas, que devem ser sustentáveis e padronizadas. Variações de acordo com safras ou condições climáticas podem comprometer a qualidade da aparência do produto final. “O sucesso no emprego de corantes naturais reside em controlar a matéria-prima (extração, purificação e formulação)”, afirma Juliana. Até por esses motivos, ela vê a transição como um processo paulatino.

Se o tema são os custos, os produtos sintéticos ganham na comparação. “Quando falamos em preço, o comprador recua”, comenta Carvalho, da Sunset, em alusão ao corante natural. Em outras palavras, segundo alguns representantes da indústria, essa categoria de produtos, por ora, está fadada a nichos de mercado. Carvalho sabe disso. “Trabalhamos há muitos anos com os sintéticos, e isso não vai mudar”, conclui. A Sunset abastece o mercado nacional com os corantes sintéticos padrões, como os amarelos crepúsculo e tartrazina; azuis brilhante e indigotina; vermelhos eritrosina, bordeaux, ponceau e allura; marrom e verde folha.

Química e Derivados - Leme: linha natural Avalanche substitui o dióxido de titânio
Leme: linha natural Avalanche substitui o dióxido de titânio

De qualquer maneira, os altos investimentos da indústria de corantes naturais para aprimorar a capacidade tecnológica e a descoberta de novas matérias-primas, ao longo dos anos, tornaram os desempenhos entre os corantes mais próximos. A estabilidade, um dos grandes pontos fracos do aditivo natural, segundo alguns, hoje é um desafio superado. Outro avanço se refere ao tempo de prateleira. Ao contrário do que ocorria há dez anos, quando o shelf life do aditivo natural não passava de seis meses, hoje há casos nos quais alcança dois anos, segundo Leme, da Sensient.

Nem o preço é um empecilho gigantesco mais, na opinião de Goldberg, da Döhler. Para ele, estudos recentes identificaram que o uso de corantes naturais já não traz um impacto tão grande no custo do produto final. Além disso, o valor agregado à marca torna o produto muito atrativo.

Marcelo Oliveira, gerente comercial da Atias Química, sente no seu faturamento a perda de participação de mercado dos corantes sintéticos. Segundo ele, apesar do setor reconhecer a qualidade e o alto teor de pureza dos produtos da marca indiana Neelikon (empresa parceira), as vendas caíram de forma significativa. A explicação não foge do óbvio. Trata-se da recessão econômica do país somada à projeção dos produtos naturais. “A tendência hoje é, de maneira geral, reduzir a adição de corantes em alimentos processados mesmo nos naturais”, pontua Oliveira.

A Atias Química concentra seu portfólio nos sintéticos. Com mais de 50 anos no mercado de importação e distribuição de aditivos, ingredientes e produtos químicos, a companhia tem presença em segmentos de grandes volumes como sucos, refrigerantes, doces e ração.

Química e Derivados - Extrato vegetal da Sensient dá cor para bebidas e sucos
Extrato vegetal da Sensient dá cor para bebidas e sucos

A pesquisadora Marta Gomes Silva, do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), apresenta um estudo feito por Dikshit e Tallapragada que elucida algumas diferenças entre os aditivos sintéticos e os naturais. Segundo a análise, os corantes sintéticos, sim, têm estabilidade superior aos corantes naturais por serem menos sensíveis aos agentes como luz, calor e pH (meio ácido), mas podem sofrer redução da intensidade da cor pela presença de agentes como ácido ascórbico e SO2. Por sua vez, sensíveis a calor, luz e oxigênio, os corantes naturais, sobretudo os obtidos de vegetais, podem ser susceptíveis às condições de pH, proteínas, íons metálicos ou compostos orgânicos.

Sintéticos são vilões? – Muitas pesquisas são feitas a fim de avaliar a ação dos corantes sintéticos na saúde do ser humano. Segundo Marta, estudos mostram que os resultados não são definitivos e dependem de fatores diversos, como o estado nutricional e a pré-disposição do consumidor em desenvolver alguma anomalia. “Além disso, os corantes não são utilizados ou consumidos de forma isolada, mas em combinação com diferentes alimentos”, comenta.

De qualquer forma, ela explica que a toxicidade está em geral relacionada aos corantes “azo” (crepúsculo, carmosina, ponceau 4R e vermelho 40). Mas ressalta: todos eles têm IDA (Ingestão Diária Aceitável) estabelecida e o consumo diário normal não excede o limite.

Química e Derivados - Sorvetes podem receber cores atraentes com produtos Vogler
Sorvetes podem receber cores atraentes com produtos Vogler

Aqui vale uma observação. Conforme diz o pesquisador Vialta, a concentração autorizada do aditivo para uso no alimento, em geral, é menor do que a empregada nos estudos que mostram possíveis efeitos adversos à saúde. Um exemplo prático: o IDA da tartrazina é de 7,5 mg/kg de peso corpóreo; ou seja, uma criança de 30 kg e um adulto de 60 kg podem ingerir 225 mg e 450 mg por dia do corante, respectivamente. Em condições normais, para o pesquisador, esses níveis dificilmente serão atingidos. No caso hipotético de serem ingeridos em excesso, efeitos adversos podem ocorrer. Alguns corantes sintéticos estão associados a processos alérgicos, congestão nasal, diminuição de apetite e hiperatividade, por exemplo.

Independentemente de serem naturais ou sintéticos, fica a pergunta: mas, afinal, para que serve o corante alimentício? Segundo a definição clássica, trata-se de toda substância ou conjunto de substâncias com função de intensificar ou restaurar um alimento, sendo utilizado tanto pela indústria (no caso, classificado como aditivo) quanto para preparar refeições nos lares e em estabelecimentos comerciais.

O corante é de suma importância para a atratividade do alimento. Os órgãos dos sentidos do ser humano captam quase 90% de suas percepções pela visão. Ou seja, conforme explica Juliana, da Nicrom, a aparência do produto pode exercer efeito estimulante ou inibidor do apetite, e a cor é um elemento chave. Por isso, entender as novas exigências da indústria alimentícia é questão de sobrevivência para os fabricantes de corantes.

Química e Derivados - Corantes alimentícios - Atento à saúde, consumidor prefere insumos naturais e tira mercado dos artificiais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.