Alimentos e Bebidas

Corantes alimentícios: Atento à saúde, consumidor prefere os naturais

Renata Pachione
1 de julho de 2019
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    Química e Derivados - Muffins coloridos ficam mais atraentes

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    Química e Derivados - Goldberg: rótulo limpo indica o futuro do setor alimentício

    Goldberg: rótulo limpo indica o futuro do setor alimentício

    Sob a ótica da saudabilidade, o mercado de corantes alimentícios se reinventou. Há algum tempo os consumidores pressionam a indústria a ofertar produtos com apelo saudável. Não por acaso, a demanda por corantes naturais cresce mais de 10% ao ano. O caminho é sem volta, porém nada retilíneo. Barreiras tecnológicas para esse incremento do consumo foram superadas, mas o custo não, tornando esta categoria restrita a um nicho. De qualquer forma, o setor não para. Os fabricantes investem alto em soluções afins com este novo perfil de compra. Prova disso, são os concentrados de vegetais e frutas, formulações desenvolvidas para colorir naturalmente, isentando o alimento do estigma de ser “aditivado”.

    A ideia de o produto alimentício ser colorido, mas sem a inscrição “contém aditivo” no rótulo corrobora o clean label, conceito que privilegia produtos capazes de realçar a redução, eliminação ou substituição de aditivos e ingredientes que os consumidores percebem como sendo um risco. “São produtos com apelos como sem conservantes, livre de OGM (Organismos Geneticamente Modificados) e sem aditivos”, explica Airton Vialta, vice-diretor do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), pertencente à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

    Essa prática já consolidada internacionalmente se fortalece ano a ano por aqui. Antes atrelado exclusivamente a segmentos de alto valor agregado, hoje, o conceito fomenta os negócios da indústria e se faz presente nos novos desenvolvimentos. “O clean label chegou, se estabeleceu e criou raízes que mostram que o futuro seguirá cada dia mais nesta forte direção”, aponta Norbert Goldberg, líder da unidade de negócios Sabores, Cores e Nutrição em Saúde da Döhler América Latina.

    Química e Derivados - Inácio: extratos vegetais são alternativa ao uso de corantes

    Inácio: extratos vegetais são alternativa ao uso de corantes

    Voltando ao alimento colorido sem corante, trata-se de uma resposta dos fabricantes à tendência de naturalidade. Em linhas gerais, são concentrados ou extratos de vegetais e/ou frutas capazes colorir sem declarar-se como corante. A Vogler Ingredients vê esta categoria de produto como uma terceira via entre os aditivos sintéticos e os naturais. A ideia aqui seria superar o preconceito do consumidor em relação ao corante. “Entregamos a experiência da cor, sem adicionarmos algo artificial. É uma solução ao cliente clean label”, afirma o gerente de marketing Régis Inácio. Ele se refere à linha da Vogler/CHR Hansen, Fruitmax. São ingredientes naturais, como beterraba, abóbora, cenoura e tomates, entre outros legumes e frutas, minimamente processados que passam por procedimentos simples e físicos como lavar, cortar, amassar e ferver para concentrar as cores.

    A Döhler trilha o mesmo caminho. Um exemplo vem de sua planta alemã, onde formulou um extrato de malte. Com propriedades de coloração e sem interferir no sabor, o ingrediente pode substituir o caramelo III e o caramelo IV, e ainda ser utilizado em dosagens reduzidas. O pulo do gato está no fato de o produto não ser identificado como um corante. “O extrato de malte será em breve uma alternativa muito procurada pelas empresas que querem se diferenciar e buscar uma comunicação melhor para seus produtos”, comenta Goldberg. Segundo o executivo, outro exemplo de ingrediente clean label da marca é o concentrado de cenoura negra.

    Química e Derivados - Doces contam com linha de corantes naturais da Döhler

    Doces contam com linha de corantes naturais da Döhler

    Sim, a preferência pelo produto alimentício mais natural possível é incontestável, mas nem sempre se reflete na decisão de compra. “O problema é que, muitas vezes, não se quer pagar por isso. Em São Paulo, o consumidor busca novidades e olha o rótulo. Mas sem ir muito longe, no interior do Estado, essas questões já não são muito valorizadas”, observa Inácio.



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