Meio Ambiente (água, ar e solo)

Controle do Ar – Sistemas chegam ao final da vida útil e exigem reposição

Marcelo Furtado
14 de dezembro de 2012
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    Emissão do lixo – Uma nova demanda, que poderá ajudar a manter as expecta­tivas positivas para os especialistas em controle de poluição atmosférica, deve começar a surgirem breve. Trata-seda tecnologia empregada para evitar emis­sões em sistemas de reciclagem energé­tica de lixo doméstico, ou seja, de equi­pamentos de queima de lixo para gerar energia e vapor. Muitos projetos devem sair nessa área nos próximos anos por causa do sinal verde dado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que permite o uso da tecnologia de incineração de lixo, desde que agregada à geração de energia. Em Barueri-SP, já foi feita concorrência, ganha pela Foxx, e estão em fase inicial outros projetos, com destaque nas cidades de Porto Alegre-RS e São Bernardo do Campo-SP.

    Ao instalar a unidade da chamada waste-to-energy, há a necessidade de inclusão de vários sistemas para abater as emissões, que hoje são consideradas totalmente sob controle. Tanto é assim que a tecnologia tem larga aplicação na Europa, continente com leis ambientais mais avançadas. A Suécia, por exemplo, incinera e gera energia de mais de 50% do seu lixo, assim como a Alemanha, cuja taxa supera os 40%. Neste último caso, aliás, o país conta até com o apoio do Partido Verde, que considera a tecnologia waste-to-energy como ambientalmente correta (ver QD-522, junho de 2012).

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    Todos esses incineradores, na atu­alidade, contam com uma bateria de controles para livrar o ar dos gases de combustão. Para eliminar o material particulado, utilizam-se os tradicionais filtros de manga ou precipitadores ele­trostáticos. Na remoção de poluentes ácidos gasosos, há depuração úmida de um único estágio ou de estágios múlti­plos ou ainda de sistemas de depuração baseados em produtos de cal e hidróxido de sódio. Também podem ser emprega­dos sistemas de absorção com leite de cal e depuração seca com cal hidratada ou com bicarbonato de sódio.

    Para remover metais pesados e com­postos orgânicos, as opções são a injeção de carvão ativado, o absorvedor de leito fixo de carvão ou a remoção catalítica de dioxinas, havendo a necessidade. Na desnitrificação, são muito utilizados o processo SCR (redução seletiva catalíti­ca) para reduzir as emissões de NOx ou o processo SNCR (redução seletiva não-catalítica), usando soluções de amônia ou ureia. O sistema de controle conta ainda com as tecnologias de recuperação de energia para evitar emissões, como os sistemas de transferência de calor para preaquecimento do ar de combustão, a condensação dos gases de combustão e a transferência de calor dentro da limpeza dos gases de combustão para otimizar a eficiência energética.

    A Centroprojekt conta com tecno­logia da norte-americana Hoskinson, sistema de gaseificação por pirólise, indicado para cidades com mais de 200 mil habitantes. “Já estamos com propos­tas, algumas adiantadas, em mais de dez cidades do Sudeste”, explicou o gerente da divisão de ar, Carlos Borgheresi. Conforme ele revela, está para ser assi­nado um contrato de fornecimento para uma concessionária privada da área de aterros.

    De acordo com Borgheresi, o forno de pirólise chega a 1.200ºC. Para con­trole, usa equipamento para retenção de particulado (filtro de manga ou precipitador eletrostático da suíça Elix), dessulfurização (FGD) a seco, reator com cal hidratada e sistema catalítico que elimina não só NOx como dioxinas e furanos. Segundo ele, o sistema só não aceita metais, que precisam ser segregados antes. Por exemplo, o aço de pneus é recuperado antes da incineração, comprovando o fato de que a reciclagem energética incentiva a recuperação de materiais. Autossuficiente em energia, o forno aceita até lixo hospitalar.

    A Enfil também está na expecta­tiva desses novos fornecimentos, por meio de acordo com a alemã Fisia Babcock Environment, empresa com mais de 400 centrais de reciclagem energética no mundo. “Já fizemos até um PMI (Programa de Manifestação de Interesse), em Porto Alegre, em consórcio com a Foz do Brasil”, revelou Tarabini. Segundo o diretor, o sistema conta com controle full-gas-cleaning, para abater todas as emissões. Esses equipamentos são responsáveis por 15% do investimento total da unidade. “É caro, mas posso garantir que eles tornam a operação totalmente segura e sem emissões”, disse.

    Aliás, o custo dessas centrais, de acordo com Tarabini, também é elevado, com alto valor de geração de energia. “Se fosse barato, ninguém queimaria carvão ainda, mas sim lixo”, comparou. É por essa razão que, para seguir em frente no Brasil, os projetos precisarão contar com subsídio governamental. Pelas suas contas, uma planta com capacidade para 500 t/dia de queima, para uma cidade de 600 mil habitantes, gera energia para apenas 10 mil pessoas. “A tecnologia soluciona o problema ambiental, mas enquanto as cidades não assumirem a responsabilidade e o custo da implantação, elas continuarão a despejar o lixo em aterros ou lixões”, disse. Segundo ele, o custo do tratamen­to de resíduos domésticos no Brasil, considerando a destinação em aterros controlados, está por volta de US$ 45/t per capita por ano, enquanto no resto do mundo o valor é de US$ 182,00. “Mas esse preço vai subir e as cidades vão começar a ver a reciclagem energética com outros olhos”, finalizou.



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