Meio Ambiente (água, ar e solo)

Controle do Ar – Sistemas chegam ao final da vida útil e exigem reposição

Marcelo Furtado
14 de dezembro de 2012
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    No Brasil, por ter poucas usinas a car­vão, o foco da tecnologia da Hitachi será em revamps ou obras novas de fornos de sinterização. A troca é feita sem parar o precipitador, montando o sistema ao lado do campo a ser substituído e embutindo-o em cima de um trilho. Segundo o diretor, o sistema tem sido muito utilizado na China, para controlar a alta emissão de particulados de suas usinas térmicas a carvão.

    Química e Derivados, Wilton Cazaes, Diretor da divisão ar da Centroprojekt,

    Wilton Cazaes: receio de os pedidos aparecerem de uma só vez

    Obras – A outra fornecedora de siste­mas de controle de poluição do ar, a Centroprojekt, compartilha da mesma visão do mercado atual, a de que há escassez de obras e muita expectativa com relação a reformas e modernizações. De acordo com o diretor da divisão ar, Wilton Cazaes, a crise internacional afetou o principal cliente, o setor siderúrgico; e por essa razão vários projetos foram adiados. Da mesma forma, a situação faz essa indústria protelar investimentos de revamps nas unidades. “Meu medo é as obras apa­recerem todas de uma vez. A demanda pode não ser atendida pelas empresas nacionais”, disse.

    Mesmo com a escassez, no momen­to a empresa fornece precipitadores eletrostáticos para unidades de peloti­zação da Vale em Vitória, no Espírito Santo, e da Samarco (sociedade entre Vale e BHP Billiton), em Ponta de Ubu, no mesmo estado. Atendendo a expansões produtivas, são quatro equipamentos para cada unidade, com capacidade média de retenção de parti­culados de 1,5 milhão de Nm3/min, em obras que envolvem valores de até R$ 40 milhões no total para cada empresa.

    Segundo o gerente de propostas da Centroprojekt, Carlos Borgheresi, as unidades instaladas também conse­guem reduções altas de particulados, de5 a10 mg/Nm3, abaixo dos padrões exigidos pela legislação. “É interessan­te para as siderúrgicas abater o máximo possível, porque boa parte do minério é recuperada”, disse Borgheresi. Os filtros da Vale estão na fase final de montagem, e os da Samarco, no início.

    A Enfil também realiza algumas obras pelo país em controle de poluição do ar. O fornecimento mais importante, entregue em regime de turn-key há três meses, foi para a Vale Manganês,em Ouro Preto-MG. Trata-se de sistema de despoeiramento para forno de ferro-manganês, desenvolvido pela própria Enfil em parceria com a Vale, que se baseia em tecnologia a seco, ao con­trário do convencional sistema úmido, de lavagem dos gases, com uso muito perdulário da água e com maior perda de carga.

    A tecnologia desenvolvida, segun­do Tarabini, opera com um sistema que inclui um flare com pressão negativa, que direciona por sucção os gases para uma câmara de combustão a 800ºC. Após a queima na câmara e a elimina­ção do carbono, a emissão passa pela bateria de ciclones, para captura dos particulados mais pesados que assim não decantam no trocador de calor em U por convecção. O trocador reduz a temperatura dos gases para assegurar a entrada compatível com o filtro de mangas (de fibra de vidro especial), que abate os particulados da chaminé a 5 mg/Nm3.

    Química e Derivados, Carlos Borgheresi, Gerente de propostas da Centroprojekt, Controle do ar

    Carlos Borgheresi: waste-to-energy vai criar nova demanda

    A pressão negativa do sistema, de-2 a-4 mm, é provocada por dois ventiladores de exaustão, que operam em paralelo após o filtro de mangas no topo do sistema. “O projeto foi feito junto com a Vale e, por isso, quando começamos a operá-lo e em razão de seu ineditismo, sabíamos que seriam necessários ajustes”, explicou. E foi o ocorrido. Depois da partida do sistema, foi constatada incrustação no queima­dor, resultado da sinterização do gás natural, por causa de queda na tempe­ratura. Isso aumentava a perda de carga, deixando a pressão positiva (+/-1 mm), porque o exaustor não conseguia puxar os gases direito, gerando emissão fugi­tiva. “Com ajuste na temperatura, por meio de mais injeção de ar para manter a temperatura alta, a crosta parou de se formar”, disse Tarabini.

    Segundo o diretor da Enfil, o siste­ma via seco criado é a única referência no mundo para ferro-manganês. Além de o desenvolvimento abrir mercado para a empresa fora do país, pode vir a ser empregado pela própria Vale, em outro forno semelhante localizadoem Simões Filho-BA. Provavelmente, e se houver pressão ambiental, como ocorreuem Ouro Preto, que não tratava as emissões, a empresa também deverá adotar a tecnologia no forno baiano, abrindo nova concorrência. A obra na cidade histórica de Minas Gerais foi orçada em R$ 35 milhões e levou um ano e meio para ser executada.



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