Controle de odor: Combate ao mau cheiro

Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro

Um vizinho indesejável, que provoca no quarteirão um entra-e-sai de caminhões e, ainda por cima, empesteia o ar com fumaça e um odor repugnante, transformando a vida das pessoas da redondezas em uma experiência nada agradável.

Poucas são as industriais hoje em dia que não se preocupam por ter uma imagem dessas na vizinhança.

E isso não só porque estejam engajados na já desgastado conceito de sustentabilidade, que prece entre outros aspectos o bom convívio com a comunidade.

Mas também (e talvez principalmente) por causa objetivas: os incomodados passaram a reclamar mais e as autoridades ambientais se tornaram um pouco mais atentas ao cumprimento de algumas leis.

Entre os motivos de atrito entre indústria e comunidade, o odor tem papel de destaque.

Afinal de contas, sua natureza volátil pode invadir qualquer quintal da vizinhança e manter-se presente até o despertar da náusea e da ira das pessoas, que tendem a se rebelar contra a indústria mais próxima.

Além disso, a lembrança olfativa constante suscita também o imaginário da população a respeito dos riscos da poluição, mesmo sabendo que parte considerável dos odores não tem relação direta com possíveis danos a saúde causados por emissões industriais atmosféricas.

E é justamente por cauda dos erros de interpretação dos reclamantes que se torna temerário depender apenas deles para embasar a política de atuação dos órgãos ambientais em questões por vezes tão subjetivas como a do odor.

Lentamente, as agências mais adiantadas do Brasil, seguindo práticas comuns nos países desenvolvidos, adotam postura proativa para o controle. É o caso, por exemplo, da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb).

De acordo com o assistente-executivo da diretoria de controle de poluição ambiental da Cetesb, Laércio Vechini, em São Paulo a política de controle das fontes de poluição, incluindo aí o odor, hoje se baseia no novo sistema de licenciamento ambiental, no qual as licenças são renováveis por prazos que vão de dois a cinco anos (dependendo da complexidade do processo industrial).

Isso porque a cada nova licença a empresa precisa relacionar ao órgão o seu fluxograma completo de processo, enumerando todos os seus equipamentos, máquinas e matérias-primas empregados, incluindo logicamente todas as mudanças ocorridas na produção.

“A partir daí fazemos uma análise técnica e identifi camos todas as fontes de odor da indústria”, explicou Vechini.

Fica fácil compreender, então, como o órgão ambiental se fortaleceu em suas exigências de controle, depois da adoção do sistema de renovação.

Química e Derivados, Laércio Vechini, assistente-executivo da diretoria de controle de poluição ambiental da Cetesb, Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro
Laércio Vechini: sem controle do odor licença não pode ser renovada

“Caso a empresa não apresente, para cada fonte de geração de odor, uma solução técnica eficaz, a licença não é renovada, o que significa interromper a produção”, completou o também assistente executivo da Cetesb, Eduardo Serpa.

Normalmente, não há tolerância: ou o sistema de controle está em operação ou a licença não sai.

Apenas em casos excepcionais, quando a implantação de combate ao odor (ou a outros tipos de poluição) tenha demandado um prazo de instalação um pouco maior, por motivos “explicáveis”, há a expedição de uma licença de operação a título precário, de apenas seis meses e condicionada ao cumprimento de acordo formal.

Sem mágicas– Como tecnologia para controle de odor, a posição dos técnicos da Cetesb é muito clara, fruto da larga experiência com a fiscalização dos mais variados tipos de empresas concentradas em São Paulo, de longe o estado mais industrializado do país.

Para Eduardo Serpa, não há mágica: controle de odor é feito com melhorias no processo e, com o mesmo nível de importância, com o uso de equipamentos apropriados para o tratamento, como lavadores de gases, filtros e sistemas de pós-queima de componentes voláteis, como os termooxidantes ou as tecnologias catalíticas.

Química e Derivados, Eduardo Serpa, assistenteexecutivo da Cetesb,Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro
Eduardo Serpa: solução envolve melhorias no processo e

“Afora isso, trata-se de perfumaria, ou seja, de sistemas que no máximo podem complementar o controle, dando um polimento no combate ao odor”, afirmou Serpa, referindo-sesobretudo aos tratamentos químicos com neutralizadores ou aos encapsuladores de odor.

Para embasar sua visão, o assistente executivo usa o exemplo de fontes de geração de odor consideradas de alto impacto: a indústria de ração animal e o tratamento de esgotos.

No primeiro caso, ele considera emblemático o cuidado que algumas empresas passaram a ter para evitar a emissão de odores dessa indústria que utiliza como matéria-prima principal resíduos animais, por si só uma grande fonte de mau cheiro.

Para começar, elas adotaram sistema de coleta rápida das carcaças animais, feitas normalmente em açougues, mesmo princípio empregado na manipulação ocorrida durante o processo.

E investiram em câmaras frias para evitar a exposição dos resíduos, que sem essa providência entram em putrefação rapidamente, exalando o mau cheiro característico.

“Há também a preocupação de manter, por exemplo, um digestor de cozimento substituto. Caso haja problema com o primeiro, não há risco de se expor a vizinhança ao péssimo odor proveniente dessa etapa do processo interrompida para manutenção”, complementou Laércio Vechini.

O outro exemplo para confirmar a tese de Serpa, no tratamento de esgotos, também é especialmente feliz por ser uma das operações mais visadas, tanto por comunidades vizinhas que reclamam do odor proveniente principalmente das reações biológicas anaeróbicas (as bactérias sulfatorredutoras geram gás sulfídrico) como por empresas que tentam vender sistemas para neutralizar ou combater o odor de forma geral.

Na sua opinião, dificilmente uma estação de tratamento de esgotos não consegue resolver seus problemas de odor consertando falhas na operação, sem precisar recorrer a tecnologias para mascarar. “Minha experiência em várias situações de fiscalização confirma essa tese”, revelou Serpa.

Segundo ele, as ocorrências mais comuns para acabar com os problemas de ETEs contemplam a limpeza de grades, o desassoreamento de lagoas, a distribuição correta do esgoto pela estação e o controle do tempo de permanência do processo.

“O que para muitos é um efeito natural da manipulação do esgoto, na verdade é um problema de operação e manutenção da estação”, disse. “Já vi muitas estações acabarem com os odores apenas fazendo esse tipo de melhoria”, completou.

Além da sua experiência nas ETEs paulistas, a convicção de Eduardo Serpa com relação a melhorias no processo como forma de eliminação de odor se baseia também em visita internacional realizada em uma estação de tratamento de Los Angeles, na Califórnia-EUA.

Situada em região de alta densidade populacional, e reagindo a reclamações, a companhia local organizou painéis com moradores para identificar as fontes de odores da estação que mais incomodavam.

Depois de identificada a geração responsável, a solução foi cobrir a fonte e criar um sistema de dutos de sucção para levar o ar com o odor para servir de alimentação da aeração do sistema biológico. “Este é um exemplo barato e eficiente que pode servir de modelo para várias estações”, explicou.

RTO – Além de a solução californiana ter livrado a vizinhança do mau cheiro e gerado economia de energia no sistema de aeração, também serviu para reforçar a visão dos técnicos da Cetesb a respeito do controle de odor. Isto é: quando o problema existe – e não pode ser evitado – há a necessidade de se criar uma solução engenheirada, pensada especificamente para a aplicação em cima do know-how tecnológico.

Ela pode ser relativamente simples como a de Los Angeles, que só precisou de um sistema de cobertura e exaustão, como pode ser mais complexa, contemplando equipamentos de destruição dos odores.

Química e Derivados, O oxidante térmico regenerativo na Reichhold: destruição de VOCs, Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro"
O oxidante térmico regenerativo na Reichhold: destruição de VOCs

Neste último caso, vale como ótimo exemplo um projeto em via de ser inaugurado em Mogi das Cruzes-SP, na unidade da norte-americana Reichhold, importante produtora de resinas termofixas e de polímeros para tintas e revestimentos.

Instalada desde 1976 no distrito de Brás Cubas – ainda como a nacional Resana (adquirida em 1996) e em uma área até então desabitada –, ao longo dos anos a empresa viu-se cercada por moradias, parte delas legalizadas e outras frutos de invasão.

Com os novos vizinhos, sua atividade industrial, dependente de vários solventes e de prépolímeros de forte odor (como o acrilato de butila), passou a chamar a atenção e a receber reclamações.

A primeira medida foi instalar nos três setores produtivos principais um lavador de gases, há cerca de vinte anos, que foi complementado há uns oito anos com a aspersão de uma névoa de produto encapsulador.

Mas o problema aí é que todo o restante da fábrica, incluindo os tanques e locais de manipulação de matéria-prima e a unidade piloto, ficava a descoberto do tratamento, deixando ainda escapar ondas de odores a depender da resina em produção.

Segundo explicou o diretor-industrial da Reichhold, Flavio Rijo, junte-se a isso as expansões da fábrica, que hoje produz 6 mil t/mês de resinas, e os novos princípios da empresa controladora e o resultado foi a decisão por um projeto ambiental de porte, denominado “Fábrica Verde”, que inclui uma solução completa para os odores de toda a unidade.

Química e Derivados, Flavio Rijo, diretor-industrial da Reichhold, Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro"
Flavio Rijo escolheu o RTO após visitar subsidiárias

“Viajamos o mundo todo, em praticamente todas as 20 unidades da Reichhold, para ver o que de melhor haveria para solucionar os nossos problemas de odor”, recordou o diretor.

Com a bagagem lotada de informações, a equipe liderada por Flavio se decidiu por uma das tecnologias consideradas o estado-da-arte na destruição térmica de componentes voláteis: o RTO (regenerative thermal oxidation), contratando uma empresa alemã, a Dürr (com fábrica no Brasil), para instalar sua versão desse sistema amplamente empregado no mundo e com oito instalações no Brasil.

O RTO escolhido para a Reichhold se baseia em um sistema com três torres (leitos), as quais funcionarão com capacidade total de destruição de 25 mil Nm3/h de gases captados por meio de 500 metros de dutos que partem de 44 fontes de geração: 13 reatores, 30 tanques e 1 unidade piloto.

Para chegar ao objetivo da oxidação térmica dos VOCs, ou seja, a geração de apenas água e gás carbônico pela chaminé, o equipamento trabalha com uma temperatura de 850ºC, a um tempo de residência de no mínimo 0,5 segundo e por meio de um queimador de alta velocidade com capacidade de manter a geometria da chama independente da direção do fluxo dos gases dentro da câmara de combustão.

Autotérmico– Mas o grande mérito do RTO é sua eficiência térmica elevada. Isso é possível graças ao seu recheio de cerâmicas especiais que têm a propriedade de absorver e manter rapidamente o calor da queima.

Química e Derivados, Abner Ribeiro de Souza, engenheiro da Reichhold, Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro"
Abner Ribeiro de Souza: economia de energia com as cerâmicas

“Isso permite que o queimador só precise ser acionado de vez em quando, para corrigir as oscilações da temperatura, reduzindo em até dez vezes o consumo de energia em comparação a um sistema termooxidante convencional”, completou o engenheiro Abner Ribeiro de Souza, da Reichhold.

O equipamento funciona de maneira simples.

Os gases, ao entrarem na primeira torre, a uma temperatura média de 25ºC, passam pela primeira bateria de cerâmica, que os eleva até perto da temperatura necessária para a oxidação dos poluentes (+/- 700ºC).

Dentro da câmara de combustão, os queimadores de apoio elevam a temperatura dos gases até o ponto desejado para a destruição completa (850ºC) dos componentes voláteis.

Dependendo da concentração e da capacidade térmica dos poluentes, a própria energia dos poluentes poderá ser sufi ciente para manter o processo de oxidação funcionando sem adicionar combustível. Neste caso, o RTO trabalha no modo “autoterm” (autotérmico).

Após a oxidação completa na câmara dos poluentes, os gases limpos saem de lá devolvendo a energia armazenada para as cerâmicas da segunda torre.

Finalmente, a corrente gasosa limpa (CO2 e H2O) vai para a atmosfera perto da temperatura de entrada (+/- 60ºC). Na seqüência do processo de despoluição, a direção do fluxo se inverte, em um ciclo de 1 minuto, por meio da abertura de válvulas.

Outro detalhe do projeto é muito importante. Durante o uso das duas torres para a troca e regeneração de calor, a terceira torre recebe a purga com gases limpos para prepará-la para o próximo ciclo. Esse processo de purga evita picos de poluentes saindo do sistema durante o momento de inversão do fluxo.

Segundo o gerente da unidade de negócios de energia e meio ambiente da Dürr, Joachim Lorenzen, a eficiência térmica da RTO com esta tecnologia é de 95% e a eficiência de destruição dos poluentes é de 99,9%.

De acordo com o diretor Flavio Rijo, a capacidade de regeneração do sistema permite um retorno sobre investimento muito rápido, de até um ano, com economia de energia, no caso o gás natural utilizado pela Reichhold.

Pela sua previsão, o equipamento deve entrar em operação até março de 2009, depois de ter passado por uma reengenharia em virtude de uma falha ocorrida durante o período de testes iniciado em 2007.

Química e Derivados, Joachim Lorenzen, gerente da unidade de negócios de energia e meio ambiente da Dürr, Controle de odor - Fiscalização e 'boa vizinhança" incentivam combate ao mau cheiro"
Joachim Lorenzen: soluções térmicas da Alemanha feitas no Brasil

“Como há muitos vapores inflamáveis, toda a rede de exaustão precisa contar com corta-chamas e sistemas de segurança para evitar explosões”, explicou.

Além disso, os dutos são separados entre os gases diluídos, captados em áreas abertas, e os inertes, provenientes de áreas fechadas, sobretudo dos reatores.

Outro ponto muito importante do projeto é a possibilidade do RTO também livrar a empresa de parte de seus efluentes mais problemáticos em termos de geração de odor. Isso porque a unidade contempla ainda um vaporizador que volatizará até 450 litros/hora de efluentes oriundos da produção de poliéster e de resinas fenólicas.

Com isso, os gases gerados seguem para a destruição no RTO. Além de aliviar a estação de tratamento de efluentes da Reichhold, que poderá suportar novas expansões da produção, eliminará a principal fonte de emanação de odores da ETE.

Bom ressaltar ainda que a unidade conta com um lavador de gases sobressalente interligado, para casos de interrupção por problemas técnicos ou manutenção. “Qualquer problema, o fluxo é desviado para o scrubber”, completou Rijo.

Mais tecnologias – Embora o foco na Reichhold e na maior parte das indústrias que utilizam a oxidação térmica seja o combate ao odor, o seu uso também beneficia o controle de poluição atmosférica, visto que os componentes voláteis orgânicos (VOCs), em contato com a luz solar e os óxidos de nitrogênio (NOx), geram o ozônio troposférico, um dos piores poluentes das cidades.

O uso desses equipamentos se torna, portanto, um componente importante nesse sentido e o seu uso na indústria, segundo afirmou Joachim Lorenzen, deveria ser mais difundido no Brasil, como o é em outros países. Só para se ter uma idéia, apenas a Dürr já projetou e instalou mais de 3 mil sistemas de destruição oxidativa de VOCs por todo o mundo.

Fornecedora no projeto da Reichhold, a Dürr conta com um portfólio variado de tecnologias. No Brasil, mesmo estando há mais de quarenta anos com fábrica própria, sua atuação principal é em sistemas de pintura para a indústria automobilística, onde por sinal possui também trabalho para oxidação de VOCs.

Apenas na última década, a empresa diversificou para a área ambiental no país e hoje conta com oito instalações, sendo apenas mais duas no mesmo conceito da Reichhold de RTO por torres: em unidade da Dow na Bahia e duas na Fiat em Betim-MG.

As demais são no conceito rotativo (Rohm and Haas, em Jacareí-SP; Ford, em Camaçari-BA; e Volkswagen, em Taubaté-SP) e no horizontal (GE Plásticos, São Paulo).

O sistema rotativo segue o conceito do RTO, usando a retenção de calor das cerâmicas. Mas se utiliza de um tambor para armazenar segmentos separados de cerâmica no qual uma válvula no fundo do equipamento inverte temporariamente o fl uxo de ar (de cima para baixo e vice-versa) sobre doze segmentos de cerâmica.

É muito empregado onde não há espaço físico para a instalação. Já o sistema RTO horizontal usa dois corpos de cerâmica, um à esquerda e outro à direita de uma câmara de combustão, cujo fluxo é invertido nessas duas direções.

Em virtude da ausência do sistema de purga das cerâmicas, antes da inversão do fluxo, segundo Lorenzen, a eficiência térmica do equipamento horizontal é um pouco inferior em relação à das tecnologias de três torres e dos rotativos.

Além do conceito regenerativo, a Dürr também possui sistemas de oxidação recuperativos. Nesse caso, trata-se da combinação de câmara de combustão com um trocador de calor tubular de fluxo contínuo, no qual os gases limpos e quentes trocam continuamente calor com os gases poluídos frios antes da entrada na câmara de combustão.

Em razão da limitação de resistência contra temperatura elevada no aço usado na construção do trocador, as trocas de calor dos gases quentes para os frios não são tão completas como nas RTOs com cerâmicas. O gás limpo, neste caso, tem temperatura de 500ºC quando sai do equipamento.

Daí o motivo dessa tecnologia ser muito usada em indústrias com necessidade de calor para os processos produtivos, por exemplo, para gerar vapor no setor químico ou para secagem de pintura em montadoras de carros.

Pesquisa – Além da aposta em uma tecnologia pouco usada no Brasil, um outro aspecto muito importante no projeto da Reichhold foi a preocupação da empresa de reunir informações mais precisas para embasar sua estratégia de combate ao odor.

Para isso, foi encomendada uma extensa pesquisa a uma empresa especializada para quantificar a eficiência do sistema e avaliar a percepção de imagem da Reichhold após a implantação do projeto do RTO.

“Queríamos saber primeiro o que a comunidade pensa de nós até agora e, em uma segunda fase da pesquisa, depois de instalado o sistema, saber o que mudou nessa percepção”, explicou o diretor-industrial Flavio Rijo.

Pronta a primeira parte da pesquisa, que incluiu entrevistas com líderes de opinião da região e com a população vizinha, foi possível confirmar que a imagem da empresa sempre esteve ligada a um histórico de emissão de odores.

Mas, da mesma forma, a pesquisa revelou que o cenário passou a mudar nos últimos anos, depois que a empresa colocou em prática ações mitigadoras e ampliou a comunicação com a vizinhança.

O melhor de tudo, porém, foi entrar nos detalhes das percepções dos vizinhos com relação aos odores. Saber, por exemplo, os horários, as freqüências e a intensidade dos desconfortos.

Ou ainda saber, com certa surpresa, que a Reichhold não é a principal referência dos moradores pesquisados como fonte emissora de odores, mas sim a produtora de papel Suzano, distante cerca de dois quilômetros da fábrica e com processo industrial reconhecidamente tido como “fedorento”.

Apenas os vizinhos mais próximos, no distrito de Brás Cubas, igualam a responsabilidade “odorífica” da Reichhold com o da papeleira. Outra descoberta interessante foi saber que o produto usado pela empresa responsável pelo maior desconforto foi o acrilato de butila, causando nos entrevistados as maiores e piores recordações quando confrontados nos chamados sniff-tests.

Associar a busca pela tecnologia correta de destruição do odor com essa complexa pesquisa de mercado, procurando saber o que a comunidade pensa e ouvindo com seriedade suas demandas, parece ter sido a escolha certa para a Reichhold resolver seu problema.

E isso por um motivo decisivo: a vontade aí demonstrada para solucionar o problema ambiental teve o mesmo empenho técnico e o esforço de trabalho que as empresas dedicam, por exemplo, para aumentar a sua produção ou ganhar mais dinheiro.

Ou seja, nesse caso o gerenciamento ambiental deixou de ser assunto secundário e ganhou a projeção necessária para tornar o chamado desenvolvimento sustentável não apenas uma expressão de efeito.

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