ABES Fenasan: Congresso apontou entraves para alcançar as metas oficiais do saneamento ambiental

Química e Derivados, Fenasan: ABES e AESABESP unificam seus congressos e ampliam o escopo das apresentações e debates
Química e Derivados, Congresso apontou entraves para alcançar as metas oficiais do saneamento ambiental

A questão da universalização dos serviços de água e esgoto gerou intensos debates durante o Congresso ABES Fenasan 2017, realizado na capital paulista, no início de outubro, em um dos pavilhões do São Paulo Expo. As carências ficaram expostas: escassez de recursos e gestão inadequada por parte das operadoras.

Química e Derivados, Alckimin sugeriu reduzir peso dos tributos sobre operadoras
Alckimin sugeriu reduzir peso dos tributos sobre operadoras

As estatísticas mostram que 2,5 milhões de domicílios brasileiros não possuem instalações sanitárias; 83% da população têm acesso à rede de água e 50% à coleta de esgoto (somente 42,67% do esgoto coletado é tratado). O sonhado projeto governamental de se atingir a universalização em 2033 é algo em que poucos acreditam.

O governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, sugeriu a desoneração fiscal para que as operadoras disponham de mais recursos para investimentos. O deputado federal João Carlos Papa (PSDB-SP) citou que a isenção da cobrança do PIS/Cofins poderia disponibilizar R$ 4 bilhões/ano. Alckmin frisou que uma ênfase governamental maior nas obras de saneamento contribuiria para a diminuição do desemprego, outro grave problema do país.

O presidente da Sabesp, Jerson Kelman, defendeu o crescimento real das tarifas para que se possa caminhar rumo à universalização. No Estado de São Paulo, 215 municípios (33% de um total de 645), já operam nessa condição.

O secretário de saneamento e recursos hídricos de SP, Benedito Braga, Papa e o senador Roberto Muniz (PP-BA), membro da comissão de Meio Ambiente, concordaram que as tarifas devem ser realistas, que se necessita de recursos financeiros com taxas acessíveis, de maior participação do capital privado e do convencimento da classe política sobre a importância do saneamento público. “Não é um caminho fácil”, reconheceu Muniz.

Os debates em torno da primeira revisão do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), prevista para o final de 2018, já começaram e não deverão alterar o horizonte de 2033. Esta é a opinião, contestada por muitos especialistas, de Ernani Ciríaco de Miranda, diretor do departamento de planejamento e regulação do Ministério das Cidades.

Química e Derivados, Miranda confirma execução das metas do Plansab para 2030
Miranda confirma execução das metas do Plansab para 2030

Iniciado em 2013, o Plansab contempla, entre suas grandes metas, a universalização do abastecimento de água nos domicílios urbanos e 80% nos rurais; coleta e tratamento de 93% do volume de esgoto (69% no rural); e coleta plena de resíduos sólidos na área urbana e 70% na rural. A intenção de não ter nenhum município com lixão a céu aberto para os resíduos sólidos até 2033 já não é exequível, admitiu Miranda.

“O grande desafio é viabilizar os investimentos necessários, principalmente por causa da crise fiscal”, afirmou. No período 2014-33, o Plansab envolve gastos de R$ 508 bilhões (água, R$ 122 bilhões; esgoto, R$ 181 bilhões; e R$ 112 bilhões só com gestão). “Até agora, foram executados R$ 60 bilhões e estão comprometidos R$ 40 bilhões”, declarou Miranda. Os temas perdas de água, eficiência energética e regulação poderão estar no futuro texto revisto.

O superintendente de planejamento de recursos hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA), Sérgio Ayrimoraes, esboçou a realidade em números: 27% da população têm abastecimento satisfatório; 40% requerem ampliação do sistema; e 33% demandam novo manancial. É necessário aplicar R$ 22,2 bilhões até 2025 em novos mananciais e na adequação dos sistemas de produção de água.

Por outro ângulo, 45% da população não dispõem de solução de esgotamento adequada; 70% das cidades não têm estações de tratamento de esgoto – há 2.768 ETEs em operação em 1.592 cidades (são 5.570 no país). Da carga total de esgotos (9.098 tDBO/dia), apenas 39% são tratados e o restante é jogado nos rios. Estima-se em R$ 149,5 bilhões, até 2035, o investimento adequado para coleta e tratamento de esgotos. “A gestão é o caminho crítico”, pontuou.

Rogério de Paula Tavares, vice-presidente de relações institucionais da Aegea Saneamento, também cutucou: “O planejamento e a gestão são o calcanhar de Aquiles do saneamento”. E fez as contas: “Pelo ritmo atual dos investimentos, o país só atingirá a universalização em 2052. Seriam necessários R$ 19,8 bilhões/ano para atingir as metas em 2033”.

Química e Derivados, Freitas: novos coagulantes aceleram tratamento de água
Freitas: novos coagulantes aceleram tratamento de água

Segundo Tavares, apenas 1.693 cidades (30%) realizaram os respectivos Planos Municipais de Saneamento Básico e 38% declararam que estão com os planos em andamento. Somente em três Estados mais de 50% dos municípios fizeram os seus PMSBs: Santa Catarina (86%), São Paulo (64%) e Rio Grande do Sul (54%). Os maiores gargalos estão na Região Norte.

Considerando a “baixa disponibilidade nos orçamentos públicos e a pouca atratividade das condições de oferta de recursos por parte da CEF e do BNDES”, Tavares defendeu a cooperação entre os setores público e privado e, num cenário de economia estável, a busca no mercado de capitais como “principal fonte de recursos”.

A própria Aegea é um exemplo. Em sua primeira emissão de bônus, obteve, recentemente, US$ 400 milhões com vencimento em 7 anos e juros semestrais de 5,75% ao ano. Criada em 2010, é uma das maiores companhias brasileiras privadas de saneamento. Está em 48 cidades em 10 Estados, atendendo mais de 5,4 milhões de pessoas. A população acolhida pela iniciativa privada é de 31,5 milhões, ante 30,6 milhões em 2016, comunica a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon).

A ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental apresentou o ranking da universalização do saneamento, efetuado em 231 municípios com mais de 100 mil habitantes, e que abrange uma população de 99,8 milhões – São Luís-MA foi a única capital não incorporada por não ter fornecido os dados.

O estudo evidencia que apenas 6% dos municípios (14) estão enquadrados na categoria Rumo à universalização; 18% (41) têm Compromisso e 76% (176) dão os Primeiros passos. A falta de saneamento provoca doenças e mortes.

As perdas de água – estimadas em 36,7%– também preocupam. Alckmin prometeu substituir as tubulações antigas para evitar micro perdas em grandes profundidades. A Aegea criou a central de Gestão e Controle de Perdas (GCP), em Santa Bárbara d’Oeste-SP, para corrigir falhas em tempo real.

E a Suez possui contratos de performance para combater o desperdício nos Estados de São Paulo e Pernambuco. “O gerenciamento dos sistemas de abastecimento de água em tempo real, com consumo de energia otimizado e monitoramento digital de todos os processos está ajudando as cidades”, discursou Flávio Lemos, diretor de Serviços.

O Congresso ABES Fenasan 2017, considerado o maior evento de saneamento ambiental e meio ambiente das Américas, foi uma das etapas preparatórias para o 8º Fórum Mundial da Água (Brasília, março de 2018). Foram registradas 1.160 inscrições de trabalhos técnicos, 49 painéis e 4 mil congressistas.

A Fenasan – Feira Nacional do Saneamento, uma tradição de 28 anos, reuniu cerca de 200 expositores de equipamentos, serviços, produtos e novas tecnologias de 25 países e recebeu ao redor de 25 mil visitantes. O presidente da AESabesp, Olavo Prates Sachs, anunciou que a próxima edição, de 19 a 21 de setembro de 2018, no Expo Center Norte, terá parceria da IFAT, a maior feira de soluções ambientais do mundo, administrada pela Messe München (Alemanha).

Química e Derivados, Debate reuniu o secretário Braga, senador Muniz, Roberval Souza (Abes), Sachs (AESabesp), deputado Papa e Kelman (Sabesp)
Debate reuniu o secretário Braga, senador Muniz, Roberval Souza (Abes), Sachs (AESabesp), deputado Papa e Kelman (Sabesp)

Exposição – Em operação no Brasil há mais de 30 anos, a suíça Lonza, única produtora de hipoclorito de cálcio no país, desvelou novas caras. Há três meses no cargo de gerente de vendas, Jones Eberle (ex-GE Waters) informou que está em curso um processo de reestruturação: novas equipes de vendas, representantes, fornecedores e prestadores de serviços estão sendo formadas para que, em 2018, se alcance “uma maior atuação no mercado nacional”.

A concorrência da China, com preços reduzidos (e “qualidade inferior”), somada à crise econômica, tirou a Lonza da zona de conforto. “Tivemos que nos adequar ao mercado e reconquistar posições com um produto mais caro”, enfatizou Eberle. Dentro da nova estratégia, foi definido também o aumento de 30% da capacidade de produção do Hypocal, na unidade de Igarassu-PE, que passará de 16 mil para 20-21 mil t/mês, reduzindo custos fixos.

“Estamos focados para ampliar a presença nos setores municipal e industrial (siderúrgico, usinas de açúcar e álcool e automobilístico) e ir até mercados menores, como de hotéis e hospitais. A Lonza não vai medir esforços para crescer”, afiançou Eberle.

Química e Derivados, Fréo desenvolve alternativas mais avançadas para efluentes
Fréo desenvolve alternativas mais avançadas para efluentes

No estande do grupo Bauminas, abriu-se espaço para as linhas de coagulantes de nova geração: Pacfloc, Polifer e Polisal. “São cadeias polimerizadas de alto rendimento, com excelente performance de coagulação e floculação. Trazem maior benefício e desempenho no processo de coagulação com grande velocidade de decantação”, explicou Igor Freitas, gerente de marketing.

Ele acrescentou que os clientes estão em busca de produtos com maior rendimento. A Bauminas está agendando testes com vários deles e a sua equipe técnica poderá indicar qual o produto mais adequado para o tipo de água de cada um. Com a retomada da economia, Freitas espera uma expansão dos negócios nos segmentos de papel e celulose e processos industriais. Na área de saneamento, a reação deverá ser mais lenta.

A Hexis Científica fez o lançamento dos medidores de vazão de líquidos, gases e vapores em dutos pressurizados da McCrometer. O medidor inovador de turbidez a laser permite analisar as amostras de forma mais ampla, com a medição 90×360ºC, do que qualquer outro do gênero, proporcionando melhor precisão e sensibilidade de baixo nível e minimizando simultaneamente a variabilidade entre testes.

“É um produto que gera mais confiabilidade”, resumiu Robson Luís Pereira Silva, especialista de produtos. Outro equipamento apresentado foi o analisador de cargas AF7000, que proporciona um controle na dosagem de coagulante e polímeros em modo contínuo e on-line e assim garante uma economia para o usuário.

A Merck divulgou a sua linha de espectrofotômetros Prove com kit para análise de água potável e efluentes, relatou Caio Ribeiro Gomes, gerente de produtos, responsável pelo portfólio de equipamentos e reagentes para análises físico-químicas de água, efluentes, alimentos e bebidas.

Para controle microbiológico, o Readycult faz teste rápido para detecção de coliformes em água. Para resultados positivos, a amostra muda de cor de amarelo para azul esverdeado. Já a linha Milli Q IQ 7000 produz água ultrapura tipo 1 “para utilização nos mais rígidos controles de qualidade e técnicas aplicadas nos laboratórios, como cromatografia e absorção atômica”. Gomes revelou que a Merck tem foco nos clientes que buscam alta qualidade e pureza no laboratório e arrematou: “A estratégia é apresentar soluções inovadoras”.

Química e Derivados, Barreto: sistema PumpDrive economiza energia e manutenção
Barreto: sistema PumpDrive economiza energia e manutenção

A Nova Opersan mostrou soluções e serviços que envolvem o tratamento de águas e efluentes nos modelos onsite e offsite. “O mercado é provocante. Mantemos as receitas há dois anos reduzindo custos, enquanto crescemos muito com aquisições”, contou Antonio Carlos Fréo, gerente de vendas offsite. “A partir de 2018, vamos registrar crescimento de dois dígitos por conta da expansão da economia e de novos clientes. O desafio é fazer novas rotas de tratamento para a área de efluentes”, observou.

A Bentley expôs a nova versão Connect Edition do Watergems e Sewergems, softwares de modelagem hidráulica para redes de água e esgoto, respectivamente. “Os usuários agora têm melhor visibilidade de seus dados cadastrais e de como as mudanças podem afetar os modelos hidráulicos. A grande vantagem é dispor de cenários”, comentou João Salisso, gerente de contas.

A KSB Brasil exibiu o sistema PumpDrive, que “economiza energia e aumenta a eficiência e a disponibilidade de bombas, além de reduzir os custos de manutenção. Essa tecnologia compensa automaticamente as variações de pressão do sistema, elevando ou reduzindo a rotação do motor em função da demanda”, assinalou Udson Barreto, gerente da divisão Água e meio ambiente. É possível operar simultaneamente até seis bombas.

Outra novidade foi a unidade digital PumpMeter, que monitora a bomba através de dois sensores de pressão conectados a um display configurado conforme o tamanho e o modelo da bomba. Através do aplicativo KSB Sonolyzer, é fácil fazer a medição do motor e verificar se há potencial de economia. Em contato pelo smartphone, o representante da empresa pode fazer uma detalhada análise de eficiência energética.

A Empretec difundiu a linha de produtos MND (método não destrutivo), fabricados em parceria com a suíça Terra. O Mini-Jet (MJ 1600) opera em condições mínimas de espaço e tem força de tração de 6,6 t, descreveu o diretor Guilherme Nurchis. O X400 substitui tubulações antigas pelo método pipe bursting, e tem índice de nacionalização de 50%.

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