Química

Congresso – ABQ promove reunião do setor em Porto Alegre

Fernando C. de Castro
14 de novembro de 2009
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    Nanotecnobiologia – Dentre as diversas palestras do 49º Congresso Brasileiro de Química de Porto Alegre, uma das mais concorridas foi a explanação do professor de nanotecnobiologia Nelson Durán, da Universidade de Campinas (Unicamp). Ele detalhou os aspectos, econômicos, científicos e tecnológicos das pesquisas com estruturas nano. Abordou ainda os possíveis impactos futuros da nanotecnologia na sociedade e as aplicações em curso.

    Química e Derivados, Nelson Durán, Professor de nanotecnobiologia da Unicamp, Química

    Nelson Durán: nanotecnologia abre novas possibilidades, mas tem seus riscos

    Conforme Durán, a nanotecnologia se move num padrão comum industrial de ciclo de vinte anos entre a pesquisa e o começo da escala industrial, pois saiu dos laboratórios nos anos 80 e agora se consolida como alternativa para o mercado. “Quem achava que era uma palavra da moda se enganou redondamente”, assegura Durán.

    Os produtos da atualidade são as fibras têxteis, as emulsões cosméticas, os novos materiais aplicados em equipamentos esportivos, produtos químicos de manutenção automotiva e produtos de limpeza. Verifica-se ainda uma grande evolução no campo dos fármacos de última geração. Durán dividiu a nanotecnologia em três categorias: saúde e ciências da vida; eletrônica e tecnologia da informação; e materiais de manufatura e industriais. Uma das características da nanobiotecnologia é a multidisciplinaridade. Reúne os conhecimentos da Medicina, da Química, da Biologia, da Física, da Computação e da Engenharia.

    Como produtos consolidados no mercado, Durán cita os nanocosméticos empregados para proteger melhor ativos lábeis, tais como vitaminas, aumentar a permeação dos ativos até o sítio de ação, minimizar ou reduzir a absorção sistêmica de ativos, melhorar o poder de ação do protetor solar e maximizar a hidratação da pele. Outras aplicações do momento ocorrem na fabricação de cremes contra o envelhecimento, na melhoria da estabilidade química dos fármacos, e na manutenção do efeito sobre o alvo, solubiliza ativos lipofílicos, minimiza efeitos colaterais, reduz toxicidade, diminui o número de doses e o volume por aplicação.

    Os nanofármacos podem ser administrados por via oral, parenteral rota dérmica. Lipossomas são formados por fosfolipídios. São as nanoestruturas mais empregadas em cosméticos. As nanopartículas lipídicas constituem a tecnologia de ponta da nanotecnologia por serem consideradas as mais seguras pela FDA. São de fácil escalonamento, mantêm liberação sustentada do ativo e atuam como oclusivos. As nanopartículas lipídicas sólidas aumentam a hidratação da pele em 32%, contra 24% dos produtos convencionais.

    Os métodos de preparação ocorrem por microemulsão a quente, emulsificação ou evaporação do solvente, difusão de solvente, secagem por aspersão, homogeneização à alta pressão. Podem ser empregadas em filtros solares e em medicamentos como a rifampicina, indicada para tratar a tuberculose. Já as nanopartículas metálicas têm como método de preparação químico a óxidoredução, mas apresentam problemas na dispersão final, na estabilização das partículas e larga faixa de diâmetro das partículas. Há um método biológico alternativo por meio do fungo Fusarium oxysporum.

    As nanopartículas de prata têm efeito antibacteriano. Podem ser aplicadas em roupas cirúrgicas e em roupas de uso comum como meias e camisetas como forma de subtrair odores de transpiração e evitar infecções cutâneas advindas de micro-organismos presentes no ambiente. Também denominada silvernano, vem sendo empregada ainda em fi ltros de refrigeradores de ar, em refrigeradores e lavadoras de roupa, e materiais para ferimentos, tais como curativos prontos, xampu e pasta de dente.

    De acordo com o estudo “Nanotecnologia” (2007), coordenado pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, nos próximos quinze anos, o Brasil responderá por 1% do mercado nanotecnológico mundial, estimado em 1 trilhão de dólares. A nanotecnologia movimentará 10 bilhões de dólares no Brasil em 2015.

    Os tratamentos com a tecnologia de ponta da nanociência ainda são caros. Um fármaco da Roche Farma Brasil em dosagem de 25 miligramas custa R$ 5.829,48. É usado no tratamento do câncer de cólon com custo total mensal de R$ 117 mil por mês. Outro remédio é o imunossupressor Rapamune, cujo tratamento completo não sai por menos de R$ 200 mil ao longo de dois meses.

    O professor Durán advertiu que nem tudo são flores no desenvolvimento da nanotecnologia. Os impactos ambientais e de saúde pública ainda são desconhecidos, mas certamente implicam riscos de contaminação em operações de laboratório e na indústria, por meio de inalação de nanopartículas que podem gerar danos aos pulmões.

    Nanopartículas também podem permear a pele e atingir a corrente sanguínea, caminhando pelo corpo e podendo atingir o cérebro. É o caso de algumas nanoemulsões empregadas em filtros solares ricas em titânio, as quais podem ocasionar doenças irreversíveis, pois partículas menores que 300 nanômetros podem atingir o sistema linfático e entrar na corrente sanguínea.

    Créditos de carbono – O avanço da China no mercado de mecanismos de desenvolvimento limpo foi outro trema debatido em Porto Alegre. Na palestra “Impacto internacional do mercado de carbono, situação atual e perspectivas”, o professor Jaime Afonso Ibañez, pesquisador da Espanha, afirmou: “A China já detém 75% do mercado mundial de créditos de carbono.”

    Um dos países mais poluidores do mundo surpreendentemente é agora o campeão mundial em venda de papéis relacionados com tecnologias limpas. Segundo Ibañez, os chineses expandiram em progressão geométrica os parques de energia eólica e passaram a converter todas as minas de carvão do país em usinas termelétricas, pois transformam o gás metano proveniente da extração do carvão em fonte de energia para mover turbinas de geração.



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