Química

Condições são favoráveis para o desenvolvimento – Indústria Química

Marcelo Fairbanks
4 de março de 2019
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    Nada se confirmou, ainda, sobre as negociações entre LyondellBasell e Braskem, foram iniciadas em 2018. Até o momento, sabe-se que houve várias reuniões e abertura total de informações da Braskem para a LyondellBasell que, inicialmente, pretendia adquirir a participação acionária da Odebrecht na companhia brasileira (50,1% das ações ordinárias). No período, a direção da Petrobras, também acionista relevante (47% do capital votante), foi mudada duas vezes e chegou-se a cogitar a venda da participação da estatal, dentro de um programa de venda de ativos para geração de caixa da estatal.

    Agora, com novo governo e novo comando na Petrobras, as conversas entre as partes esfriaram, mas não foram canceladas. É preciso saber como ficará o suprimento de nafta para a petroquímica. O contrato atual de fornecimento do insumo vale até 2020. Seria necessário garantir desde já um novo contrato, com duração mais longa e preços adequados, para que as negociações prossigam. A Petrobras, por seu lado, aguarda a oferta da LyondellBasell para decidir se exercerá o direito de venda conjunta (tag along).

    Esperança vem do mar – Os imensos e muito produtivos reservatórios da região do Pré-Sal (área que se estende do litoral capixaba até o catarinense) são a prioridade máxima da Petrobras e de operadores estrangeiros que investem por aqui nessa atividade. Deles também emanam grandes expectativas da indústria química e petroquímica em contar com o sempre almejado suprimento de matérias-primas de baixo custo para alimentar novas capacidades produtivas.

    “Nenhum outro setor pode contribuir tanto para o desenvolvimento econômico do Brasil quanto a exploração de óleo e gás no Pré-Sal”, afirmou Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e conhecido especialista no ramo. Até 2026, informou, a produção brasileira saltará dos atuais 3 milhões de barris por dia de óleo para 5,2 milhões de bpd, um crescimento médio de 7,6% ao ano, para atender uma demanda local com previsão de subir 1,5% ao ano até 2023.

    “Sabemos que o shale gas salvou a economia americana na última crise econômica, o Pré-Sal é o nosso shale gas, o custo de extração é inferior a US$ 7 por barril, excelente”, avaliou Pires. A atuação de operadores internacionais na região é comemorada pelo especialista. “Cerca de 20% da produção na região está nas mãos de outras petroleiras e elas estão exportando o petróleo extraído, o que é muito bom, incentiva a presença de novos atores por aqui”.

    Sua visão é mais crítica em relação ao refino de petróleo no Brasil. “As refinarias da Petrobras são pouco eficientes, se houver uma abertura para novos players teremos uma oferta maior de correntes leves, fundamental para alimentar novos projetos petroquímicos e reduzir importações de diesel, entre outros”, comentou. Ele defende a revisão do modelo atual de refino, praticamente um monopólio da Petrobras, na direção de um mercado mais competitivo, incluindo a construção de novas unidades de refino, porém com cautela para impedir a concentração de negócios nas mãos de empresas privadas. “O Comperj está em construção e precisa ser concluído, mas há lugar para novos projetos, pois estamos importando grande volume de combustíveis e a margem de lucro é boa”, disse. Ele salientou que o Pré-Sal produz óleos leves, exigindo a adaptação do parque refinador atual, voltado para os pesados típicos da Bacia de Campos-RJ.

    Sobre o panorama global do refino, Pires salientou que os Estados Unidos, que produzem 12 milhões de barris por dia (bpd) de petróleo e contam com um parque refinador muito grande, estão investindo em novas e maiores refinarias. “Por exemplo, a Exxon investe US$ 20 bilhões em uma refinaria no Golfo do México”, afirmou.

    No Brasil, a lei 13.679/2018 permite à PPSA (gestora das áreas de partilha do Pré-Sal) contratar o refino e beneficiamento do petróleo, gás e outros hidrocarbonetos, todos com potencial uso petroquímico. “Essa lei é boa, precisa ser mais efetiva”, avaliou.

    O caso do aproveitamento do gás natural no Brasil é um pouco mais complicado. “A cadeia de produção e comercialização do gás precisa se combinar melhor, cada elo precisa respeitar os demais para agregar valor ao negócio”, criticou o especialista. Ele prevê um grande aumento de oferta de gás com o aproveitamento do Pré-Sal. “Carcará e seu vizinho somados têm mais gás natural que toda a Bolívia”, disse.

    O aproveitamento do gás exige a adaptação da Rota 1 para que receba o gás da Bacia de Santos e o conduza à terra firme, bem como a conclusão da Rota 3. É preciso estabelecer contratos de longo prazo com os consumidores firmes e de longo prazo, casos de termelétricas e petroquímicas, garantindo a colocação do gás. “Além disso, o calendário de leilões de novos campos deve ser mantido sem imprevistos”, salientou.



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